Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima


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Coisas de pernambucano

30 de abril de 2009, às 12:42h por Samarone Lima

O pernambucano tem uns vícios que vou dizer. Ontem, voltando de Olinda, tinha um grupo de frevo se apresentando para uns turistas, no meio da rua. Eram 18h25, em plenos Quatro Cantos. O motorista da Kombi que nos trazia ficou parado, perplexo, sem querer ir embora nunca mais. O verme do frevo. Se deixassem, ele estacionava a Kombi ali mesmo, e cairia no passo.

Palavras, por aqui, mudam de sentido a cada conversa. Algumas já entraram no falar oficial, que é o popular.

Na pelada dominical, um chute mal dado, um passe ruim, e o grito, do lado de fora:

“Isso é uma miséria!”

Um comentário sobre algum infeliz, de quem não se gosta, tem uma resposta:

“Aquilo é uma miséria!”

Esses políticos que andam fazendo turismo às custas dos contribuintes, vão ganhar comentários do tipo:

“E os miserável ainda viajam de graça…”

Assim mesmo, no singular mesmo, que é uma forma de incluir todos e um.

Qualquer balbúrdia no trânsito, uma barbeiragem qualquer, e o taxista comenta logo:

“Um miserável desse diz que sabe dirigir”.

Em alguns momentos, “miséria” é trocado por “infeliz”.

“Aquilo é um infeliz”.

Em bom pernambuquês, a pessoa está chamando a outra de miserável.

Infeliz serve para todas as ocasiões.

“O infeliz do lateral não acertou um cruzamento”.

O cara pode nem ser infeliz, mas vira infeliz.

“Aquele nosso chefe é um infeliz”.

Outras variações:

“Fiquei numa fila infeliz”.

Triste também se usa muito.

“Isso é um triste”.

“Comi tanto que fiquei triste”.

Agora tem uma boa, que o Magro Valadares adora contar.

Depois de muita expectativa, minha namorada foi mostrar uma foto minha à família. Todos se aproximaram do computador, aquela expectativa, quem seria o felizardo. Informo que não sou nenhum AL Pacino.

Ela abriu lentamente o arquivo de fotos, e a imagem demorou um pouco a aparecer.

Ao ver a imagem, todos da família ficaram num silêncio devastador.

A irmã mais velha levou instintivamente a mão ao queixo e suspirou:

“Misericórdia…”

Ainda bem que não me chamou de infeliz.

Da minha coleção de frases: “Eu tive vários pequineses”.

(De um amigo de trabalho)

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Lembrando meus livros

25 de abril de 2009, às 16:53h por Samarone Lima

Cheguei ao Recife em 1987, com uma caixa de livros pequena e uma mala. Em 1994, quando fui morar em São Paulo, já eram várias caixas, algumas foram pela transportadora. Depois de seis anos em São Paulo, cutucando sebos, aproveitando ofertas, viajando pelo mundo, especialmente a América Latina, cheguei ao sonho de ter minha biblioteca. Sonho não, ela era bem real e com várias estantes de ferro.

Uma vez, na Santa Cecília, eu e Gustavo fizemos a mudança numa carroça velha, puxada por burro ou cavalo velho, não sei direito. Era tanto livro, que num cruzamento, uma caixa rasgou, meus romancistas e poetas ficaram esparramados na via, atrapalhando o trânsito. Adorei aquilo, interromper o trânsito com literatura.

Quando fui voltar de São Paulo para o Recife, em 2.000, já tinham se passado 13 anos desde que eu chegara ao Recife, com a pequena caixa. Gustavo foi o encarregado de encaixotar tudo, porque vim antes, trabalhar como professor na Católica. Até hoje agradeço ao meu amigo, porque foi um trabalho gigantesco, eu já tinha uma acervo gigantesco.

Os caras da mudança, acostumados a levar sofás, geladeiras, estantes, praguejaram muito com o peso das caixas. Um deles, já cheio das bicadas, ralhou:

“Não sei pra que esse desgraçado lê tanto”.

Eu também não sei, meu amigo, é um vício.

Os livros chegaram intactos, porque sempre dei sorte com eles. Tenho um faro formidável para autores que não conhecia, e me orgulho de ter descoberto os argentinos e uruguaios no final dos anos 1990. Falo de Onetti, o grande Onetti, que leio saboreando cada linha, fora o Mário Benedetti, sem falar no Guelman, meu Deus, essa imensidão de poeta. No Uruguai e Argentina estão minhas fontes literárias mais primárias, fruto das identificações. Não vou citar os nomes, porque daria outra postagem.

