Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

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Fragmentos de viagem

27 de janeiro de 2006, às 12:05h por Samarone Lima

Estou com o pé na estrada há alguns dias, com pouco acesso à Internet. Aqui perto do Farol da Barra, achei um lugarzinho baratinho, três reais a hora, e só me foi possível postar mesmo uma pequena coleção, fragmentos de coisas que ando lendo e escutando na minha vagabundagem, na minha perambulação afetiva. Então lá vai:

“O segredo sagrado da intimidade profunda”.
(Tom Zé, falando sobre o amor, numa entrevista, na TV, que assisti na casa de Pedro”.

“Era uma competência tão grande, que prejudicava a eficiência”.
(O mesmo, falando da seleção brasilieira)

“A Malu Mader nunca me atraiu”.
(Um amigo de Pedro, mentindo, lógico)

“Não estou lembrando não, mas é boa”.
(Pedro, não sei em qual contexto, nem qual o motivo)

“Me emocionei com King Kong”.
(Amigo de Pedro)

“O café está ótimo, não tem nem três dias”.
(De um vôvô sorridente, no ônibus da Itapemirim)

“Seguirei eliminando as palavras más que pus em meu todo, ainda que meu todo fique sem palavras”.
(Antônio Porchia, citado no livro “Filosofia da Comunicação”, de Gustavo de Castro)

“A alegria é a prova dos nove”.
(Oswald de Andrade)

“E gente é outra alegria
diferente das estrelas”.
(Caetano Veloso, em “Terra”)

“Perfumar o pensamento, adornar a razão, eis uma fusão sensível necessária à comunicação. Para que o pensamento esteja perfumado e a pétala possas ser pensada é necessário que pétala e pensamento possam ser recolhidos juntos”.
(Gustavo de Castro)

E para encerrar, o velho e bom Oswald de Andrade, que apareceu ontem, e ficou:

“Que alegria teu
rádio
fiquei tão contente
que fui à missa
na igreja toda gente
me olhava
ando desperdiçando beleza
longe de ti”.
(Oswald de Andrade)

ps. estou adorando os comentários. Os leitores estão roubando a cena, o que é ótimo.

Postado em Crônicas |

8 Comentários

  1. gustavo Disse:

    Esquina

    (para sensíveis e inteligentes de toda ordem)

    Dobrar a esquina.
    Constantemente, dobrar.

    Até que a vida vire e vire
    em direção ao amor.

    Até que o coração vire e torne a virar
    em direção ao amor.

    Dobrar a esquina.
    Constantemente, dobrar.

    Como a esquina
    de cada encontro
    de cada adeus
    de cada esconso.

    O coração é uma esquina
    que ninguém sabe virar.

    Gustavo de Castro.

    P.S. Apesar de Brasília não ter esquinas
    meus olhos estão cheios delas.

  2. Anonymous Disse:

    Porra, Sama, além de eleitores femininos, o que é bom e natural, ganhasse uns tantos mais masculinos, “sensivel e inteligente”, obviamente.

    Gustavo é o nome dele.

    Visse que poder sedutor tem as palavras !

    Segue firme.

    Abraço a todos.

    Paulinho.

  3. Adri Disse:

    Samarone Lima, quando é mermo que tu volta, hein??
    Beijo.

  4. Luiz Disse:

    Soy Loco por ti, Oswald.

  5. Anonymous Disse:

    Caro Samarone, é claro que o lance da sensibilidade feminina foi uma brincadeira só para provocar um pouquinho, você tá um nível acima, da maioria dos cronistas conhecidos, seja com textos esportivos, seja com crônicas urbanas etc… me admiro que você não tenha ainda uma coluna em um jornal de PE, se bem que, esses editores chefes de jornais limitam as pessoas, apesar de gente como João Ubaldo dizer que não sofre pressão. Agora você que conhece da matéria, poderia escrever um texto explicando o senso de humor(?) feminino…. rs rs rs

  6. Anonymous Disse:

    Sama, vc é meu vício…beijossss

  7. Ane Disse:

    Samuca: já dizia Horácio que “os que correm os mares mudam de céu, mas não mudam de espírito”, e você é (exagero de propósito) “a mais perfeita tradução” das palavras horacianas. E que tal de, além de conservar o mesmo espírito, fazer o caminho de volta pelos canteiros floridos de Brasília, que está ainda mais bonita depois que a chuva resolveu chover. Bj, Ane.

  8. Anonymous Disse:

    “grande o segredo dos primórdios no tempo, que não se sujeitam a eternidade e surgem assim como um louco sem camisas”
    gostei deste blog.

Conversinhas

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