Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias

Apresentação


Livros do Autor


Artigos recentes


Comentários Recentes


Aproximações


Destaque


Calendário

agosto 2008
D S T Q Q S S
« jul   set »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

Arquivos


Usuários online


asd çlk asd çlk (final de uma crônica saudosa)

5 de agosto de 2008, às 10:24h por Samarone Lima

Sim, onde eu estava? Ah, falava da minha velha remington 15 (Quem não está entendendo nada, precisa ler a crônica anterior).

Foi graças a esta velha máquina, que não me intimidei ao chegar à turma de Redação IV, da Universidade Católica de Pernambuco. A professora era a lendária Lúcia Nóya, braba como o quê, e ainda se usava máquinas de datilografia nos laboratórios. Antes de levar alguns cascudos, tratei logo de mandar ver nos meus o que, quem, como, quando, onde e por quê?, as perguntas mais óbvias e bestas do Jornalismo. A habilidade herdada da minha velha máquina garantia mais tempo para raciocinar.

Quando cheguei ao estágio no Diário de Pernambuco, em 1992, a redação ainda não tinha sido modernizada, e aquelas máquinas velhas caíram bem nos meus dedos duros e calejados. Toquei bem a pelota graças à habilidade para datilografar, herdada das milhares de horas com a remingtom 15. Outro dia, encontrei uma lauda-padrão, do Diário, com as famosas 20 linhas.

Por conta desta formação, até hoje sinto falta do barulho de máquina de datilografia, e me espanto quando vejo alguma redação de jornal ou revista em meio ao silêncio dos computadores. Sempre achei lindo uma redação ruidosa, com telefones tocando, barulho de teclas imprimindo palavras e matérias. O Diário de Pernambuco, na época, era meio exagerado, porque bastava Graça Prado puxar alguma graça, que todos acompanhavam, numa gozação generalizada, e tinha hora que a gente parecia estar no Clube das Pás. Vieira era outro que não me deixava em paz, aos gritos de “quem era Samarone”, quando eu chegava com alguma camisa nova, comprada sob o impiedoso crediário de minha mãe, nas Casas Piu ou lojas da época, em Fortaleza.

Não sei o que é, mas o tlec tlec tlec é algo como o ruído primordial do meu ofício, que é o de escrever. Me faz bem, me sinto em casa. Lembro que durante décadas, foi o som que enfeitiçou e salvou a vida de gente como Fernando Pessoa, Guimarães Rosa e tantos outros. Num efeito clássico de compensação, até hoje digito nas teclas do computador com uma força incrível, e quando vou comprar um teclado, procuro o mais barulhento. Bom mesmo é escrever soltando fogo pelas ventas e vendo a palavra sair fresquinha, na hora, em cima do papel.

Como tem o “Clube do Fusca”, vou criar o “Clube da Máquina”, para juntar os apaixonados por máquinas de datilografia. Clube não, melhor “Confraria”, que é a cara dos meus amigos do Poço da Panela. “Confraria das Máquinas”. O nome está horrível, mas há nomes horríveis que dão certo, como Cafuringa, aquele ponta do Fluminense.

A gente se encontraria uma vez por semestre, daria aulas de datilografia, faria oficinas de conserto de máquinas velhas, sob o patrocínio da remington e da olivetti, fora a Hermes Baby, se viva for. Chamaríamos velhos escritores, para falarem sobre suas máquinas prediletas, levando-as para nosso deleite. Haveria troca de informações sobre como fazer a manutenção, o melhor óleo, onde comprar fita por melhores preços. Acho que estou numa fase chamada delírio, minha amiga Emília vai já me avisar. Fico por aqui.

Aviso aos meus singelos 16 leitores (Jorge Bandeira, para minha surpresa, frequenta este espaço), que aceito doações de máquinas velhas, remediadas, feridas e esgarçadas. Prometo cuidar, limpar e usar.

Postado em Crônicas |

24 Comentários

  1. Julio Vila Nova Disse:

    Boa idéia, a da confraria. Em Olinda, no Varadouro, tem (ou tinha, não sei da última vez em que passei sóbrio por lá, pra me lembrar direito) um escritório (oficina/loja/representação comecial, não sei) da Olivetti, apoio cultural à vista, quem sabe. Sugiro o nome de Confraria das Teclas, igualmente ruim. Por falar em nome ruim, já tava mesmo pensando em te chamar de Cafuringa, da próxima vez que tu escrever Vilanova, assim, junto, no lugar do meu Vila Nova, separado. Ou então te chamo Samarone Lira, hahahaahh…

  2. Afonso Bezerra Disse:

    Idéia brilhante de formar um grupo de amantes da máquina datilográfica.

