Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

Apresentação


Livros do Autor


Artigos recentes


Comentários Recentes


Aproximações


Calendário

abril 2006
D S T Q Q S S
« mar   mai »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Usuários online


Se é para falar de pequenos delitos…

29 de abril de 2006, às 9:12h por Samarone Lima

Bem, fui tocar no assunto dos “pequenos delitos”, na crônica passada, e choveu de gente fazendo pequenas confissões. Agora vamos e convenhamos: roubar o “Aurélio” é algo meio descarado demais.

Então, como é manhã de sábado -melhor, manhã de sol depois de uma chuva, fiquei aqui a revolver meus miolos, pensando nos pequenos delitos, indo bastante contra o politicamente correto dos tempos atuais. Encontrei alguns pequenos delitos que não considero de todo ruins.

Ter roubado a Livro 7 parece que já é crime prescrito, pois a livraria fechou há alguns anos, e desconfio que vários larápios do mesmo tipo andaram por lá.

Quando fiquei hospedado em um albergue, em Buenos Aires, conheci uma sueca chatíssima, que só queria ser a dona da cocada preta. Em tudo ela queria levar vantagem. Pois bem. À noite, eu ficava lendo até tarde, e quando o albergue dormia, eu ía à geladeira e atacava a cestinha da sueca. Como um bom rato, dei umas roídas no seu queijo, acompanhado do azeite de oliva maravilhoso.

Já entrei várias vezes no estádio com a cachaçinha escondida por baixo do bermudão. Como apertaram a fiscalização, o produto agora vai debaixo do pandeiro de Josimar.

Na adolescência, pegava escondido a Playboy debaixo do colchão do meu pai, e uma vez botei a culpa no meu irmão, o Tonho.

Na quinta-série, levei um saca-rolha para a escola e comecei a furar uma carteira. Depois, passei para os colegas. Quando já íamos na oitava carteira furada, o crime foi descoberto. Desconfio que não assumi a autoria do delito, e ficou por isso mesmo.

Uma vez eu disse para minha terapeuta que tinha amadurecido como pessoa.

Dizem que joguei o rádio de pilha, que Seu Vital sempre me emprestava, nos jogos do Santa Cruz, num bandeirinha ladrão. Não lembro se é verdade, mas o rádio desapareceu.

Roubei fotos esporádicas de amigos e amigas.

Já disse que estava liso, em divisão de contas, mas era lorota. É que eu tinha achado a conta cara demais.

Gatunei alguns livros de Gustavo, mas ele fez o mesmo com alguns meus, então tudo bem.

Quando tem visita aqui em casa, uso o shampoo da visita, que é sempre melhor.

Pedi o celular de Sóstenes, um dia, para uma “rápida ligação”. Passei mais de quinze minutos na linha, e nunca o comuniquei do fato.

Já escondi as chaves do carro da namorada, para ela não ir embora, e perdi as chaves. Bem, eu já tinha tomado umas garapas.

Bem, são todos delitos prescritos. Diante do que a turma tem feito em Brasília, minha ficha criminal poderia ir para o setor dos anjinhos.

Ah, ía esquecendo: afanei um Verlaine e um Rimbaud de Luzilá. Vou devolver logo hoje, porque estou lendo cada vez pior em português, quanto mais em francês. Além disso, é muito feio roubar a vizinha, enquanto ela está viajando.

Vou parar por aqui, enquanto não lembro de coisas piores.

ps. voltei a atualizar o blog de poemas:

www.quemerospoemas.blogspot.com

Postado em Crônicas | 8 Comentários »

Confissões de um leitor e um pequeno agradecimento

27 de abril de 2006, às 21:29h por Samarone Lima

Lembro quando tudo começou, e talvez tenha mudado o rumo da minha vida. Bisbilhotei uma biblioteca meia boca que tinha lá em casa, eu acho que estava ali pelos 12, 13 anos. Encontrei um livro grosso, intitulado “Papillon”, e comecei a ler. Fiquei impressionado com aquilo: como podia caber tanta história, tanta vida, dentro de um objeto quadrado, cheio de folhas? Foi minha inauguração. Só hoje fiz uma relação - “papillon” quer dizer “borboleta”. Foi meu primeiro vôo, creio.

