Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

Apresentação


Oficinas


Livros


Artigos recentes


Comentários Recentes


Aproximações


Destaque


Calendário

novembro 2014
D S T Q Q S S
« out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Arquivos


Usuários online

5 Usuários Online
Leitores:

2 Caranguejos
3 Escafandristas

Aos que pedem o retorno de uma ditadura

18 de novembro de 2014, às 13:35h por Samarone Lima

Caros, permitam-me algumas palavras a vocês, que andam pedindo abertamente, muitas vezes de forma histérica, o retorno dos militares ao poder.

Sob a bandeira do “combate a corrupção” e os argumentos de “botar ordem no País”, ou “acabar com a ditadura do PT”, para convocar uma Ditadura, há uma série de desatinos e brutais doses de amnésia histórica.

Primeiro, vamos ao básico – nós não vivemos em uma ditadura.

Há pouco, tivemos eleições, com candidatos de vários partidos vencendo nos mais diferentes estados, seja da situação, seja da oposição. Os poderes Legislativo e Judiciário seguem funcionando normalmente. Tem gente graúda indo para a cadeia. Os meios de comunicação, os grandes conglomerados que controlam rádios, jornais e TVs ao mesmo tempo, publicam o que querem, a hora que querem, do jeito que querem. O sujeito pode escrever o que quiser contra a presidente, em qualquer jornal, revista ou no meio da rua, que não será preso. Com todas as imperfeições, estamos em uma Democracia.

Desde os 23 anos pesquiso sobre ditaduras, tanto no Brasil quanto na América Latina (Chile, Uruguai e Argentina). A única diferença entre elas é saber qual foi a pior. Ditaduras matam, fazem desaparecer pessoas, sonhos, ideais, perseguem, exilam, desterram os mais brilhantes escritores, cientistas, pesquisadores, artistas. Foi o que aconteceu aqui. A lista é enorme.

Em todas elas, os militares assumiram prometendo tirar os corruptos, ou “a ameaça do comunismo”, para fazer uma “limpeza” e restaurar a Democracia. Depois que assumiram, aprofundaram a corrupção, fizeram governos brutais, arrebentaram qualquer voz opositora, liquidaram o Judiciário, censuraram a Imprensa e deixaram o Legislativo cumprindo ordens. Só saíram quando foram obrigados – e sempre saíram tarde demais, deixando para trás destruição, violência, dívidas e cadáveres. Destes, só a Argentina julgou e prendeu os responsáveis pelo desaparecimento de aproximadamente trinta mil seres humanos.

Após o Golpe de 1964, este país viveu uma verdadeira caça às bruxas. Milhares de pessoas foram presas, torturadas, mortas. Sindicalistas, camponeses, advogados, jornalistas, profissionais liberais foram para delegacias, cadeias, calabouços. Milhares foram fichados, demitidos sumariamente de seus trabalhos, perderam o que tinha, sobreviveram com a ajuda de amigos. Bastava simpatizar com alguma causa que não fosse do gosto dos militares. Bastava ter um amigo ou parente preso, para cair em desgraça. Até agora não se contou direito o que foi feito com os povos indígenas.

Depois de um começo que prometia somente “tirar o perigo comunista”, os militares gostaram do “poder total” e foram adiante. Em 1968, com o AI-5, acabaram com um princípio fundamental do Direito – o habeas corpus.

De 1969 a 1973, sob o comando do general Médici, viver no Brasil era estar debaixo de um manto de medo. A Ditadura ficou até 1985, mas nunca seus crimes – que foram muitos – foram julgados.

Estamos em 2014, justo quando lembramos os 50 anos do Golpe. Os tempos mudaram. Mas o “modus operandi” de uma ditadura não muda jamais. A vocês que pedem o retorno dos militares, lembro que estão pedindo, também, sejam canceladas conquistas histórias do povo brasileiro, que estão oferecendo um cheque em branco para que os destinos de um povo fiquem a mercê de um “Comando militar” que não costuma perguntar aos civís o que fazer.

