Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Desencontro marcado

17 de dezembro de 2014, às 16:06h por Samarone Lima

Recife, 17 de dezembro de 2014.

Caro Affonso Romano de Sant’Anna;

Você não imagina a minha incredulidade quando recebi um telefonema da Fundação Biblioteca Nacional, em meados de setembro, informando que meu pequeno livro de poesias, “O aquário desenterrado”, publicado pela editora Confraria do Vento, tinha sido o vencedor do Prêmio Alphonsus de Guimarães. Maior a incredulidade quando soube que você fazia parte da equipe de jurados. Quanta honra.

Passados alguns minutos, compartilhei a notícia com minha mulher, celebramos, mas ainda faltava um email, informando detalhes da premiação, da entrega do prêmio etc. Liguei para minha editora, Karla Melo, que ficou dando pulinhos na sala, de tanta felicidade. Uma pequena editora, com sede no Rio de Janeiro, tinha seu trabalho reconhecido justamente pela Biblioteca Nacional.

O email da Ana Cristina tratou de confirmar tudo. A data da premiação ainda não havia sido marcada por conta das eleições presidenciais.

Um mês depois, saiu a data. Dia 15 de dezembro de 2014, às 18h, no auditório Machado de Assis, no centro do Rio de Janeiro. Recebi as passagens e combinei com Silvinha de passarmos um fim-de-semana no Rio, cidade que abrigou meu avô Antônio, um retirante que nas suas muitas errâncias, partiu do Crato, no interior do Ceará, deixando para trás a mulher e quatro filhas. Apenas uma delas, batizada de Ermira, em homenagem ao seu irmão, Ermiro, nasceu e viveu na Cidade Maravilhosa, até a adolescência.

Foi no Rio, mais especificamente em Belford Roxo, que meu avô morreu, de tuberculose, com pouco mais de 50 anos, sem jamais ter visto a filha carioca.

Confesso, querido Affonso, que fiquei preocupadíssimo com a cerimônia – a primeira da minha vida deste tipo. Eu teria que falar? Precisaria escrever algo, para não passar vergonha.

Iria resgatar a história do meu avô, do qual restou apenas uma foto e seu atestado de óbito, que transformei em um poema do meu Aquário. Falaria também da minha mãe, uma mulher mansa e íntegra, dona da uma tristeza muito antiga, amparada por um eterno sorriso, mesmo nos momentos mais duros. Falaria sobre os caminhos que me levaram à poesia, onde abro espaço nos labirintos da memória para colocar minha multidão de afetos, amores, saudades, como os tios, irmãos, pais, primos, amigos, errantes pelo mundo, seguindo os desígnios da vida, do destino, do inesperado, do sonho.

Olhando bem, e poesia é isso tudo. É meu mapa de errância, o lugar secreto onde me reencontro – e encontro todos os que lembro e nomeio.

Mas acabei sem escrever nada e acrescento a esta breve carta a uma nota que não chega a ser poética, mas patética.

Sim, meu amigo, eu confundi o horário. Não sei de onde me ocorreu que a cerimônia seria às 19h (e não às 18h, como estava no convite e escrito na minha agenda).

Quando cheguei à Biblioteca Nacional, às 19h10, encontrei o Victor Paes, um dos sócios da Confraria do Vento. Ele estava ainda meio perplexo. A cerimônia tinha terminado cinco minutos antes.

“Cara, o Affonso Romano de Sant’Anna perguntou por ti até na hora da entrega do prêmio”, disse, me entregando imediatamente a placa lindíssima com os dados sobre o prêmio e meu rebatismo – “Samarones Lima”. Se um Samarone já dá trabalho, imagine-o plural…

Fiquei à tua procura, mas era tarde. Você saiu logo depois. Perdi a oportunidade, talvez única na vida, de receber das mãos de um dos maiores e mais importantes escritores do Brasil, no palco do auditório Machado de Assis, o primeiro prêmio literário da minha vida.

