Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Nota de Carnaval

15 de fevereiro de 2007, às 22:25h por Samarone Lima

O autor deste blog está de licença-Carnaval até a quarta-feira de cinzas.

**

Gostaria de saber que rumo tomou minha leitora Fabiana Jones, mãe do Tiger, que morou na Inglaterra durante tantos anos,e que me mandou lindos cadernos e livros de presente. Dá para dar notícias, Fabiana?

Gostaria saber também de saber que destino tomou o meu amigo Agenor Soares da Silva, colega de 5a série no Salesiano de Fortaleza.

A todos, bom carnaval e próspero ano novo.

sama

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Já pendurei as chuteiras!

14 de fevereiro de 2007, às 18:46h por Samarone Lima

Fiquei sabendo que meu livro de crônicas, Estuário, está à venda na Livraria Cultura, aqui no Recife. Fui dar uma olhada, esbarrei nele fácil, uma prateleira bem localizada, a oeste da entrada principal. Olhei, cheirei, passei na maquininha de preços. Está por R$ 25,00 o mesmo preço de Seu Vital, só que Seu Vital, aquele do Poço da Panela, só me cobra 10% de taxa.

Em segundos, veio uma moça educadíssima, com uma voz mansa. Me deu a mão e disse que era funcionária da Livraria.

Meus delírios literários cresceram: 1)Poxa, ela lê o blog, viu o livro e veio cumprimentar; 2) Ela já viu um livro anterior, o Clamor, deu uma lidinha e notou que a edição de Estuário ficou boa.

A realidade foi um pouco dolorosa.

“O Senhor escutou um barulhinho quando entrou na livraria?”

“Não, eu sou meio distraído”.

De uma forma muito educada, ela explicou que eu poderia ter entrado com um livro que tinha o sinal eletrônico da livraria.

“O senhor por acaso andou comprando algum livro aqui, nos últimos dias?”

“Moça, eu geralmente sou pego quando saio com livro sem autorização da livraria, mas um flagrante logo na entrada…”

Ela riu. Explicou de novo tudo, eu revirei a bolsa, tinha realmente dois livros comprados dias antes. Caramba, se eu soubesse que o sistema não estava funcionando naquele dia…

Ela trouxe uma máquina, explicou que certamente o sistema não tinha liberado o troço. Eu iria perguntar o motivo de a maquininha não ter apitado na saída, mas a coisa ficaria muito complicada, e ando querendo descomplicar as coisas.

Me mostrou a maquininha. Se ela encostasse no livro, apitasse e acendesse a luz verde, o livro ainda estava sem a liberação. Pensei em perguntar se eu poderia ligar para o meu advogado.

Ela encostou em “Balthasar”, do Quarteto de Alexandria. Luz verde e buzinaço.

Encostou em “No centro sentimos leveza”, do Bert Hellinger, a luz ficou verde e o pipipi aumentou. Pensei logo no camburão, algemas, tudo aquilo do sistema policial anti-ladrão-de-livros aposentado.

Foi o meu primeiro caso de ser flagrado entrando de forma indevida, com os amados objetos de leitura. Ela explicou que não era nada do outro mundo, mas já era tarde. Fui flagrado da forma mais inocente.

Me deu uma tristeza, esqueci até de Estuário. Com essa, pendurei as chuteiras de vez. É a famosa marcação homem a homem. No caso, foi uma moça educada.

Ela me deu inclusive um cartão da Cultura. Ela se chama Maria Gersonita R. de Souza. O R. deve ser de Ramos.

Gersonita, vai o aviso: pendurei as chuteiras.

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Um quase amor de Carnaval

12 de fevereiro de 2007, às 18:59h por Samarone Lima

Ônibus Rio Doce/Dois Irmãos, domingo à noite. Defronte ao Centro de Convenções, uma multidão nas paradas de ônibus. Esou absolutamente sozinho, no ônibus, e o cobrador cochila com vontade.

Entram três jovens. Dois rapazes e uma moça, belíssima.

Ele sentam. Ela está com o pé ferido.

“Ai, está sangrando”.

Um rapaz senta no banco de trás e fica segurando o pé da moça, uma das mais belas do Recife.