Fora isso, meus livros nunca passaram por hecatombes. Chuvas, goteiras, cupins, bichos diversos. O santo protetor dos livros, que não sei o nome ainda, mas vou batizá-lo de São Gutemberg, põe a mão em cima, e fica tudo certo. Deve ser uma tragédia a pessoa passar por uma enchente, um incêndio, perder sua biblioteca, ver as páginas coladas, mudas, para nunca mais.

Nem sei mais quantos livros tenho. Meu Pib é todo relacionado com papel. O que me falta em casa, carro, bens, luxos os mais diversos, me sobra em livros. Às vezes me pego em devaneios, e fico olhando para eles, comprados em várias datas, com meus riscos, anotações, vejo que fizeram uma caminhada comigo. Pesam muito nas mudanças, mas como são leves quando estão em minhas mãos, quando leio para algum aluno…

Eu nem sei porque estou nesses devaneios todos, em plena tarde de sábado, quando o certo era estar num boteco, tomando umas com Pedoca e o Magro Valadares, que acabaram de me ligar.

É que tenho reencontrado muitos livros que me fizeram bem, que me deram alegrias, e agora, por força do meu ofício, tenho a missão intelectual e humana de ajudar a democratizar o acesso aos livros e leituras em Pernambuco.

Em muitas ações e projetos, lembro daquela pequena caixa de livros que veio comigo de Fortaleza, naquela primavera de 1987.  Tudo o que eu tinha estava ali, e cada livro que encontrei, me fez caminhar mais e melhor. Um dia, passei também a escrever livros, e outras pessoas podem me ler.

Ontem, ao final de uma palestra, lembrei de uma coisa simples, besta, mas simbólica. Junto com uma pequena e valorosa equipe, sou responsável pela gestão do Espaço Pasárgada, a casa onde morou o poeta Manuel Bandeira, na rua da União.

Todos os dias, antes de sair para o trabalho, posso dizer:

“Vou-me embora pra Pasárgada”.

Lá, nem preciso ser amigo do rei.

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Aleatórias

24 de abril de 2009, às 16:41h por Samarone Lima

Dos meus velhos e inumeráveis cadernos cheio de anotações, frases e derivações sem rumo. Até segunda, se tudo correr bem.

**

“Eu era então um jovem muito infeliz. Imagino que os jovens têm gosto pela infelicidade; fazem de tudo para serem infelizes, e em geral conseguem. Descobri naquela época um autor que, sem dúvida, era alguém muito feliz. Deve ter sido em 1916 que topei com Walt Whitmanh, e senti vergonha de minha infelicidade. Senti vergonha porque tentara ficar ainda mais infeliz lendo Dostoiévsky”

(Jorge Luís Borges, in “Esse Ofício do Verso”)

“Só escrevo porque me ajuda a pensar”

(Macedonio Fernández -, não se onde ele escreveu isso)

“He encontrado el lugar justo donde se ponen las manos,

a la vez mayor y menor que ellas mismas.

He encontrado el lugar

donde las manos son todo lo que son

y también algo más.

Pero allí no he encontrado

algo que estaba seguro de encontrar:

otras manos esperando las mías”.

(Roberto Juarroz, Poesia Vertical, 1958)

“Investigo com a imaginação”

(Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego, obrigatório em qualquer biblioteca decente)

“Há pessoas que trabalham como se fizessem strip-tease. É uma exibição. Carrascos de horas, carcereiros de qualquer tempo livre. Sem a pasta 007 é como se estivesem despidos. Consideram-se secretários do mundo, imprescindíveis, insubstituíveis. Transformam escritórios em restaurantes, salas de trabalhos em senzalas, caprichando para feitores, suando para dentro e para fora”.

(Renato Carneiro Campos, o Gigante da crônica, em “Pessoas Suadas”, do estrondoso e necessário “Sempre aos Domingos”, editado pela Bagaço)

“No tienes nada y me darías un mundo. Te debo un mundo”.

(Antonio Porchia, en “Voces”)

“Para mi, el poeta que importa es un converso: he dado vuelta la vida, y con la vida en sí ha hecho más vida”.

(Roberto Juarroz, não me perguntem onde)

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Por gratidão

21 de abril de 2009, às 11:23h por Samarone Lima

Pouco depois da morte da minha tia-avó, a amadíssima Flocely, antes do Carnaval, surgiu um rumor na família - conversas paralelas, à boca miúda, especulações que não se confirmavam, expectativas. A palavra se chamava “herança”. Todo mundo sabe o que é isso, e como é complicado.

A expectativa (ou esperança) fazia sentido. Minha tia se aposentou aos 64 anos. Era funcionária aposentada do estado de Pernambuco e do Governo Federal. Foi diretora de escola praticamente a vida inteira, e chegou à velhice com algo não muito comum na massa da população brasileira - casa própria, carro, e uma casinha na Enseada dos Corais. As duas aposentadorias lhe davam um bom sustento.

