Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima


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Confissões de um cronista desempregado

31 de janeiro de 2006, às 18:15h por Samarone Lima

Aqui vai uma confissão: entrei em janeiro na condição de jornalista e cronista desempregado. Não é a primeira vez e não será a última, creio, tanto que não chego a me assustar. Como não tenho filhos, não pago plano de saúde, não tenho TV a Cabo, carro e não uso cartão de crédito, minha vida financeira tem somente uma definição: eu só gasto o que tenho. Quando não tenho, peço emprestado, até chegar de novo. Talão de cheque ou a famosa frase “entrei no cheque especial” não acontecerá jamais comigo, porque usei cheque uma vez na vida, fiquei absolutamente nervoso e cancelei imediatamente. Meus luxos são modestos e baratos.

O desemprego chegou sem alarde, sem aquela miséria chamada “aviso prévio”, foi de mansinho, sem dor, logo que terminei mais uma das muitas consultorias para o Unicef. Do alto da minha prosopopéia, garanto: até dezembro de 2005, eu era um “consultor” do Unicef, a palavra tem uma certa imponência, eu sentia que era algo muito importante mesmo, porque o lema do Unicef é “Fazendo a Humanidade Avançar”, é muito bom ajudar não só meu bairro avançar, mas a humanidade inteira. Como não tem consultoria em vista, só me resta escrever sobre minha nova condição existencial, que é a de desempregado, a humanidade que avançe sem minha interferência direta.

Fiz um levantamento. Desde que voltei ao Recife, em 2000, já fui professor de Jornalismo (Universidade Católica), fiz uns frilas para o Diário de Pernambuco, dei oficinas de comunicação para um monte de ONGs, trabalhei como assessor de comunicação da Articulação no Semi-Árido Brasiliro (ASA), fui dono de dois bares, escrevi uns livros para o Unicef e batuquei minhas crônicas para o JC On Line e depois aqui no Blog. Em cinco anos, somente um ano e meio de carteira assinada. O resto foi contrato e frila.

Pelas minhas contas, só vou me aposentar com uns 92 anos, se vivo for, porque eu realmente não ajudo muito o INSS com esse negócio de consultoria. Raras vezes na vida recebi um décimo-terceiro salário, e férias mesmo, aquela com dinheiro na conta, é uma lenda. Eu é que me dou umas férias, de vez em quando, como fiz na semana passada. Quando saí da Católica, tive direito ao famoso “seguro-desemprego”, período em que me dediquei a reescrever a versão final do meu livro “Clamor”, publicado em 2003, é uma coisa muito boa, receber dinheiro para ficar em casa, só escrevendo. No final, ainda sai um livro novinho em folha, já citado anteriormente, por sinal vi um exemplar hoje na Livraria Cultura.

Estou de volta à realidade. Fui ao banco hoje e ainda tenho uma reserva técnica, que vai dar para chegar vivo até o final do próximo mês. Depois disso, não sei o que vai acontecer, especialmente porque temos o Carnaval pela frente, e é uma festa que não é bom estar liso, mas posso dizer que pelo menos a farra está garantida, ninguém neste mundo merece passar um Carnaval liso, é muita maldade voltar para casa cheio dos paus num Corujão da vida.

Então acontece algo comigo que é meio misterioso, espiritual, um fenômeno inexplicável: eu sempre acho que vai chegar algo, que vou escapar fedendo, aos 45 do segundo tempo. E como tenho esta esperança sempre viva, tenho já escapei de muitas e muitas frias, a principal foi em São Paulo, quando fiquei desempregado, morando numa pensão, passando o maior frio da minha vida, parecia aquele livro do Oswaldo Soriano, “Triste, solitário e final”. A mão divina foi um frila em um jornal da Igreja Católica, quando eu tinha somente R$ 30,00 na conta. Foi pelo gongo mesmo, e escrevi uma matéria sobre o “Dia Mundial da Alimentação”, que ajudou muito a matar minha fome.

Vamos ver o que dizem os astros. Até sair alguma novidade, só garanto uma coisa: continuarei escrevendo minhas crônicas por aqui. Pelo menos o Blog é de graça e escrever é a coisa mais barata do mundo. Eu com um caderninho, uma caneta Bic e tempo livre, vou escapando bem.

Amanhã escrevo mais, que estou animado com a minha vida de desempregado. Sobra tempo para pensar as besteiras fundamentais. Se alguém tiver emprego, por favor não me avise, porque pretendo curtir a minha fase de desempregado sem nenhum tipo de cobrança, seria estragar este bom momento da vida.