O outro senta ao seu lado, a segura, fica alisando seus cabelos, como se cuidasse de uma criança. Ela está meio bêbada e fica repentindo “está doendo tanto”.

Os dois rapazes ficam nessa disputa. Um segurando o pé, o outro alisando seus cabelos. O do pé está em ligeira desvantagem.

Lá pelas tantas, o rapaz dos cabelos começa a avançar na pontuação. Os breves alisados caminham para carinhos. O outro solta o pé, se dando por vencido.

Saem beijinhos de leve. Ela esquece o ferimento e o ônibus segue. O cobrador, a essa altura, está totalmente acordado, aguardando um final feliz.

E então, o ônibus passa defronte a um supermercado, e a moça tem um tilte. Dá um pulo, como se o pé estivesse perfeito, e tudo fosse somente manha.

“Minha parada!”

Ela dá um pulo, dá o sinal, o ônibus pára quase imediatamente, ela desce assim, de sopetão.

Menos de cinco segundos, e fim de um caso de amor.

O rapaz que alisava seus cabelos fica perplexo. Pela cara, acho que nem o telefone da moça ele anotou.

O que segurava seu pé, olha e diz:

“Mas tu é muito tabacudo”.

Eu e o cobrador nos entreolhamos, achando o desfecho meio doloroso para os dois rapazes.

E terminou assim mesmo, aquele final brusco, quando mal termina o filme, e acendem a luz na cara da gente.

E ainda nem chegou o Carnaval…

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Carta ao meu amigo Antônio Maria

9 de fevereiro de 2007, às 21:35h por Samarone Lima

Querido Antônio Maria,

Você iria adorar essa notícia. Sua estátua foi colocada na rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife. Estás sentado, defronte a uma mesa, esperando um garçom eternamente ausente. Como a estátua fica defronte à escola que ensino, meus alunos já sabem da tua existência. Um dia, saimos da sala e fomos te ver. Alguns cantarolaram:

“Ai, ai/saudade/saudade tão grande…”

Você só não iria gostar de saber que seu nariz já está quebrado, coisa de quem se expôe demais. Mas o nariz, meu velho Antônio, nunca foi teu forte.

Creio que gostarias muito do Recife, às vésperas deste Carnaval de 2007. Algum gênio inventou uma história de que o frevo está completando 100 anos, e você sabe bem como a mídia adora essas coisas. Estamos aqui a reinventar a roda. Até um dia foi descoberto para o centenário do frevo, e o dia é hoje, 9 de fevereiro.

Mas a cidade está supimpa. Em todo canto tem música, o pernambucano está meio virado mesmo. Quase todos os meus amigos tocam maracatu, com excessão de Fred Jordão e Inácio França.Eu, com uma alfaia, sou um ótimo jogador de dominó.

Como acontece há 100 anos, Naná Vasconcelos vai fazer a abertura do Carnaval. Ele e mais 25 mil tocadores de maracatu.

Bem, amigo, estou sem muito assunto, vou encerrando por aqui.

Nos vemos a qualquer momento. Mas, como estás do lado de lá, não tenha pressa.

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Nota carnavalesca

8 de fevereiro de 2007, às 12:19h por Samarone Lima

A tradicional Troça Carnavalesca Mista “Os Barba”, fundada há seis anos no Poço da Panela, fará sua famosíssima prévia carnavalesca no próximo sábado, 10 de fevereiro. O local da concentração, obviamente, será defronte à mercearia de Seu Vital, defronte à Igreja do Poço, ou vice-versa.

O horário é incerto, entre 12h03 e 13h33.

Por milagres que nem os astros conseguem explicar, conseguimos uma orquestra, a do Maestro Dedé, que promete entrar rasgando, além de uma quantidade de Pitú suficiente para deixar todos bem mamadinhos não só antes, mas durante e depois da festa. Agradecimentos ao senhor Alexandre Férrer.

As camisas já estão sendo vendidas. Custam R$ 10,00 e foram pintadas pelos artistas plásticos do Poço.

Tá bom, que a nota carnavalesca está virando matéria.

Ah, Seu Vital este ano será o “Rei Barba” 2007. Dona Severina será a Rainha.

E apois.

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