Lembro do primeiro livro que escrevi sobre a ditadura, sobre o militante da Ação Popular (AP), José Carlos Novais da Mata Machado. Estudante universitário, envolveu-se na militância estudantil, entrou para a AP, foi preso no Congresso da UNE em Ibiúna, depois foi preso e “caiu na clandestinidade”, como se diz.

Foi morto dia 28 de outubro de 1973, após sessões brutais de tortura, no DOI-CODI do Recife. Seu corpo só foi resgatado graças à atuação de uma destemida advogada, Mércia Albuquerque, que localizou uma cova no cemitério da Várzea. O Zé tinha sido enterrado como indigente. O pai do Zé, Edgard da Mata Machado, renomado jurista mineiro, teve que redigir um documento solicitando o corpo do filho.

O corpo só foi liberado para o enterro em Minas desde que fosse lacrado e jamais aberto.  Foi o que aconteceu.

A vocês, qua andam com cartazes pedindo abertamente a volta dos militares ao poder, que fazem passeatas para que os tanques voltem a ocupar nossas ruas e praças, achando isso muito moderno e sofisticado, peço que tomem cuidado.

A Democracia é um bem muito precioso para vivermos esta blasfêmia.

Postado em Crônicas | 4 Comentários »

Notas sobre um país modesto e único

13 de novembro de 2014, às 10:35h por Samarone Lima

Minha primeira viagem ao Uruguay, salvo engano, foi em 1997. Morava em São Paulo, foi chegando o final de ano, tinha uma graninha de reserva e decidi – vou passar o Revéillon em um país vizinho. Peguei minha mochila, comprei a passagem de ônibus e descolei um albergue na “Ciudad Vieja”, parte mais linda de Montevidéo.

Isso já tem 17 anos, minha nossa.

O fato é que adorei o país, fiz vários amigos, e na festa da passagem do ano, fiquei responsável pela banca de caipirinha. Nisso eu sou bom pacas. Sou um dos melhores caipirinheiros que conheço. Não fica um em pé.

Já voltei algumas vezes. Eu simplesmente adoro aquele povo calmo e vibrante, gentil, hospitaleiro, guerreiro e educado, com sua cultura já sedimentada. Você vai chegando para atravessar a rua, os carros vão parando quase que por um comando sobrenatural. Não se ouve quase buzinas em Montevidéu. Há cafés, bares, há dezenas, centenas de sebos maravilhosos, com vendedores que podem falar longamente sobre a obra de algum autor que você perguntou.

Como sou um cearense que sofreu mutação genética, e que toma chimarrão quase todos os dias, posso dizer que a erva-mate (estou falando erva-mate!) de lá é a melhor do mundo.

Desta vez, encontrei algo novo – o fenômeno Pepe Mujica. O presidente, que vai terminando seu mandato e já quase reelegendo seu sucessor, vem mostrando ao mundo a força da simplicidade, o despreendimento das benesses materiais e toda a superproteção que chefes de governo costumam se apegar – e sofrem muito quando perdem isso. Não falo só de presidentes. Falo de qualquer governador, prefeito, deputado, senador no Brasil. Eles se apossam do estado como gafanhotos. Querem tudo. De carro oficial a mordomo. De helicóptero para levar o cachorro ao veterinário a motoristas para levar o filho no boteco.

Mujica vive numa chácara simples, anda em seu Fusca azul (ano 1987) – e nele foi votar no primeiro turno das eleições. Dispensou aquele enorme aparato de segurança que aqui no Brasil até um prefeito tem e doa metade do seu salário para obras sociais.

Mais recentemente, Mujica recebeu uma proposta indecente, por parte de um daqueles milionários cheiques árabes (não sei como se escreve cheique) – o sujeito ofereceu US$ 1 milhão pelo seu wolksvagem, avaliado em US$ 2.900,00.

“Eu não tenho compromisso com os ferros”, respondeu Mujica.

