Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Os caminhos errantes da poesia

22 de junho de 2016, às 14:50h por Samarone Lima

Foi ontem à noite, no lançamento do livro O convidado (contos) do amigo Pedro Moura, que reencontrei a editora e amiga Karla Melo, da Confraria do Vento. Eu sabia que ela tinha, na algibeira, cinco exemplares do meu novo livro de poesias, mas não fiz muito alarde. Disfarcei de mim mesmo que não estava doido para ver, em forma de objeto, tudo o que esteve em papéis, velhos cadernos e arquivos de computador, com inúmeras correçoes. Mas demos os descontos. Ansiedade não é o meu mal.

Conversamos um bocado, peguei o autógrafo do Pedro em seu primeiro livro e, finalmente ela pegou meu livro.

Olhei, cheirei, acariciei. O projeto gráfico, mais uma vez, ficou belo e delicado, exatamente como gosto. Depois chegou o amigo Gerrá Lima e conversamos sobre vários assuntos, tomamos umas cervas, até que peguei uma carona e vim pra casa.

Só hoje de manhã, em meio à chuvinha fina que cobria o Recife, peguei o exemplar e o visitei. Fui olhar com cuidado tudo, rever dedicatória, agradecimentos, reler os poemas com calma, lembrando dos momentos em que foram feitos, circunstâncias, lugares, pessoas que me levaram à cada um deles.

Então veio uma emoção calma e mansa, como ao chuvinha matinal. Fiquei feliz pelo resultado. Começa um novo ciclo. É a minha terceira “saída poética”, desde 2012.

Como nos livros anteriores, agradecimento ao amigo e irmão, Arsênio Meira Júnior, que me fez publicar pela primeira vez. Ele fez a seleção rigorosa do livro A praça azul, que foi publicado junto com outro livro de poemas (na verdade um longo poema, autobiográfico), intitulado Tempo de Vidro, pela editora Paés, do Rodrigo Sushi. Esta foi a primeira saída. Finalmente, mostrei meus poemas, que estavam bem escondidos, enterrados no quintal da casa da alma.

Em 2013, pela Confraria do Vento, surgiu O aquário desenterrado, com o olhar atento da editora Karla Melo e o velho Arsênio acompanhando tudo. Desde que nos falamos pela primeira vez, em 29 de junho de 2010, Arsênio virou meu amigo e primeiro leitor, atento, sincero, cuidadoso e vibrante. Foi a segunda saída poética.

Meu querido amigo morreu dia 18 de outubro do ano passado, aos 40 anos, vítima de um infarto Foi um baque para mim e Inacio França, que compartilhamos sua amizade, seu afeto, seu amor à literatura, sua generosidade, durante cinco anos. Cinco anos. Foi somente este tempo que a vida nos deu para desfrutar deste enorme coração. Um homem das literatura, disfarçado de advogado. E temos memórias indeléveis de cada encontro, os longos email e telefonemas, tudo.

Em nossos encontros, nunca faltou o riso farto, a conversa em torno da vida, dos livros, o empurrão literário que ele sempre nos dava. Inácio, que terminou esta semana de revisar seu primeiro romance (uma novela, na verdade), sabe bem o valor que isso tem – um grande leitor, sem cobiça literária, pronto para o olhar preciso, a palavra certa, o rigor, a precisão. O maior leitor que já conheci nesta vida. Um homem que, de fato, amava a poesia.

Ele não estará no lançamento de A invenção do deserto, meu quarto livro de poesias (e a terceira saída), novamente pela Confraria. Mas estará espiritualmente, tenho certeza, já que leu e releu e comentou tudo. E sugeriu, e propôs cortes e melhorias em todos 56 poemas que foram selecionados.

Por isto, não coloquei dedicatória ou agradecimento. Botei “Este livro pertence a Arsênio Meira deVasconcelos Jr”. Sim, o livro pertence a ele.

O lançamento será no restaurante Fuê, que fica ao lado da igreja do Poço da Panela, dia 8 de julho, a partir das 18h.

O local tem tudo a ver com meu livro e com minha vida.

Morei por cinco anos na casa de primeiro andar onde funciona o restaurante. Rua Visconde de Araguaya, 51, Poço da Panela. Muitos amigos vão lembrar de coisas lindas que vivemos por lá. Na esquina, a venda de Seu Vital, meu velho amigo. Ali perto, o campo de futebol, onde joguei tantas peladas dominicais. Ali perto, a casa de Luzilá Gonçalves, escritora e amiga.

Na verdade, o Poço faz parte da minha vida. Lá vivi, lá casei, lá conheci amigos que estão na minha vida, lá me envolvi com um grupo que fundou uma biblioteca comunitária. E lá sempre volto, semanalmente, para rever todo aquele ambiente de cidade do interior.

