Encontro de poetas, ao lado do Cão sem plumas
Samarone Lima
Estou sentado num banquinho, ao lado da estátua do poeta João Cabral de Melo Neto, na margem ocidental do rio Capibaribe. Não sei se é margem ocidental, mas achei bonito esse negócio de “margem ocidental”, fica assim mesmo. São 9h13 da manhã, tenho um encontro marcado com um advogado, vou tratar da amiga presa, mas ele não chegou. Nada como esperar ao lado de um poeta, mesmo que seja de cimento. João Cabral está com a perna cruzada, descansando, olhando o rio que corta o Recife.
O sol está manso, aproveito para pegar uma corzinha. Os ônibus passam a todo vapor. Uma mulher vende água mineral, atravessa a rua e gritando “olha a água, água é um real”. Está tudo quieto, o dia vai começando a entrar no ritmo, quando escuto um homem falar bem alto, ao meu lado:
“Isso aqui não tem o menor sentido”.
Ele acaba de ler uma placa, que fica ao lado da estátua, com uma pequena biografia do poeta e trechos do poema “O cão sem plumas”.
Levanto e me aproximo. Ele tem uns 50 anos, está indignado.
“Eu fico doente com essas pessoas reconhecidas que escrevem essas besteiras”.
A irritação do meu amigo tem uma fundamentação poética e metafísica. Alguns trechos do poema ele considera absolutamente sem sentido.
“Veja isso. Ele diz que o rio é um cão sem plumas. Agora olhe de me diga: O Capibaribe tem alguma coisa a ver com um cão sem plumas?”
“Não faz o menor sentido”, respondo, só para jogar lenha na fogueira. João Cabral e seus aficcionados que me perdoe.
“A água do copo de água. Me diga se isso não é uma besteira?”
Pego meu bloquinho de anotações. Acabo de ganhar a crônica do dia. Ainda nem perguntei o nome do homem, e já sei que deve ser um inquieto, que briga até com a poesia que não entende.
“Dos peixes de água”, diz, lendo o poema pela segunda vez, agora em voz alta. “Todo mundo sabe que o peixe só pode ser da água. Ele podia ao menos botar um peixe de água doce”.
Me olha com atenção e desabafa:
“Hoje, quem tem valor, não vale de nada. O que é deixa de ser é, e o que não é, passa a ser”.
O homem saiu da reles zanga poética para a filosofia, e isso me deixa animado. Me lembrei das aulas de Lógica, na universidade, que nunca me ajudaram muito a compreender o mundo.
“A água do copo de água”, segue. “Pelo amor de Deus…”
Eu nem tenho o trabalho de falar nada, porque ele não se conforma com o que lê.
“Ele botou o copo com água na geladeira, depois tirou e ficou o formato, só pode ser isso”, completa.
Achei essa metáfora muito boa. O formato do copo na geladeira. Algo que congelou e ficou só na forma, ou na memória. Vou ter que perguntar ao Gustavo, que agora é professor de Estética.
“Tenho minhas dissertações todas escritas no jornal. Eu me oponho à legalização da maconha, contra os jovens irem para a cadeia mais cedo”, diz. Eu faço minha tarefa mais essencial: escutar.
Estou mesmo com sorte. Neste momento, vem passando o poeta performático Jommard Muniz de Brito, meu professor na UFPE, que sempre anda com poemas xerocados, para distribuir nos mais diferentes lugares da cidade. Faço uma saudação e digo que meu amigo está irritado com a poesia de João Cabral. Jommard lê todo o poema em voz alta, com aquela voz grossa e boa para recitais. Escutando bem, acho meio besta mesmo esse negócio da “água do copo de água”.
“Isso não é poesia, é um poema”, diz Jommard, e suspeito que levei um fora.
Meu amigo insiste: “E a poesia?”
“É a consciência crítica do poeta”.
Meu amigo: “Mas e a água do copo de água?”
Estamos neste colóquio, quando chega um homem magro, de boné puído, bigode a la Cantinflas. Usa roupa simples.
