Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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As palavras (1)

21 de maio de 2007, às 10:47h por Samarone Lima


É um texto que venho escrevendo, hoje resolvi compartilhar, com algumas modificações. A imagem é do João Lin.
**
Há muito tempo, talvez minha eternidade inteira, as palavras me seduzem e definem meus caminhos. Trato-as como se vivas fossem. Percebo quando estão ansiosas, depressivas tristes. Sei, por algum pacto com elas, quando resplandecem, quando estão a desabrochar. Sinto a claridade de cada uma. Quando estou cego de mim, não as vejo, vou como um analfabeto, à procura de um nome para seu destino.

Como as coisas que estão vivas, as palavras podem mudar de destino a cada instante, a cada diálogo. Uma palavra abençoada pode tornar-se amaldiçoada em uma fração de segundos. E o mais cruel dos tiranos pode dizer, enquanto contempla cadáveres, a palavra que também estava destinada à morte. Há sim, palavras que escapam de forcas, cadeiras elétricas, fuzilamentos. Eu mesmo, em silêncio, salvei algumas palavras, fui salvo por algumas sílabas. Quantas bocas me retiraram dos escombros! A tinta das canetas velhas, em papéis amarrotados, me aliviaram de sentenças.

Talvez seja por isso o meu amor aos dicionários, de todas as línguas, que guardam, naquele momento da língua, as palavras possíveis. Todo dicionário é um réquiem. Nele, as palavras descansam, repousam. Mas não é um réquiem de morte. Réquiem de beleza, de vida. Réquiem-ressurreição.

Me custaria muito viver, não fossem as palavras que aprendi e carrego, não sem uma certa humildade. É que vejo o mundo não pelos olhos, mas pelas palavras.

O poeta Juan Gelman me ensinou a amar o amor com suas palavras, que parecem tocar todos os corpos e almas do mundo. Em um de seus poemas sobre a chuva, ele diz que lhe custa escrever a palavra amor, “porque o amor é uma coisa e a palavra amor é outra coisa/e somente a alma sabe onde os dois se encontram”.

É isso. O amor é uma coisa, a palavra amor é outra coisa. Mas não haveria o encontro na alma se a palavra não tivesse realizado aquilo que o coração teceu, tantas vezes sozinho e em silêncio.

Há, segundo Gelman, palavras que naufragam, palavras “que não sabem que há sol porque nascem e morrem na mesma noite em que se amou/ e deixam cartas no pensamento que ele nunca escreverá, como o silêncio que há entre duas rosas”.

Sim, palavras prematuras, que nascem e morrendo.

Talvez seja por isso que a palavra “prematuro” seja sempre a do meu irmão, Lúcio Flávio, que morreu com cinco dias de vida, talvez menos, e nós, os três irmãos, fomos impedidos de vê-lo, em uma pequena capela de um hospital, quando a infância atravessava minha vida. O que ficou, de sua curta passagem pela terra? Terá ele sorrido ao ver o rosto de sua mãe, pela primeira vez? Sequer escutei seu grito inicial, que parece inaugurar nosso primitivo rompimento com o silêncio uterino.

E descubro que Lúcio Flávio não teve tempo de aprender a falar. Quais as palavras que meu irmão teria trazido ao mundo? Quais as palavras ele ressuscitaria? Porque sinto que cada ser humano vem ao mundo não apenas para viver, amar, construir coisas, belezas, ter uma história, mas também para trazer palavras, emudecer outras, ignorar muitas. Alguns poucos conseguem o milagre de ressuscitar palavras. Outros tratam de não deixá-las morrer.

Meu irmão, que não disse uma palavra em sua passagem por este mundo, me trouxe a palavra “prematuro”. Desde então, tudo o que é prematuro me leva a ele, que jamais vi, mas tenho e sei.