  3. KAYK OLIVEIRA Disse:

    RARA…
    Agora exijo retratação, eu leitor assiduo das suas produções, quero ser reconhecido como 17ª leitor (e isso é legal pq 17 é numero da prosperidade em hindú) mentira!
    E quero ate sugerir que cada leitor do Samarone, se enumere e exija reconhcimento, e se a moda pega, voce Samarone acabara por saber que ten,s 2315121237824984225 leitores! É muito mais lido que a biblia (A SAGRADA) DO MEU AVO, que aos 82 anos ja a leu 8 vezes, e num cansa de me dizer que o apocalipse esta acontecendo… Pode ate ta acontecendo segundo meu avo, profeta moderno, mas do jeito que vai esse mundo, acho que so restara as maquinas de datilografar do Samarone, e ai os i
    ímpios farão a festa!

    desde já exijo retratação… grande abraço!!!!

  4. samarone Disse:

    Com o glorioso Kayki, são agora 17 leitores oficiais, correndo o risco de chegar aos 20, até o final de semana.
    Gostei dessa: “Os ímpios farão a festa”.
    voilá.
    sama

  5. livia sheila Disse:

    18º leitor se apresentando, senhor!

  6. Arabela Disse:

    Humildemente, sou eu a sua leitora de número 19.
    Grande abraço.

  7. Andréia Disse:

    Oia eu aqui, leitora de número 20…sempre te lendo e morrendo de rir…suas crônicas salvam o meu dia.

  8. Andre Disse:

    Bom dia Samarone,

    Ontem lembrei de vc, estive na APPL(Associação Pernambucana dos Portadores de Leucemia), próximo ao Derby Center e vi que eles tem várias maquinas usadas pra vender. A venda dessas máquinas(e de outros objetos usados) ajuda na manutenção da casa, que recebe doentes que vem do interior. Inclusive tinha uma “Hermes Baby” :-)

    Grande abraço amigo!

  9. Andre Disse:

    Ah… se Andréia é sua leitora de número 20, eu, André, sou o 21 :-)

  10. livia sheila Disse:

    aêêêêeeeeeeeee passou dos 20 leitores antes do final da semana!!!! hahahhahaha

  11. bandeira Disse:

    sama ao lembrar dos ruídos (se é assim que podemos chamar ) ou melhor, da melodia das máquinas de escrever, me veio uma boa lembrança de minha infância quando o meu pai, então diretor do Diário de Pernambuco me levava a conhecer todas as instalações do sesquicentenário jornal. Me lembro muito bem como me encantava aquele nhec-nhec das máquinas imprimindo o jornal que sairia dia seguinte. Lembro também como era artesanal a produção quando se usavam os antigos clichês , que eram verdadeiros quebra-cabeças montados letra por letra pelas mãos hábeis de um velho clichereiro - será que é/era isso mesmo - que se chamava Zuza, que já morreu há muitos anos atrás, assim como o velho Dr. Moacyr Bandeira. Que Deus os tenha em bom lugar. Quem sabe vc não encontre por aí, em algum lugar, uma dessas máquinas tipográficas de antigamente e resolva fazer um jornal á moda antiga. um abraço do seu décimo-quinto leitor e conhecedor de toda sua obra publicada. ou seja, seus tres livros que já tive a oportunidade de ler e encontrei muito mais sentimento que imaginava caber nestes teus um metro e oitenta. abraços alvirrubros

  12. sirley Disse:

    não sei qual é o meu número em realação a leitor assíduo, porém acredito que vc passa dos 50 brincando…
    abraços,

  13. KAYK OLIVEIRA Disse:

    Viu companheiro que uma problematização não faz mal a ninguem?
    O povo esta a abrir o coração e a declarar-se como leitor x….
    a campanha é so alegria e confissões.
    Sama voce se retratou e em sua homenagem vou Datilografar minha alegria!!!

    vamos lá… que venha o povo e seus numeros!

  14. Andréia Disse:

    Imaginei os leitores se apresentando no bar de seu vital…sama morto de timidez e seu vital a gritar…tiragosto pro leitor número 867…rs. Abraço afetuoso sama!

