Tomado
Samarone Lima
Há tempos um livro não me acertava assim, de cheio. “O passado”, do argentino Alan Pauls, chegou há alguns dias. Acordo, leio, pego o ônibus, vou lendo, dou aulas, leio mais um pouco. Estou tomado pela história do Rímini e da Sofia.
Leio sorvendo cada pedacinho, sem pressa. Livro bom não dá vontade de terminar nunca. Por causa dele, deixei para depois o “Neve”, do Orthan Pamuk.
Un pedacito:
“Sim, odeio você. Sim perdôo você.
O amor é uma torrente contínua.
Como sei que não vai ser capaz de ir sozinho à mostra de Riltse (já posso ouvi-lo: “lembranças” demais - as aspas são suas), na quinta às sete vou estar na porta do museu.
Sou a garota baixa e de olheiras, de impermeável amarelo (se estiver chovendo), ou a que acaba de descer sem fôlego de sua bicicleta verde (se o tempo estiver bom).
Você não tem como errar.
Odeio ter que lhe dizer isto, mas é sua última chance”.
Vou aqui, ler mais um bocadinho, tomando umas goladas do meu chimarrão. Faltam somente 400 páginas, pela graça divina.
Perdão pela eventual demora em atualizar o blog.
“Mas a compreensão é um dom que exige resposta”(pag. 79)
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