E me lembro que o nome dele, as duas palavras “Lúcio” e “Flávio”, causaram um certo rumor familiar, que jamais consegui decifrar inteiramente. Era como uma nuvem escura, em torno de um nome de uma criança que não tinha sequer nascido. Lúcio Flávio era o nome de um famoso criminoso nos anos 70. Sua história resultou em um livro que tinha um título épico: “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia”. Certamente, se o chamassem de Lúcio não haveria problema. Flávio, somente o Flávio, seria aceito a contento. Mas havia um problema – as duas palavras estavam juntas.

Então me veio este sentimento, ao longo da vida, de que certas palavras, juntas, mudam completamente de sentido. Se tornam outra palavra, que não é também uma terceira palavra.

Teriam nascido palavras destinadas à mais completa solidão? Palavras que nunca conseguiriam sequer se aproximar das outras, sem causar feridas?

Não sei se o meu irmãozinho viveu sua agonia, se passou os poucos dias de vida dentro de uma incubadora, se sentiu frio, se teve fome. Não sei sequer se ele pôde tocar o peito de sua mãe, que também é a minha, para os primeiros goles do leite ancestral da vida, para o acolhimento maternal dos primeiros minutos no mundo. Não sei a cor dos seus olhos, se tinha muitos cabelos, não sei sequer se ele sorriu, e morreu levando o nome que tantos quiseram lhe negar.

Sei apenas que veio, viveu pouco, foi breve como um início. Não teve direito ao seu alfabeto. Por isso, falo em seu nome, e o trago para a lembrança, que é outra forma de vida.

(Amanhã continua. Ou não)

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O tempo

15 de maio de 2007, às 9:11h por Samarone Lima

Com ilustração de João Lin

Aconteceu esta semana. Resolvi umas coisas, fiz o arroz com feijão do cotidiano, e no final da tarde, já anoitecendo, me vi perambulando, com um enorme guarda-chuva na mão. Iria para o Cais de Santa Rita, mas estava na Agamenom Magalhães, quem não é do Recife, não vai entender nada. É uma boa caminhada.

Fui andando devagar, que meu projeto principal, agora, é tartaruguear. Pocot, pocot, pocot.

Então me surgiu uma vontade íntima, a de dar uma passadinha na Católica, a Universidade onde já estudei, penei para pagar as mensalidaded, menti para dédéu, para conseguir uma bolsa de 50%, o lugar onde me formei, iniciei minha vida de jornalista, e depois voltei, seis anos depois, para ser professor.

Fui lá, como aqueles animais que buscam um lugar do passado para encostar um pouco o corpo. No quinto andar, encontro o velho Fradique, com o jornal “O Berro” debaixo do braço. Lembrei de quando fui editor do jornal, ganhei vários exemplares, conversamos umas lorotinhas, depois passei no departamento. Arakitan, o tricolor, me recebeu com um sorriso.

“Professor, o senhor por aqui…”

Papeamos uma aguazinha básica, depois apareceu o Múcio, ficamos por ali. Falamos de futebol, renovei minha fé numa gloriosa campanha do Santa Cruz rumo à Primeira Divisão, Múcio, adversário ferrenho, evitou chispas.

E depois segui. Fui à rua de Lazer, á famosa “rua de lazer”, comprei um CD falsiê por R$ 7,00. Depois fui para o Bloco A, onde iniciei meus estudos de jornalismo. Ali, peguei muitas filas, ali, penei para pagar as parcelas da Católica, ali conheci vários amigos. Por onde andará o velho e bom Waldemir Leite?

Então, apareceu um café. Um café é sempre um lugar bom para acalmar o espírito, tomar algumas notas. Sem cafés, o mundo seria mais desumano. Em vez de ter tido dois bares, eu, grande bobocão, deveria ter tido mesmo era dois cafés supimpas. Agora é tarde, muita cerveja passou debaixo da ponte.

Estava anotando umas besteirinhas, quando me ocorreu algo: eu tinha pisado naquele lugar há vinte anos!

