Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

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Um pouco de poesia, que ninguém é de ferro…

26 de setembro de 2005, às 10:03h por Samarone Lima

Recife, 26 de setembro de 2005.
Um pouco de poesia, que ninguém é de ferro, e a preguiça está imensa.

(Florence, obrigado pelo olhar).

***

Um rio

Um rio incandescente
Molha meus dedos
Quando olho teu retrato
Colado à antiga parede
Que já não existe

Lembro dos teus dedos
Como guardanapos de pele
Que guardavam silenciosos
Minhas lágrimas

Então, volto a chorar de ti

***

Aos calcanhares

Não acorrentarei o amor aos calcanhares
A ponto de não poder andar
Para dentro de ti

Caminhemos,
Caminhemos para além
De todo o aço da certeza

Haveremos de ser felizes
Com alguma delicadeza

Haveremos de ser felizes
Mesmo com nossos calcanhares
de Aquiles

***

Resposta

Me perguntas pela vida
Como se fôssemos antigos conhecidos
A tagarelar na esquina
Sobre os fatos do dia

Meus olhos te respondem
com aquele mesmo silêncio
Das terras devastadas

Falo da vida, o que fiz ontem
E hoje
O que farei ao entardecer

Te conto como tem sido
Meus últimos trinta e seis anos

Por precaução
Evito te falar das coisas do coração
E ao final, como quem diz um até breve contigo
Murmuro para mim, na esperança que escutes:

Tua ausência me dói, é simples.

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