Ficamos ali conversando, conheci outros autores, editores, tiramos fotos, mas por dentro eu sentia aquela fisgada. Poxa vida, Sama, que mancada gigantesca…

Mas a poesia sempre sempre nos salva. Lembrei imediatamente do Rimbaud – “Acabei por considerar sagrada a desordem do meu espírito”.

Foi o que aconteceu. O desencontro foi fruto deste meu espírito que às vezes se perde, desafina, confunde datas, horários. Louvadas sejam todas as nossas desordens.

Esta carta é para agradecer por tudo o que você já escreveu e fez pela cultura deste país. De certa forma, o que eu pretendia dizer ao receber o prêmio, segue nesta carta.

Como a vida faz inúmeras peripécias, te escrevo da minha pequena sala, aqui no térreo do Espaço Pasárgada, que é a casa onde Manuel Bandeira viveu parte de sua infância. Aqui, nos últimos cinco anos acompanhei as andanças de Ariano Suassuna em suas aulas-espetáculo. Agora arrumo meus papéis, antes de ir embora para outras aventuras. Ao contrário do nosso querido Bandeira, a partir de janeiro não poderei dizer diariamente “Vou-me embora pra pasárgada”.

Aqui, portanto, vai meu aceno, meu abraço, meu afeto.

E não sei por qual motivo, mas me ocorreu agora que é um menino que te escreve esta carta.

Um abraço,

Samarones Lima

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Prêmio Alphonsus de Guimarães

15 de dezembro de 2014, às 11:51h por Samarone Lima

Caros leitores, estou no Rio de Janeiro, onde recebo, hoje à noite, o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Biblioteca Nacional.

O prêmio foi dado na categoria “poesia”, ao meu livro, “O Aquário Desenterrado”, publicado pela editora Confraria do Vento.

Quem quiser conhecer meus poemas, tem um pouco no meu blog:

www.quemerospoemas.blogspot.com

Um abraços a todos e quem estiver no Rio, o evento começa às 19h.

Samarone

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Convite aos leitores

10 de dezembro de 2014, às 16:15h por Samarone Lima

Convidamos a todos para a festa de encerramento das atividades culturais da Biblioteca Comunitária do Poço da Panela.

Será (amanhã), 11 de dezembro, defronte a Igreja do Poço da Panela, a partir das 19h.

Teremos a apresentação de 15 jovens do projeto “Orquestrando Pernambuco”, do ncleo de Santo Amaro (Galpão Meninos e Meninas de Santo Amaro).

Este ano, o Poço da Panela foi contemplado com a ampliação do “Orquestrando Pernambuco”, e temos, atualmente, 35 jovens de sete a 14 anos estudando canto coral, teoria musical, violino e violoncelo em nossa biblioteca, sob a coordenação da professora Manoela Dias.

Além disso, um grupo de oito jovens segue, há mais de um ano, tendo aulas de desenho e pintura com o artista plástico Edson Menezes, morador do Poço da Panela.

Foi um ano em que estivemos bem perto de fechar as portas, por problemas financeiros, mas várias pessoas nos ajudaram a sair da situação difícil e hoje vemos o projeto florescer.

Aproveitaremos o evento para a agradecer aos padrinhos e colaboradores que nos ajudaram ao longo de 2014, com suporte financeiro, contaçãoo de histórias, sugestões, ideias, além dos jornalistas que nos acompanharam nesta jornada.

Se alguém tiver a possibilidade de doar um desses jogos educativos (xadrez, por exemplo) ou coisas do tipo, agradecemos. Ou um bom livro.

A todos, nosso obrigado. Ninha, Nana e Samarone (Grupo gestor da Biblioteca Comunitária do Poço da Panela).

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Confissões de um laranja – Parte I

1 de dezembro de 2014, às 15:48h por Samarone Lima

Até hoje não conheci um “laranja” de carne e osso. Eles aparecem aos montes, a cada batida da Polícia Federal. Tem horas que o Brasil parece um imenso laranjal.