Olhei para mim, mesmo sem espelho. Estou com 38, cheguei ali com 18. Não vou chegar para os leitores com aquele papinho básico de “o tempo passou rápido demais”. Foi apenas uma constatação. Duas décadas me separavam daquele Samarone classificado na última da última repescagem do Vestibular.

Então fiquei parado, serenando o pensamento. Pude me ver, apressado, providenciando os documentos para a matrícula. Estava começando a lida com as palavras. Passei tão rápido por mim, que nem me vi direito.

Depois me vi no Serviço Social, contando uma mentira cabeluda, de que tinha sido criado pela minha avó, que não conhecia minha mãe (ela que não leia esta crônica), que não tinha como pagar a universidade etc. Deu certo a lorota, e consegui 50% de desconto.

Neste momento, tinha um vento forte e bom. Fiquei pensando em duas décadas. Andei por tanto canto, morei em tantas casas, fiz tantas coisas, conheci tanta gente, acertei, errei, encantei, desencantei, enfim.

Ultimamente, os alunos da Católica vieram me entrevistar, por conta dos três livros publicados, as crônicas no Blog, essas coisas de quem lida com as palavras.

“Qual a diferença do Samarone de vinte anos atrás para o de hoje?”, me perguntou uma delas.

Eu não soube responder. Certas perguntas são muito difíceis. Falei várias coisas, e não consegui dar conta da pergunta.

“No próximo encontro, você me responde”, disse a moça, educadamente.

O tempo parece um amigo que envelhece com a gente, mas às vezes se esconde nas dobras da memória.

Para meu amigo Waldemir Leite, que nunca mais encontrei.

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De tanto pisar no acelerador da vida…

11 de maio de 2007, às 13:56h por Samarone Lima

Com ilustração de João Lin

Aqui na escola, sentado, busco alguma inspiração para uma crônica decente.

Aldemir Félix, o “Suco”, arruma os livros de nossa biblioteca, separando romances, poesias, livros-reportagem etc. Faz o trabalho silenciosamente. Outros alunos querem ajudar, ele não deixa. Cuidar de livros é mesmo algo meio solitário, uma psicanálise com cada volume.

Lá pelas tantas, ele, o Suco, solta essa frase:

“De tanto pisar no acelerador da vida, acabei arrombando o motor”.

Fico com essa. Certas frases valem mais que uma crônica.

Vou aqui, em busca do meu passo de tartaruga.

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Alguém conhece o "Seguro-Livro"?

9 de maio de 2007, às 17:01h por Samarone Lima

Com a parceria fina do João Lin, mago do traço.

Tem seguro de vida, seguro-saúde, seguro do carro, tudo que é tipo de seguro, nesse mundo tão inseguro, mas pergunto aos leitores se alguém se lembro de criar o “Seguro-Livro”.

É que a barra não está fácil para o meu lado. Há uns dias, as goteiras lamberam meus poetas e romancistas prediletos. Numa ação tática fenomenal, recolhi os que estavam secos, encontrei uma parte da casa bem enxuta, e os botei para dormir ali. Foi justamente onde nasceu uma fonte de água, mais forte que a fonte que existia na pracinha principal do Crato, meu torrão natal.

Hoje de manhã, quando vi a cena, pensei em chorar, mas chorar tem lágrima no meio, lágrima tem água, e minha intuição diz que iria prejudicar mais ainda a situação.

Então veio um sol bacana, e botei todos eles para um bom banho de sol. Espalhei-os pelo chão quentinho, o Rilke se espreguiçou, o Celan agradeceu, a Cecília Meireles deu espirros, com a súbita mudança no clima.

Fui lá dentro bebericar um café, olhei para o céu, apareceu uma nuvem grossa e escura, dei uns assopros com força, ela foi para as bandas da Enseada dos Corais. Isso é que é um pulmão bom esse meu, foi o que pensei.

