Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

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Carta ao meu amigo Antônio Maria

9 de fevereiro de 2007, às 21:35h por Samarone Lima

Querido Antônio Maria,

Você iria adorar essa notícia. Sua estátua foi colocada na rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife. Estás sentado, defronte a uma mesa, esperando um garçom eternamente ausente. Como a estátua fica defronte à escola que ensino, meus alunos já sabem da tua existência. Um dia, saimos da sala e fomos te ver. Alguns cantarolaram:

“Ai, ai/saudade/saudade tão grande…”

Você só não iria gostar de saber que seu nariz já está quebrado, coisa de quem se expôe demais. Mas o nariz, meu velho Antônio, nunca foi teu forte.

Creio que gostarias muito do Recife, às vésperas deste Carnaval de 2007. Algum gênio inventou uma história de que o frevo está completando 100 anos, e você sabe bem como a mídia adora essas coisas. Estamos aqui a reinventar a roda. Até um dia foi descoberto para o centenário do frevo, e o dia é hoje, 9 de fevereiro.

Mas a cidade está supimpa. Em todo canto tem música, o pernambucano está meio virado mesmo. Quase todos os meus amigos tocam maracatu, com excessão de Fred Jordão e Inácio França.Eu, com uma alfaia, sou um ótimo jogador de dominó.

Como acontece há 100 anos, Naná Vasconcelos vai fazer a abertura do Carnaval. Ele e mais 25 mil tocadores de maracatu.

Bem, amigo, estou sem muito assunto, vou encerrando por aqui.

Nos vemos a qualquer momento. Mas, como estás do lado de lá, não tenha pressa.

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