Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

Apresentação


Oficinas


Livros


Artigos recentes


Comentários Recentes


Aproximações


Destaque


Calendário

julho 2015
D S T Q Q S S
« jun    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Arquivos


Usuários online

4 Usuários Online
Leitores:

1 Caranguejo
3 Escafandristas

Aleatórias, no bar de Baixa

3 de julho de 2015, às 12:21h por Samarone Lima

Três meninos do Poço se apresentaram ontem no IV Encontro do Programa Mãe Coruja Pernambucana, no Centro de Convenções. Fui lá com Naná, em sua eterna Kombi, ver Dôdô, Richard e Everton, tocando os violinos do projeto Orquestrando Pernambuco, do qual fazem parte, numa parceria com nossa Biblioteca Comunitária.

Na volta, passamos na escola de Everton, para conversar com a professora dele e explicar a falta. Chegamos ao Poço no final da manhã e a chuvinha fina persistia.

Fomos entregar o dinheiro do aluguel da Biblioteca e passamos na casa de Dôdô, para informar a mãe dele que o jovem já tinha conseguido vaga para estudar no Conservatório Pernambucano de Música. Um detalhe: enquanto os demais colegas agora estão chegando à terceira música, Dôdô já vai na quinta, disparado.

“Ele não larga esse violino por nada. É o sonho dele”, disse a mãe.

Quando entramos na casa, para dar a notícia a Dôdô, ele ja estava tocando.

“É o dia inteiro”, completou a mãe.

Eu e Naná fomos comemorar no Bar de Baixa, que fica quase ao lado da casa de Dôdô.

Baixa estava em baixa, perdão pela redundância.

Sem dinheiro para movimentar seu comércio, ficou fechado durante uma semana, até que foi salvo por um empréstimo de Naná. Trezentos mangos, sem juros. Melhor muito que o BNDES.

Quando reabriu seu comércio, Baixa acertou em cheio no bicho (galo), na extração do meio-dia e na Federal, à noite. Mordiscou R$ 1.800,00. Aproveitou e pagou o empréstimo de Naná.

Pedimos uma cerva. Naná trouxe um caldo de peixe feito por Maria. Depois chegou Neno Testão, que é pedreiro, e Márcio, que faz um pouco de tudo. A conversa, debaixo da chuva, foi sobre todos os assuntos possíveis. Amores, mulheres, violência policiail, vida em comunidade, aventuras, impressões, derivações, assombros.

Neno, inspirado (já tinha tomado umas Pitú no “Sindicato”, ponto de encontro de outra turma), defendeu a candidatura de Naná a vereador, que ele, modestamente, declinou.

Lá pelas tantas, Neno disse que “a maior virtude do homem é a humildade. O homem humilde atravessa fronteiras sem brigar”.

Depois, definiu seu trabalho na vida:

“Eu sou pedreiro: não tenho nada e começo do zero”.

Baixa, sentado ao lado, sem camisa, tomava uma cervejinha e ria.

“Baixa, de onde vem esse teu apelido?”, perguntei.

“Tu não sabe que a turma aqui do Poço adora botar apelido nos outros? Botaram Baixa quando eu era pequeno e ficou”.

De fato, o Poço é um mar de apelidos: Calango, Neno Testão, Naná, Duda a Milhão, Corre Nu, Mudo, Batman, Gato, Carne de Vaca, Ciço Boi, Boy, Ninha etc.

Pouco depois, chega Corre Nu. Estava molhado e chateado. É uma longa história, que vou escrever depois. Foi preso há coisa de 20 anos, com três baseados na bolsa. Ficou preso, ou “hospedado no presídio”, como ele diz, depois saiu. O processo correu, e outro dia ele foi condenado a fazer trabalho em uma ONG, em Paulista.

Tinha dado uma bela viagem perdida. A ONG estava fechada.

“Podiam pelo menos ter me ligado, avisando”.

Não sei quando a conversa derivou para relacionamentos. Foi quando Márcio soltou essa:

“Deus só não ajuda no amor”.