Voltei para olhar os livros. Bam Bam, o vira-lata da tia, tinha aproveitado minha ausência para dar uma bela mijada no Rimbaud, Nunca vi um cachorro gostar de mijar poetas, mas o Bam Bam é dose, outro dia ele ensopou uma caixa de romancistas, acertando o olho do Onetti em cheio. Eu disse “sai daí, Bam Bam” com cara de mau, ele ciscou duas vezes e saiu com um andar literário, um flaneur canino, balançando o rabo.

Trouxe mais um lote de livros para a escola onde trabalho, que tem uma biblioteca em fase de nascimento, coloquei-os em cima de uma enorme mesa, e os leitores vão achar que estou criando coisas, que estou com mania de perseguição. O ar-condicionado, da marca “York”, começou a pingar. Isis Camila, minha aluna, me alertou:

“Sama, os livros estão molhando”.

Macacos me mordam, é o fim dos tempos.

Mudei os livros de lugar. Atingidos, nesta safra: Mia Couto, Mário Faustino e Herberto Helder. Não tem sol agora neste final de tarde bucólico do Recife, então eles vão ter que encarar uma noite meio gelada.

Gostaria de saber com os distintos 61 leitores, se alguém conhece um serviço tipo “Seguro-Livro”. Você dá a lista de livros, o corretor anota, diz quanto você paga por mês, e em caso de sinistro (essa é boa), você recebe o livro atingido de volta, em pouco mais de 48 horas. Sem franquia, que acho isso de franquia um roubo, e sem essa de vistoria.

Mas será uma volta aleijada. Meus livros, sem minhas anotações, rabiscos, observações, não são meus.

São como esses livros que ficam solitários nas prateleiras das livrarias ou sebos, à espera de um dono.

Livros de ninguém.

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Chuvas, poetas, cartas, livros e outras coisinhas miúdas

5 de maio de 2007, às 20:37h por Samarone Lima


Tenho muitas teorias, estou escrevendo um livro sobre o tema, e tenho uma teoria secreta: a de que as chuvas gostam de poetas, de bons livros, e fez um acordo secreto com as goteiras de todas as cidades do Brasil, para alcançar seu objetivo.

Não sei como é na Dinamarca ou no Zaire, mas onde moro, em qualquer lugar desta imensa pátria, as águas nunca caem em cima da geladeira, de uma cômoda velha ou numa panela na cozinha. A goteira cai sempre em cima dos livros, dos melhores livros, de preferência em cima daquele velho poeta, amadíssimo, que fica chorando junto.

As chuvas dos últimos dias aqui do Recife e ajacências, incluindo o Cabo, onde moro, confirmaram minha teoria (a de número 347): as águas acertaram em cheio os meus poetas mais queridos. Roberto Juarroz tomou um banho bacana, está ensopado do cocoruto ao dedão do pé, acompanhado pelo Vicente Huidobro, que já vai pegando sua pneumoniazinha. O Juan Gelman escapou ileso, porque o levei para a escola, e uma aluna o levou para casa, possivelmente a bordo de uma canoa. Fernando Pessoa está em lugar seguro, protegido, ao lado da minha cama, como sempre.

Procuro lascas de sol, réstias, para que eles não peguem uma gripe. No meu mundo, fala-se gripe, o sujeito fica gripado. Virose é modismo, tudo agora é virose. Uma topada é virose, uma ressaca é virose, uma diarréia brara é virose. A Rosa ficou de me emprestar seu secador de cabelo para salvar meus poetas, mas ela vem esquecendo sempre. O pior é que hoje está chovendo pacas (estava doido para usar esse “pacas” hoje, e só agora encaixei a palavra), e as goteiras devem ter aumentado, alcançando meus romancistas latino-americanos, que ficam ao lado dos poetas. Por precaução, trouxe o Robert Arlt para um lugar seguro e botei o Roberto Bolaño dentro de um saco plástico, o risco é a asfixia.

