Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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O Fêmur (II) : uma semana entre hospitais e clínicas

18 de fevereiro de 2009, às 16:16h por Samarone Lima

Hoje ao meio dia entrei na UTI do Hospital São Salvador. Estava lá, dona Flocely, com seu olhar cansado, os muitos fios, máquinas. A luta pela vida tem momentos extremos. O médico avisou que ela fará hemodiálise hoje à tarde, depois terá que usar uma sonda, porque não está comendo direito.

Tudo parece meio perdido, mas conheço bem a tia, uma sertaneja raçuda, que já superou 15 dias com uma infecção urinária, há dois anos. Hoje chegamos ao oitavo dia.

Do meu pequeno caderno, colho algumas lembranças. O médico Antônio de Pádua, um senhor, no amplo sentido da palavra, um gentleman, o oposto dos “médicos-boy” que tenho encontrado nessas andanças com tia, nos últimos três ou quatro anos. Educado, calmo, gentil, explicou com cuidado como seria a cirurgia no fêmur, que iria fazer, mas que acabou sendo cancelada, e realizada em outro hospital.

No caminho, apareceu o Hospital São Salvador, em Olinda, onde ela está agora. Primeiro a enfermaria, depois a UTI. A médica Melissa de Carvalho, depois, a médica Mariza. Tia desceu para a UTI, e fui convidado a me retirar da enfermaria.

Horas na recepção, aguardando notícias. Então conheço os comparsas nessa luta pela vida. Uma mulher me conta que o marcapasso da mãe custou R$ 50 mil. Faltava o plano de saúde liberar, depois o plano liberou, passamos horas neste ambiente. Dois dias depois, sua mãe morreu.

Na TV, episódios do Big Brother Bial, que chega a ser patético, um processo contínuo de empobrecimento dos espíritos, na maior rede de TV do país.

Seguimos a jornada.  As visitas são feitas duas vezes por dia, de manhã e à noite. Como prêmio, ao final de cada visita, o médico informa a situação, o famoso boletim médico. Para entrar na UTI, é preciso limpar as mãos com gel e botar uma bata fininha. Sempre deixo Rosa ir na frente, porque Rosa acompanha tia há 18 anos e sofre muito com isso tudo. 

Um de cada vez. Os familiares fazem rodízio. Dra Jéssica, atenciosíssima, explica a situação. Vamos à luta.

Não sei em qual momento dessa jornada, uma reportagem informava que naquele dia estávamos entrando na Era de Aquário. Fica o registro. Espero que seja bom para o mundo, que gastem mais com pesquisas em saúde, com hospitais, formação de profissionais de saúde.

O ortopedista José Leal, que operou tia, merece aplausos. Foi tudo perfeito no seu trabalho, no dia seguinte ela não tinha mais dores. Explicou tudo, botou seus telefones num papel, disse que pretendia dar alta em 48 horas. Quem o acompanhou foi o técnico de ortopedia Washington Amaral, que explicou os detalhes de tudo. Às vezes, uma simples explicação serve para acalmar todo mundo.

Uma velhinha vai saindo do hospital numa maca. Levanta a cabeça, olha para os funcionários e diz, com seu sorriso cheio de bondade:

“Muito obrigada por tudo”.

As conversas na sala de espera giram em torno de nomes, mazelas, expectativas, reclamações. Ninguém falou sobre futebol ou Carnaval.

“José Fábio?”

“Sou eu”

“Alô? Alô? Estamos esperando a resposta do plano”.

“Quantos anos tem teu pai?”

“Setenta e dois”.

“Ele é arengueiro. Quando quer uma coisa…”

“Já estou aqui há 15 dias…”

A cada dia, novas informações, com a linguagem dos médicos.

“Está fazendo febre”;

“Vou fazer um antibiótico”.

Por aí vai.

Dra Maria Simeone também cuidou da tia. Deus a proteja. Que viva muitos anos. 

Há, claro, os médicos que atendem bem, mas com cara de enfado. Parecem não amar a profissão. Desses, prefiro não falar. Foram poucos, nesta jornada.

Já descobri onde vai ser o Carnaval 2009 – num hospital em Olinda.

Então me lembro do velho e bom Antônio Porchia:

“Às vezes estou num inferno e não me lamento. Não encontro do que me lamentar”.

Tia quase não está falando. Balbucia baixo, coisas inaudíveis. Queria saber o que ela tem pensado, nesses atribulados dias.

Agradecimentos especiais a Bebeth, com sua luz.

Postado em Crônicas | 14 Comentários »

14 Comentários

  1. Ana Braga Disse:

    Sama, estou no meu cantinho, pedindo a quem puder ajudar que dê forças a você, sua tia e todo mundo nessa peleja pela vida. Um abraço carinhoso!