Depois, cutuquei uma coleção de capa dura e me dei bem. Estava lá “Justine”, do Lawrence Durrel. Aí eu me apaixonei pela Justine e pela literatura, tanto que até hoje compro qualquer edição do “Quarteto de Alexandria” que encontrar. Já reli este livrinho, de capa azul, uma dezena de vezes.

Como eu tinha um irmão muito politizado, o Paulinho, pude ler “Batismo de Sangue”, do Frei Betto, antes mesmo da adolescência. Foi uma pancada saber dos sofrimentos dos dominicanos e do Frei Tito de Alencar, mas agüentei bem, e guardei as sementes para meus livros.

Quando cheguei ao Recife, em 1987, a minha maior bagagem, além da esperança, era uma caixa de livros. Sonhava em ter uma biblioteca, um dia.

Na minha pobreza de Casa do Estudante e Restaurante Universitário, ataquei várias livrarias, sempre de forma moderada, naquela velha tática de esconder o livro no meio dos cadernos, numa tensão de roer os nervos. Quando saía da livraria com algo bacana, dava vontade de dar aqueles socos no ar do Jairzinho, na Copa de 70. Já pedi desculpas ao Tarcisio outro dia, e fiquei até aliviado, quando uma leitora disse que roubou o “Aurélio”! Me senti até meio santo.

Não sei quando o Fernando Pessoa entrou na minha vida. Sei que li um livro com os poemas do Álvaro de Campos, em uma noite de sexta-feira na Casa do Estudante, o melhor dia de um ser humano, porque todo mundo ia para as farras, e o quarto ficava vazio. Fiquei absolutamente “tomado” pela poesia, como bem diz o meu amigo Gustavo, que está quietinho, lá em Brasilia, preparando algo de muito bom. Atravessei a noite lendo aquelas odes todas, e como estudava teatro, fiquei encenando os poemas, feito um maluco. Fui dormir exausto.

Quando fiz trinta anos, em São Paulo, ganhei o “Livro do Desassossego” da Érika, com uma linda dedicatória. Li e reli o livro vária vezes, ele tinha mais rabisco meu do que do poeta. Até que na quarta-feira de cinzas, dois ladrões patéticos me assaltaram, de arma em punho, e levaram meu livro. Choraminguei aqui no Estuário e Deus escutou minhas preces.

Na segunda-feira, saindo de casa, recebi um chamado de Seu Vital (sempre ele). Tinha chegado uma encomenda para mim. Duas caixas lindas, com laço e tudo o mais. Ele arregalou os olhos. Abri a primeira caixa, eram flores lindas. Abri a outra, era um absurdo de norte a sul. O “Livro do Desassossego”, a bela edição da Companhia das Letras, acompanhado de uma edição portuguesa, em dois volumes. Os livros estavam acomodados em um papel muito macio, cor de abóbora, essas coisas de gente delicada.

Os presentes vieram de uma pessoa apaixonada pelas palavras, e que gosta do que escrevo. Diz que não é um presente, apenas “uma retribuição” ao que tenho dado. Mas eu insisto, é um presente sim, e de uma beleza comovente.

Saí com a caixa, fui à casa de Luzilá, mostrar o presente, depois caminhei para a casa de Emilia. Criança não tem isso, de mostrar o presente que ganhou aos amigos? Lucila achou tudo muito delicado. Emilia estava meio de mau humor.

Na volta, lá pelas dez da noite, temi voltar sozinho.

“E se me roubam novamente, com Fernando Pessoa e tudo?”- pensei.

Lucila me deu carona. Vim alisando a caixa.

Vinha pensando em escrever algo muito bonito, para agradecer o presente, mas só me chega o reles, magérrimo, óbvio “muito obrigado”. O que eu disser, será pouco para agradecer tanta generosidade dessa leitora.

Ps. informo que em 2.000 pendurei minha carreira de ladrão de livros, e não tive mais recaídas.