Deveriam inventar o “seguro-livro-de-estimação-molhado”.

Continuo intrigado com meus leitores, que gostam de me pegar de jeito. Outro dia, falei que tinham me roubado o Fernando Pessoa, então a Renilde mandou uma caixa completa, até com a edição portuguesa, eu fiquei pasmo, abestalhado, algo de uma beleza comovente.

Na véspera do meu aniversário (3 de maio), cheguei à escola e tinha um Sedex. Eu adoro Sedex, porque sempre chega coisa boa por ele. Era o Alberto Lima, um leitor que mora em Paris. Era uma edição de “Os detetives selvagens”, do Roberto Bolaño, que eu tinha comprado em Buenos Aires, e perdido em Fortaleza, quando estava quase terminando de ler. Junto do livro, uma carta linda, que retiro um trecho, mesmo sem a autorização dele:

“Se que, agora, já há edição desta obra em português, mas, antes que você seja molestado pelos seguranças da Livraria Cultura pela tentativa de um eventual empréstimo a longo prazo, mandei buscar este exemplar em Madri para compensá-lo por aquele, um dia, perdeu-se não se sabe como, não se sabe onde. Quem sabe, levado da sua casa por um amigo que se julgou mais esperto ou quis se vingar de um surrupio indevido”.

Ele deve ler mesmo minhas crônicas, pois citou bem o “eventual empréstimo a longo prazo”.

A carta termina assim: “Paris, le 20 avril 2007″.

Macacos me mordem, que presente maravilhoso, Alberto. Estou aqui, relendo aos poucos, saboreando o velho e bom Bolaño, que inventou de morrer aos 50 anos. Qualquer dia, dou um jeito de retribuir tamanha bondade. Por favor, faça-me um favor: imprima uma cronicazinha razoável e leia num café daqueles de Paris. Se chegar um francês amigo seu e perguntar do que se trata, diga que espere um pouco, que você está muito envolvido com a leitura.

Quem não leu ainda “Os detetives selvagens” não sabe o que está perdendo.

Eu que agora sou especialista em rins, por conta da hemodiálise da minha tia, aviso aos leitores: cuidem dos rins de vocês. Caramba, o que tem de gente fazendo hemodiálise no Recife, não está no gibi. E não tem essa de ser velhinho não, tem gente de tudo que é idade e classe social. Fico até preocupado com o Gustavo, meu amigo poeta que mora em Brasília, porque ele gosta de ler, escrever, dar aulas, mas esquece de beber água direto, e só se lembra de molhar os beiços quando sente uma pontada. É o rim, reclamando da seca. Já disse a ele uma fórmula que inventei: cada mijada, um copo d´água. O bicho é ruim, e esquece.

Serve para todo mundo: quando sair água, lembre de repor.

Ah, me ocorreu criar o “Samu do Afeto”. A pessoa está lenhada, ruinzinha mesmo, liga para um amigo, que vai de ambulância escutar as dores e não ficar com aquela de dar conselhos, dizendo “você tem que fazer isso”, “você tem que tomar uma decisão”, “deixe de ser besta”, essa lenga lenga de sempre. Escuta, entende tudo, aceita que as coisas estão desse jeito mesmo, dá o ombro, o colo, depois vai embora.

Vou encerrando por aqui. Mais um ano sem declarar Imposto de Renda. Estou preocupadíssimo com esta tal de Super Receita. Tudo que vem com “Super” é super-preocupante: Superbonder, Superman etc.

Mas tem também o Superado, né?

Caramba, hoje estou escrevendo sem bússola, falando de tudo que é assunto, com a velha tradição de não chegar a lugar nenhum. Com 38, o sujeito perde o jeito sério de viver e vai por ali, pelejando.

Só não pode mesmo é ficar cabuloso. Eu não suporto gente cabulosa.

Ps. Acabo de ganhar um parceiro. João Lin, um mago do traço. Vai voltar sempre, promete.

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