Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

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As histórias de Dona Ermira, volume I

31 de julho de 2006, às 10:54h por Samarone Lima

Dona Ermira é a mulher mais solidária do mundo. Se receber uma ligação da prima da irmã da tia da vizinha, que não vê há três décadas, informando que a menina está hospitalizada, Dona Ermira organiza a bolsa, bota alguns poucos pertences e se hospeda no hospital, para acompanhar o caso. É uma mulher de 60 anos, meio gordinha, com um eterno sorriso de canto a canto do rosto.

Dona Ermira outro dia recebeu um telefonema. Uma prima tinha morrido, o enterro estava marcado para aquela manhã. Ela ficou triste imediatamente, telefonou para a irmã, Beta, e avisou:

“Temos que ir ao enterro da nossa prima!”.

Na porta do cemitério, encontraram duas pessoas conhecidas. Começou aquela conversa sobre as qualidades da falecida. Daqui a pouco, ela escuta o chamado de um desconhecido.

“O enterro está saindo!”.

“Vamos, Beta”.

As duas foram, naquele passo silencioso, cercado de murmúrios, que marcam qualquer enterro. Antes de ser colocado no túmulo, o caixão ficou um tempo fechado, para as últimas despedidas. Dona Ermira se aproximou, muito triste, chorou um bocado, lembrou da prima de muitos anos atrás. Alisou a tampa do caixão, num gesto de carinho, mas nem olhou direito para o rosto da prima, que não via há muitos anos.

Dona Ermira só estranhava uma coisa. Cada vez que levantava a cabeça, não conseguia encontrar uma pessoa conhecida.

“Ermira, acho que não é aqui não”, sussurrou Beta duas vezes. “Não estou vendo ninguém conhecido”

E tome lágrimas!

Lá pelas tantas, a própria Dona Ermira resolveu tirar a dúvida. Olhou para um senhor grave, de paletó e óculos escuros:

“Aqui é o enterro de quem?”

O homem grave informou o nome de uma pessoa que ela nunca ouvira falar.

“Vixe, Beta, não é aqui não!”, disse Dona Ermira em uma voz mais alta que o necesário, enxugando as lágrimas. Sabe-se que houve um murmúrio geral entre os amigos e parentes da falecida em questão. Quem era aquela intrusa?

As duas olharam ao longe. Do outro lado do cemitério, estava sendo realizado outro enterro. Apressaram o passo.

Ainda deu tempo de ver os parentes jogando areia no caixão da prima. Dona Ermira foi abraçada pela irmã da prima.

“Ermira, pensei que você não vinha!”.

Ela ficou sem jeito em dizer que estava chorando suas pitangas no enterro errado.

Ao lado, Dona Beta não conseguia segurar o riso.

Essa minha mãe é fogo!

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Monte Castelo, lembranças e flores de plástico

28 de julho de 2006, às 15:53h por Samarone Lima
Não, não se trata de nenhuma referência às batalhas do Brasil na II Guerra. Até onde eu sei, foi em Monte Castelo que os pracinhas, os soldados brasileiros, mandaram ver, ganharam umas pelejas contra os alemães, na base do drible de corpo, improviso e vontade. O Monte Castelo é o bairro aqui de Fortaleza, onde morei até os 18 anos. Ontem, fui dar umas voltas pelos quarteirões que fizeram parte da minha adolescência, e só ao final da jornada, depois de algumas conversas, e surpresas, com poucos vizinhos me reconhecendo, entendi o fenômeno do tempo: já se passaram 19 anos, desde que embarquei para o Recife.

Primeiro encontrei o Tóya, que nunca soube o nome, com quem tive uma briga monumental, lá pelos 14, 15 anos. Briga monumental não, houve uma confusão, ele saiu correndo atrás do meu irmão, o Tonho, eu corri atrás do Toya, ele se virou, me acertou um tabefe de primeira, e voei para trás. Acabou em uma fração de segundos uma de minhas poucas brigas de rua, porque caí para trás e ficou por isso mesmo. O Toya me abriu um grande sorriso, ontem, falou da vida, quis saber de mim. Nem sei mais se foi com ele mesmo que briguei. Lembro sim, foi com ele, cheguei em casa com um enorme calombo na cabeça.

Segui, camundongamente, olhando as casas. Por conta da violência, todos os muros são altos, e prolifera aquela cerca de arame, com o aviso “Perigo, corrente elétrica”. Aqui na casa da minha mãe tem essa cerca. Se alguém tocar, dispara um alarme. Custa R$ 150 mangos por mês, uma espécie de aluguel extra. O bairro está soturno, triste. Semana passada, mataram o dono de um pequeno comércio, um negócio brutal. É igualzinho ao Recife, com assalto a todo instante. Estou escapando na base do silêncio. Quando vem um assaltante, finjo que não é comigo.

