Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Antonio Porchia

25 de julho de 2016, às 13:54h por Samarone Lima

Trechos de um de meus escritores prediletos, jamais publicado cá no Brasil:

“Uma coisa, até não ser toda, é ruído. E toda, é silêncio” (Antônio Porchia, poeta argentino).

“Quando tu e a verdade falam, não escuto a verdade. Te escuto”….
(idem).

“Quando o superficial me cansa, me cansa tanto, que para descansar preciso de um abismo”.
(idem)

“O pensar profundo transforma, como o amor profundo”.
(Idem)

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Guima & Riklke

15 de julho de 2016, às 16:23h por Samarone Lima

“Merece de a gente aproveitar o que vem e o que se pode, o bom da vida é só o chuvisco…”

(Guimarães Rosa)

**

“A dor não tolera intérpretes”.

(Rilke)

**

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Extra! Extra! Lançamento sexta-feira!

6 de julho de 2016, às 11:11h por Samarone Lima

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Os caminhos errantes da poesia

22 de junho de 2016, às 14:50h por Samarone Lima

Foi ontem à noite, no lançamento do livro O convidado (contos) do amigo Pedro Moura, que reencontrei a editora e amiga Karla Melo, da Confraria do Vento. Eu sabia que ela tinha, na algibeira, cinco exemplares do meu novo livro de poesias, mas não fiz muito alarde. Disfarcei de mim mesmo que não estava doido para ver, em forma de objeto, tudo o que esteve em papéis, velhos cadernos e arquivos de computador, com inúmeras correçoes. Mas demos os descontos. Ansiedade não é o meu mal.

Conversamos um bocado, peguei o autógrafo do Pedro em seu primeiro livro e, finalmente ela pegou meu livro.

Olhei, cheirei, acariciei. O projeto gráfico, mais uma vez, ficou belo e delicado, exatamente como gosto. Depois chegou o amigo Gerrá Lima e conversamos sobre vários assuntos, tomamos umas cervas, até que peguei uma carona e vim pra casa.

Só hoje de manhã, em meio à chuvinha fina que cobria o Recife, peguei o exemplar e o visitei. Fui olhar com cuidado tudo, rever dedicatória, agradecimentos, reler os poemas com calma, lembrando dos momentos em que foram feitos, circunstâncias, lugares, pessoas que me levaram à cada um deles.

Então veio uma emoção calma e mansa, como ao chuvinha matinal. Fiquei feliz pelo resultado. Começa um novo ciclo. É a minha terceira “saída poética”, desde 2012.

Como nos livros anteriores, agradecimento ao amigo e irmão, Arsênio Meira Júnior, que me fez publicar pela primeira vez. Ele fez a seleção rigorosa do livro A praça azul, que foi publicado junto com outro livro de poemas (na verdade um longo poema, autobiográfico), intitulado Tempo de Vidro, pela editora Paés, do Rodrigo Sushi. Esta foi a primeira saída. Finalmente, mostrei meus poemas, que estavam bem escondidos, enterrados no quintal da casa da alma.

Em 2013, pela Confraria do Vento, surgiu O aquário desenterrado, com o olhar atento da editora Karla Melo e o velho Arsênio acompanhando tudo. Desde que nos falamos pela primeira vez, em 29 de junho de 2010, Arsênio virou meu amigo e primeiro leitor, atento, sincero, cuidadoso e vibrante. Foi a segunda saída poética.

Meu querido amigo morreu dia 18 de outubro do ano passado, aos 40 anos, vítima de um infarto Foi um baque para mim e Inacio França, que compartilhamos sua amizade, seu afeto, seu amor à literatura, sua generosidade, durante cinco anos. Cinco anos. Foi somente este tempo que a vida nos deu para desfrutar deste enorme coração. Um homem das literatura, disfarçado de advogado. E temos memórias indeléveis de cada encontro, os longos email e telefonemas, tudo.

Em nossos encontros, nunca faltou o riso farto, a conversa em torno da vida, dos livros, o empurrão literário que ele sempre nos dava. Inácio, que terminou esta semana de revisar seu primeiro romance (uma novela, na verdade), sabe bem o valor que isso tem – um grande leitor, sem cobiça literária, pronto para o olhar preciso, a palavra certa, o rigor, a precisão. O maior leitor que já conheci nesta vida. Um homem que, de fato, amava a poesia.

Ele não estará no lançamento de A invenção do deserto, meu quarto livro de poesias (e a terceira saída), novamente pela Confraria. Mas estará espiritualmente, tenho certeza, já que leu e releu e comentou tudo. E sugeriu, e propôs cortes e melhorias em todos 56 poemas que foram selecionados.

Por isto, não coloquei dedicatória ou agradecimento. Botei “Este livro pertence a Arsênio Meira deVasconcelos Jr”. Sim, o livro pertence a ele.

O lançamento será no restaurante Fuê, que fica ao lado da igreja do Poço da Panela, dia 8 de julho, a partir das 18h.

O local tem tudo a ver com meu livro e com minha vida.