Acho que vai ser uma noite poética e alegre. Esta postagem é um convite para quem gosta de poesia. A partir das 18h, do dia 8 de julho, estarei lá, com meu novo livro e minha canetinha para dedicatórias.

E um pouco de vinho, que ninguém é de ferro…

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Breve cegueira involuntária

9 de junho de 2016, às 13:12h por Samarone Lima

Se você me encontrar pelas ruas do Recife, meio ao acaso, e me der um aceno a uma distância de quatro ou cinco metros e eu não devolver o gesto carinhoso, não se chateie comigo – estou cego, a partir de uma distância de um palmo e meio.

Desde segunda-feira, a lente direita do meu óculos quebrou. Foi a primeira vez, nos últimos trinta anos, que a lente quebrou por cansaço, não por pisadelas errantes nos meus passos doidos. Ela, a lente, cansou de mim. E a receita, feita ano passado pelo meu amigo Rafael Arruda, sumiu dos meus papéis, das minhas caixas, sabe-se lá onde ela se meteu.

Tenho este problema existencial: quando guardo bem uma coisa porque preciso muito ou porque “é muito importante”, na verdade, estou é escondendo de mim. Uma vez foi o passaporte. Seis meses tão bem guardado que nem a Polícia Federal, nem aquele japonês da Lava Jato encontrariam. Freud explica. Talvez Emília. Ou Jung, Ou Seu Vital. É tanta gente no mundo para explicar as coisas.

Hoje é quinta-feira e sabe-se lá como estou vivo. Ao longo desses dias, atravessei dezenas de ruas, vendo vultos. Eram carros, que vinham bem longe (pelas minhas estimativas), mas já estavam bem perto, tirando finos brutais. Definitivamente, as pessoas controlando um volante e um acelerador, são bastante covardes com os pedestres. Nas paradas de ônibus, irritei inúmeros motoristas. Dava a mão, com uma certeza de vaqueiro que sai errante pelo mundo, e quando ele parava, perguntava se passava no Arruda, meu novo local de trabalho.

Duas noites seguidas, olhei o jornal quase enfiado à cara, para ver a programação de cinema. Ah, que inutilidade teria sido, chegar para ver uma bela película sem enxergar à distância.

Míopia? Astigmatismo? Hipermetropia? Escoliose visual? Sei lá. Sei que vejo ruim de longe. E já faz tempo. À noite, sem óculos, todas as luzes de postes e carros ficavam meio coloridas. Ganhei árvores de natal só para mim.

O mesmo Rafael, ex-artilheiro da nossa pelada das quartas, fez um exame detalhado da minhas fatigadas retinas, ano passado, e diagnosticou uma lente bifocal. Saí com a receita no bolso, cheguei em casa e botei dentro de algum livro. Vista cansada coisa nenhuma. Vou resistir, foi o que pensei. Eu sou birrento mesmo.

E estou vivo, sem a bifocal. Quando preciso ver bem de perto, tiro os óculos. E adoro ler coisas de perto, sentindo o cheiro do livro. Agora mesmo, meu focinho está bem junto da tela do computador. Mas não tem cheiro nenhum. Já “O fiel e a pedra”, de Osman Lins, tem cheiro de tudo. Água limpa nas vasilhas do quintal. Porque em geral só o incomum é opaco e tem uma cor para os sentidos humanos. Como um homem é capaz de escrever tanta beleza, meu Deus.

Mais tarde sai o novo óculos. Então já terei mais esta experiência na vida: três dias e meio semicego,nas ruas do Recife.

Hoje, Rafa finalmente respondeu meus pedidos de SOS (Salve O Sama) e mandou a receita pelo zap zap, essa novidade que o trabalho me obrigou a usar. Mas isso é tema para outra crônica.

Fui ao meu velho consertador de óculos, Gugu, que trabalha numa pequena salinha num prédio ao lado da praça Maciel Pinheiro, perto da casa onde Clarice Lispector morou. Ele me apresentou umas armações, escolhi uma, ele fez um preço camarada e juntou com as lentes: R$ 220,00, tudo. Dei uma regateada, pechinchei, ficou por R$ 200,00. À vista. Ele me entrega mais tarde.

Acho que vou precisar me acostumar a ver de novo o Recife assim, tão de perto, tão claro, tão meu.

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Como uma bailarina cega

26 de maio de 2016, às 12:56h por Samarone Lima

A conheci ano passado, e se dizia cega. E era bailarina. E por artes do destino, ficou hospedada em casa, a casa onde eu vivia.

Se chamava Jô, e sempre lembro dela.

Chegou com sua mochila, disse que precisava apenas de algumas informações. Fez sua exploração inicial, construindo mentalmente um espaço novo em sua cabeça. Sala, quartos, banheiro, cozinha. E rapidamente se harmonizou com as paredes, os poucos móveis e os dois gatos, Azeitona e Armorial.