Passei pela casa de Seu Nonato, havia uma pequena conversa de senhoras. Reconheci a mulher de Seu Nonato, falei, ela me olhou longamente, pensando que eu era algum missionário. Uma senhora de cabelos claros matou a charada:

“Mas…não é o Samarone?”

“Menino, como está diferente…”

“É essa barba…”

Pela primeira vez, falaram mais da barba, que dos cabelos. Ficamos conversando, repassando os assuntos. Seu Nonato morreu há uns dois anos. No lugar do seu bar, tem agora uma academia de ginástica. O Charlon, nosso velho cantor do bairro, que ficava na esquina puxando lindas canções em seu violão, outro dia foi acertado por um delegado aposentado da Civil. Tomou cinco tiros, o velho Bilonga, como o chamávamos. Mas escapou dessa. Fazia mergulhação e tinha uma apnéia de quatro minutos, me explicou sua irmã. Quatro minutos debaixo d´água, é mesmo muita resistência. Sobreviveu bem. O Charlon é pastor evangélico em alguma cidade do interior. Nunca imaginei que o nosso Bilonga fosse ser pastor. Sempre o vi cantando as músicas de Ednardo, Fagner etc.

Quiseram saber de mim, contei que era jornalista, que estava no Recife, a irmã do Charlon teceu os melhores elogios à nossa Veneza Brasileira, contei que eu estava gostando mais de ensinar, que não sentia muita saudade das redações de jornal. A prosa rendeu, estava quase saindo uns biscoitos ao forno, mas não deu para esperar, eu tinha que fazer mais reconhecimento do terreno, fui cheirar o ar que já foi o meu, buscar os velhos habitantes.

À noitinha, bati pernas com Pepo (amigo dos bons tempos do 7 de Setembro), sua filha Amanda, Neto (meu companheiro de um período que eu jurava ser maratonista) e Carlinhos, amigo da nova safra. Passeamos pelo calçadão da Praia de Iracema. Meu deus, Fortaleza está inundada pelo turismo sexual! Em todo canto, o mesmo movimento de gringos enlouquecidos, moreninhas com roupas minúsculas, e a promessa dos euros rondando pelo ar. Não tive tempo de ficar deprimido, com as conversas do Neto e do Pepo, contando as presepadas da turma.

Mais tarde, em casa, assistindo Páginas da Vida com minha mãe e o Neto, o assunto do tempo foi voltando na minha cabeça. Olhei para minha mãe, com 60 anos. Está envelhecendo. Os cabelos brancos saem por toda a cabeleira, está mais gordinha, mais cansada, mas com aquela beleza de sempre. Queria que ela trabalhasse menos, tivesse mais descanso, mas é auxiliar de enfermagem, começou a trabalhar tarde no ramo, e os plantões tomam parte de sua vida.

Hoje, fomos ao cemitério, dar um olá à minha avó Zeneuda. Ela está enterrada no mesmo túmulo de tio Ademar. Ficamos em silêncio, rezamos um pouco, depois acendi um incenso.

“Ontem foi o dia da Avó, sabia?”, me disse minha mãe.

Eu não sabia, mas era como se soubesse. Depois, visitamos o túmulo de minha avó materna, Waldelice.

Em todos os túmulos, haviam flores de plástico. Estranhei, mas parece que são ordens do cemitério, eu sei lá, essas modernizações esquisitas. Resistem às chuvas, não morrem nunca, o cemitério fica todo coloridinho, mas não gostei nada. No final das contas, são de plástico, não fenecem, não têm a grandeza do precário, não vêm com o cheiro de tantas gerações de flores se perpetuando.

Tenho certeza que minha avó preferiria flores de verdade. No domingo levarei umas, na base do contrabando mesmo.

Vai ser ótimo. Eu sempre quis ser um contrabandista de flores.

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Na estrada e as coisinhas de família

27 de julho de 2006, às 15:13h por Samarone Lima
Boto o pé na estrada novamente. Destino: fortaleza, onde vive grande parte da família. Há quase três anos não visito a terrinha. Agora, outras demandas. Minha mãe pensa em vender a casa, se mudar para um lugar mais seguro. A violência vai recompondo geografias, esvaziando bairros, mudando trajetórias. Venho tentar ajudar em algo.

No ônibus, uma cambada de cearenses. Eles trabalham em algum estaleiro do Recife. Cada parada, o assunto é somente um: tomar uma gelada. Com o sotaque bem carregado, eles imitam os pernambucanos, fazer gozações. Eu, que tenho herança das duas culturas, finjo anotar algo sério e registro as conversas.