Pois bem, aqui vai uma confissão – eu sou um laranja. Confesso também, meus amigos, que minha vida não é fácil como a dos caras que lidam com empreiteiras, estatais, orçamentos milionários. A cada prisão, a PF recolhe jóias, dólares, iates, carrões, fora os milhões em contas no exterior.

Eu sou o laranja abestado. Um liso. Se a PF batesse lá em casa, teria só livros e mais livros, toneladas de cadernos, papéis, recortes de jornal, algumas poucas molduras, 13 máquinas de datilografia e minhas camisas do Santa Cruz.

Explico. Não sei se já escrevi aqui (já vou com mais de 840 crônicas e estou ficando com problemas de memória), mas em 1998 ou 1999, quando morava em São Paulo, vim passar um Carnaval no Recife e na quarta-feira ingrata, perdi minha carteira, com os documentos.

Em 2.000, quando voltei para morar, descolei um emprego na Universidade Católica, como professor de Técnicas de Reportagem. Foi a salvação da lavoura, porque meu último trabalho tinha sido escrevendo uns relatos pornô (não era coisa erótica, tinha que ser barra pesada mesmo), ganhando R$ 30,00 por história. Eu era bem talentoso com esse negócio, mas para arrecadar R$ 300,00 tinha que inventar 10 histórias as mais malucas, criar personagens os mais sórdidos, descrever trepadas nos lugares os mais inusitados, enfim. Era para a revista “Brazil”.

Encerrei a carreira também porque estava calculando tudo na base de relatos. Se uma conta numa farra dava R$ 60,00 eu calculava – opa, dois relatos. Se comprava um livro que custava R$ 90,00 pensava – opa, três relatos.

Um belo dia, o gerente do Unibanco me ligou, dizendo que dois oficiais de justiça estavam na agência, para levar todo o meu dinheiro. Ele foi ninja e disse que era a conta-salário, não liberou e foi então que começou a desgraça toda. Descobri que estava respondendo vários casos na Justiça do Trabalho.

Resumindo. Quando perdi a carteira com os documentos, não fiz Boletim de Ocorrência. Fui colocado como sócio de uma grande empresa de material de construção e depois todos os sócios saíram. Só eu fiquei. A empresa deu um enorme cano na praça, nos funcionários, em Deus e o mundo. Só eu era o responsável.

“É, meu amigo, você virou o laranja dessa empresa. A bronca é grande”, disse meu advogado, já listando a quantidade de processos.

Meses depois, meu Fiat Uno, que eu tinha comprado por um preço camarada a Luzilá, foi arrematado num leilão. Na última hora, meu advogado conseguiu suspender a entrega das chaves. Fez um recurso que era quase minha biografia dos seis anos que tinha vivido em São Paulo. Onde tinha trabalhado, o que tinha feito, as empresas, com registro em carteira e tudo o mais.

Eu estava numa luta desigual. Era um laranja besta contra um bocado de processos. Mas meu advogado venceu uma das ações e a juíza até simpatizou comigo, porque dei um dos últimos exemplares do “Zé” para ela, de presente, para mostrar que eu não era dono de empresa de material da construção civil, mas um jornalista, com planos de se tornar escritor de verdade.

Mas um belo dia, meu advogado foi morar em Petrolina e teve que repassar o meu caso para dois colegas.

Os caras eram dois almofadinhas, o escritório era cheio de frescurites, limpíssimo, desses que se você derramar um pouco de café na mesa o sujeito parece que vai ter um infarto. No primeiro encontro já me deram logo um valor nada agradável, dividido em duas parcelas. Paguei a primeira, eles perderam o recurso de outro processo e a coisa complicou para o meu lado. Já mudei de advogado quatro vezes. Como o negócio é muito complexo, acho que não compensa para eles.

Já estamos em 2014, e nem tudo terminou. Confiscaram dinheiro da minha conta umas três vezes. A última foi há uns quatro meses, e o amigo Amauri me ajudou, com uma petição e os comprovantes que minha conta era mesmo salário. Nessas horas, penso que o troço vai demorar uns três anos para ser resolvido.

