Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

Apresentação


Livros do Autor


Artigos recentes


Comentários Recentes


Aproximações


Calendário

outubro 2007
D S T Q Q S S
« set   nov »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Arquivos


Usuários online


Pequenos sonhos

26 de outubro de 2007, às 14:31h por Samarone Lima

Estou à procura de um helicóptero para um vôo de uma hora sobre o Recife. Quem souber o preço do aluguel, por favor, me informe.

É que estou começando a realizar os sonhos dos meus amigos. Belém, motorista da Secretaria de Saúde, sonha em dar um vôo de uma hora sobre nossa amada cidade, e isso não deve custar muito caro.

Isso de realizar sonhos é uma coisa sem fim. Minha sugestão é simples: começar pelos sonhos miúdos, depois passar para os médios, até chegar aos graúdos.

Sempre sonhei em passar defronte a um campo de várzea, e ver um jogador fazendo um gol. Outro dia aconteceu. Um cruzamento da lateral, o cara emendou na pequena área, a rede estufou. Quase desci do ônibus para comemorar.

Davi, meu dileto amigo, sonha em ganhar na Mega Sena apenas para realizar o sonho de tirar todos os amigos do trabalho, indenizá-los, alugar uma Van e levar todos para beber, de segunda a sábado. No domingo, ficar com a família, que ninguém é de ferro.

Minha mãe sonha em ter um abrigo para ajudar os portadores de HIV. Minha mãe, se fosse muito rica, se fosse da elite, iria ajudar muita gente. Eu tenho uma gastura imensa de quem tem dinheiro, muito dinheiro, e não ajuda a quem pode, do porteiro à vizinhança.

Naná tem o sonho de ver a filha formada. Enquanto isso não acontece, usa sua Kombi enferrujada para levar as crianças do Poço da Panela para a escola.

Os sonhos miúdos são os que mais me encantam. Gustavo sonha apenas em ser poeta e viver com o pouco. Valdemir Leite sonha em aprender inglês e andar de bicicleta.

Sonho com uma cidade cheia de livros, biblioteca lindas e imensa.
Sonho com uma cidade inundada de leitores compulsivos, especialmente os jovens dos bairros mais pobres. Mais romances, menos repressão. Mais crônicas, menos violência. Mais poesia, menos mortes. É um sonho imenso. Por via das dúvidas, comecei com meus 80 alunos.

E sonho outras coisas também, miudinhas da silva, um dia conto.

Ah, sonho em dar uma festa bem bacana e chamar todos os meus leitores, só para ver a cara e o sorriso deles.

Dançaríamos todos de sapatos, até amanhecer o dia.

Depois, como diz o poeta, dançaríamos descalços o resto da vida.

Postado em Crônicas | 11 Comentários »