Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima


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Pequeno adeus a um grande Pastor

13 de agosto de 2008, às 12:15h por Samarone Lima

Conheci o Pastor Arnulfo Barbosa em 2002, quando trabalhei como consultor para o Unicef, no belíssimo projeto da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). Ele estava à frente da Diaconia, o braço social de 11 igrejas evangélicas de diversas denominações. O maior projeto da ASA era o de construir um milhão de cisternas no Semi-Árido Brasileiro, o que parecia um delírio. Outro dia, caminhando pelo Sertão, vi a cisterna de número 320 mil. A ASA hoje é uma entidade respeitada, com uma grande contribuição para a mudança do olhar sobre esta região. Não se trata mais de “combater a seca” ou coisas do tipo, mas “conviver” com o Semi-Árido.

Muitas das conquistas da ASA têm a mão e a sabedoria do Pastor Arnulfo, que abraçou a idéia e abrigou a ASA por alguns meses na sede da Diaconia, que comandava há mais de uma década. Morreu no dia 4 de agosto, aos 54 anos.

Estranha ironia esta: o Pastor morreu vítima de esquistossomose, uma doença típica da região que ele aprendeu a amar e cuidar.

Como toda saudade é feita de memória, guardo do Pastor uma incrível capacidade de refazer idéias, ponderar, buscar caminhos. Não é fácil, nos dias de hoje, encontrar pessoas em posição de comando que estejam dispostas a escutar e rever posturas. O Arnulfo fazia isso com rara doçura.

Tivemos algumas longas conversas, em seu escritório no primeiro andar da Diaconia. Quando tive que sair, ele lamentou. Pensava em outros projetos mais adiante, coisa que não voltou a acontecer. Foi uma conversa de despedida minha, que saía, mas não imaginava que seria a última.

No depoimento emocionado do seu filho, na Igreja Presbiteriana, ele recordou que Arnulfo tinha em mente que “a vida nos chama a repensar a vida”.

Foi um grande homem, o Pastor Arnulfo. Quem conviveu com ele, sabe disso. Lutou com as palavras, o diálogo, até o silêncio, para mudar conceitos e desfazer impasses.

Resumindo, fez sua parte – e bem feita. Botou sua parcela de amor para mudar o mundo.

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