Carta ao meu amigo Antônio Maria
Samarone Lima
Querido Antônio Maria,
Você iria adorar essa notícia. Sua estátua foi colocada na rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife. Estás sentado, defronte a uma mesa, esperando um garçom eternamente ausente. Como a estátua fica defronte à escola que ensino, meus alunos já sabem da tua existência. Um dia, saimos da sala e fomos te ver. Alguns cantarolaram:
“Ai, ai/saudade/saudade tão grande…”
Você só não iria gostar de saber que seu nariz já está quebrado, coisa de quem se expôe demais. Mas o nariz, meu velho Antônio, nunca foi teu forte.
Creio que gostarias muito do Recife, às vésperas deste Carnaval de 2007. Algum gênio inventou uma história de que o frevo está completando 100 anos, e você sabe bem como a mídia adora essas coisas. Estamos aqui a reinventar a roda. Até um dia foi descoberto para o centenário do frevo, e o dia é hoje, 9 de fevereiro.
Mas a cidade está supimpa. Em todo canto tem música, o pernambucano está meio virado mesmo. Quase todos os meus amigos tocam maracatu, com excessão de Fred Jordão e Inácio França.Eu, com uma alfaia, sou um ótimo jogador de dominó.
Como acontece há 100 anos, Naná Vasconcelos vai fazer a abertura do Carnaval. Ele e mais 25 mil tocadores de maracatu.
Bem, amigo, estou sem muito assunto, vou encerrando por aqui.
Nos vemos a qualquer momento. Mas, como estás do lado de lá, não tenha pressa.
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