“É tudo poeta?”, pergunta.
A resposta de Jommard me deixa no céu:
“É uma poesia mais romântica - a fonte cor de rosa”.
São mais ou menos nove e meia da manhã, já somos quatro homens ao lado da estátua de João Cabral, discutindo os problemas da poesia e da criação. O primeiro, que abriu o diálogo, irritado com os versos de João Cabral, se chama Jade Barreto de Araújo, não terminou sequer a 6ª série e mora em Carpina. É motorista, e todo dia traz os alunos que estudam nas universidades do Recife. O que chegou é Luciano, que é pedreiro. Constrói casa, vende, constrói outra, vende, e vai tocando a vida. Fica escutando a discussão, e sai com esta:
“Pois quem gosta de poesia é poeta”.
“O que você acha de dizer que o rio Capibaribe é um cão sem plumas?, insiste Jade.
“Um cão sem plumas é um cachorro sem penas”, responde o pedreiro.
Ficamos em silêncio. Jommard dá explicações sobre a prosa e a poesia, chama atenção para metáforas, o que o poeta quer dizer, mas tem que ir embora. Ficamos os três, ao lado da estátua. Luciano diz que também gosta de compor umas coisinhas.
“Sou do alto Sertão, de Tabira. Gosto de cantar umas loas”.
Pedimos para ele cantar algo. Ele tem uma composição intitulada “O que me mata é a saudade do que fui no passado”.
Recita sua obra no formato do cordel. Saudade, sofrimento, amores, lembranças da família, da terra natal, esses temas universais. Termina, batemos palma. Do nada, olha pra mim e diz:
“Esse aí, de besta não tem nada”.
Penso em exigir explicações, mas a conversa tem outro rumo.
“Hoje não tenho um cruzeiro, por isso vivo comprando fiado”.
Pensei que era um pedido de dinheiro, mas era outra composição poética dele.
Jade aguarda nosso amigo recitar mais um trecho de sua obra, e volta à placa, onde está o poema cabralino.
“Uma fonte azul. Eu não entendo nada”.
Luciano: “Rapaz, eu não gostei disso não”.
Até eu começo a ficar invocado com o poema.
Luciano: “Lá onde a gente mora, se costuma dizer que quem faz de cachorro gente, fica de rabo na mão”.
Agradeço mil vezes por esta minha estranha obsessão de andar sempre com caderno e caneta nos bolsos.
“Fiz um verso escrito assim - tudo aqui passará”, emenda Luciano, agora já bem à vontade na conversa e deixando a timidez de lado.
Ele recita seu verso, e ao final me pergunta:
“Como é o nome do professor?”
Pergunto como ele sabe que sou professor.
“Essas sabedorias eu conheço de longe”.
Em desvantagem (estava só criticando), Jade diz que no Dia das Mães, fez um verso para elas.
“Mãe é como água de luz no deserto
Raio de luz em pleno Sertão”.
Com a vênia do poeta, “água de luz” é mais poético “água do copo de água”. O resto eu perdi, porque ele falou ligeiro demais. Luciano atacou com mais uma composição, e a manhã virou um imenso sarau popular.
Ao terminar, Luciano comentou:
“Aí ta certo. Agora, o que ele está falando aqui” - aponta para a placa com o poema de João Cabral - “é grego”.
“A pessoa tem pai e mãe, é rica”, emenda Luciano, que gosta de misturar assuntos e temas. Recita um poema para seus pais. Depois, informa que usa uma prótese no olho direito.
“Esse aqui não vê mais nem mulher bonita”.
“Uma poesia sem rima, não é poesia”, reclama Luciano.
“Raul Seixas se fazia de besta, mas sabia de tudo”, completa Jade.
Ficamos em silêncio. A mulher que vende água mineral segue gritando “olha a água, água mineral é um real”.
“A poesia deveria ter mais valor. Um professor deveria ganhar mais que um Ronaldinho Gaúcho”, diz Luciano.