“Rapaz, o pernambucano gosta mesmo é de matar mulher…”

“E eu não sei? Só esse ano, já mataram umas 160”.

“Os cabras não gostam de mulher não. Desse jeito, não vai sobrar uma”.

“É que pernambucano tem sangue ruim, sabia? O PCC chega por lá, eles matam logo, não dá nem tempo se enraizar”.

“Não, macho, mataram foi umas 180 mulheres, só esse ano”.

Um dos cearenses chama outro, que está na parte da frente.

“Ei Jacuné, vem cá. Vem cá, macho, conversar com a gente. Conta uma história pra gente…”

(Jacuné não vem)

“Cearense não bate fofo não”.

(Não entendi. A frase saiu do nada).

“Não tem essa não. Chegou, é partir pra cima, papai”.

(Lembrei do meu amigo Marcelo Barreto, com essa história de “papai”)

“Mulher que chora quando o cara viaja, bota gaia”.

“Pois quando eu sair de casa, vou descer a lenha e dizer – te cala, mulher!”

“ô putaria, macho”.

Chego à velha rodoviária de Fortaleza, não há ninguém à minha espera. Minha mãe não sabe que cheguei. Minha irmã vem me buscar. Está com 25 anos. Quando saí de casa, tinha 12. Vai ser advogada. Conta as novidades. Chego em casa, a mesma casa em que morei tantos anos. A outra irmã, Patricia, está com 23, passou no Vestibular para Turismo. Vejo a casa, vou à biblioteca. Sobram poucos livros. Cada vez que venho, levo mais alguns exemplares, todos empoeirados. Sou um traficante confesso de livros. Lá pelas tantas, chega a minha mãe. Toma o susto com minha chegada, mas está feliz.

Vejo seus cabelos brancos. Chegou aos 60 anos. Almoçamos em Ciço, aqui perto, conversando sobre a vida. Ela quer saber de tudo. O trabalho, a vida, enfim. Pela primeira vez na vida, não diz que estou com os cabelos secos. Trouxe a matéria que saiu no Diário de Pernambuco, domingo, falando de um livro que estou terminando. Ela pega a cópia, exultante. Olha logo se tem a foto. Se não sair a foto, ela se chateia muito.

“Vou mostrar às minhas amigas no Hospital”.

Ela é auxiliar de enfermagem.

Antes de sair para o trabalho, ela pega um isonor pequeno.

“Para que é isso, mãe?”

“Eu compro dindim e levo para as minhas colegas. Elas adoram”.

Dindim, no Ceará, é a mesma coisa que “dudu”, no Recife. Quem não conhece, teve uma infância meio manca.

Mas essa é a minha mãe, uma senhora de 60 anos que está sempre sorrindo, mesmo nas maiores quedas, e leva dindim para as amigas do Hospital.

Até segunda-feira, aproveitarei essas coisinhas lindas da vida.

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Diferenças culturais e outras leseiras

25 de julho de 2006, às 17:18h por Samarone Lima

Toda vida que falo que sou pernambucano, minha mãe fica arretada comigo, mas só a construção da frase deste início de crônica, diz para onde anda o rumo da minha prosa. Um cearense típico não usa esse “arretado” assim, do nada, bem como outras tantas palavras que incorporei à minha fala cotidiana e minha vida, visse? A sorte é que minha mãe lê muito pouco o meu Blog, e meu irmão mais velho, leitor assíduo, o quase quarentão Paulinho, também não é mais tão cearense assim. Tem passagens por Carpina, quando iludiu a família, dizendo que iria ser padre (eu sabia que era mais aventura mesmo, mas não contei a ninguém), e aterrisou pelas terras mineiras, onde vai tocando mansamente, mineiramente, seu mestrado, perdão, já é doutorado. Informo que brevemente teremos um doutor na família.

Mas voltando ao tema, o fato é que o Recife se tornou minha pátria espiritual. Gosto do jeito que as pessoas falam, do jeito de andar, dessa confusão que rola por aqui, apesar de estar ficando já perplexo com a violência e a ruindade da Polícia, coisa para uma longa prosa. Sinto saudades das conversas familiares, onde algo poderia estar “tinindo” (ou seja, “pegando fogo”), e lamento que a batida de carro, por aqui, não seja chamada carinhosamente de “barruada”, porque a palavra barruada é muito mais a cara de dois veículos se chocando, na Rui Barbosa, do que uma batida, que sugere algo menor.