Ele já anunciou que se o milionário quiser mesmo o seu Fusca, vai doar todo o dinheiro para os fundos do “Plan Juntos”, encarregado de construir casas popullares. Cada casa custa US$ 20 mil. O Fusca, portanto, vai proporcionar a construção de mais ou menos 50 casas. Mas lembrem que sou péssimo em matemática.

Aos jornais, ele anunciou que não vai ficar com um centavo sequer.

“Para que quero se estou perto dos 80 anos?”, perguntou.

Mas das muitas matérias publicadas nos jornais, uma frase de Mujica me chamou a atenção.

“Se me pedem isso por Manuela a coisa muda”.

Manuela é sua cadela, de três patas.

Essa, creio, ele não vende nem por 100 casas.

Ao responder a uma equipe de jornalistas sobre o que implica para ele a felicidade, Mujica respondeu:

“Há que ensinar à gente que viva a vida renunciando ao disparate material, não vivendo nas costas dos outros, sendo direito e tendo comunidade. São as chaves mais velhas, antropologicamente, que podem ter o homem, o que passa é que damos muita volta e complicamos tudo”.

Antes de viajar, pensava que Mujica era um fenômeno fora do Uruguay, com sua simplicidade e sua luta para mudar os rumos da tragédia que é o combate às drogas pelo mundo. Um homem que fala o que sente, que não vive cercado de assessores que orientam cada fala, o que pode ser mal interpretado, o que pode roubar pontos na aprovação.

Mas ele é adorado em seu próprio país.

“Mujica é um desses que acontece uma vez na história de um país”, me disse Milton, um ex-exilado que passou 36 anos no Canadá e voltou recentemente ao seu país. O conheci tomando uma cerveja num boteco modesto, em plena esquina da famosa rua “Tristan Narvaja”, onde, aos domingos, há uma feira interminável, onde se encontra de tudo. Conversamos longamente sobre política, futebol, exílio e a vida.

Havia uma foto do presidente com o dono do bar, na parte interna do antigo balcão.

“Penso que quem gosta muito de dinheiro não deve meter-se na política. Isso não quer dizer que a política não tenha interesses, mas eles não são interesse de dinheiro, são interesses de sentimento, de reconhecimento das pessoas, de outras coisas. Há muita gente que não sabe e se mete na política porque ela lhe garante um cargo para passar bem. Creio que os políticos têm que ganhar algum dinheiro, mas não precisam muito mais do que a maioria das pessoas para viver. É preciso viver como vive a maioria e não como a minoria. Porque estas são repúblicas, e nas repúblicas dizemos que decide a maioria. Se a maioria decide, é preciso viver como ela e não como a minoria. Então, se necessitamos de uma casa muito luxuosa, muitos carros, muitos empregados, e casas de férias… Adeus! Vendemos a alma ao diabo”.

Enquanto lia isso, lembrei de tanta coisa. O senhor Renan Calheiros, por exemplo, foi capaz, outro dia, de pegar um avião da Força Aérea Brasileira para vir ao Recife, salvo engano, fazer um implante de cabelos. Upa lala…

Para a sorte dos uruguaios, Mujica foi eleito Senador, e vai continuar sua militância.

Num dos jornais uruguaios saiu uma declaração que Maria José Pino havia colocado em seu twitter:

“Em alguns anos vamos contar aos nossos filhos: “Eu vivi no Uruguay na época em que Mujica era presidente”. Gostem ou não, é história”.

Da minha parte, posso dizer, modestamente, que estive alguns dias no Uruguay enquanto Mujica era presidente.

E seria maravilhoso, para nosso país, se políticos brasileiros, de todos os partidos, absorvessem um pouco dessa simplicidade viva, inteira, íntegra e verdadeira deste homem que tem muito a ensinar ao mundo.

Postado em Crônicas | 3 Comentários »

Na estrada

10 de novembro de 2014, às 8:24h por Samarone Lima

Viajar é um vício que tenho desde a infancia.