  2. Fernanda Disse:

    Embora nem conheça sua tia, estou torcendo muito por sua recuperação. Diga a ela, tá?

    E vc, força, sei o quanto problemas de saúde desestabilizam o nosso espírito, mas tudo passa.

  3. Ana Andrade Lima Disse:

    “Quando houver contraste entre a tua alegria e um céu cinzento, ou entre a tua tristeza e um céu em festa, bendiz o desencontro que é sinal divino de que o mundo não começa nem acaba em ti” A frase é de D. Hélder. Ai, como eu sei o que é tudo isso. Nessas horas, sempre pensei no céu em festa pra me animar a seguir em frente. Beijos com carinho.
    Ana

  4. Ana de Fátima Disse:

    Samarone, desejo melhoras pra tia Flocely.Ela sempre aparece em suas histórias o que a torna já bem familiar.Deve ser uma gracinha, uma flor.Agora frágil pela idade, mas sua história de vida, de “fortaleza” pode trazer grandes e boas surpresas.
    Estamos rezando. Se Deus quiser vai ficar boa. um grande abraço.ana

  5. Cuiz Cuiz Disse:

    Meu irmao, voce eh um barbudo que nao vale o que pensa! Voce como secador eh uma tarentina. Voce como vidente eh uma mae dina! Gostei da sua cronica sobre o colo-colo. TE RESUME A TUA INSIGNIFICANCIA. Sport 2 x 0 colo colo so no primeiro tempo. ENQUANTO ISSO o time cuiz cuiz leva 2 do americano no primeiro tempo kkkkkkkkkkkk O TIME SANTA CUIZ CUIZ ACABOU!!! liso eh uma desgraca.

  6. stella cavalcanti Disse:

    samarone,meu carinho para você e dona flocely.

  7. naire Disse:

    Continuo torcendo pela tia. Você sabe que de força e coragem eu entendo. Gente como tia não entrega o jogo fácil. E dessa vez, o carnaval fica pra depois. Beijo

  8. Flávio Lira - Santacruzense Disse:

    Grande Sama, força camarada!!!
    Pensamento positivo de melhoras para sua tia.

    Saudações santacruzenses!!!

  9. Dora Disse:

    Estamos na torcida pela saúde de dona Flocely.
    abraços.

  10. Fernada, amiga de Ana Eliza Disse:

    Eis que venho aqui, depois de algum tempo sem me deliciar com o seu estuario, e encontro a tia com o femur quebrado…
    A (minha) vozinha tambem jah passou por isso… Ela sorria e fazia graca de nao poder tomar banho. Dizia que “soh depois de velha mesmo, para ficar pelada na frente dos homens e nao sentir vergonha…”. Ela tambem eh devota, como todo vozinha costuma ser. Em uma das noites na enfermaria de um hospital universitario em Salvador-BA, ela me pede para rezar com ela. Um detalhe: a vozinha ficou cega, jah nao via mais o brilho dos meus olhos… Nem pensei em engana-la, nao achei besteira atender ao pedido dela. Que mais eu poderia fazer, meu Deus?! Ajoelhei e segurei a mao dela. Ela rezou, repetindo a reza depressa, como sempre. Terminamos e disse: “vo, tem que rezar mais devagar…”. Ela: “pra que, minina,?! Sempre rezei assim e Deus me escuta…”. Rezo pela vozinha, que teve um AVC recentemente e jah nao lembra mais das coisas como antes… Rezo pela tia que nao conheco… Rezo por voce, do fundo do coracao…

  11. Fernanda, amiga de Ana Eliza Disse:

    Ooops… Ateh digitei o meu nome errado! Jah basta a falta de acentos e diacriticos! Ignorancia digital – laptop dos EUA, nao sei como configurar para preservar os detalhes da minha lingua… Tenho escrito assim, usando um pouco do internetes na falta de um acento agudo!

  12. GEYSON MONTE Disse:

    OI NOBRE SAMA,

    VOCÊ É UM CARA FORTE!!! FÉ NO SUPREMO E NADA MAIS!!!
    ESTAVA OUVINDO UMA MÚSICA DO “REI ROBERTO CARLOS” NA QUAL ELE FALA DA TITIA AMÉLIA, E LEMBREI DE SUA MATÉRIA. VC A CONHECE TÃO BEM QUE SABE QUE ELA VAI TIRAR DE LETRA.

    ABRAÇÃO FRATERNO E BEIJÃO NA TITIA,
    GEYSON MONTE

  13. Shutterfly offers Disse:

    http://heliosgreenrealty.com/living-green/

  14. Brookstone discount Disse:

    Oh, I love the thrift stores. The Goodwill here seems to be a bit pricier but there are many smaller thrift stores around where you can pick up some really good pieces for a steal. Almost all of my glassware comes from the thrift store and I rarely pay more than $3 for a piece.

Conversinhas

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