Se é para não ter rumo mesmo na conversa, cito a estátua de Antônio Maria, que adoro, os dois não conhecem. Falo que ele é compositor, autor da famosa ”Ninguém me ama”, uma fossa dos diabos. Jade começa a cantar, com uma voz afinada, melodiosa.
“…de fracasso em fracasso
A velhice chegando
E eu chegando ao fim”.
Canta com esmero, do início ao fim, sem errar uma sílaba. Termina, batemos palma. Ele começa a cantar outra:
“Hoje amanheci lembrando do amor que eu te dei…”
Resolvemos seguir em direção à Conde da Boa Vista. Jade segue cantarolando melodioso, o dia fica imensamente bonito, azul, a manhã da segunda-feira muda completamente o sentido. Um vagabundo literário, um motorista e um pedreiro, fora o pouso rápido de um poeta e professor. Assim, o dia fica mais fácil.
Chegamos à ponte, há uma dificuldade natural na separação. Nos abraçamos com afeto. Jade me olha com apenas um dos olhos enxergando e me diz:
“Você é uma pessoa, viu?”
São 10h33. O advogado deve estar em alguma audiência, fica para outro dia. Resolvo passar na estátua de Antônio Maria, na Rua do Bom Jesus, para um aceno breve. No caminho, passo pela estátua de Joaquim Cardoso. A cidade está cheia de poetas, vivos e mortos.
Postado em Crônicas |





15 de agosto de 2008, às 13:27h
“Eu faço minha tarefa mais essencial: escutar”.
“Quem me dera um pouco de poesia, esta manhã, de simplicidade, ao menos para descrever a velhinha do Westfália! É uma velhinha dos seus setenta anos, que chega todos os dias ao Westfália (dez e meia, onze horas), e tudo daquele momento em diante começa a girar em torno dela. Tudo é para ela.” (Antônio Maria - Uma velhinha)
15 de agosto de 2008, às 15:05h
Samarone….diante de tanta beleza só me resta uma tirada do Quintana:
“Nossa loucura é a mais sensata das emoções; tudo o que fazemos deixamos como exemplo para os que sonham um dia serem assim como nós: loucos…. mas felizes” (Mário Quintana)
grande beijo!
Yvette Teixeira
15 de agosto de 2008, às 15:09h
massa shamam, gostei da crônica de hoje ! queria ter uma nova TODO DIA ! Os anônimos têm muito a dizer. saem com cada uma… lembrei de uma frase, acho que é de Branxu: “os sábios aprendem até com um imbecil. Um imbecil não aprende nem com um sábio!” abraço Jorge Bandeira
15 de agosto de 2008, às 16:27h
Esse povo de Tabira é nota 10.
15 de agosto de 2008, às 16:44h
Samarone, eu quero te mandar um livro de presente. Manda teu endereço pro meu e-mail ?
Um abraço saudoso de não te conhecer mais perto.
15 de agosto de 2008, às 17:31h
Stella, mandei o endereço para o teu blog. Diga se recebeu. Obrigado pela gentileza.
Axé,
Samarone
15 de agosto de 2008, às 21:40h
pq eu sempre tenho a impressão de q os dias em Recife SÃO mais fáceis?
15 de agosto de 2008, às 23:23h
Grande “Sama” ,
Sempre a ‘ponto de bala’ conseguindo retratar as pessoas que se encontra no caminho e mostra o quão a vida é simples!
Abraços meu amigo !!!!
15 de agosto de 2008, às 23:38h
que doidice, que loucura,
casas com portas escuras,
dias com noites claras,
estradas sem pau-de-arara,
cidade sem gente na rua,
que doidice, que loucura.
16 de agosto de 2008, às 19:06h
Apenas para dizer que a crônica foi perfeita.
Abraço!