Comecou com  meu pai, que a cada mes de julho colocava a família dentro de um Fusca (IZ-3059) e se mandava de Imperatriz para o Crato. Era o momento mais aguardado do ano, pelo menos para mim.

Estou em Montevideu, no Uruguay, exercendo meu vício com total vitalidade.

Há várias cronicas na algibeira, mas nao trouxe notebook e estou com uma baita preguica de postar.

Vou ver se tomo uma cerveja com o Mujica, hoje a tarde, para descolar uma entrevista exclusiva.

O Uruguai, por sinal, está cada dia mais lindo.

Até breve.

Postado em Crônicas | 2 Comentários »

Vai que tenho leitores gaúchos…

4 de novembro de 2014, às 10:45h por Samarone Lima

Estou cá, numa pousada belezoca perto do Parque Redenção.

Mais tarde (19h), no Café Fon Fon, haverá o lançamento de dois livros da Confraria doVento:

“Um cigarro atrás do outro”, de Codie Vasli (crônicas).

“O aquário desenterrado”, meu mesmo (poesias).

Vai que tenho algum leitor assíduo em Porto Alegre, heim?

Ps. Mais tarde escrevo sobre a Lélia Almeida, uma escritora maravilhosa que conheci ontem, na Feira do Livro de Porto Alegre. Já tinha lido incrível livro dela, de crônicas, intitulado “Este outro mundo que esquecemos todos os dias”.

Depois da conversa, saímos para tomar um vinho. Eu, ela e a nossa editora, Karla Melo. É sobre isso que escreverei. É uma sorte danada conhecer certas pessoas na vida. Como diz a Karla, “gente do mesmo pavilhão que o nosso”.

Postado em Crônicas | Sem comentários »

A história do homem que amou demais – Final

29 de outubro de 2014, às 16:51h por Samarone Lima

A pedidos (e aproveitando a preguiça cronica que me assola), a segunda parte de uma crônica de 2005.

**

Recife, 03 de setembro de 2005.

Onde estávamos? Ah, sim, eu falava das histórias do desconhecido que conheci ocasionalmente na praça de Casa Forte. A última frase da crônica sentimental anterior foi “O sangue nas minhas veias se expandia…” – uma imagem por demais poética e amorosa (quem não leu, faça-me o favor, é o texto anterior, logo abaixo). Meu amigo se referia ao seu grande amor, Zeza, uma criatura feia, baixinha, gorda, mas que ele amava, com o amor não tem isso, não escolhe beleza, palavras do próprio amigo.

Na verdade, quando entramos no delicado tema amoroso, o meu amigo fez confissões as mais duras. Com a retroescavadeira, chafurdou a alma. Sofri junto com ele, quando disse que seu coração pulsava por ela.

“Aquele olhar seguro, humilde, me acalmava. Perto dela eu me sentia feliz”.

“E o que era ela para você?”, perguntei, e imediatamente descobri que arrancara a tampinha da ferida.

“Eu sofri dores angustiantes que me fizeram padecer. Mas sou de sofrer calado. Agora, respondendo à sua pergunta – uma árvore, um pássaro, uma canção, tudo me lembrava ela”.

“Mas se era assim tudo tão perfeito, por que vocês se separaram?”

Essa foi, de fato, uma pergunta estúpida.

“Eu nunca entendi, mas ela separou de mim”, respondeu ele, tristíssimo.

Me olhou muito sério e completou:

“A mulher é uma criatura que ninguém entende”.

Concordei imediatamente.

Sei que tem gente que entende, mas não conheci tal felizardo. Descobri que meu amigo se chamava Luis Antônio Bezerra Tavarêz (com z e acento circunflexo, como me informou), 62 anos. Deu baixa do Exército em 1964. Trabalhou 20 anos na Celpe e saiu em 5 de janeiro de 2000, graças a um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Recebeu uma bolada razoável – R$ 78 mil e gastou tudo, absolutamente tudo com Zeza. Passeios, piscina, viagens. Viveram seis anos juntos, me disse ele.