O Governo bem que poderia dar um seguro-desemprego para quem vive de bicos e frilas, além dos consultores. Do meu púlpito, lanço o brado: um seguro-desemprego para cronistas desempregados, de norte a sul do Brasil!

ps. voltei a publicar os poemas no www.quemerospoemas.blogspot.com

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Fragmentos de viagem

27 de janeiro de 2006, às 12:05h por Samarone Lima

Estou com o pé na estrada há alguns dias, com pouco acesso à Internet. Aqui perto do Farol da Barra, achei um lugarzinho baratinho, três reais a hora, e só me foi possível postar mesmo uma pequena coleção, fragmentos de coisas que ando lendo e escutando na minha vagabundagem, na minha perambulação afetiva. Então lá vai:

“O segredo sagrado da intimidade profunda”.
(Tom Zé, falando sobre o amor, numa entrevista, na TV, que assisti na casa de Pedro”.

“Era uma competência tão grande, que prejudicava a eficiência”.
(O mesmo, falando da seleção brasilieira)

“A Malu Mader nunca me atraiu”.
(Um amigo de Pedro, mentindo, lógico)

“Não estou lembrando não, mas é boa”.
(Pedro, não sei em qual contexto, nem qual o motivo)

“Me emocionei com King Kong”.
(Amigo de Pedro)

“O café está ótimo, não tem nem três dias”.
(De um vôvô sorridente, no ônibus da Itapemirim)

“Seguirei eliminando as palavras más que pus em meu todo, ainda que meu todo fique sem palavras”.
(Antônio Porchia, citado no livro “Filosofia da Comunicação”, de Gustavo de Castro)

“A alegria é a prova dos nove”.
(Oswald de Andrade)

“E gente é outra alegria
diferente das estrelas”.
(Caetano Veloso, em “Terra”)

“Perfumar o pensamento, adornar a razão, eis uma fusão sensível necessária à comunicação. Para que o pensamento esteja perfumado e a pétala possas ser pensada é necessário que pétala e pensamento possam ser recolhidos juntos”.
(Gustavo de Castro)

E para encerrar, o velho e bom Oswald de Andrade, que apareceu ontem, e ficou:

“Que alegria teu
rádio
fiquei tão contente
que fui à missa
na igreja toda gente
me olhava
ando desperdiçando beleza
longe de ti”.
(Oswald de Andrade)

ps. estou adorando os comentários. Os leitores estão roubando a cena, o que é ótimo.

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Florescimentos

24 de janeiro de 2006, às 17:49h por Samarone Lima

Não sei exatamente quando mudo, quando algo se transforma em mim. Sei que em algum momento, por volta dos 25/26 anos, fiquei mais lento, mudei o rumo do passo, e foi uma mudança profunda. Tenho um fascínio por este tema, o da lentidão, da mudança, e gosto de reparar nos outros, nas pessoas que quero bem, gosto também de ver quando uma cidade muda, quando uma paisagem se modifica, é meu fascínio.

Não sei exatamente quando, mas um dia descobri que minha tia Flocely tinha envelhecido. Foi um momento em que ela dobrou a esquina.

Não sei quando a gente deixa de amar uma pessoa que era tão importante, era fundamental, era “tudo” para o desejo, para alma, para o coração, para o espírito. Mas há um momento, e esse é o mistério, em que o amor também dobra uma esquina. Dobrei algumas.

Nas longas conversas com o meu velho e bom amigo Gustavo, ele me falou sobre a importância de “dobrar esquinas”, de seguir buscando o seu caminho, cheio de tantos percursos lindos.

Não sei quando, mas olhei para a minha profissão, de jornalista, percebi que estava reproduzindo coisas, que não queria aquilo, e mudei o rumo. Dobrei a esquina, arrisquei um novo começo, e me sinto feliz por isso.

Estou em Brasília e acho que algo vai se modificando, por aqui. Eu, que sempre olhara a cidade com a visão política, como o “centro do poder”, mudei meu olhar. Ela continua sendo o centro do poder, onde a grana rola e destrói coisas belas, mas… deus do céu, como essa cidade tem árvores lindas, jardins bem cuidados, flores por todos os lados.

Nas minhas caminhadas com Gustavo, ele me contou que aqui existe um funcionário público com a seguinte função: “Podador de árvores”.

Que profissão delicada e bela, pensei. Saber exatamente onde pode cortar os galhos, sem ferir a essência, sem matar.

Na vida, às vezes a gente faz a poda, mas mata a planta, mata um amor, mata uma amizade, cortando mais do que devia.

Quantos não fazem também a poda de si com tanto exagero, que não floresce a tempo?

Acho que dobrei mais uma esquina, e já não sou o mesmo.

Floresçamos, pois, floresçamos de norte a sul de nós mesmos, enquanto há tempo.

