Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Diálogos, email e um pedido

27 de agosto de 2008, às 14:14h por Samarone Lima

Um amigo das antigas, apesar de ser novo, disse que prefere os comentários no meu Estuário que minhas crônicas, coisa que concordo imensamente. Muitas vezes, o que os leitores dizem se aproveita mais que minhas potocas. Aproveito para dizer aos meus abnegados leitores, que fico em festa quando recebo alguns comentários, fora os que mandam direto para meu email.

Não sei o fenômeno da natureza que vem se processando, talvez a possível eleição do Obama, o desaquecimento global (pelo menos no Cabo de Santo Agostinho está fazendo bem mais frio), as derrotas do Santa Cruz, mas o fato é que minhas duas últimas croniquetas renderam 54 mensagens, que considero como pequenas cartas. Levando em conta que não estou fazendo análises dos governos, muito menos comentando as campanhas absolutamente aguadas dos que querem ser prefeito do Recife, acho muita gente, e fico feliz.

Ah, como é bom saber que alguém leu algo que escrevi, que gostou, ou riu, ou sentiu algum contentamento, ou achou o fim da picada. Dá vontade de escrever uma crônica todo dia.

O motivo é simples: as mensagens dos leitores equilibra um pouco minha caixa de email.

Amigos, tem dia que recebo uma quantidade enorme de email, e a julgar pelo que me mandam, devo ser mesmo um pouco maluco ou esquizofrênico. Hoje mesmo, me mandaram prestar muita atenção na lua de 27 de agosto, porque vão surgir duas luas no céu, e acho isso um exagero. Por via das dúvidas, olharei atentamente para o céu, logo mais, aproveitando que as novelas estão uma droga.

Também me convidam para uma palestra sobre a Bolívia e Paraguai. Apesar da minha simpatia pelos vizinhos, ando arredio a palestras de análise de conjuntura, porque ninguém dá uma bola dentro.

Sou informado que haverá uma oficina sobre o uso do Benzeno em Pernambuco, acho importantíssimo discutir a utilização deste líquido incolor, volátil, usado como solvente e matéria-prima de vários outros produtos compostos, segundo o mini-Aurélio, mas infelizmente, terei um compromisso no mesmo dia, estou a poucas páginas do final de Dom Quixote, haverá choque de interesses, foi mal Gildázio, todo o apoio à iniciativa.

Vem um convite para discutir a vivência lésbica, agradeço o convite, a programação é ótima, mas estou morando no Cabo, daqui para Olinda serão dois ônibus, tenho que terminar uma matéria longa para a Continente Multicultural e penso nas duas cartas que pretendo terminar, para amigos distantes. Minhas leitoras lésbicas haverão de se fazer presentes.

Me mandam um discurso proferido “pelo Dr Fidel Castro Ruiz, presidente da República de Cuba, durante…” – mas depois de ter passado um mês em Cuba, entre dezembro e janeiro, fiquei meio invocado com o comandante e os desdobramentos da Revolução. Além do mais, o email está com erros, porque ele já está aposentado, fica agora só escrevendo para o Granma, dando palpite em tudo. A última foi dizer que a “máfia da arbitragem” prejudicou Cuba durante as Olimpíadas, que levou somente duas medalhas de ouro. Uai, se justamente os comunistas da China roubaram a turma de Cuba, eu não entendo mais nada, deve estar havendo algum conflito ideológico. Fica o registro.

Me convidam para um seminário sobre os Orixás na Bahia, é o mais interessante, mas não mandaram as passagens, fica para a próxima.

Da série “artigos reenviados”, me mandam algo intitulado “Mulher que bebe e tira a roupa”, calculo que deve ser de Xico Sá e… bingo! Texto de Xico Sá. Quem não conhece uma mulher que bebe e quer tirar a roupa? O maldito Icasa de Xico arrasou com Meu Santa Cruz, e fico no veneno, só vou ler o artigo depois, em sinal de protesto.

Como o Pernambucano é um obsessivo, me mandam um projeto de lei que decreta o dia 3 de maio como “Dia Estadual do Torcedor do Santa Cruz”. Fico feliz, porque é o dia do meu aniversário, mas é bom apressarem a votação na Assembléia, porque estão realmente decididos a acabar com meu clube de coração, agora que vamos disputar a Série D do Campeonato Brasileiro.

Por último, vai um pedido. Busco um leitor (ou leitora, questão de gênero) que tope trabalhar na edição do volume 2 de Estuário. A tarefa é simples: ler minhas crônicas todas de 2007 e 2008, separar as menos ruins e ajudar na edição. Favor mandar email ou sinal de fumaça aqui no Estuário. 

Como o volume 1 esgotou, acho melhor não reditar e fazer algo novo. Não tenho paciência para a tarefa, sempre escolho as piores, e só consegui fazer o primeiro volume porque me concentrei muito e não tinha tantos textos publicados. Depois do livro pronto, achei que algumas razoáveis ficaram de fora, e há péssimas crônicas publicadas. Quanto à edição, até hoje agradeço ao pessoal do Ateliê, que fez um belo trabalho.

Peço aos meus caros amigos e pingados leitores que nunca me mandem textos do Arnaldo Jabour, que acho o cara mais chato do Brasil, depois do Galvão Bueno e do Dom José Cardoso, que me perdoem os católicos  pernambucanos. O cara (o Arnaldo) é chato pacas e escreve coisas boçais, pretensiosas e que nunca me interessam. Melhor reler dez vezes o magistral “Sempre aos Domingos”, do Renato Carneiro Campos, numa belíssima edição da Bagaço.

Pela graça divina, soube há pouco que meu amigo Inácio França vai inaugurar seu blog ainda este mês. É muito melhor para a vista e para a cuca.

Hoje é um daqueles clássicos dias em que estou sem assunto. Iria escrever sobre o Recife aos domingos, mas no meio da semana, é de lascar. Fica para o domingo mesmo, o próximo.

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