“O pedestal é o edifício mais alto que existe”, completou.

O Tavarêz gostava de sair com frases intempestivas, que alavancavam a conversa.

“No pedestal tem piscina, caviar, pernil, Ballantines 12 anos”, prosseguiu.

“E hoje, na terra tem lapadinha de cana”.

Foi isso. Meu amigo recebeu uma boa grana, torrou tudo com a querida Zeza e depois levou um chega-pra-lá. Veio o famoso tombo. Eu já estava me preparando para encerrar a conversa, tinha sido um ótimo começo de noite, quando o Tavarêz deu uma tossida breve, aquela de quem vai começar um assunto, e me disse que tinha amado uma mulher que o Orlando Silva cantava em prosa e verso. Perdão, fui consultar meu bloquinho agora, e é o Orlando Dias. Me parece que um é mais antigo que o outro, não sei, é só uma intuição.

“Ela se chamava Dolores. Tomei uma cana tão grande, que fui pedi-la em casamento”.

Então caiu o mito do “único amor”, que o Tavarêz tinha alardeado. Teve a Zeza, mas a Dolores também fez estragos.

“Eu era cambiteiro na época e ela disse que eu não podia sustentar ela”. Informo que não sei o que é cambiteiro.

“Foi a mulher que mais amei na vida, Dolores”, disse ele, em meio a um suspiro.

Francamente, Tavarêz, tem hora que eu não entendo mesmo são os homens. Há pouco, a mulher de sua vida era uma morena baixinha, feia etc. Agora me surge, assim do nada, essa Dolores, que me parece ser uma mulata alta, esguia, cabelos até os ombros e lábios grossos, pelo menos foi como a imaginei, pelo olhar de gula dele.

“Depois veio Toinha, Rosângela, Maria, Zefinha… e hoje eu nada tenho, só sofro de saudades”, lamentou ele.

“Espero um dia abraçar novamente a mulher que mais amei na vida”.

Como eu já não sabia qual era a mulher que ele queria abraçar, preferi não perguntar, para não ser indelicado. Ficamos conversando mais um pouco, pensei em chamá-lo para uma cervejinha num fiteiro defronte à praça, mas eu tinha que trabalhar, essa minha vida de dono de bar me mata. Falamos umas potocas, mas a conversa deixou de ter percalços bíblicos ou rasgos filosóficos. Percebi que Tavarêz era uma daquelas criaturas que tinha amado demais na vida. Ultrapassara o dique que ele mesmo podia suportar e ficara como Nova Orleans, inundado.

O resultado era que a dor também tinha deixado marcas fundas, sulcos, buracos em sua alma, e talvez não houvesse mais como fazer os tais remendos. Perdera, talvez, as sementes e a colheita. Não havia mais como plantar, nem como esperar brotar. Daí a solução caseira – “amor só existe um, que é o de mãe”, como ele dissera, no início da conversa”.

Sim, Tavarêz, mas é o mais seguro também, porque e é diferente amar uma criatura como a Zeza, que é feia mas fica linda. Se minhas amigas psicólogas te pegarem, estás em maus lençóis. Terás um complexo de presente.

Mas estou conversando água. Tavarêz fez o primeiro silêncio da noite, me olhou fixamente e disse:

“Hoje, só fracasso e solidão”.

Senti uma fisgada no coração. Doeu até em mim.

Ele se levantou, me estendeu a mão direita e completou:

“Mas amanhã é outro dia. Paramos por aqui”.

Ele saiu andando devagar e creio que conheci um homem que amou demais. Há gente assim na vida. É só uma constatação.

Há que se acolher, nem que seja com um olhar, num banco de praça no Recife, uma pessoa que amou demais e rompeu os próprios diques.

Estuário: crônicas do Recife

Postado em Crônicas | 5 Comentários »

« Artigos anteriores