É horrível e já sei quando o Banco Central pegou tudo. O saldo aparece R$ 0,00. Pode olhar na sua conta, caro leitor, sempre terá algum número positivo ou negativo, nunca ela estará totalmente zerada. Se aparecer R$ 0,00 na sua conta, lembre de mim.

Consegui reaver os outros bloqueios depois de muita luta. Depois, um amigo da própria Receita Federal viu que o dinheiro veio sem os juros. Recorri à Ouvidoria da Receita, e algum santo fez o reparo.

Mas não é fácil a vida de laranja. Pelo menos a minha.

Não posso ter nada no meu nome. Carro, casa, moto, terreno, sítio, chácara, conta na poupança, nada. Não sei como mandar dinheiro para contas no exterior (e na Suíça iriam dar gargalhadas dos meus depósitos). Outro dia ganhei um prêmio literário, saiu uma grana boa, mas o jornal divulgou, fiquei torando um aço imenso, achando que o dinheiro iria cair num dia, e no dia seguinte já teriam limpado tudo.

Pedi ao pessoal do prêmio para me avisar, um dia antes. Caramba, o sujeito nunca ganha um prêmio literário e quando ganha, o Banco Central leva, por causa de uma pilantragem que não fiz! Seria mesmo triste, solitário e final, como bem diz meu dileto Osvaldo Soriano.

Com esse aperto que a PF está dando nos laranjas pelo Brasil afora, estou com medo de lembrarem do meu nome.

Mas essa crônica já está ficando muito extensa. Amanhã continuo.

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Cronista à procura de um dentista

24 de novembro de 2014, às 10:08h por Samarone Lima

Outro dia, em plena Montevidéu, um dente superior, do lado direito deu uma latejada. Senti um frio na espinha. Não há nada pior do que sentir uma dor de dente em outro país, sem aquelas coberturas internacionais de saúde que o sujeito não lembra nunca de comprar. O “sujeito” que eu digo sou eu. Sim, claro, deve ter coisas piores que sentir uma dor de dente em outro país, mas para mim, uma obturação que cai em pleno gozo das férias é horrível.

Passei a comer só com o lado esquerdo e tudo deu certo. Logo que voltei, comecei a procurar um dentista.

Não sei se isso acontece com vocês, mas às vezes eu tenho uns desencontros doidos e inexplicáveis.

Estava no meio de um tratamento com duas dentistas (uma só fazia canal, a outra só fazia o que não fosse canal), mas os horários delas eram estranhos. Uma só atendia na quinta-feira à tarde, a outra só na terça à noite, algo assim. E era uma vez por semana. Ou seja, um canal durava três semanas. Se eu faltasse algum dia, piorava mais o tratamento. Mas tudo corria relativamente bem, até que cheguei ao consultório e não tinha mais nada. As duas encerraram as atividades. Os celulares não atendiam mais. Ficou por isso mesmo. É estranho, mas acontece. Então deixei o tratamento de lado e calhou de chegar ao Uruguai com esta latejada.

Antes de viajar, tinha encontrado um cartão de um dentista, torcedor do Santa Cruz, que oferecia um bom desconto para mim. Mas, como era de se esperar, perdi o tal cartão. Tive que recorrer ao amigo, Inácio França, que sempre tem ótimas dicas para terapeutas os mais diversos. Ele me indicou uma dentista que trabalha naquele ETC da Rosa e Silva e que atende pela Unimed, já que a Camed foi vendida sem me consultarem.

Eu só tinha ido ao ETC para ver os filmes. Lá sempre passa filmes ótimos. Nunca pensei que o prédio fosse tão complicado. O consultório que Inácio indicou funcionava no segundo andar. Fui pela escada, mas só tinha uma agência da Caixa Econômica e mais nada. Ou seja, o segundo andar era uma invenção de Inácio. Rodei, rodei, fui pela outra escada, mas cada andar que subia, só tinha carro estacionado. Tive que ligar para Inácio, que me orientou buscar outro elevador.