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Crônicas de Viagem (2) – O Silêncio de Brasília

23 de janeiro de 2006, às 9:53h por Samarone Lima

Saio da quadra 314, na Asa Norte, vou sem rumo pelas ruas de Brasília, em meu passo de camundongo. Caminho, olho para a paisagem dos dois lados. São dezenas, centenas, milhares de apartamentos, Brasília não tem este fenômeno social da casa, quintal, jardim, pelo menos aqui na asa da borboleta é assim (meu amigo Gustavo diz que o Plano Piloto não tem o desenho de um avião, mas de uma borboleta, e concordo integralmente.)

Vou andando, o dia está lindo, um sol perfeito, depois vim a descobrir que estamos a 1.100 metros de altitude e tomei um susto, porque tenho um medo ancestral de altura. Para quem está no Recife, ou em qualquer cidade ao nível do mar, é só imaginar que estou escrevendo estas notinhas um quilômetro e cem metros acima do solo, acho que nunca estive tão perto do céu, já posso dizer que estou nas nuvens.

Passo por uma singela barraquinha, daquelas que vendem frango assado na fumaça, igualzinho ao Recife, pergunto o preço, à guisa de curiosidade.

“É doze reais, filho”.

“ Obrigado”, respondi, que coisa cara do oeste, foi o que pensei, mas é assim mesmo, para viver aqui, vá logo separando um bom dinheirinho. Garrafão de água mineral : R$ 6,50. Saco de gelo: R$ 4,50. Fui ao cinema à noite: R 17,00. Assisti ao filme chorando, não de emoção, mas com pena do meu orçamento.

Sigo caminhando, caminhando, quando olho no relógio, já caminhei 47 minutos, fim do primeiro tempo, paro em um banco para descansar. Estou defronte a um imenso edifício, é tudo muito limpo e organizado, árvores imensas e frondosas em todas as quadras, adoro árvores. Olho as janelas. Ninguém. Nem uma sombra singela na varanda, nada de um velhinho que leu Heidegger pensando na consistência do improvável. Não há um choro de criança, canção na vitrola, barulho de TV, sequer um reles cantor de chuveiro. Falta-me um latido de cão. Uma tosse, uma singela tosse não acontece. Há um silêncio profundo, irreversível. Por sorte, os pássaros iluminam o dia. Lembro de Pedro Páramo, do Juan Rulfo, quando um personagem chega a uma cidade e não encontra ninguém. Aqui tem muita gente, mas estão todos em silêncio, Brasília é uma cidade silenciosa, respeitemos.

Bebo um gole d´água, tomo notas, olho o espaço entre os prédios. A grama, aqui, é mais aparada e verdinha que a do Arruda, onde joga o meu clube, o Santinha. Meus olhos buscam a pelada de domingo, o fenômeno social da bola, dos times, da busca frenética pelo gol. Nada. Nenhuma pelota rolando. Passei há pouco por um campo de futebol imenso e vazio. As traves eram duas criaturas magras e inconsoláveis. Senti falta de um drible, uma ginga de corpo, nesta manhã de domingo. Sinto uma saudade flamejante dos “ Caducos”, do Poço, e fico a imaginar quem foi o destaque na pelada do amanhecer.

Fim do intervalo, vou seguindo. Chego a um um shopping imenso, tomo um café, ligo para meu amigo Gustavo, que vem me buscar. Professor da UNB, o velho potiguar mora em Taguatinga do Norte. É lá que passo a tarde, com a Florence, Margôt, Olivier, e meu afilhado, Emanuel, que não via há cinco anos.

“ Tás lembrado do teu padrinho?”, pergunta Gustavo.

“ Não”, responde Emanuel, agora com 11 anos. O cabra está bonito como o quê.

A longa conversa da tarde, escutando “Moby” e fumando charuto, mereceria outra crônica, mas não sei, vamos ver o que diz o dia de hoje e o de amanhã. Cada dia com seu alpiste e seu vagar.

Até amanhã.

(Do gabinete do deputado Paulo Rubem, do PT de Pernambuco, a quem agradeço a gentileza)

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Crônica de viagem – Volume I (Recife-Brasília)

21 de janeiro de 2006, às 14:58h por Samarone Lima

Acabo de chegar de viagem, uma maratona Recife-Brasília, que durou 39h17 minutos, com a chegada do ônibus à rodo-feroviária da Capital Federal, no final desta manhã de sábado. Não foi por diletantismo que fiz esta maratona, foi grana mesmo, nesta brincadeirinha, consegui economizar R$ 750,00 e confesso que é uma grana que vai ajudar a seguir viagem, porque ainda vou bater pernas nos próximos dias, com a graça divina.

