Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

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Como um cachorro molhado

28 de maio de 2007, às 13:35h por Samarone Lima

Desde 1999 entrei para o time dos cabeludos, e dele não pretendo sair tão cedo. Eu sempre usava o cabelo curtinho, bastava começar a crescer, e eu “zapt!”, mandava passar aquela maquininha no um, a cabeça ficava zerinho, eu aproveitava e aparava a barba.

Bastou começar a viajar pela América Latina, que fui pegando o gosto. Descobri que quanto mais crescia, mais o cabelo ficava enrolado, e aquilo me agradou. De repente, entendi que tinha uma personalidade de cabeludo, um caráter de cabeludo, um jeito de cabeludo. Mais explicações sobre isso, não sei dar.

Há coisa de quinze dias, a moça que trabalha aqui com a tia Flocely, a Rosa, começou a repetir as coisas da minha mãe. Que meu cabelo estava muito seco, que precisava de um “cremezinho”, aquelas coisas. Eu por ali, ressabiado. Desde 2.000, somente Eliete, do Alto José do Pinho, mete as mãos nesse meu fuá. Ela nunca erra. Quando é para cortar, ela já sabe o tamanho certo. Saio de lá, tomo uma cerveja ou duas no Caldinho do Biu, e volto para casa feliz.

Pois bem, Rosa me pegou desarmado do espírito, veio com uma amiga, a amiga trouxe uns cremes. Era para hidratar meus cabelos. Eu estava cansado, era um sábado, eu não queria discutir nada, sábado é um dia que geralmente não sou contra nada, não quero muita munganga, entrei no clima. Foi creme, massagem, creme, massagem, teve uma hora que a cabeça esquentou, o negócio fedia pra valer, e depois de muita muvuca, fui liberado.

Olhei no espelho. Eu estava um misto de Clodovil com Raul Seixas. Ela tinha feito um alisamento no meu cabelo. Aqueles cachos de outrora viraram fios lisinhos, como a natureza não me deu.

No dia seguinte, fui ao Alto José do Pinho, pedir salvação a Eliete. Quando me viu, ela disse:

“Professor, o que foi isso que fizeram no seu cabelo..”

Como era o dia das Mães, ela não tinha tempo de me recuperar psicologicamente. Toda sua família estava lá, para um almoço. Depois, entrei no vendaval das aulas, trabalhos, frilas, não deu para voltar.

Na terça-feira, cheguei para dar aulas. Os risinhos dos alunos foram apenas o primeiro sinal de que o estrago fora grande.

Na metade da segunda aula, tive que parar e explicar o acontecimento. Falei tudo, do creme, de como não sabia nada do alisamento etc. Uma aluna complementou:

“É, professor, por isso o senhor está com esse cabelo de cachorro molhado”.

Nós rimos muito, e a aula seguiu. Meus colegas de ensino foram até legais. Bete disse que eu estava “fashion”. Hum hum.

Até sábado, tentarei ir a Eliete, consertar o estrago. Quem me encontrar por ai com um cabelo meio Clodovil, meio Raul Seixas, favor não comentar. Continuo sendo eu mesmo.

Eu, mas parecendo um cachorro molhado.

Postado em Crônicas |

16 Comentários

  1. Anonymous Disse:

    Dia desses minha chefe me disse: Dri, eu vi aquele cabeludo que tu gosta! Será que foi essa versão do cabeludo? Não. Ela teria comentado, rsrsrs…
    Adri

  2. Samarone Lima Disse:

    Adri, se ela tivesse visto hoje, o comentário teria sido menos simpático.
    Beijos,
    sama

  3. gustavo Disse:

    maravilhoso: clodovil com raul seixas, que mistura inusitada!!!

  4. Anonymous Disse:

    coloque uma foto no blogger

  5. Anonymous Disse:

    Pois é, Sama, a curiosidade está grande. Coloca uma fotinha, vaaaaai!!!!

  6. Anonymous Disse:

    Samarone,

    Estou rindo, imaginado como será Samarone nessa nova versão Clodovil x Raul Seixas, desculpe-me mas só dá vontade de rsrsrsrsrsrsrsrsrsr.

    Conceição Cardozo

  7. João Disse:

    Pense nunca coisa bonitinha.
    João Valadares

  8. naire valadares Disse:

    E agora, como vai fazer para enrolar os cachinhos quando o juízo esquentar?
    Beijo
    Naire

  9. Anonymous Disse:

    Coloca uma foto… vaiiii.
    Merece um antes e depois….

  10. Anonymous Disse:

    hahahhhahhahah não acredito q perdi esta cena… Sama Alisado

    Paulino

  11. Anonymous Disse:

    Queremos fotos!

  12. andrea Disse:

    foto! foto! foto! foto! por favoooooooor!

  13. Marcel Tito Disse:

    Uma história engraçada para justificar o alisamento. Tudo para ficar parecido com Russo e Miro Bahia.

  14. Marcel Tito Disse:

    Deve ter ficado mais ou menos assim. http://www.coralnet.com.br/elenco.asp?posicao=Volante

    É só entrar no site e procurar César Baiano. Uma graça.

  15. ana Disse:

    acho que os leitores mereciam uma foto! mas, só de imaginar, tô aqui, morrendo de rir! beijos

  16. Anizio Carlos da Silva Disse:

    Tentei documentar o fato, mas Samarone não apareceu no último jogo do Santa Cruz (tinha um telão na sede do clube). Uma pena…

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