Postado em Crônicas | 16 Comentários »

A cidade e suas feridas

26 de abril de 2006, às 12:13h por Samarone Lima

Se você é recifense como infelizmente eu não sou, evite ir ao centro da cidade. Evite ir ao núcleo intenso, onde a cidade poderia respirar esplêndida, em meio às pontes, atravessadas pelo eterno Capibaribe, o nosso rio. Não sei o que há, mas tudo está murchando, tudo está feio e maltratado. É como um imenso jardim, sem jardineiro, sem adubo, sem flores.

O lendário Diário de Pernambuco não está mais lá. Tudo em seu entorno, os bares, os mata-fome, os pega-bêbados, já não existem. Acabou aquela movimentação de jornalistas, fotógrafos, carros, acabou uma vida que se respira ao lado de um jornal. O Jornal do Commercio também deixou o centro da cidade, e está próximo ao Diário, ali pela rua do Lima. Os jornais não estão mais no centro, nem na periferia, então não entendo nada.

Os botecos, os velhos e deliciosos botecos, estão sendo engolidos por essa máfia intensa, a do “crédito pessoal”, ou do “empréstimo consignado”, para os velhos, os nossos velhos, que estão cheios de dívidas. Triste de um país que tem mais empresas de empréstimo consignado para seus velhos, do que botecos ou livrarias. Algo vai mal, muito mal, quando os velhinhos vão caminhando, e há bandos de rapazes e moças oferecendo dinheiro na hora. Para mim, são como urubus, em cima de quem mal tem algo para sobreviver. Emprestam dinheiro fácil, com os juros mordendo o pescoço, em prestações fixas, com o dinheiro descontado em folha. Assim é fácil emprestar dinheiro. E nem me venham com essa de terceira idade, porque velho é uma palavra linda, forte, e que define tempos.

Há muitas farmácias no centro, para as doenças do nosso povo. Há dezenas de lojas de jogo do bicho, no centro do Recife. Há milhares de camelôs, vendendo pipoca, guarda-chuva e óculos escuros. Todas as mulheres do Recife agora querem usar imensos óculos escuros, escondendo o rosto e alguma tristeza, creio.

Não há uma livraria no centro do Recife. Pode rodar por todas as ruas, que a mendicância cultural é imensa. Me sinto como aquele cego, oferecendo o chapéu em busca de trocados. “Uma livraria para o ceguinho, pelo amor de deus!” Mas nem chapéu tenho. O Bndes tem bilhões e bilhões em seus cofres, financiou agricultores, produtores de vinho, fábricas as mais diversas, tinha a obrigação de chamar Tarcisio Pereira, o nosso “Livro 7″ e dizer:

“Vamos te dar um dinheiro para tu fazer novamente uma grande e deliciosa livraria no centro do Recife, com café e espaço para lançamento de livros”.

O Savoy já era. A Cristal já era. O Dom Pedro eu não sei, fui muito pouco.

Passo nos sebos. Há somente livros de primeiro e segundo grau à venda. Nunca vi sebo que não tem sequer um Henry Miller gasto, largado num canto, por cinco contos. Olho o “Camelódromo”, inaugurado com pompa e circunstância outro dia, por algum prefeito que não lembro. Está lá, um resto de sobra de obra que rendeu muita grana a alguém. Carcaças urbanas e uns pobres diabos jogando dominó, debaixo de um calor infernal. Ó ceus.

Nem vou falar do Bairro do Recife. A parte mais linda do Recife está ao deus-dará. Era para ser o centro de uma vasta produção cultural, mas é o arremedo de algo que não vingou.

A melhor parte desta visita melancólica, foi quando peguei o Alto Santa Isabel e voltei para casa.

Deixemos de louvar tanto o Recife. A cidade está cheia de feridas.

Ps. Renilde, recebi o presente. Obrigado. Não sei ainda como agradecer.

Postado em Crônicas | 8 Comentários »

Amanheceres

22 de abril de 2006, às 12:40h por Samarone Lima

O dia sempre começa. Pode ser bom, ruim, doce, pode trazer o mel ou fel, mas é uma lei cósmica: sempre amanhece. Diria que estamos num eterno amanhecer.

