José, 8 quilos
Samarone Lima
Estou na estrada. Parada em Cruzeiro do Nordeste, para o almoço. Um menino pequeno, sorridente, se aproxima, pedindo dinheiro. Nunca dou dinheiro a crianças, em hipótese alguma. Dou um afago, um sorriso, pergunto se está estudando. Geralmente, rende uma boa conversa.
Comecei a escrever umas coisas no meu caderno, o menino pediu para escrever seu nome. Dei o caderno, ele ficou rabiscando seu “José”, mordendo a língua. Tinha no máximo cinco anos. Sua irmã estava à espera de umas cabras de sua avó, as únicas da região que esperam os carros passarem, para atravessar a pista. São as cabras mais sabidas de Pernambuco.
“Quantos anos você tem?”, perguntei.
“Oito”
“Oito? Oito não, está errado”.
O menino me olha e completa:
“É sim, me pesei na balança”.
Me lembrei daquele pequeno Josué, de Central do Brasil.
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