Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

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Anotaçõs dos velhos cadernos, em dia sem inspiração

7 de abril de 2006, às 10:00h por Samarone Lima

Hoje a inspiração não veio, parte também por conta da preguiça, e preguiça eu respeito muito. Como adoro escrever nos meus cadernos trechos de livros, conversas, diálogos e observações inúteis as mais diversas, vai uma pequena seleção de coisa que andei anotando, no meu diário de fevereiro de 2002.

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“A inércia é meu ato principal” (Manoel de Barros, poeta)
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“Ser poeta é perder”(Eduardo Milan, poeta uruguaio)
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“Soy um tipo com una tendência desarraigada muy fuerte. Y esos tipos son los peores porque son los que sobreviven”(Ibdem).
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“A árvore já não está, mas sua sombra continua em mim”(frase que pretendo usar num poema)
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“Toda ruína sobrevive”(Juan Gelman, poeta argentino)
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“Eu, como os cães, sinto a necessidade do infinito”(Lautreamont)
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“Muitas vezes, perguntei-me que coisa era mais fácil de reconhecer: a profundeza do oceano ou a profundeza do coração humano!”(Ibdem)
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“Minha alma é um graveto que ainda não partiu.
Quando partir, será árvore”.(mini-poema)
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“Aptidão à metamorfose de si mesmo e de estar presente em cada coisa”. (Lou-Salomé)
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“Creo que son los males del alma, el alma. Porque el alma que se cura de sus males, muere”(Antonio Porchia, argentino)
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“Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio”(Ricardo Reis).
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“É preciso dar graças ao amor”. (Lourival, professor da UFPE, no lançamento de “Voltar a Palermo”, de Luzilá).
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“O amor é uma carência e uma querência”. (Ibdem)
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“É sempre oblíquo o ângulo da estrada do amor na nossa vida”(Ibdem)
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“Dharma é o contrário de Karma. Karma é débito, Dharma é crédito”.
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“Fundei cidades em tua doçura”(Juan Gelman, sempre)
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“Em geral, as posses são definidas pela posse”(Nietzsche, in “A Gaia Ciência”)
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“E a verdade é que a beleza está à nossa espreita. Se tivéssemos sensibilidade, poderíamos captar sua presença na poesia de todos os idiomas”. (Jorge Luís Borges)
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“O conselho é saudável mas difícil de ser praticado, pois se geralmente sabemos o que perdemos, nunca sabemos o que vamos ganhar. Temos uma imagem muito precisa e, às vezes, dilacerada do que perdemos; mas ignoramos o que pode vir em seu lugar”.(Ibdem)
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“A felicidade não precisa de transformações. A felicidade é seu próprio fim”. (Ibdem)
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“Lembrei disso num poema, onde falo do antigo alimento dos heróis: a humilhação, a infelicidade, a contradição. Essas coisas nos foram dadas para serem transformadas: fazer com que as circunstâncias miseráveis de nossa vida se tornem coisas eternas ou em vias de eternidade”.
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“Não me deixo para depois”(Ericson Luna, poeta recifense)
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“É isso, meu amor, mas se calhar a solidão é não sabermos estar conosco, com o patrimônio da nossa própria história, com a memória honrada do que vamos vivendo. Talvez por isso entramos no amor por causa das nossas ruínas e nem todos querem trabalhar na construção civil”. (Antonio Alçada Baptista, escritor porruguês)
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“Pense mi hogar apagado. Me queme las manos”. (algo do tipo: “pensei que meu fogo tinha apagado, e queimei as mãos, trecho de um poeta equatoriano, que não lembro o nome).
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Há também os agiotas do espírito (está anotado assim, numa página em branco)
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“Somente o tempo, o tempo só
dirá se irei luz ou se permanecerei pó
se encontrarei Deus ou procurarei só
se ainda hei de abraçar minha avó”.
(Versão de “Time will tell” de Bob Marley, por Gilberto Gil)
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“Eu queria ter sido uma multidão”(De um amigo, ao ser perguntado sobre quem gostaria de ter nascido)
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“Ciertas luces apagadas iluminan más que las luces encendidas”. (Antonio Porchia)

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