Morei por cinco anos na casa de primeiro andar onde funciona o restaurante. Rua Visconde de Araguaya, 51, Poço da Panela. Muitos amigos vão lembrar de coisas lindas que vivemos por lá. Na esquina, a venda de Seu Vital, meu velho amigo. Ali perto, o campo de futebol, onde joguei tantas peladas dominicais. Ali perto, a casa de Luzilá Gonçalves, escritora e amiga.

Na verdade, o Poço faz parte da minha vida. Lá vivi, lá casei, lá conheci amigos que estão na minha vida, lá me envolvi com um grupo que fundou uma biblioteca comunitária. E lá sempre volto, semanalmente, para rever todo aquele ambiente de cidade do interior.

Acho que vai ser uma noite poética e alegre. Esta postagem é um convite para quem gosta de poesia. A partir das 18h, do dia 8 de julho, estarei lá, com meu novo livro e minha canetinha para dedicatórias.

E um pouco de vinho, que ninguém é de ferro…

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Breve cegueira involuntária

9 de junho de 2016, às 13:12h por Samarone Lima

Se você me encontrar pelas ruas do Recife, meio ao acaso, e me der um aceno a uma distância de quatro ou cinco metros e eu não devolver o gesto carinhoso, não se chateie comigo – estou cego, a partir de uma distância de um palmo e meio.

Desde segunda-feira, a lente direita do meu óculos quebrou. Foi a primeira vez, nos últimos trinta anos, que a lente quebrou por cansaço, não por pisadelas errantes nos meus passos doidos. Ela, a lente, cansou de mim. E a receita, feita ano passado pelo meu amigo Rafael Arruda, sumiu dos meus papéis, das minhas caixas, sabe-se lá onde ela se meteu.

Tenho este problema existencial: quando guardo bem uma coisa porque preciso muito ou porque “é muito importante”, na verdade, estou é escondendo de mim. Uma vez foi o passaporte. Seis meses tão bem guardado que nem a Polícia Federal, nem aquele japonês da Lava Jato encontrariam. Freud explica. Talvez Emília. Ou Jung, Ou Seu Vital. É tanta gente no mundo para explicar as coisas.

Hoje é quinta-feira e sabe-se lá como estou vivo. Ao longo desses dias, atravessei dezenas de ruas, vendo vultos. Eram carros, que vinham bem longe (pelas minhas estimativas), mas já estavam bem perto, tirando finos brutais. Definitivamente, as pessoas controlando um volante e um acelerador, são bastante covardes com os pedestres. Nas paradas de ônibus, irritei inúmeros motoristas. Dava a mão, com uma certeza de vaqueiro que sai errante pelo mundo, e quando ele parava, perguntava se passava no Arruda, meu novo local de trabalho.

Duas noites seguidas, olhei o jornal quase enfiado à cara, para ver a programação de cinema. Ah, que inutilidade teria sido, chegar para ver uma bela película sem enxergar à distância.

Míopia? Astigmatismo? Hipermetropia? Escoliose visual? Sei lá. Sei que vejo ruim de longe. E já faz tempo. À noite, sem óculos, todas as luzes de postes e carros ficavam meio coloridas. Ganhei árvores de natal só para mim.

O mesmo Rafael, ex-artilheiro da nossa pelada das quartas, fez um exame detalhado da minhas fatigadas retinas, ano passado, e diagnosticou uma lente bifocal. Saí com a receita no bolso, cheguei em casa e botei dentro de algum livro. Vista cansada coisa nenhuma. Vou resistir, foi o que pensei. Eu sou birrento mesmo.

E estou vivo, sem a bifocal. Quando preciso ver bem de perto, tiro os óculos. E adoro ler coisas de perto, sentindo o cheiro do livro. Agora mesmo, meu focinho está bem junto da tela do computador. Mas não tem cheiro nenhum. Já “O fiel e a pedra”, de Osman Lins, tem cheiro de tudo. Água limpa nas vasilhas do quintal. Porque em geral só o incomum é opaco e tem uma cor para os sentidos humanos. Como um homem é capaz de escrever tanta beleza, meu Deus.

Mais tarde sai o novo óculos. Então já terei mais esta experiência na vida: três dias e meio semicego,nas ruas do Recife.

Hoje, Rafa finalmente respondeu meus pedidos de SOS (Salve O Sama) e mandou a receita pelo zap zap, essa novidade que o trabalho me obrigou a usar. Mas isso é tema para outra crônica.

Fui ao meu velho consertador de óculos, Gugu, que trabalha numa pequena salinha num prédio ao lado da praça Maciel Pinheiro, perto da casa onde Clarice Lispector morou. Ele me apresentou umas armações, escolhi uma, ele fez um preço camarada e juntou com as lentes: R$ 220,00, tudo. Dei uma regateada, pechinchei, ficou por R$ 200,00. À vista. Ele me entrega mais tarde.

Acho que vou precisar me acostumar a ver de novo o Recife assim, tão de perto, tão claro, tão meu.

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