Depois de se aposentar, tia ficou em seu cantinho, no Cabo. Gostava de ficar em casa. Não viajou, não fez cruzeiros, não foi conhecer a Europa ou América Latina – coisas que poderia tranquilamente ter feito. Ficava feliz quando eu viajava e mandava os cartões postais, que às vezes ela não entendia a letra bem. Não tinha luxos, a não ser um ar-condicionado, e assinava aquela revista Readers Digest. Fora isso, colecionava corujas. Cada viagem que eu fazia, comprava uma nova e diferente para ela.

Tia, que não era besta nem nada, aplicava o dinheiro, mas também ajudava todo mundo. Não há uma pessoa da família, entre irmãos, sobrinhos, filhos dos sobrinhos, amigos e vizinhos, que não tenham recebido sua ajuda, uns mais, outros menos. Empréstimos que se tornavam dinheiro a fundo perdido. Sabia o que estava fazendo. De certa forma, fazia uma partilha antecipada.

Ela morreu aos 82. Sempre tive medo que algo de ruim acontecesse quando eu estivesse longe, mas eu estava perto, bem perto. Pelos meus cálculos, passou 18 anos aposentada. Viveu como quis, alheia aos consumos e novidades. Gostava mesmo de sua casinha, a conversa com as vizinhas, que aos poucos foram morrendo, seus programas na TV, que fatalmente levavam aos cochilos. Gostava do Raul Gil, detestava o Faustão. Torcia pelo Santa Cruz, claro, e nos jogos da Seleção Brasileira contra a Argentina, ficava gritando com os argentinos, chegando aos palavrões mais desaforados.

Um dia levei um DVD de presente, e alguns filmes foram compartilhados. Detestou “Valentim”, filme que adoro, mas detestou também o tal de “Mr Bin”, que eu também detesto. Comprei porque pensei que iria agradar, o que prova que quando a gente quer agradar, no lugar de ser sincero, sempre dá errado. Passei a comprar aquela coleção de filmes religiosos, e ela viu todos – Moisés, Barrabás, Pedro etc.

Pouco depois de tia se aposentar, chegou uma senhora para cuidar dela, chamada de Rosa. Rosa era meio braba, mas convivi pouco com ela, porque depois fui morar em São Paulo. Ela começou a cuidar primeiro da casa, mas, com o tempo, passou a cuidar de tia.

Rosa se afeiçoou àquela senhora de cabelos branquinhos, que praticamente passou a morar na rua Hercilia Cavalcante. Teve um filho, Renato, que desde os três anos, passou a morar na casa de tia. Nunca a chamava de “Floceli”, só de “tia”. Os dois seriam anjos para aquela senhora que não teve filhos. Com a piora da saúde, nos últimos anos, passaram a cuidar da limpeza, alimentação, mantendo os equipamentos da diálise de tia – todos os dias.

Quando tia morreu, fiquei preocupado com Rosa. Foram 18 anos de trabalho initerrupto, sem feriado, folga, licença. Não podia e não queria. Não deixava tia ficar em depressão, puxava assunto, dizia para ela se animar, comprava uma coxinha (que tia adorava), e quando ela cismava de ter fastio, mandava ver nos aviões com comida.

“Tem que comer, Flocely, senão fica fraca”, dizia.

E tia, mesmo sem muita animação, comia.

Três dias depois da morte de tia, uma vizinha chegou com a cópia de um documento. Fora feito por Dona Floceli Ulisses, alguns meses antes de morrer. Rosa me chamou. Era algo sobre “um testamento”.

Fui ao cabo. Li o documento. Rosa e uma sobrinha de tia ficaram como “herdeiras universais”, de tudo o que aquela ex-diretora de escolas acumulara ao longo da vida. A sobrinha por questão de sangue, e Rosa, “por gratidão”.

Minha tia, aos 82 anos, débil, frágil, com seus ossinhos infantis, foi silenciosamente ao cartório do Cabo e fez seu testamento, deixando metade de tudo para Rosa, essa mulher que aprendi a admirar.

Eu, que já amava essa tia desde tempos muito remotos, achei que ela conseguiu deixar sua pequena mensagem mesmo já perto da morte. Lembrou de quem cuidou, de quem a animou, de quem a fez viver mais e melhor, de quem nunca a abandonou.

Lembro que uma vez Rosa me disse, sem muita enrolação:

“Floceli pode ficar sem um tostão, que vou cuidar dela até o fim da minha vida. É minha missão”. 

