Resolvendo os problemas do mundo
Samarone Lima
Após intensas e profundas discussões, na noite de Salvador, eu e meu dileto amigo Gustavo de Castro e Silva conseguimos fechar uma série de pendências sobre o globo terrestre. Não foi fácil, mas resolvemos vários problemas da humanidade, e nos próximos dias tomaremos as medidas cabíveis. Governos e populações serão avisadas de nossas resoluções. Vamos a algumas.
A questão da China contra o Tibete
Consideramos que a China perdeu a noção das coisas, ao massacrar nossos amigos do Tibete. Aqui em Salvador, fomos para uma sessão de Acupuntura com o senhor Ma To Shi, que é exilado do Tibete, mas demos com os burros n´água. Ele, no domingo, viajou para seu pequeno torrão natal, possivelmente para lutar contra o exército Chinês. Roberto Mato Chi nos atendeu, botou as agulhas, explicou algumas coisas, mas faltou aquele relato em primeira pessoa, aquela fleuma. Ma To Shi vai ficar um mês fora, então perdemos o que se chama “tempo histórico”.
Saímos para um café, acompanhado de charutos baianos, e discutimos apaixonadamente sobre a importância de apagar a tocha olímpica, a cada vilarejo percorrido. Compramos extintores de incêndio aqui na 7 de Setembro e contratamos um amigo colombiano, que vai fazer a “Trilha da Tocha”, com o patrocínio da Kichute. Nossa idéia é levantar a famosa marca de sapatos, que acompanhou os pés de milhares de brasileiros. Na fase final, passaremos ao poético “Caminhos do Conga”. A Kichute vai nos dar um retorno até sexta-feira. Perdemos o contato com a Conga Ltda. Agradeço quem puder me ajudar.
Mal tomamos nossa decisão, e hoje cedo fomos informados que os franceses conseguiram empulhar os chinas, mandando a tocha se recolher. Desconfiamos que vazou informação.
O problema dos palestinos com os israelenses
Cada vez que assistimos aquelas maldades dos israelenses com os palestinos, vamos às lágrimas. Sobre este assunto, nós decidimos que é preciso chamar um país mais simpático para aproximar os dois povos, sem passar pela Casa Branca. Pensamos no Brasil, mas ocorreu algo mais específico. Um encontro em Juazeiro do Norte, à beira da estátua do Padre Cícero.
Lá, acompanhados por Seu Vital, seria selado o acordo final de respeito mútuo, devolução de territórios confiscados, promessas de não haver mais retaliações de lado nenhum. O Lula não poderia participar, porque ele iria querer lançar um “PAC do Oriente Médio”, e diriam que ele está em campanha para outro mandato.
A questão das Farc e os sequestros
Escrevemos há pouco a versão da final de uma carta que estamos endereçando às FARC e ao governo colombiano, assinada a duas mãos. Nunca entendi aquele negócio de “escrita a quatro mãos”, se só escrevo com uma delas, a mão direita. Haverá um acordo, que será assinado no mercado da Madalena, sem ranços ou rancores.
Os dois lados vão fazer um balanço sincero, e admitir que do jeito que está, as coisas vão ficar sempre piores. Depois disso, ex-guerrilheiros e governo serão convidados a passar o próximo Carnaval no Recife e Olinda, com direito a um camarote.
A questão da dengue no Rio de Janeiro
Estamos afobadíssimos com a questão da Dengue no Rio de Janeiro, e tememos que os mosquitos comecem a pegar o beco rumo a Pernambuco e Brasilia, onde vivo e vive meu amigo, respectivamente.
Decidimos que é fundamental iniciar a distribuição imediata de milhares de mosqueteiros para a população, sob o patrocínio das Casas Bahia. Não sabemos bem o motivo das Casas Bahia, mas parece que é uma empresa que ganha muito dinheiro.
Também pensamos em criar um “Disque Mosquito”, onde a pessoa ligaria para um telefone, informando o lugar que tem larvas do mosquito. Seu nome seria cadastrado, e ele participaria de um sorteio para participar do Big Brother 2009. Caso sua denúncia seja inútil, será obrigado a passar todo o Big Brother acompanhando o Pedro Bial, em sua casa, e anotar todos os comentários geniais sobre o perfil de cada concorrente.
O problema do Santa Cruz
Botei na pauta a situação do meu amado clube, que anda numa de amargar, mas Gustavo considerou que era um problema que ultrapassava nossas condições, e concordei plenamente.
Demos por lavrada a ata e encerramos nosso colóquio. À noite, na Ondina ou na Pituba, discutiremos questões mais locais. Aceitamos sugestões.
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