Nunca confesse sua preguiça
Samarone Lima
Fui inventar de falar da minha preguiça monumental, aproveitando um texto publicado na época do JC On Line e deu errado de novo. Naquela época, acabei arranjando um emprego de professor de literatura para jovens de 16 a 19 anos, um trabalho lindo, que durou um ano e meio. Até hoje, me alegro sabendo da caminhada dessas criaturas que fizeram minha vida mais bonita - espero que a deles também, entre os contos das Mil e Uma Noites, poetas, maravilhas da literatura mundial.
Pois bem. Bastou a crônica sobre a preguiça, para surgir trabalho de tudo que é canto. Uma palestra na Católica sobre o livro Clamor, outra palestra na Católica sobre “jornalismo e cidadania”, e outra palestra na Católica sobre crônicas. Não refuguei nenhuma. Além disso, uma viagem para Arcoverde, e uma entrevista para uma estudante de Jornalismo (da Católica, claro), que mora aqui no Cabo também. Ah, uma viagem para Salvador, para participar do “Projeto Lanterninha”. Para completar, uma reportagem sobre bibliotecas comunitárias, para a revista Continente Multicultural.
Chegou agora uma “Cartilha da Atenção Primária”, para revisar, e um “Protocolo Operacional”, que vou mudar para “Cartilha de Funcionamento”. Terei que editar um vídeo sobre o Mãe Coruja Pernambucana, com o Daniel.
Ou seja: dá errado a confissão da preguiça em praça pública. Forças conspiratórias se reúnem, na moita, e enchem o camarada de trabalho. Amigo leitor, vai uma sugestão - nunca confesse sua preguiça.
Aqui vai uma confissão da menor importância - pela quarta ou quinta vez na vida, consegui um acerto com meu patrão - aliás, patroa - , e vou poder trabalhar em casa. Isso é o sonho para qualquer pessoa que se candidata ao posto de escritor, que é o meu caso. Esse negócio de trabalhar muitas horas por dia em outra coisa, que esteja fora do mundo da prosa (ou da poesia) tira o sujeito de tempo. Um camarada muito ocupado não tem tempo de reparar nas besteiras, que rendem as crônicas mais razoáveis, nem pode ficar de bobeira em bancos de praças ou botecos, onde surgem os melhores personagens.
Consegui ficar mais comigo em momentos decisivos da minha humanidade: quando pedi demissão da Veja, quando ganhei uma bolsa da Fundação Ford, quando saí da Católica e quando fiz uns trabalhos para o Unicef. Em todos os casos, juntei uma boa grana e fiquei dono do meu tempo. Teve uma época que fiquei escrevendo relatos pornô em casa, enquanto terminava o mestrado. Era trabalho e vagabundagem em doses iguais. Nunca fui tanto para o cinema na minha vida. O problema é que um dia, o dinheiro acaba, e essa vida de fulozô também finda.
Estou no Cabo, nesta tarde de segunda-feira. O telefone tocou e atendi. Era meu irmão, que mora em Minas. Ele teve até um susto quando escutou minha voz, porque dificilmente atendo o telefone, muito menos segunda-feira, à tarde.
Minha fama de farrapeiro continua seguindo em alta. Perdi o aniversário do Ivanzinho no sábado. Ano que vem tem mais. Parabéns, donzelo.
Fico por aqui.
Melhor olhar o Turbante da Naire (www.turbantedanaire.blogspot.com) ou escutar um tango argentino, já que o Gustavo ficou com meu CD do Rufus Wainwright. Em compensação, dei um rapa nos livros dele. Trouxe uma caixa de livros de Brasília. Quem não tem cão, caça as palavras com gato.
Vou ali, preparar meu chimarrão e pensar numa crônica boa. Me aguardem, mas sem pressa.
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26 de maio de 2008, às 16:47h
alegrinho hein samaxote!!!!
26 de maio de 2008, às 18:01h
É Sama, também sempre que anuncio minha preguiça em praça pública parece chover. E quando chove adoro, porque fico na rede estudando nuvens, poesias e livros. Descobri um coisa em minha vida, passo mais tempo estudando poesia e crônica de quê namorando e vendo Tv. E isso termina sempre mau para mim como você falou naquele em que tomamos uma no Cais de Santa Rita ” Essas mulhures não entedem minha paixão por escrever”. E verdade, hoje estou com a preguiça de mover o mundo ao contrário. Por isso, deixo Deus sozinho fazer o que tenho para fazer lá fora.
Aldemir Suco
26 de maio de 2008, às 18:11h
“Estudando as nuvens” é perfeito. Coisa de poeta.
Sama
27 de maio de 2008, às 0:04h
Parabéns, meu Caro Samarone.
Me consola o fato de saber que dessas suas futuras experiências profissionais surgirão memoráveis crônicas.
abraço
27 de maio de 2008, às 3:10h
HAHAHAHAHA
Foi mal. Não deu pra segurar.
Eu sou aluno de uma dessas turmas da Católica. Talvez até de duas turmas, se essa sobre “jornalismo e cidadania” for uma palestra que o professor Ricardo esteja organizando e eu não saiba.
Eu costumo anunciar minha preguiça, mas, ainda bem, nada me acontece. Por ter morado na Bahia muito tempo, acho que sou abençoado.
Continuo lembrando Raul:”Se chamarem deiga que saí.”
27 de maio de 2008, às 3:13h
diga*
27 de maio de 2008, às 14:30h
Qualé….Marcos Velloso…..sou baiana e trabalho muito…muito…muito….tô brincando, sei que na verdade isso é mais um elogio…
mas o que mais gosto mesmo é ficar bebendo um vinhozinho…..pensando……lendo um livrinho…..vendo um filminho….com aquela cara de lobotomizada, sabe? Tudo na maior leseira possível….é difícil, mas quando consigo este estágio….sair de casa nem pensar!!!!!!
Espero muitos momentos de leseira para você Samarone.
bjs
27 de maio de 2008, às 14:46h
Velho Sama.
Perdeu a festa de Ivanzinho, foi muito legal. Pelo menos a parte que eu lembro. A galera disse que a outra também foi legal.
Cara, lembrando de novo, teus livros estão aqui em casa. Tenho alguns “Clamores” se você precisar.
Abraços.
27 de maio de 2008, às 18:28h
Cara…
Acho que de todos os momentos decisivos da sua vida, os quais você se encontrou consigo, o melhor de todos foi ter saído da revista Veja!
Hehehe…
Mas, concordo que preguiça não se revela a ninguém. Até pra que a gente possa curtí-la melhor!
Abraços!
Daniel Vilarouca
29 de maio de 2008, às 9:08h
E se for ao contrário? se anunciar minha preguiça, aparece emprego? hehehe
mil bejos sama!
29 de maio de 2008, às 14:19h
só um abraço para matar saudades… afinal, preguiça.
30 de maio de 2008, às 10:17h
Sama,
Assisti à TVU na sexta passada. Um programa com Roger, Valmir Chagas, Jomar, entre outros. Surgiu seu nome por causa de uma reportagem na Continente. Todo mundo saudosos. Eu, idem!
Veja se sai da toca e dar o ar da graça pra uma cerva dia desses.
Besos preguiçosos!
30 de maio de 2008, às 18:15h
Velho Sama, o telefone que vc me passou ta errado. Tô tentando falar contigo, me passa de novo.