E durante alguns dias, desfrutamos de sua cegueira. Andava naturalmente, achava o banheiro com facilidade e sempre estava conversando e rindo.

Ela disse que foi perdendo a visão aos poucos. Veio para o Recife fazer tratamento. Passou quase um ano fazendo exames, e, ao final, foi informada que seu problema não tinha cura.

“Poxa, um ano para chegar a uma conclusão ridícula como essa?”, disse ao médico.

A visão foi desaparecendo aos poucos. Talvez por isso ela tenha ficado com algo diferente, que a marcava. Sempre que falava com alguém, olhava diretamente nos olhos. Parecia, de fato, ver tudo. Mas era cega.

“Já pedi parada pensando que era o ônibus, mas era o carro do lixo”, disse, sorrindo e tomando um vinho.

Ela era dessas mulheres de riso solto, livre.

Chegava a conversar com aqueles manequins, das lojas de roupa, pedindo informações. Cansou de tentar cortar coisas com a faca ao contrário. E de levar o garfo à boca sem ter nada nele.

“Eu dava mais gafe quando tinha baixa visão, do que agora”.

Na parada de ônibus, pediu informações três vezes a um homem alto, imóvel que nada respondia.

“Senhor, quando vier o 59 o senhor me avisa?”, insistiu.

Depois de se irritar, resolveu tocá-lo e viu que se tratava de um poste.

Certa vez, numa viagem de avião, começou uma conversa maravilhosa com um rapaz. Acabaram namorando durante o vôo. Ele jamais desconfiou que ela era cega. Depois que cada um foi para o seu lado, ele passou a enviar fotos. Ela respondia apenas “maravilhosa!”; “coisa linda!”.

Nas noites regadas a vinho, Jô contava suas histórias e ríamos sem trégua. Eram cenas tão improváveis, contadas com tanta alegria, que enchiam a sala de felicidade. Até os gatos paravam tudo e ficavam prestando atenção.

Chegou a namorar um rapaz durante três meses, e ele não percebeu que ela era cega. No restaurante, fingia que estava lendo o cardápio. Ele pedia uma cerveja, ela pedia um refrigerante. Sempre algo diferente, para que a falsa leitura do cardápio funcionasse. Se a chamasse para dançar, a desculpa era que não sabia. Sem a noção de espaço, nem pensar.

Até que chegou o dia e abriu o jogo.

“Alex, preciso te contar uma coisa e acho que você não vai seguir comigo”.

Ele ficou num silencio tenso.

“Você namorou durante três meses com uma mulher cega”.

O silêncio permaneceu.

“Neste tempo, você não conseguiu me ver”.

“Achei que você era estranha”.

“Eu sou cega!”

Ao final da conversa (e de tudo) ele achou que ela estava mentindo. E foi embora.

Uma vez foi a um piquenique com amigos, para uma praia distante. Lá pelas tantas, se afastou de todo mundo e foi para uma duna, e ficou olhando para o mar. Permaneceu com o olhar fixo em um ponto da praia, sem saber que um homem estava lá, sozinhho, tomando banho. Depois de meia hora, sua esposa chegou.

“Minha filha, dá para você parar de ficar paquerando com meu marido?”, disse a mulher, bastante irritada.

Jô, que de besta não tinha nada, respondeu na lata:

“Ô minha filha, a senhora acha que eu tenho coragem de namorar um cafuçu desse? Não tinha coisa melhor não?”.

Não esperou resposta:

“Aproveite e suma daqui com seu cafuçu”.

A mulher deu meia volta, irritada, e só depois ficou sabendo que a moça que estava na duna era cega.

Jô era expansiva, alegre, despojada. Não é a toa que seguiu dançando pela vida. A única coisa que a deixava desorientada era quando chovia. Ela perdia uma espécie de sensor, que a chuva apagava.

“É que eu confundo água com lágrima”. 

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Cadernetas

16 de maio de 2016, às 9:33h por Samarone Lima

Vivo anotando tudo. Deve ter um nome para isso. Se bobear, podem até já ter batizado o negócio como “Síndrome” de alguma coisa. “Sindrome de Bic”. Ou “Síndrome Faber-Castel”.  Tenho centenas de cadernetas.

Peguei uma do ano passado. Vamos ver o que andei anotando. A única metodologia é citar o autor da frase ou do texto.  Quando não tem fonte, é porque foi coisa da minha cabeça. Chamo de Pensamentos Vagos. De vez em quando, sai cada maluquice…

“Em grego, harmonia significa precisamente “junção das partes”". (Junito de Souza Brandão, Mitologia, volume II).

“O cansaço dos pés que ainda vão andar” (Jorge de Lima. “A Invenção de Orfeu”).