Naná só fazia rir. Estava feliz, com a apresentação dos meninos. É um sonhador diário.

Teve uma hora que o gordinho foi ao banheiro, e Neno disse a verdade daquele início chuvoso de tarde:

“Esse aí tem mais força do que a gente tudinho”.

**

Ps. Semana que vem (07/07), inciarei uma “Oficina da Palavra”, para quem quer trabalhar sua escrita. Mais informações no site: www.marcozero.org

Postado em Crônicas | Sem comentários »

Pisadinha mansa

25 de junho de 2015, às 8:58h por Samarone Lima

Definitivamente, o mês de junho, no Recife, é de uma beleza quase infinita.

Chove há três dias. Ao contrário de muita gente, que olha para um céu carregado e diz que “o tempo está feio”, ou “carregado”, acho o tempo das chuvas uma maravilha, uma felicidade.

Sei que enquanto escrevo, no aconchego do meu escritório, aqui em casa, o trânsito deve estar complicado, ruas estarão alagadas, pessoas terão dificuldades de chegar ao trabalho, levar crianças na escola etc. Mas se a gente for botar as dores do mundo em tudo o que sente, nunca vai ter nada bom.

Há também contrapesos.

Aqui ao lado do prédio onde moro, estão construindo a nova sede da TV Globo. Desde às sete horas, quando toca uma sirenezinha infame, dezenas de homens vestidos de macacão azul, deveriam estar numa luta pela contrução do prédio, mas estão todos em seus alojamentos, certamente engurujados (não me lembro de onde veio esta expressão), certamente conversando ou tomando um café. É terrível mesmo um sujeito trabalhar molhado, debaixo de uma chuva constante. Sinto até frio, só de pensar.

Mas falo da minha alma. Ela fica literalmente nas nuvens em tempos de chuva.

Deve ser alguma coisa ancestral, já que sou cearense. É um povo que se espalhou pelo mundo, em busca de uma vida melhor, e a falta de chuvas foi uma espécie de motor da espécie. Buscamos dias melhores em qualquer canto que tenha água.

Sigo a raça – onde tem água, fico alegre. Isso serve para mar, rio, lagoa, açude, barragem etc. Não por acaso vivi cinco belos anos no Poço da Panela, e de lá não saio. É minha pátria espiritual, cá no Recife. O Poço, por sinal, fica às margens do rio Capibaribe. Rio, que por sinal, vejo daqui da minha janela, enquanto escrevo. Mais adiante, depois do Bairro do Recife, o mar.

Nesses dias mansos, as chuvas parece que ensinam os homens a arte do silêncio. Talvez pelo feriado do São João, faz tempo que não escuto uma buzina, um grito, uma alteração na paisagem sonora, exceto, claro, aquelas bombas dos festejos juninos, que deixam os dois gatos (Azeitona e Armorial) a ponto de terem um infarto.

Saídas de casa, só por algo grave ou urgente. Tudo pode ficar para depois. As chuvas pedem quietude, remanso, sossego, leitura, aconchego.

Nesses momentos, sobreviver do que escrevo é uma bênção. O que preciso para trabalhar (pelo menos por hoje) está aqui, ao alcance das patas. Cadernos, canetas, livros, notebook, a cabeça cheia de idéias (e funcionando a contento). Se faltar luz, sei me virar com velas.

Não tenho estabilidade alguma, mas tenho alguma base para seguir nesta pisadinha mansa.

Olho pela janela. Tudo coberto de nuvens e as gotinhas deslizando pelo vidro. Minha alma bate palmas.

Boa chuvas a todos.

Postado em Crônicas | 10 Comentários »

Vinte e oito anos em uma noite

15 de junho de 2015, às 16:35h por Samarone Lima

Saí de Fortaleza aos 18 anos, em julho de 1987.

A despedida foi na “Ponte Metálica”, na praia, um entardecer com vários amigos da UECE (Universidade Estadual do Ceará). Eu era secundarista, mas como sou meio atrevido, já vivia com os amigos do curso de História.