 Com o que vai receber, Rosa poderá ter uma vida boa, apesar de ter dito que trocaria tudo o que recebeu, pela presença de tia.

Gratidão. Tia Floceli deu uma dimensão ainda mais humana a esta palavra, pouco antes do fim.

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À beira dos 40

15 de abril de 2009, às 1:47h por Samarone Lima

À beira dos 40, esse taurino turrão vai caminhando como pode e o juizo permite. Derrotas e vitórias, empates e prorrogações em vários terrenos, mas sem tantos lamentos e uma alegria tímida, que ninguém é de ferro. Mais Santa Cruz a cada lance, de meião e chuteira nas arquibas da vida.

Alheio ao Orkut desde a mais tenra infância, quando viu os alunos gastarem muitas horas em lan houses e computadores os mais diversos, trocando miudezas que carecem mais mesmo de uma boa conversa, a velha prosa, o som humano que reverbera outros sentidos. Ídem para os MSN ou GTalk, confabulações intermináveis por linhas, sem olho no olho, sem cheiro, cor, salvo engando algum descuido no meu sinal de invisível, ocupado, desligado.

Desligado por natureza, já não me incomodo com as chaves, as portas continuam nos mesmos lugares, elas podem demorar, mas abrem. Se encontrarem pen drive com diversos arquivos por ai, repletos de inutilidades, favor devolver, já vou com mais de cinco boiando por lugares ermos, mapas sem linha definida, nem o google salva.

Sem paciência para o telejornalismo diário, focado em desgraças alheias, misérias, mortes – melhor mesmo é encostar na sombra, olhar meu amigo Bruno Fontes, que descobre e mostra as pessoas lindas do Recife, que fazem algo para a vida florescer, que Deus o tenha e o mantenha no ataque do meu time, na pelada da segunda-feira, esse garimpador de esperanças em tempos bicudos.

Acreditando na bondade dos que lutam com livros, com bibliotecas comunitárias, com projetos pequenos, sem muito barulho, não mais que umas páginas em voz alta, refazendo a casa, a vizinhança, a rua, plantando uma flor em uma lata vazia, botando estrume, pintando um pedaço de madeira de azul, só para ver um ponto colorido no meio do nada.

E já sem saudades de algumas coisas, que nem sei o nome. Coisas que ficaram, que passaram, que me consumiram, que calejei, mas que atravessei. Cheio de memória de coisas que entraram nas veias, na respiração, nos pulmões,nos tendões, nos cabelos duros, alguns brancos. Aquele verão dos meus trinta anos em Buenos Aires, como se fosse um tango com o “Petit Groupe”, a Canuto do Val, numa Santa Cecília que me incendiava os ossos e me dava base para outros tantos. Umas tardes sem data, atmosféricas, dedicadas aos amigos da boa prosa, desses que já vêm com a conversa quente, morna, um Naná da vida para o dia ganhar ritmo, para a vida ganhar rumo.

Acostumado já às constelações da família, as peças que se movem, que fingem se afastar, que apenas reclamam mais ternura, os desgarrados voltando em outros semblantes, quem dera mais maduros.

Atento às frases maternas, meu filho, quem nesta vida não quer sofrer pouco, sofre muito, em meio ao café com tapioca, queijo, bondade.

Sem tapinha nas costas, s´il vous plâit. Arranhando meu francês vulgar para falar ano que vem, em Grenoble, quem sabe na casa de Emília e Pedoca, eu ando adivinhando umas coisas também.

Garantindo um pouco a zaga dos Caducos, nas manhãs de domingo e com os amantes, nas noites da segunda, que a gente faz o que pode. Escrevendo o que é cabível, na minha precária memória, minhas fantasias por florescer, meu quinhão de quimeras.

Seguindo meu ritmo. Dando a passagem ao pedestre, rupestre, ao cabra da peste que herdei de Conselheiro.

Com a minha pequena e iluminada penca de amigos. Ah, eu sou ruim em muitas coisas, é uma tuia de defeitos graves, alguns de menos, mas de amigos, tenho um pós-doutorado que o CNPq jamais vai calcular. Reconheço os da minha raça só com o vento, um canto sentimental, um boa-tarde e eu decifro, nunca fui devorado. Universidades diversas, países muitos, fiz cursos noutras vidas, com gente abençoada, salve o velho Josmar.

Sem remédios para dormir ou acordar. Torcendo para que esse efeito estufa não esquente tanto. Sonhando com um ventilador com cinco velocidades. Dormir no cinco. Acordar só depois. Depois é um tempo que não tem hora para começar nem acabar.

Que venham os quarenta, que estou tinindo, melhorando o toque de bola no segundo tempo. Que os orixás dêem o rumo da prosa, mas a vida é o que mais me consola.

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