16 de agosto de 2008, às 22:45h
para alguns homens, todos os passeios se tornam socraticos…..
vamos vamos caminhar…
17 de agosto de 2008, às 0:34h
Eu mesmo acho a poesia uma das coisas mais INUTEIS QUE existem. Como disse o grande cientista Paul Dirac: Em ciencia voce quer descrever algo dificil de uma forma que todos entendam. Em poesia, voce quer falar algo que todo mundo ja sabe de uma forma que ninguem entende. VAO TE CATAR BANDO DE POETAS INUTEIS A SOCIEDADE. BANDO DE PARASITAS. Parasitas mesmo. Poeta nao cura doenca, nao produz comida, nao produz tecnologia, eh uma masturbacao mental infinita. Nojentos.
17 de agosto de 2008, às 14:22h
Pois o homem não vive so de necessidades. Aliás,segundo Marx, o processo de humanização vai se acentuando a medida em que o homem é movido não apenas pelo reino da necessidade, mas sim pelo reino da liberdade.
Infelizmente, tem gente vivendo da mão à boca (ainda).
Otima cronica, Samarone!
17 de agosto de 2008, às 23:32h
Samarone, nesse novo formato ficou tao dificil ver artigos antigos. No formato anterior do blog a gente facilmente navegava os artigos de anos atras. Agora tem que ir mes a mes pra traz…. horrivel e impraticavel!!
18 de agosto de 2008, às 9:28h
Sama, vamos ver se esse tal de Hernandez se toca um pouco com um Manoel de Barros. bj
O poema é antes de tudo um inutensílio.
Hora de iniciar algum
convém se vestir de roupa de trapo.
Há quem se jogue debaixo de carro
nos primeiros instantes.
Faz bem uma janela aberta.
Uma veia aberta.
Pra mim é uma coisa que serve de nada o poema
Enquanto vida houver
Ninguém é pai de um poema sem morrer
Manoel de Barros
18 de agosto de 2008, às 11:23h
Mário Lúcio, para ver os textos anteriores, tens as seguintes opções (segundo meu assessor para assuntos estuarianos):
1. Pela barra de pesquisa (basta digitar palavras chaves do artigo);
2. Pelo calendário (basta colocar o cursor em cima das datas que aparecerá o nome do artigo publicado naquele dia);
3. Pela pesquisa por mês (basta selecionar o mês diretamente no menu suspenso de arquivo), para facilitar ainda mais a pesquisa.
Atenciosamente,
Samarone Lima
18 de agosto de 2008, às 12:22h
O que poderia ser mais nonsense e no entanto fazer tanto sentido?
Que dose maravilhosa de lirismo!
Um bafejo doce de saber profundo, e que vem fácil e nos toma.
Lindo Sama, lindo!
18 de agosto de 2008, às 14:23h
Só por conta da tua crÕnica, fui reler João Cabral de Melo Neto. E pôxa… O Jade me desculpe, mas eu amo… Gosto desta imagem do Capibaribe como um cão pasmado, estagnado no chão, com a língua de fora, úmida. E o ventre triste. E os olhos sujos… Um cão-rio que nada sabe da água do copo… mas da água negra, que não serve aos peixes. Mas, João Cabral à parte, é bom ouvir outros poetas, como Luciano: “Um cão sem plumas é como um cachorro sem penas”. Isso é lindo!!!
18 de agosto de 2008, às 14:53h
Freyre já dizia que Recife é um cidade de poetas. É tanto, que eles se esbarram nas esquinas nos dias de sol (que dizer dos dias de chuva?).
Quanto ao Hernandes, me espanta tanta raiva com os poetas, cá pra nós, um “bando” inofensível. Poesia é necessidade, meu caro, e não é da sociedade, é da alma. Pra alma, não existe Ghram Bell, nem Ford, nem Bill Gates - esses que avançaram tanto essas tecnologias tão indispensáveis (?). Existe, sim, a pequenez, a frustração, o amor, a saudade. Os dias que passam sem deixar rastro, os instantes que passam inesquecíveis. Para isso, a poesia é remédio, tecnologia, alimento, masturbação e gozo. E poeta não é escolha nem parasitismo, é coisa muito maior - é sina
O poeta é o parasita de si mesmo. Não precisa você se zangar tanto. De forma geral, eles não vão te morder, a menos que você os leia.