Dei a velha sorte de sempre, porque fiquei no fundão do dito coletivo, e sempre gostei de ficar no fundão da sala de aula, tem sempre gente mais divertida por ali, meu negócio é com a periferia mesmo. O primeiro amigo foi um vôvô de uns 60 anos, marrudo, baixinho, de Mossoró, que soltava piada a três por quatro, e resolveu ser o diretor do banheiro. Aos poucos, ele se tornou indispensável para a viagem, porque sempre dizia “tem gente”, “ tá livre”, “ tá ocupado”, “ tem café quentinho”, por ai vai. Como ele é de Mossoró, o apelidei de Potiguar, e como sou do Crato, ele disse que eu era dos índios Kariri, e ficamos assim, dois índios viajando pelo Brasil, um Potiguar e um Kariri.

Destaco aqui os motoristas da Viação Itapemirim, que a cada seis horas trocavam de turno, e sempre numa educação imensa. Diziam o nome, até onde iriam viajar, se precisasse de alguma coisa, era só avisar, vamos parar em tal e tal lugar, boa viagem a todos, eu inclusive achei os motoristas dez vezes mais educados que as aeromoças e comissários de vôo, em um povo cada vez mais chato, os tempos mudaram mesmo.

Em Aracaju, uma bela morena chorava copiosamente, porque seu homem embarcou. Era choro de soluço, então havia muito sentimento ali. Uma amiga tentava em vão consolar, mas essas coisas não são consoláveis, há que se deixar chorar até secar.

“Esse café fica quente direto, ele é aquecido pela turbina do motor do avião”, disse o índio Potiguar.

Começaram as reclamações porque tinha TV a bordo, mas não passava nada. O motorista mais educado, o senhor Rildo, que disse estar “descansado e preparado para conduzir os passageiros”, veio timidamente e falou que tinha um DVD, mas faltava o controle, então assistimos Dirty Dancing em inglês, com legenda em inglês, uma maravilha, eu só entendia quando eles dançavam, a sorte é que dançaram o filme quase inteiro. “ Tás pensando que isso aqui é avião, é”, perguntou o vovô, cada vez mais meu amigo.

Logo apelidamos um passageiro de “Pitu”. A cada parada, ele mandava ver no referido aperitivo, e em Feira de Santana já estava para lá de Bagdá, não sabia qual era o ônibus, a sorte é que o santo de bêbado é forte, ele chegou até o fim, mas o bafo, pela mãe do guarda…

Numa rodoviária, um sujeito vem com uma sacola me pedir uma ajuda. Diz que vem andando desde Aracajú, estamos na metade da Bahia, vai até Teófilo Otoni, em Minas, é muito chão, desconfio da história, ele confirma, sou meio ruim dessas coisas, vou saindo, mas resolvo dar R$ 1,00 e ele agradece com um sorriso tão simples e bom, que me comovo, dou mais R$ 1,00 e agora ele só precisa mais uns 60 contos, eu também não estou com essa grana toda, perdão.

Em algum muro, anoto:

“Prefeito, Zé Marcão
Vice: Zé Bodinho”.

Vi um homem só de calção, na pedra de um rio, tomando seu banho solitário; vi um bezerro sendo lambido pela vaca-mãe; vi uma velha muito negra se olhando num pedaço de espelho, numa calçada alta; vi o vovôzinho potiguar comer sua farofinha com galinha, igualzinho às farofas que minha avó fazia. Vi muitas coisas pela janela da poltrona 39, entre o Recife e Brasília.

Mas o que me encantou mesmo na viagem foram as rodoviárias. As rodoviárias do interior do Brasil, as rodoviárias semi-adormecidas de madrugada, com as mulheres segurando crianças no colo, homens exalando cansaço, vendedores com caras amarrotadas. De madrugada, e só de madrugada, nessas rodoviárias, se pode ver um Brasil em trânsito, sempre indo e voltando, o norte indo para o sul, o leste brincando com o oeste, a depender de um assento, de uma vaga, de um horário, de um trocado, empresas como “Transbrasiliana”, “ Princesa dos Campos”, “ Princesa do Agreste”, “Andorinha”, “ Pássaro Marrom”, “Guanabara”, enfim, cada guichê, um mundo, um sotaque, um rosto, um semblante, uma memória, cada café, uma história humana, uma herança cultural, uma trajetória, e os passageiros, essa gente sempre a caminhar, com suas mínimas sacolas, suas caixas, seus desejos, seus açoites, suas toalhas ao ombro, em banheiros vagabundos, têm somente um desejo, que é chegar, rever quem nunca mais viu, abraçar aquela criatura amada, os filhos, os pais, os parentes distantes, mas chegar, chegar, simplesmente chegar, e neste intervalo entre a saída e a chegada, é que se vê o tamanho deste país, não merecíamos ser tão pobres, mas vamos seguindo, sempre seguindo, vamos caminhando, até mais.

Da casa de Pedro e Liana, na Asa Norte.

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