  15. Afonso Bezerra Disse:

    kkkkkkkk

    Imagina a cena, Hein?
    O Bar lotado, o papo correndo solto, seu vital atordoado sem saber a quem servir e muita alegria no ar.

  16. naire Disse:

    Ganhei uma máquina dessas da minha tia, quando passei no vestibular de Direito. Hoje ela está na sala de João, que como eu e você, é chegado numa escrita.
    Beijo

  17. Daniela Peregrino Disse:

    Eu tb tô nessa lista, não sei em que número…

    Acho que falta um post aqui. Como foi a visita as detentas?

    Abraço Samarone.

  18. Fabiana Disse:

    Sou a leitora nº 1.879. E confesso: tb sinto saudades das velhas máquinas. Aprendi a dedografar (uso só o indicador da mão direita e o médio da esquerda) com toda rispidez exigida pelas máquinas. Pior, pelas da Unicap que, não raro (em meu tempo) tinhas teclas soltas e nosso dedo emburacava pelos espaços ou eram feridos pelos ferrinhos desemcapados. Até hoje, sou meio agressiva com os teclados - acho que bato com força para ouvir um barulhinho a mais.

  19. Anizio Carlos da Silva Disse:

    Tem uma Remington na casa de meus pais, ou tinha, não sei se jogaram fora… não recordo ao certo o modelo, tem uma tampa que permite transportar - isso não a faz “portátil”, pois é um tijolinho.

    Já que você não gosta do notebook, façamos uma troca :D

  20. Anônima Disse:

    Nao se esqueça do grupo dos anônimos, esse que entra, lê, se diverte, e vai embora à surdina…Nao temos nome, nem nos conhecemos entre nós, mas tenho a certeza de que nosso grupo é bastante numeroso.
    Abraços…

  21. Filipe Oliveira Disse:

    Será que ainda dá tempo de me inscrever para um número de leitor? Conheci o blog através do Estuário, o livro, que por sua vez conheci através de um texto do Samarone (aliás, que nome, hein…) numa formidável edição da Massangana.

    De qualquer forma, que conste que há mais um do lado de cá, com numeração indefinida, mas prontificado a se apresentar no bar que for para os devidos cadastros que se façam necessários.

  22. Sávio Assis Disse:

    Samarone: pode me contar aí na sua lista que vez por outra estou espiando por aqui. E se a idéia da Confraria passar da fase do delírio, pode contar com uma velha máquina que doarei de bom grado.

  23. Zé Costa Disse:

    Há muito, muito tempo mesmo, meu maior sonho era ganhar de presente uma máquina de escrever da Olivetti.

    Em 1992, por exemplo, um candidato a vereador me prometeu a máquina em troca do meu voto, não aceitei!

    Nunca tive uma olivetti minha, resignava-me com a olivetti elétrica da ETFPE onde podia datilografar meus toscos versos que mereceram, depois de anos, o legítimo dos versos juvenis: a lata do lixo!

    Agora, digito num laptop. Os tempos mudaram, mas por alguma razão, a olivetti que desejei e nunca tive é como uma metáfora dos meus dias.

    um abraço.

  24. Cel Disse:

    Estava revisitando os seus arquivos a procura dessa crônica,pois no momento em que a vi,ou melhor,a li.Foi um mergulho,quase uma hipnose,uma volta a minha infância,onde eu passava as tardes ‘brincando’com a máquina de escrever que minha avó possuía,e me lembrei(no decorrer da sua crônica)quando meus dedos ficavam presos entre uma tecla e outra,e que minha avó começava a rir da minha cara,ao invés de me ajudar.
    Voinha era infame(com todo o respeito!).
    Tentei deixar um recado ao fim da leitura com minhas impressões imediatas,porém,quando eu fui enviar ele expirou(as vezes,a tecnologia me frustra).
    Por outro lado,essa sua crônica rendeu-me uma ótima conversa com
    Vovó,com direito há algumas reminiscências do tempo em que ela era datilógrafa(com direito a carteirinha e certificado do curso de datilografia!).
    Depois da conversa,fiquei com o compromisso de mostrar-lhe seu blog,embora ela não tenha paciÊncia de ler na tela do computador.Então,prometi que imprimiria =D

Conversinhas

Nota: A moderação de comentários está ativada e isto pode retardar a publicação do seu comentário. Por favor, não envie o seu comentário novamente.