Pequenas alegrias
Samarone Lima
Outro dia, escrevi neste pequeno espaço uma crônica sobre meus dois bares de estimação: Vital, no Poço da Panela, e o Princesa Izabel, aqui no centro. Alguns camaradas deixaram suas bem traçadas linhas, e segui minha vida, entre viagens, oficinas, palestras etc.
Uns três dias depois, estava a caminho do Princesa Isabel, encontreio Roberto, dono do supermercado que fica defronte. O camarada me estendeu a mão, sorridente.
“Parabéns pelo texto”.
Como assim, por exemplo? Que texto?
Antes que eu perguntasse, ele me informou.
“O Geyson, da Compesa, viu o teu texto sobre o bar, na Internet, imprimiu, e já está lá”.
Meu Deus, o mundo está de cabeça para baixo mesmo.
Cheguei lá, Seu Azevedo estava com um sorrisão, mas não falou nada. Eu também me mantive omisso, como se nada tivesse acontecido. Sentei na mesinha azul, pedi minha cerveja e esperei o desenrolar dos fatos.
Seu Azevedo trouxe a gelada, passou o pano na mesa, me serviu e ficou em silêncio. Depois completou:
“Eu já li, viu?”
Me fiz de sonso, perguntei do que se tratava, ele foi até o balcão. Trouxe duas páginas plastificadas, com a minha crônica - “Um bar para chamar de seu”.
Olhei atentamente. Era minha crônica. Ele me explicou que um dos clientes, o Geyson, que trabalha na Compesa, descobriu o texto e imprimiu.
“Todo mundo já leu”.
Tomei uma boa golada.
“Vou botar na parede”, disse, apontando o lugar. É ao lado de um poema do Alberto Cunha Melo sobre o bar.
Depois, Seu Azevedo voltou para a lida diária, foi encomendar meu peixe ao côco, o melhor prato do bar. O texto ficou circulando com uma turma, que bebia ao balcão. Fiquei com a orelha ardendo. Sempre sinto isso, quando alguém lê algo meu na minha frente.
Pouco depois, um camarada veio falar comigo. Me deu a mão, disse que estava muito bom, que tinha gostado muito. Ainda estava usando a camisa do Santa Cruz.
São as pequenas alegrias de quem escreve. Saber que um dono de boteco, um homem simples e bom como Seu Azevedo, leu um texto, mandou plastificar, e mostra aos clientes.
Semana que vem, levarei o velho Davi para uma seresta noturna.
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26 de setembro de 2008, às 10:10h
Samarone, a verdade é que este blog torna-se um vício nas vidas das pessoas que como você buscam a alegria de viver em tudo que fazem. Se não for assim, a vida não tem graça.
Teus textos retratam bem o cotidiano, através de lentes sensíveis. Parabéns!!!!Vc merece. Beijos Ana
26 de setembro de 2008, às 14:13h
Eu vou nesse bar. Depois de tomar umas, vou pindurar na tua conta…
26 de setembro de 2008, às 14:16h
O orgulho de ser dono do bar deve ter tomado conta Seu Azevedo.
Aliás, eu fiquei com um orgulho danado, imagine ele?
Quando li esse texto lembrei do filme “O fabuloso destino de Amelie Polain”, me acabo de chorar quando ela fica desesperada ao conseguir entregar a caixinha com as relíquias de infância de um senhor. Pois, são as pequenas alegrias que faziam dela um personagem tão lindo e intenso!
Parabéns Sama (nem sei se posso chamar assim, mas virtualmente, todo mundo fica íntimo mesmo),por mais um texto que toca alma do ser humano!
26 de setembro de 2008, às 15:19h
Peruca,
a cerveja na mesa azul foi de grátis? se foi, tá explicado. tu és parceiro do rapaz da compesa e tá de conchavo pra amolecer o coração do seu azevedo e angariar umas geladas e um peixe ao coco.
a casa caiu.
J.
26 de setembro de 2008, às 17:52h
Que bonitinho!
26 de setembro de 2008, às 22:43h
adoro isso aqui… putz…
26 de setembro de 2008, às 23:34h
E onde fica o Princesa Isabel?
27 de setembro de 2008, às 21:57h
E é porque você fala de coisas mínimas e desnecessárias, hein? Que doce alegria! Beijos! Magna
28 de setembro de 2008, às 12:07h
De volta ao Estuário…
Verdade,Samarone. Onde fica o tão famoso “Princesa Isabel” ?
Abraços
28 de setembro de 2008, às 15:13h
Amigo Afonso, o Princesa fica na Pricesa Isabel, naquele quarteirão do lado esquerdo, após o Parque 13 de Maio.
Bem, isso se você for recifense, né?
Sama
28 de setembro de 2008, às 17:05h
Sama, figurar na parede de um bar, ao lado de Alberto da Cunha Melo, vale mais do que qualquer diploma, ou qualquer fardão em qualquer academia. Diga aos seu Azevedo que providencie mais mesas no Princesa Isabel. Tenho a impressão de que a freguesia dele vai aumentar.
Abraço.
28 de setembro de 2008, às 17:09h
esta sua alegria, de repente, tornou-se minha também…tenho dito que a gente morre é de morte miúda. e vive de alegria pequena, posso dizer…
30 de setembro de 2008, às 14:13h
È sama a casa caiu mesmo. você com essa tua cara de leso anda escrevendo sobre os bares do Recife pra angariar algumas goladas grátis, conta a verdade.tomara que seu Vital do Poço da Panela não saiba que vc anda escrevendo sobre o bar/mercearia dele, porque COM CERTEZA o tiro vai sair pela culatra e ele vai é te cobrar por isso, ou você tem alguma dúvida? Ainda bem que ele não conhece essa tal de Internet…abraços Poçenses Jorge Bandeira
1 de outubro de 2008, às 11:03h
OI, SAMARONE!!!
O VELHO AZEVEDO FICOU REALMENTE MUITO ORGULHOSO COM A TUA MATÉRIA. AQUILO, COMO JÁ TE FALEI, É UM BAR-FAMÍLIA: AZEVEDO É “PAPAI”, DONA NICE É “MAMÃE” E ROBERTILHA(GOMES) É “VOVÓ”!!!(ANDA PROCURANDO NAMORADO) HE,HE,HE. VOCÊ NÃO TEM O MESMO TEMPO DE CONVÍVIO QUE O NOSSO NO PRINCESA, MAS, TEM A SENSIBILIDADE SIMPLES E CATIVANTE DE UM BOM ESPECTADOR.
ABRAÇO FRATERNO,
GEYSON MONTE
16 de outubro de 2008, às 15:03h
Pois é…e eu que nem conheço o bar do Sr. Vital, nem o Princesa. E estou te conhecendo agora. E gostei do que li, porque também gosto de observar a cidade em seu “minimalismo”, observar as pessoas…só não consigo escrever. Um abraço.