O dia começa com um telefonema, um despertador, um toque no corpo, de alguém que se ama muito, e que dormiu ao lado. O pequeno contato íntimo, que diz “estamos juntos”. Ou simplesmente amanhece, sem nenhum gesto brusco, na solidão apaziguada, somente os olhos abrindo para a claridade do mundo.

O dia começa com uma lembrança, uma saudade, um desejo. O que aconteceu ontem, um sentimento que atravessou a noite, o desejo instalado, nos primeiros instantes, de que algo aconteça hoje, algo melhor que ontem, não tão bom quanto o amanhã, onde costumamos depositar nossa melhor esperança.

Há dias que nascem sonolentos, em que os olhos pesam, bocejos intermináveis. Há dias apressados. Há dias que nascem já sepultados pela pressa, quando queremos chegar ao dia seguinte. Há dias que nascem já cansados, diante de uma agenda repleta de obrigações. Há dias em que pedimos mais do que o corpo pode dar. Dias em que damos à alma menos do que ela merece.

O dia começa com aberturas. De olhos, de cortinas, janelas, portas, armários, guarda-roupas. Começa com a palavra “bom”, de bom-dia. O dia começa com a proximidade dos que nasceram juntos ou se encontraram, na sinfonia da vida. O pai, arrastando sua sandália, os barulhos do banheiro, a água despertando corpos, o chacoalhar das escovas em dentes amarelados pelo cigarro, e a promessa de parar de fumar se renovando no espelho.

O dia começa com um olhar amoroso da mãe, que desperta mansamente a filha para a escola. Felizes os que despertam com um beijo, seja da mãe, do pai, de quem se ama. Ser despertado com um beijo é ter o dia abençoado.

O dia começa com uma canção na rádio, uma melodia cantada por alguém ao longe, um assovio do porteiro. Começa com a imagem de um animal de estimação, um pássaro ocasional, que se aboleta nos fios. Antes de fazermos algo de concreto, antes de aumentarmos o PIB do Brasil, nós simplesmente amanhecemos, tiramos a noite de nossos ombros, e recomeçamos.

Despertamos com a esperança de chegarmos inteiros ao final do dia, de não sermos atingidos por nada que entre tão fundo, pedindo que as palavras duras não magoem tanto, que saibamos calar quando tivermos apenas pedras na língua.

Muitos despertam com suas orações, pedidos. Alguns despertam apenas agradecendo. O obrigado por mais um dia concedido. Muitos, hoje, terão somente este dia. Amanhã, serão apenas lembrança e saudade.

O dia amanhece com café, pão e esperanças. Para muitos, resta apenas a esperança, embrenhada na fome tão imensa, fome de comida, que gera todas as outras fomes. Para outros tantos, o dia amanhece com fome de afeto, que torna toda a fartura mínima, pálida, insuficiente.

Alguns, açoitados pelo mau-humor antigo, vão deixar as horas chegarem, para o apaziguamento. Gente que não dá bom-dia nem para si mesmo. Gente que detesta acordar.

O dia amanhece, sempre amanhece. No dia em que não mais amanhecemos, junto com o dia, é porque veio a noite da vida.

A morte, que é um anoitecer.

Sim, porque os seres, como os dias, anoitecem.

Postado em Crônicas | 12 Comentários »

Um ano perfeito para a vadiagem, ou "anotações sobre a Copa do Mundo".

20 de abril de 2006, às 12:54h por Samarone Lima

Amigos leitores, amanhã já tem outro feriado, o dia de Tiradentes, e vamos todos render homenagens ao célebre inconfidente. Semana passada, já teve feriado por conta da Páscoa e o Recife ficou uma beleza, porque quase todo munto resolveu cair fora. Resultado: poucos carros, ausência de buzinas (vi até motoristas fazendo gentilezas com pedestres e ciclistas), aquela maravilha da cidade mais silenciosa, quieta, na ausência generalizada de filas e chatices.