18 de agosto de 2008, às 15:31h
Adorei o que Felipe Oliveira falou.
“O poeta é o parasita de si mesmo”
Também não achei o “chão” para tanto rancor com os poetas e suas poesias.
18 de agosto de 2008, às 15:56h
A poesia (ou os seus poetas) tem esse poder: reunir pessoas para discutir algo bom!
18 de agosto de 2008, às 22:45h
A diferenca entre eu e voces, apostolas de poetas, eh que eu nao uso a poesia, mas voces usam a minha tecnologia. Saiam da internet, abandonem seus carros, desliguem sua eletricidade, vivam a luz de vela!! Quero ver. Vivam sem penicilina. Mas eu digo, eu vivo muito bem sem Poesia. Poeta eh um PARASITA sim. E nao falo com rancor nao, eu sou contundente e pragmatico, so isso. Que conversa que poesia eh remedio. A maioria dos poetas eh tudo gente deprimida que olha pro chao. A lua eh uma coisa linda, o homo-sapiens sabe disso ha 15.000 anos!!!!! Que porra que eu preciso de um cidadao poeta que acorda as 7 da noite pois dormiu o dia todo deprimido, acorda, coca o ovo esquerdo, olha pra lua e diz: A lua eh um veu de prata, linda! Como diria galvao bueno, isso eu ja sabia, ha 15.000 anos.
18 de agosto de 2008, às 23:35h
Ô, Sama, gosto tanto da sua crônica… Que texto delicioso!
Xêro no coração,
Karyna
19 de agosto de 2008, às 0:44h
O altamente democratico hernandes “com letra minuscula” citou o poeta global galvão.. eu vou de Raul Seixas que viveu a 10.000 anos atras(caçula) e acreditava em disco voador… uma opção, há quem goste da ciencia. ciencia é legal, ciencia produz “conhecimento” principalmente com relação ao homem apos fragmenta-lo e dissolve-lo em sua linearidade, penicilinidades e bombas atomicas! muy grato ermanos cientistas, e olhe que no senso comum encontramos um chá de cidreira que faz um bem, traz um calma, e ai meu irmão é so produzir versos, e sem observação consensual.
A poesia é o remedio da alma, dos corpos castigados no cotidiano, das enfermidades estressantes de uma globalização coisificada, tecnocrata e cientificista… A ciencia é remedio, mas não cura todos os males, é uma faca de dois gumes, ela produz a elucidação mas traz consigo uma cegueira surpreendente…
existem diferentes formas de se chegar ao gozo psiquico, cada um em sua vaidade, ate por que sentido não se divide!!!
AOS positivistas um grande abraço, o homeme é sapiens.. não so sapiens, deliramos e devagamos em racionalizações alucinatorias, somos sapiens-demens, e é no demens que prefiro transitar produzindo coisas minimas, banais, desnecessarias, porem abertas ao outro, e grandiosamente saudavel aos que nela se permitem caminhar!!!!
o homem maquina enferrujou-se, o homem se faz humano e leva consigo suas diferentes dimensões, e concerteza em uma dessas a poesia tem seu lugar garantido, onde fantasmas existem e o ceu não é o limite…
vamos juntos poetas e poetisas…. bjus queijos e vinhos…
19 de agosto de 2008, às 9:02h
“….mas vocês usam minha tecnologia”. Quer dizer que ciência e arte não podem andar juntas? Que me diz disso então: eu sou Analista de Sistemas e dançarina, meu amado é físico (professor na universidade federal) e cenógrafo. Ciência não significa pessoas insensíveis.
19 de agosto de 2008, às 14:53h
Lindo texto Samarone. Parabéns!!!!!Estou sempre frequentando o seu blog.Quero comprar um dos seus livros. Mandei e-mail. Aguardo notícias. Um abraço. Ana de Fátima
19 de agosto de 2008, às 15:51h
Sama, que palhaçada aquela que aconteceu dia 6 no julgamento. Indignação total. Como não podemos postar lá, postaremos aqui. Lamento a falta de conteúdo mais digno no Blog do Santinha.