Passei muita vergonha logo no primeiro ano no Recife (1987), porque trabalhei numa empresa que vendia vidros, prateleiras, produtos para boutiques, com destaque para a enorme quantidade de cabides negociados. Lá vou eu, na santa inocência dos meus 18 anos, perguntar ao dono da empresa quanto era o preço da “cruzeta”. Sinceramente, os pernambucanos “arrearam” com a minha cara, tiraram o couro mesmo, foi uma gréia generalizada, passaram semanas chamando cabide de cruzeta, mas até hoje tenho simpatia pela frágil figura da cruzeta. Foi neste singelo momento que descobri diferenças abismais entre pernambucanos e cearenses.

A comida aqui não era cozida, mas guisada, e ficou assim mesmo, fui aprendendo a não ficar brigando com o pernambuquês e o cearensês. Para sobreviver razoavelmente, adotei a política da boa vizinhança. Quando chego em Fortaleza, vou logo dizendo “égua, macho, tu tás é forte”, para um amigo que engordou muito, e nem preciso perguntar, porque sei que minha mãe já preparou o baião de dois com pequi. Se algum amigo tomar umas canas de entortar o juízo e fizer suas presepadas, já sei que o Neto vai dizer:

“Meu irmão, o cara botou o maior boneco”.

Apesar de ter nascido no Crato, morado em Brejo Santo, Imperatriz, Pentecostes, Fortaleza, Recife, São Paulo e Recife de novo (ufa!), tenho somente uma dificuldade existencial, que é a do forró eletrônico, que rola em cada esquina de Fortaleza. Sei que aqui no Recife tem o brega, aquele diabo daquele teclado fazendo a introdução de alguma música que vai falar de cornura e raparigagem, fora as cenas de sexo, com a mulher sendo sempre objeto, mas em Fortaleza algo me deixa nervoso, para não dizer desesperado: são os carros particulares, com alto-falantes imensos, máquinas potentes e devastadoras.

A regra matemática é a mais simples do mundo: quanto mais alto o som, mais imbecil o sujeito. E é aquele tipo de imbecil que dói nos nervos, o de classe média alta, arrumadinho, engomadinho, estúpido até os dentes, e que tem um carrão com um som potente.

Você pode estar num bucólico, singelo, pacato boteco, tomando sua cervejinha, pensando nas besteiras que fez e que deixou de fazer, anotando as providências e urgências para o amanhã (urgência para hoje cansa), aquele silêncio pacato e misterioso da vida, você quase faz uma prece para agradecer aquela tranquilidade que o momento pedia, quando chega um sujeito, abre a tampa do bagageiro e manda ver, um “Aviões do Forró”, “Caldinha Preta”, coisas do tipo. Detalhe: tem que ser numa altura máxima. O prazer sexual do sujeito é mostrar que tem um som muito potente. Dizem que Freud explica, se não explicar, é porque é meio burrinho mesmo, porque até eu explico.

Isso é muito normal na minha querida Fortaleza, ninguém reclama, faz parte da cultura, e não vou ficar brigando com todo mundo. Fico arrasado, fecho meu caderno, pago a cerveja e vou me embora, fico logo com saudades de Vital, o silencioso boteco de esquina aqui do Poço, onde você escuta, no máximo, as discussões dos nossos confrades, e os gritos às vezes irritados de Juca e Dudu, dois singelos papagaios.

Bem, vou ali, arrumar minhas roupas para a viagem. O motivo da crônica de hoje é somente falar do meu retorno às origens, depois de uns três anos sem ir a Fortaleza. Gustavo me disse, outro dia, que começo a escrever sobre uma coisa, e passo a falar de outra, com a maior naturalidade do mundo. Eu deveria ter começado informando que hoje viajo a Fortaleza, e deveria fazer umas comparações culturais, mas acabei me enrolando, perdio o fio da meada, e fica por isso mesmo, que isso aqui não é um curso de lógica.

Como a camisa do Santa Cruz vai comigo, e pretendo usá-la no domingo, em Fortaleza, antes de embarcar de volta para ver Santa x Corinthians, vocês devem entender o que estou falando.

Para o Neto, meu velho amigo de Monte Castelo, o bairro que morei dos 10 aos 18 anos.

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Notinha

24 de julho de 2006, às 10:41h por Samarone Lima

Aos poucos mas atentos leitores deste Blog: ontem saiu uma matéria bacana no Diário de Pernambuco, sobre um livro que estou terminando.Está na página 4 de Política. Tem um pequeno texto meu, falando do trabalho.
Tentei copiar a matéria para colocar aqui, mas minha burrice crônica com informática não permitiu.
Entrementes, tento reeditar Estuário pela Editora Bagaço, para relançar no Festival de Literatura do Recife, no final de agosto. Esse negócio de edição do autor, com lotes de 40 livros, torra a paciência.
Como dizia o velho Paulo Leminsky, “distraídos venceremos”.

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