Maio já vai começar com o feriado do Dia Mundial do Trabalho. Para nossa turma, aqui do Poço da Panela, o primeiro de maio é o dia do aniversário de Seu Vital e Dona Severina, e fim de papo. Vamos fazer a tradicional “festa surpresa”. Fingimos, de ambos os lados, que nada vai acontecer, mas tudo acontece.

Junho está na boquinha, e no dia 13, o Brasil joga contra a Croácia, dando início ao mais longo feriado nacional: a Copa do Mundo.

Se tudo der certo, no dia 9 de julho estaremos jogando a final, em Berlim. Durante um mês, seremos aquela massa uniforme, milhões de roedores de unhas e suadores frios profissionais, a cada toque de bola do selecionado. Durante um mês, tudo vai funcionar de forma ainda mais precária em tudo que é de repartição, empresa, escritório, galpão. Perdão, amigos, mas eu sou louco por futebol, e a Copa do Mundo é a Copa do Mundo.

No meu caso particular, tenho uma obsessão que me prejudica terivelmente. Gosto de torcer pelo mais fraco, nem que seja numa partida de dominó. Dia 10 de junho, por exemplo, estarei perfilado diante da TV, com a mão no peito esquerdo, cantando o hino do Paraguai, que enfrentará a Inglaterra. Dia 12, vestirei a camisa do selecionado de Gana e farei mandingas as mais diversas, no jogo contra a Itália. Acenderei velas, incensos, farei promessas para Gana virar o jogo no finalzinho. Viverei dilemas existenciais, como no jogo México x Angola (dia 16), mas até os 12 minutos do primeiro tempo, terei escolhido o time.

Togo x França? Claro que sou toguense desde a mais tenra infância, nos arrebaldes do Crato e Brejo Santo, no Ceará. A bandeira da República Popular do Togo será desfraldada pouco antes do início da peleja, aqui na Visconde de Araguaya. Já estou decorando o hino dos toguenses, que fala de amor à pátria, mas todo hino fala de amor à pátria.

Lembro que na Copa de 98 eu estava em São Paulo, em um boteco, assistindo França x Paraguai. Os paraguaios seguraram um empate heróico no jogo normal, se fecharam até o final da prorrogação, se fossem para os pênaltis, ganhariam a partida e eliminariam os franceses, era uma certeza profunda e irreversível que eu tinha. No finalzinho da prorrogação, um francês, acredito que o maldito Blanc, fez o gol, e os paraguaios foram eliminados. Dei um murro no balcão que estremeceu o bar, paguei a conta e voltei para casa, arrasado, depressivo, triste, solitário e final, como diz o velho e bom argentino. Ali, eu era o mais triste dos paraguaios de todo o globo terrestre. Faltou pouco para eu abrir o gás e ir dormir.

Eu iria escrever sobre a vadiagem que está sendo este ano, que ainda vai ter as eleições no segundo semestre, mas me empolguei com a Copa e me desviei do assunto. Minto. Na verdade, eu tinha escrito um texto bem grandinho, esqueci de salvar, acabei perdendo tudo. Ora, tem gente que perde tudo na vida, eu lá vou reclamar porque perdi uma reles crônica?

E por mais que adore a literatura argentina, por mais que tenha amigos de montão por lá, por mais que sempre queira voltar a Buenos Aires, não tem jeito. No jogo Argentina x Costa do Marfim, serei costa-marfiniano desde o útero da dona Ermira. Argentina x Sérvia e Montenegro, serei servo-montenegrense de coração. Holanda x Argentina? Ora, eu tenho todos os motivos para ser Holanda até os nervos, porque o conde Maurício de Nassau construiu umas belas pontes aqui no Recife. Até onde eu sei, o conde era holandês, e nunca vi um argentino dar um prego numa barra de sabão pelo Brasil.

Vou parar por aqui. Esse assunto, Copa do Mundo, faltando reles 50 dias para o início do torneio, me deixa com os nervos à flor da pele, suando frio e sem dormir direito. Só mesmo a seleção canarinha e o Santinha me deixam assim.

Postado em Crônicas | 6 Comentários »

« Artigos anteriores