“Pede para ir ao segundo andar, mas o segundo andar é no sétimo”.

É uma frase estranha pacas.

De fato, há uma penca de andares que são destinados para carros. O mundo vai se acabar, um dia, é por falta de espaço para a gente andar.

Cheguei ao segundo andar, que é o sétimo, e fui procurar a doutora Lúcia. Se não for este o nome, fica sendo. Tinha um monte de salas com dentistas. A única que abri e perguntei se ali era o consultório da doutora Lúcia, uma senhora disse que não.

Dei mais voltas, conferi todos os nomes nas salas, nada de Lúcia. Liguei de novo. Inácio me deu o número da sala. Rodei, rodei, a sala era justamente onde eu tinha perguntado. Como duas médicas atendem, a mulher que me respondeu não sabia que ali também tinha uma doutora Lúcia.

Falei do meu problema, a moça foi rápido, arranjou um encaixe para dia 4 de dezembro, às 9h. Era o que tinha de vaga. Os dentistas que conheço não podem reclamar da clientela – sempre estão com horários completos. Eu sou um verdadeiro rei do encaixe. Se eu for tratar de uma unha encravada no Dr Schol, será um encaixe.

Mas fiquei encafifado. E se  o dente voltar a latejar? Tenho algumas viagens para fazer. Resolvi fazer um test-drive odontológico.

Escolhi um consultório aleatório, toquei uma campainha, a moça me atendeu, expliquei que queria fazer um orçamento para ver se cuidava deste dente específico, pagando particular mesmo.

A mocinha foi lá dentro e fiquei vendo a revista Caras, que todo consultório, manicure, cabeleireiro tem. Os artistas do Brasil estão todos ótimos, com a saúde perfeita, as separações são superadas em uma semana, as mulheres que tiveram filho já recuperaram o corpo em 10 dias e as casas não têm um farelo de pão em cima da mesa. Até os animais são todos lindos, até os mais feios.

Pouco depois a mocinha abriu a porta. Disse que a médica iria me atender. A médica, uma senhora muito séria, ficou me olhando de longe, sem dizer uma palavra. Ela (a mocinha) explicou o atendimento e disse que custava R$ 160,00.

“Esse valor é para ser pago agora? Para fazer um orçamento?” – perguntei.

Nessa hora, quase o dente doeu.

“Sim senhor”, respondeu Mocinha.

“Mas eu quero apenas ter um orçamento, para começar o tratamento”.

Não teve jeito. A médica não mexia um músculo.

Ficamos em silêncio, eu já pegando minha mochila, quando a dentista saiu do seu mutismo:

“É que fazemos também uma severa assepsia”.

“Ahm, sim”, disse eu, agradecendo. Sinceramente, pagar R$ 160,00 por uma assepcia, é demais. Meu test drive odontológico não me permitiu sequer sentar na cadeira da dentista.

Na saída, ainda no segundo/sétimo andar, um velhinho tentava pegar o elevador, sem entender nada. Tentei ajudar, mas ele estava aperreado, sem entender a numeração dos andares. Tentei explicar, mas nem mesmo eu entendia. Um dos elevadores subia até o sexto andar. O outro, só a partir do sétimo. Nós parecíamos dois retardados. Ele foi pegar outro, que tinha uma placa linda – “todos os andares”.

Esperei o meu. Vinha lotado, mas o piloto mandou eu entrar. Entrei. Uma criança, nos braços da mãe, deu uma puxada na minha barba e riu. Foi a melhor coisa da tarde.

Chegamos ao térreo. Pensei em assistir “Mil vezes boa noite”, mas já tinha começado a sessão. Saí pela Rosa e Silva chutando pedrinhas mas lembrei que recentemente mudei meu plano de saúde para o Bradesco. Não sei se a operação já foi concluída. Só falta mesmo eu chegar no dia 4 de dezembro e a mulher me informar:

“Senhor, seu cartão da Unimed não vale mais”.

Vai ser muito triste perder um dos últimos encaixes do ano.

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