19 de agosto de 2008, às 18:17h
“SAMARONE” ,
Você é um HOMEM DE HONRA!
19 de agosto de 2008, às 19:11h
Babão de Zé Neves…
19 de agosto de 2008, às 20:41h
Pois é, pra que a poesia?
Pra quê?
Vivemos em um mundo útil
Daí surgir o descartável
Para lembrar quando não se é mais
Daí também surgirem os excluídos
Os esquecidos
Os avessos de um mundo lógico demais
Ah, derradeira sombra do meu dia
Quanta verdade tu deixas passar Quando a noite chega
E há quem não te entenda
Ou quem fechou os olhos com medo de ti
Tristes demais
Lógicos demais
Óbvios demais
Quem sabe o ‘por que’ respondesse mais?
Ou talvez o ‘como’?
Sim, a lua é linda, eu sei
Sim
Eu sinto.
Abraços!
E fiquem com Deus, Ele também é O grande poeta…quem mais pensaria em colocar asas em pássaros e diferenças em gentes?
Magna
19 de agosto de 2008, às 21:08h
Samaroso, essa inaugura qualquer antologia do século XXI…
Maravilha, hermanito!
20 de agosto de 2008, às 9:16h
Seres humanos, nunca pensei que falar de poetas fosse dar tanto rebu.
Distraídos Venceremos (Paulo Leminsky)
20 de agosto de 2008, às 12:15h
Oi, Sama
Você é o cão.
Não quero saber se tem plumas ou não. Só sei que você é o cão.
Beijo
Naire
20 de agosto de 2008, às 13:25h
eu adorei tudo isso. rsrsrs
20 de agosto de 2008, às 21:00h
Samarone, por favor, dê-me licença pra fazer um comentário… Que descoberta acabei de fazer! Estava lá no Blog do Santinha quando um link acabou me trazendo até aqui. Rapaz, fiquei encantada com seu jeito de escrever, por um momento senti como se eu estivesse lá na margem “ocidental do Capibaribe”, com você, a mulher da água e os demais poetas (incluindo a estátua de João Cabral de Melo Neto). Impressionante como vocês poetas conseguem escrever assim, de uma maneira tão mágica e envolvente. Aqui, no meu trabalho em frente ao computador, consegui, não sei como, ver todas as cenas… o encontro, os diálogos, a entonação, as roupas, o bloquinho de anotações, a indignação, o rio, a despedida…
“Viajo” muito em meus pensamentos, mas a última vez que viajei de maneira tão encantadora assim, já faz um tempinho. Isso acontecia comigo quando eu era criança e minha mãe contava histórias para eu dormir. Sei que é meio estranho, mas foi justamente dessa fase da minha vida, (a infância), que eu lembrei assim que acabei de ler essa história. Consegui reviver uma sensação muito boa, e que há muito eu não sentia, e isso foi muito bom!
Obrigada, Samarone.
20 de agosto de 2008, às 23:38h
eita que o encontro foi bom. às vezes me irrita escutar certos comentários ignorantes sobre poesia, mas abri minha mente para entender q nem todo mundo curte a mesma coisa do mesmo jeito, ne?
nem todo mundo tem paciência e carinho q nem tu, sama.
20 de agosto de 2008, às 23:59h
eu quero vomitar poesia
no ouvido da tecnologia
eu quero gritar poemas
nas orelhas da ciência
eu quero mastigar palavras
nos seios da minha amada
eu quero abraçar a métrica
na soma da matemática.
21 de agosto de 2008, às 16:07h
Sama… recebesse o e-mail sobre o filme “vida maria” e o cd de poema?
28 de agosto de 2008, às 11:04h
Sama,
Bela manhã esta. Pena que, no fim, o cara te confundiu com uma pessoa.