“18h. Caminhada do Mercado da Madalena até a rua da Aurora. Pausa apenas para uma sopa. Cansaço e certa tristeza. Mas o que a vida toma, a mesma vida dá”.

“Na vida, nunca se amadurece” (Keith Richards).

“A luta de classes do capitalismo “globalizado” se torna a luta entre os países ricos e as agências reguladoras de um lado e os países emergentes e pobres do outro” (J.C. Marçal, em seu blog www.arsdiluvian.blogspot.com).

Para poema: “tranças no coração”.

“Nasci para a escrita: antes dela, havia apenas um jogo de espelhos; desde o meu primeiro romance, soube que uma criança se introduzia no palácio dos espelhos, considerando o desejo de escrever envolvendo uma recusa de viver, e resumindo: em suma, escrevi para meu prazer”. (Sarte, in As Palavras – citado por Paulo Roberto Medeiros, em “Papéis de Psicanálise e Cultura”, volume 1).

“Vi que isso de gosto de narrar por escrito é caruru que brota entre paralelepípedos, e que as crateras da arte sempre podem subir fogo” (Guimarães Rosa).

“O porvir é algo a ser encontrado nas vísceras do presente”. (Paulo Roberto Medeiros, pagina 201).

“Amor vem de amor. Em Diadorim, penso também – mas Diadorim é a minha neblina”. (Guimarães Rosa. Grande Sertão Veredas).

“A beleza me toca, mas não me assusta tanto como antes”.

“Eu era uma católica – de IBGE, mas era. As freiras me descatolizaram”. (De uma amiga, após trabalhar num colégio de freiras).

“Distração fingida”. (Clarice Lispector).

“Amar, para a Psicanálise, equivale ao mesmo fato que consiste em alguém dar o que não tem a quem não sabe o que quer”. (Paulo Roberto Medeiros).

“Talvez por isso exista o provérbio popular que diz que o amor é cego”. (Ibdem).

Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins: Diadorim.

“O olho de uma pessoa brilha, quando ela vai fazer mal a outra pessoa”. (De uma moça, num café).

“O livro eu não li todo, mas a caixa dele é bem boazinha…” (de um amigo, comentando sobre meu primeiro livro de poesias, que vinha dentro de uma caixa).

Estou no ônibus e vou lendo o jornal. Um senhor senta ao meu lado e fica um tempo em silêncio. Lá pelas tantas, muito timidamente, ele me pergunta se posso lhe ceder o caderno de empregos. Entrego imediatamente e ele me agradece, com uma enorme humildade. “É que a situação tá dificil, sabe…” comenta ele. Eu, que julgava ter problemas, me achei um felizardo.

“Nenhum homem é feliz até morrer”. (Última fala do coro de Édipo).

Nos momentos mais tensos, ele assumia uma posição de indiferença presa, como ficam os gatos quando estão defecando. (Pensamentos vagos)

Temperemos os abismos, pois. (ibdem)

Há vagas para metamorfoseados e mamutes. (ibdem)

“Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o, faze-o teu”. (Goethe, citado por Freud em “Totem e Tabu”).

“Hoje dei um drible no tal de Samarone, aquele bicho duro. Ele ficou sozinho, impedido, e segui no lance da felicidade”.

Bar de Giba. Aguardo a hora para ir à missa de sétimo dia do meu grande amigo. Essas coisas estranhas que a pessoa vive. A Igreja do Espinheiro fica defronte a um bar. Logo depois, encontro o amigo Inácio. O padre fala coisas sem sentido. Diz que não entendemos o mistério. Quem disse a ele que não entendemos o mistério? Acho sempre uma estupidez uma pessoa dizer que a outra não entende algo. Só a dor do outro é que eu acho que a gente não entende nunca. Talvez nem a nossa a gente entenda.

“O Elefante Azul é meu amigo” (Olga Ferrário, referindo-se a um poema meu. Isso valeu muito mais do que qualquer prêmio literário).

Amanhã escrevo mais. Ainda não cheguei nem na metade desta cadernetinha…

 

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Errâncias

4 de maio de 2016, às 14:38h por Samarone Lima

(anotações sem rumo em velhos cadernos)

1

Pensando no andar da carruagem

não se vê a viagem.

2

É bem deselegante

ser o próprio cartomante.

3

Devagar, quase pousando.

4

São todos meus

os que entram e saem

em sonhos que um dia

terei.

5

Da claridade que existe

em tudo o que foi ferido.

6

No dorso do poema

há outro sistema.

7

Todas as vezes que minha memória falhou

lembrei de ti.

8

Era mesmo um Osho duro de roer…

9

Existe o golpe de mestre e o mestre dos golpes.

10

Era um coração tão manso

que nem precisava ter esperança.

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