Derrotas que doem
Samarone Lima
Não sei como foi o 7 de Setembro de vocês, amados leitores. Não sei se assistiram à parada militar, se foram para o famoso Grito dos Excluídos. Eu, no meu caso particular, estive envolvido com o famoso Torneio de 7 de Setembro dos Caducos Futebol Clube, aqui do Poço da Panela.
Walter conseguiu duas taças e fez a doação de um garrafão de água mineral, que bebemos bem. Hércules topou ser juiz por R$ 30,00. Este ano, por falta de organização, não tivemos medalhas.
De sorte que no dia 7 de Setembro, às 7h45, este que vos fala estava no campo de Seu Abdias, marcando a grande área, o meio campo e o local do pênalty. Camorim marcava com a cal, eu só acompanhava, diga-se de passagem, segurando a corda. A cal quem comprou foi Batman, nosso lateral direito. A marca do pênalty foi motivo de controvérsias, porque contaram sete passos, e eram nove, fato muito bem reparado por Hércules, o juiz. Por sinal, criei um apelido originalíssimo para nosso árbitro: “Hércules, um juiz forte”.
Às 8h52 tivemos o sorteio dos times. Fiquei no time Real do Poço 2, indicando que estou no segundo escrete. Pelada da Cachaça pegou, no primeiro jogo, o escrete do Cansadinho, e meteu dois a zero fácil, ainda no primeiro tempo. Pode parecer redundante, mas Cansadinho estava mesmo sem fôlego nenhum. No segundo jogo, o Real do Poço 1 ganhou do time de Santana por W X O. Para quem não entende patavinas de futebol, WO é quando o time adversário não entra em campo.
Nosso time, o quadro B do Poço, Real do Poço 2, enfrentou o esquadrão da Pelada dos Amigos. Amigos, pensem num time arrumado, que tocava a bola bem e tinha fôlego! Todos de Casa Amarela, por sinal. Começamos o jogo com Bode (no gol), Lando (lateral esquerda, avançando), Samarone (zagueiro central), Batman (lateral direita, avançando), Zé Carlos (meia) e Ciço Boi (sem posição compreensível). O grande drama do nosso escrete foi justamente Ciço Boi, ou Fera, para os mais íntimos. O infeliz não acertou uma jogada e prejudicou muito nosso raçudo time.
Seguramos um 0 x 0 dramático até o final do jogo. Fiz minha parte bem, marcando colado um magro do time adversário que corria feito um louco. Dei duas entradas mais intensas, mas só fui advertido por Hércules. Foi, modestamente, minha melhor partida do ano.
Ganhamos nos pênaltis: 3 x0 2 e avançamos para a semifinal.
No jogo seguinte, pegamos o time do Resto do Mundo. Foi uma partida dramática, dura, nosso time com limitações na saída de bola, eu mandando para o mato qualquer possibilidade de gol adversário. Levei uma entrada na canela que não foi fácil e está aqui, ardendo. Zé Carlos deu a única vacilada do jogo, num escanteio, e Cascata fez o gol de cabeça. Perdemos de 1 x 0 numa partida dramática. Até o último minuto, tivemos chance do empate. Mas vamos e convenhamos: ganhar do Resto do Mundo não é tarefa assim tão fácil.
Na final, o time principal do Poço1 ganhou do Resto do Mundo por 2 x0. Então, houve a cerimônia da entrega das taças e bebemos um bocado.
Depois de várias cervejas, passei em Seu Vital, olhei o dominó, mas estava chateado com o gol de Cascata. Só pensava no vacilo de Zé Carlos, que deixou o adversário sozinho. Fui descansar, meio abatido, desencontrado da vida. Não fosse aquele gol, teríamos chegado aos pênaltis, e a participação na final era certa.
Fui dormir, querendo esquecer de tudo. E eu tinha dito ao Zé Carlos que colaria com Cascata na hora do escanteio. Ele respondeu:
“Deixa comigo”.
Então marquei Elias, e deu no que deu.
Vai a confissão: ficar de fora da final da pelada dos Caducos, em pleno 7 de Setembro, dói um bocado.
Vou aqui, tentando me recuperar.
Para Gerrá e Alessandra, que casam neste sábado, em Bezerros.
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