Um amigo, o Bob, roubou um vinho caríssimo da adega do pai. Quando me entregou, todo emocionado, nos descuidamos e a garrafa foi ao solo.

Rimos muito daquela fragilidade. Às vezes, as mãos são mesmo frágeis para aguentar os sentimentos.

Várias vezes, ao longo desses 28 anos, voltei à casa da minha mãe, no Monte Castelo.

Meus amigos sempre chegavam rápido, e as farras eram monumentais. Neto, Pepo, Roncalli, Pedim, Tonho, uma turma e tanto. Uma vez, cheguei ao Recife com um violão. Era de um amigo, que bebeu todas e resolveu me dar de presente seu Gianini. Me ligou, na Casa do Estudante, no dia seguinte. Não poderia viver sem seu instumento. Logo que pude, mandei de volta.

Minha mãe me mandava, sempre que podia, aquelas coisas de cearense. Eu voltava de viagem com camisas novas, pequi, farofa etc.

Uma vez, ela me mandou, por um amigo, uma caixa de Ypióka, com 12 litros. Meu quarto, na Casa do Estudante, virou a sede social dos cearenses pelo mundo – que são milhões. A cada 15 minutos chegava um, perguntando se podia tomar “só uma dose de Ypióka”.

Por telefone, acompanhei separações, nascimento de sobrinhos, alegrias e tristezas. Quando morei em São Paulo, de 1994 a 2000, tudo ficou mais distante. Não pude ir ao enterro da minha querida avó Zeneuda.

Mas, ao longo dos anos, não sei por qual motivo, nunca lancei um livro em Fortaleza. E olha que são vários.

Há uns 15 dias, minha editora, Karla Melo (Confraria do Vento), me avisou que eu iria lançar a primeira reimpressão de “O aquário desenterrado” em Fortaleza, no Sesc, ao lado do Teatro José de Alencar. Será dia 17 de junho, junto com os poetas Dércio Braúna (Aridez lavrada pela carne disto) e Alves de Aquino (Miravilha – lirai os olhos do campo).

Fiquei naquela animação, mas de ontem para hoje me caiu a ficha. A cada ligação para minha mãe, ela está mais feliz. Eu também. Imagine, encontrar tia Theresa, tia Beta, os irmãos, amigos.

Um filme inevitável e fragmentado passa pela minha cabeça. Quase duas décadas no mundo. Viagens, livros, reportagens, acontecimentos, dores, alegrias, conquistas, derrotas. A vida. Viver é mesmo uma “Miravilha”, como diz o poeta Alves de Aquino.

Os poemas (para quem leu “O aquário”) têm como fonte a memória pessoal, familiar, como se eu tentasse dar conta de nossa errãncia.

Minha família, hoje, está espalhada em São Paulo, São Luís, Fortaleza, Crato, Recife, Brasília e outras cidades que não lembro.

Preparo a mala – e o coração. Há amigos de verdade que não vejo há muitos anos. Espero simplesmente abraçá-los.

Parafraseando Francisco Julião, até quarta, Fortaleza!

Postado em Crônicas | 2 Comentários »

Eu, inclusive, tudo estava bem…

11 de junho de 2015, às 11:54h por Samarone Lima

Lembro profundamente (e escrevi sobre isso, há alguns anos).

Eu caminhava para o Mercado da Boa Vista. Acho que era um domingo. E era um domingo claro, com janelas escancaradas. Um domingo cheio de dentes de negros.

Ou era um sábado?

Um sábado de carnaval, de beijos pedindo aplauso? E neste sábado eu iria rumo ao nada?

Não lembro direito. Mas pouco importa.

Então, passei diante de um botequinho miúdo, quase porta e três mesas. Um sujeito muito antigo e próximo escutava música.

Ele não fazia mais nada. Escutava música.

Sei que parei e usei meu tráfico de influência mais radical – demonstrei interesse com uma pergunta.

Eis que surgiu Jamelão em nossas vidas. E uma frase para a mulher, distante:

“Procure o disco. Aquele. Sim, Aquele”.

