Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Problemas no reinado

9 de fevereiro de 2009, às 16:19h por Samarone Lima

A Troça Carnavalesca Mista “Os Barba”, a mais desorganizada de Pernambuco, passa por um problema grave – o novo rei, eleito há pouco mais de quinze dias, amarga a internação no Hospital Agamenom. Uma fisgada no coração, uma troca de aceleração, e o velho Iramarai entrou de molho.

A celeuma está infernal. Amanhã, o futuro rei vai fazer uma ressonância magnética ou algo do tipo, mas o médico já deu a sentença:

“Carnaval nem pensar”.

Visitei meu amigo há pouco. Ele encheu o saco com “O amor nos tempos do cólera”, e vou ter que providenciar os livros de Leonardo Boff, que ele adora.

Maraí acha que não vai ter problemas para assumir o reinado.

“A gente bota uma web cam aqui no hospital, e um telão na frente de Seu Vital, e assumo o reinado”.

Há muitas controvérsias. Uma reunião urgente do conselho dos reis barbas vai definir o assunto. Por fora, corre a boca miúda a possibilidade de empossarmos o vice-rei, Guga Mota, que obteve 18 votos na votação festiva em Vital.

Luís Diazepan, atual rei, andou abrindo a plumagem, insinuando que poderia dobrar o mandato, mas foi amplamente rechaçado.

É só o que se fala no reinado. O próximo rei. O risco de Maraí ser liberado amanhã e tentar ser empossado, é que ele se emociona muito com as coisas. Já pensaram um piripaque em pleno Carnaval?

Tem coisa que é emocionante, mas é triste.

Aguardemos as batidas do coração e o andar da carruagem.

Nota da Troça

Amanhã (quarta-feira), a partir das 18h22, será aberto o varal com as novas camisas da troça mais desorganizada de Pernambuco. A venda será destinada ao pagamento da orquestra e outras lorotas. Dizem que as camisas deste ano ficaram lindas, graças à contribuição de vários artistas plásticos. Não fui informado sobre o preço.

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Angina Pectoris, ou Poliesculhambose

4 de fevereiro de 2009, às 13:00h por Samarone Lima

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Recebi o telefonema avisando que Iramarai estava internado no hospital Agamenom Magalhães. Já passei milhões de vezes defronte ao Agamenom, que é caminho para o Poço da Panela, e perguntei onde ficava o Agamenom. Freud explica – ou Emília explica.

Dores no peito. Isso não me cheira bem. O velho malandro caiu do cavalo, justamente no dia em que o Santa Cruz completa 95 anos. Não me venha estragar a festa.

Chego ao hospital. Para minha surpresa, nada do caos que sempre anunciam. O malandro sentado numa cadeira, ao lado dos filhos e simpatizantes em geral. Colho informações com o clâ Andrade Lima: Bebeth e Tânya. Dr Cyro faltou, não sei o motivo, deve ser o templo que está concluindo.

Teve dores no peito, os lábios ficaram dormentes, formigamento no pescoço, em direção à boca. Angina Pectoris, avaliou a junta médica dos Andrade Lima.

Desconfiadíssimo, Maraí parecia um menino que levou uma queda da bicicleta, na hora do recreio. Subiu para o segundo andar numa cadeira de rodas.

Tânya me falou de uma coisa médica que eu não sabia: poliesculhambose.

Macacos me mordam, isso é maravilhoso – o sujeito não tem um problema só, é uma poliesculhambose. Conheço tanta gente que tem isso, eu mesmo, por exemplo.

Subimos, o Agamenom é todo organizado limpo, quinze minutos antes chegou uma mulher já na beira da cova, fizeram um cateter, umas emergências, ela foi salva. Disseram que num hospital privado, demoraria umas quatro horas para o plano de saúde liberar o exame, a mulher hoje seria apenas lembrança. Aviso aos meus 17 leitores: se tiver dor no peito e formigamento nos lábios, vá direto para o Agamenom, que a turma lá é fora de série. Todo limpo, organizado e a turma é simpática pacas.

Botam fios pra chuchu em Marai, ele está meio com aquela cara de cachorro que caiu da mudança, e não sabe sequer o bairro. Damos uma força, mas nossa turma é meio divertida. Gostamos de brincar com a morte. Peço a ele para não fazer a desfeita de ficar muito ruim à noite, porque tem a festa do Santa Cruz. Além disso, temos umas três longas caminhadas para este semestre, depois daquela aventura até a Pedra do Reino, em São José do Belmonte.

À noitinha, é hora de ir embora. Ele pede um livro. Puxo da minha bolsa “O longo adeus”, de Raymond Chandler, mas a avaliação geral é que o livro não é o mais adequado para o momento. Eu e minha coleção de gafes. A filha chega com o bucólico “O amor nos tempos do cólera”, do Garcia Márquez.

Bebeth estranha que ele não tenha feito sudorese, eu não entendo nada, mas fica por isso mesmo.

Descemos. Faço uma cara bem triste, para assustar Carmem, sua esposa, que espera com a irmã. Tiro os óculos, para me fazer que estou chorando, vou pensando num soluço.

Não deu muito certo. Carmem estava ao celular.

O celular é um aparalho inoportuno, que vive atrapalhando as emoções.

Discordo totalmente da junta médica. Angina Pectoris nasda, Marai está mesmo é com poliesculhambose crônica.

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