Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

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Um dia de votação em Fortaleza

30 de outubro de 2006, às 14:37h por Samarone Lima

Diretamente de Fortaleza, no Ceará.

Vim a Fortaleza com uma missão clássica: votar em Lula. Cheguei apenas com a cópia da justificativa do primeiro turno e a esperança de botar o 13 e depois o “confirma”.

As coisas, para algumas pessoas, são mais difíceis. Amanheci o domingo com os amigos no jardim, saboreando a deliciosa Ypióka, enquanto a dona Ermira, que vem a ser minha mãe, preparava um cozidão. Água no jardim, cachaças e os petistos da mamma. O sujeito vai querer mais o que da vida? Eu queria mesmo era que Lula desse uma lapada.

No final da manhã, tia Lourdes, moradora aqui da frente, foi votar no Maracanaú. É como se uma senhora de 73 anos decidisse votar no Cabo, só para não perder o voto. Fui com o Neto. Na entrada, vem um velhinho.

“São dois votos de coração: no primeiro, e no segundo turno. Deixei o rosto dele aparecer para olhar ele direitinho e dizer - é você mesmo”, me contou um velhinho. Usava um adesivo de Lula.

Tia Lourdes votou a jato. Voltamos com as bandeiras tremulando. Não sei como foi no Recife, mas Fortaleza estava toda vermelha.

À tarde, saí com o Pepo, Neto, Roncalli e meu irmão, o Tonho, para votarmos. Minha mãe já tinha votado em Lula. Com o dela, o de tia Lourdes, eu e meus amigos, Lula já começou o dia com sete votos. Depois vieram outros milhões. Minha irmã, Mônica, foi de Alkmim. Aqui, só chamavam ele de “Àlcool em mim”.

Na primeira escola, onde estava meu título de eleitor, informaram que tinham mudado a secção. Fomos para outra. Comecei a entrar em dezenas de secções, e nenhuma tinha meu nome. Fomos para outra escola. Tinha uma faixa na frente:

“Mudamos para o Círculo Operário”.

Eita, foi lá que aprendi datilografia: asd asd asd asd asd

O Pepo também lembrou da escola, e até da professora. Eu e o Pepo viramos jornalistas. Viva o curso de datilografia do Cículo Operário! A professora, creio, se chamava Miriam.

No Círculo Operário, bati todas as secções. Estava desistindo, quando o Pepo sentenciou:

“É aqui que tu vota”.

Na última sala, o milagre. Meu nome estava lá. Foram quase vinte secções percorridas por este jovem que vos fala. Apertei o 13, vi o barbudo, esperei um pouco e confirmei.

Depois andamos pela cidade e derrubamos mais dois litrinhos, no Jardim. À noite, a festa foi na Avenida da Universidade. Eram milhares de pessoas.

Antes, passamos na casa da Mirtes, mas ela estava mamadinha.

Senti falta do mano, o Paulinho, que está em Minas.

Não lembro de muita coisa da festa, nas ruas. Eu já tinha tomado umas garapas, e não sou de ferro.

Dizem por aí que o senhor Inácio França vai ser convidado para a equipe de governo.

Sabem qual o lema da Prefeitura de Fortaleza?

“Fortaleza Bela: quem ama cuida”.

Hoje estou telegráfico, mas escrever de lan house provoca isso.

Amanhã, já no Recife, botarei este blog em dia. Tem uma dezena de novas crônicas para postar, inclusive a que fala do dia em que virei frade franciscano, da ordem menor, no Agreste de Pernambuco.

Ah, a manchete do jornal O Povo, de hoje:

“É Lula de novo”.

Bem original.

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