E a casa não ficou nunca mais vazia.

Jamelão começou:

“Ela disse-me assim

Tenha pena de mim

Vá embora…”

E mergulhei numa epifania desvairada. Nunca esqueço daquele instante.

E agora há pouco, peguei o  livro “Miravilha – Lirai o campo dos olhos”, do poeta e conterrâneo Alves de Aquino (Confraria do Vento).

Parei tudo, fui à geladeira. Milagre: tinha um bom vinho. Geralmente bebo todos antes que gelem.

E comecei a ler. E segui lendo. E me emocionando.

Dane-se o dia, as obrigações, as demandas, as chateações.

Vou ficar por aqui, com essa miravilha.

Compartilho:

“Soneto do meroporém”

(Alves de Aquino)

“Eu, inclusive, tudo estava bém.

Mas que o pão mofe, o leite azede, acabe

o café, já é mais do que me cabe

aguentar: de repente um por que vem

 

seguido de um sei lá e este também

de um pra que e então nem sei e aí, sabe,

falta pouquinho a fim de que desabe

a tarde e num boliche o dia, além

 

do dia o mês, o ano, a vida – sem

distinção entre o ido e o que devém,

sem restar grande ação de que me gabe,

 

coisa que não desdenhe ou menoscabe,

nada que se ressalve nem ninguém

Tudo estava bem, eu porém…”

Postado em Crônicas | 3 Comentários »

Sempre aos domingos

8 de junho de 2015, às 12:10h por Samarone Lima

Sou absolutamente repetitivo nos meus improvisos.

Aos domingos, por exemplo, planejo coisas formidáveis, praia, peixe assado em Brasília Teimosa, mais tarde um cinema, uma exposição na Caixa Cultural, mas invariavelmente acabo fazendo as mesmas poucas coisas, e bem bestas.

Primeiro, uma corrida logo cedo pelas pontes do Recife, para animar o espírito e não pensar em nada. A maior vantagem que vejo em correr é justamente essa – não penso em quase nada. Sou ocupado por um vazio primordial, que deve fazer um bem enorme para o cabeção. E olha que cabeça eu tenho de sobra. Por isso, nunca levo nada para escutar. O domingo é o dia em que o centro do Recife está repleto de silêncio. Eu desfruto dele.

Dificilmente escrevo algo decente, aos domingos. Leio algo, fico por ali, mas o que acontece é geralmente de uma repetição monumental. Sou o melhor repetidor de improvisos que conheço.

No final da manhã pego um ônibus e vou à venda de Seu Vital, Poço da Panela. Não sei o que é, mas já sou acostumado com os amigos de lá, a conversa é desaprumada como eu gosto, e só temos um chato, o chato oficial, com direito a diploma, faixa, medalhas. Quando ele abre a boca, o Chato Oficial, a gente já sabe o que ele vai falar. A gente escuta e muda de assunto imediatamente.

Não vou falar nem o nome, porque o chato geralmente faz o que você não espera – como, por exemplo, ler um blog que você cita o nome dele. Ele vai ficar mais chato ainda, porque o chato é um sujeito que adora tomar satisfação, dizer eternamente o que é certo e o que é errado, e o chato sempre fala mais alto que a maior parte da população.

No final da manhã turma lá em Vital já está na terceira ou quarta rodada da Liga de Dominó. As disputas são bem acirradas, tanto para conseguir vaga na mesa, como para vencer e escapar de eventuais buchudas. Tomo uma ou duas cervejas daquelas pequensas, depois ligo para Naná, encontro com ele no bar de “Baixa”, lá na beira do rio, tomamos uma lapada e sai um tira-gosto, feito pelo próprio Baixa. Não me perguntem por que o nome dele é Baixa.

Conversamos sobre alguma coisa da Biblioteca, eu e Naná, alguma pendência, depois voltamos juntos para seu Vital. Fico até umas duas e meia, três horas (dependendo, claro, do horário em que o velho Vital decreta o encerramento da liga, a famosa e dolorosa frase  ”vou fechar”). Isso pode representar cinco minutos ou uma hora e meia.

Volto, compro um ou dois vinhos e venho pra casa, ver a rodada do futebol. Depois eu durmo.

Quando não acontece isso, é porque perdi o tempo da bola e ficou tarde para ir ao Poço. Tenho a programação-padrão número dois.

Já no começo da tarde, saio aqui do prédio com o jornal debaixo do braço (a Folha de São Paulo, aos domingos, chega mais cedo).

Vou perambulando aqui pela rua da Aurora, chutando minhas pedrinha, até que chego ao boteco que fica quase na esquina da Princesa Isabel com rua da Saudade, daqueles como mesas na calçada – enquanto a Dircon não cismar de tirar essas mesinhas em pleno domingo, já que agora tudo que não for permitido por Lei, é proibido.

Lá, ao contrário do Princesa Isabel, não conheço quase ninguém e a TV está sempre ligada num volume decente. É comum encontrar Jarrão e Edinho por lá, na calçada, já que o Princesa não abre aos domingos. O nome disso é exílio etílico.

Peço uma cerveja gelada. Se as mesas de dentro estiverem ocupadas, fico no balcão. Os frequentadores são os mais diversos. Gente mais simples, o famoso povão. Nesse horário, bebem algo, comem e vão embora. Os pratos, na faixa de R$ 1000 e R$ 15,00 são bem servidos pacas. Eu mesmo não domino um desses sozinho. Peço o tira-gosto. Mas não é difícil ver um sujeito dormindo com a cabeça caída para o lado, com a cerveja na metade. Ninguém liga, nem tira foto para botar no Facebook.

Como a cozinha funciona a todo vapor, é comum pedir um caldinho de feijão e chegar um novinho em folha, com um pedaço de charque dentro. Os garçons não usam farda mas são prestativos e rápidos. As contas são feitas num pedaço de papel, e não se cobra 10%. A elegância manda dar diretamente ao garçom o valor equivalente aos 10%. Eles ficam bem satisfeitos.

Leio o jornal de cabo a rabo, vejo passarem milhares de ciclistas e fico com preguiça. Faço alguma anotação, na minha carteirinha vermelha, alguma idéia para poema, para texto no Estuário, faço o planejamento da minha oficina literária, que vai começar em julho. Como sou o rei do planejamento, faço uma lista das coisas para resolver segunda-feira, que será olimpicamente ignorada no dia seguinte.

Geralmente levo um livro pequeno, para não ficar com a bolsa cheia demais. Agora mesmo, estou andando com “Meu coração desnudado”, do Charles Baudelaire. São pequenas anotações, frases, pensamentos. Adoro livros assim, com frases curtas, aforismos, pensamentos.

“Ser um homem útil sempre me pareceu algo bastante detestável”, diz o poeta.

“Nenhuma busca honesta fica sem recompensa”.

O livrinho é ótimo para saber o que pensa o Charles, sempre com uma profunda capacidade da autoironia, coisa que acho mesmo uma grande virtude. Os que se levam a sério, geralmente, são chatos pacas.

Também ando com o Mário de Andrade. O primeiro volume de “Poesias completas” é uma goteira na imaginação.

“Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres”.

Isso é muito bom mesmo.

Lá pelas tantas, me dá sono. Peço algum prato “para viagem”. A comida, caseira e gosta, vem  numa quentinha.

Volto olhando os ciclistas, que se multiplicam por mil, aos domingos, com a proteção dos conezinhos patrocinados pelo Itaú. Pelo menos aos domingos, o ciclista tem algum espaço no Recife.

Na volta, já são umas 15h, o velho pensamento me assalta: “Vital deve estar fechando”.

Quando chove, faço tudo isso sem sair de casa, só que acompanhado.

Ps. o título de hoje é uma homenagem ao Renato Carneiro Campos, que tem um belo livro de crônicas com este título.

Postado em Crônicas | 3 Comentários »

« Artigos anteriores