Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Relatos sobre a vida e a morte no Mercado de Casa Amarela

14 de abril de 2009, às 7:29h por Samarone Lima

Tive o prazer de conhecê-lo há cerca de 15 dias, ali no Mercado de Casa Amarela, aquela cidade de gente, barracas e produtos, onde costumo ir, especialmente aos sábados, dia recomendado por todos os terapeutas do Recife para um divertimento sadio, que é tomar umas cervejinhas e contemplar o povo se bulindo.

O Mercado (perdão, mas é com maiúscula mesmo, em sinal de respeito) é reduto de inúmeros “boêmios do dia”, como é o caso do professor Davi, que pode ser encontrado na barraca de Méry, com a singela e esfarrapadíssima desculpa de que vai “almoçar”. Ora bolas, nunca vi almoço demorar três, quatro horas, nem o sujeito ter o telefone da proprietária do estabelecimento, para reservar a mesa e encomendar suas Brahmas. Mas isso são outros quinhentos, voltemos ao assunto.

Estava eu quietinho, bebericando de leve, mansamente, qual um bem-te-vi em seu galho, quando ele sentou ao lado, pediu um quartinho e dois pedaços de passarinha. Para quem não sabe, quartinho é um copo americano repleto de aguardente. Não sei de onde, nem como, nem onde, nem por qual o motivo, mas a conversa nasceu, cresceu e vicejou, até que ele me falou do Cemitério de Casa Amarela, que fica por detrás do Mercado, cemitério este que só tive oportunidade de entrar duas vezes – uma no enterro do amigo Barrabás, e outra para colocar uma florzinha em seu túmulo, tudo no ano passado, que Deus o tenha.

“O cemitério fechou de novo”, lamentou meu amigo.

Depois de um silêncio pesaroso, completou.

“Tá foda, visse? O que está morrendo de gente, não está no gibi”.

Na seqüência, deu uma bicada de com força naquela garapa que passarinho não bebe, e mordiscou a passarinha, oleosa como o quê. É assim: quando o cemitério enche, fecha para evitar transtornos. Ah, sei lá, não pedi muitos detalhes.

Meu amigo se chamava Adão Pinheiro de Carvalho, (pelo menos foi o que me disse) e trabalhava num escritório de contabilidade, além de ganhar um extra fazendo as declarações de renda dos amigos.

“Sei como funciona isso tudo. De leão eu entendo melhor que domador de circo”, completou, com um sorriso de convencimento.

Mas qual foi a minha surpresa, quando Adão Pinheiro me confessou que tinha como principal atividade, aos sábados, acompanhar os enterros no cemitério de Casa Amarela. Achei esquisito, mas da espécie humana espero tudo.

“Não é nenhuma obsessão, eu sou normal”, contou ele, com uma cara meio triste e aquele bigode a la Cantinflas, mal pintado e mal aparado. Eu realmente nasci para escutar essas histórias malucas, foi o que pensei.

“Mas é que eu gosto de ver o último capítulo da vida. Ao final do dia, volta para casa muito mais humilde”, completou.

Ele me olhou nos olhos, acendeu seu Oscar, um cigarro que, segundo Vital, é falsificado no próprio Paraguai, e me disse assim em segredo:

“Professor, a vida é por um triz”.

Ele sabia os detalhes do funcionamento do cemitério, conhecia os coveiros pelo nome e apelido, explicou os setores, informou sobre as mulheres que cuidavam dos túmulos muitos anos após a morte dos respectivos maridos, enfim. Sabia de muitas histórias.

“Um dia, cinco coveiros botaram uma farinha no almoço e estava envenenada. Os cinco morreram horas depois, inclusive um que estava no primeiro dia de trabalho. Desse foi que eu tive pena. A imprensa não publicou uma linha, eu não entendo esses jornalistas”, disse.

Ele sabia também os preços das coroas de flores, o tempo que a família tem para desocupar uma gaveta, as taxas do cemitério. Depois de muitos anos de convivência com o mundo dos mortos, disse que o enterro mais triste de sua vida aconteceu há coisa de cinco anos, num sábado de chuva forte. Até desabamento de casa teve. O que chamou a atenção do meu amigo, naquele dia, foi que o carro da funerária levou o caixão e o deixou em cima da pedra. Nenhum parente ou amigo fora ao velório.

“A gente acha tanta coisa ruim na vida, mas ruim é morrer só, professor”.

Fiquei paradinho. Ele bebeu mais um gole, pediu outro quartinho e afastou a passarinha.

“Perco até a fome quando lembro disso”.

Ele percebeu meu interesse e se aproximou.

“Fiquei ao lado, para dar uma força, esperando chegar alguém. Mais de uma hora em pé, ao lado do morto, e ninguém”.

“E ai?”, perguntei.

“E aí, professor, o senhor deixaria uma pessoa ser enterrada sozinha?”

Bem, ele tinha razão. Ligou para a irmã, Jésssica, que morava por perto, ali na avenida Norte. Explicou a situação, pediu que ela também acompanhasse o enterro, era um ato de compaixão.

“Estás ficando é doido”, respondeu a irmã, antes de desligar o telefone.

Quando o coveiro chegou, perguntou se meu amigo era o irmão do morto. Adão não soube me explicar o motivo, mas, num impulso, respondeu que sim. O coveiro, de nome Venceslau, também chamado de Lalau, disse que iria terminar logo, porque estava chovendo muito e teria tempo de jogar um dominó ali perto. Adão pediu cinco minutos e comprou uma coroa de flores, dessas de vinte e cinco reais. Acompanhou em silêncio o cortejo solitário até a gaveta 2234 (jogou no bicho, mas não deu).

Enquanto o coveiro fazia seu trabalho, olhou pela primeira vez o rosto do morto. O que teria feito para ser enterrado sozinho? Mesmo sem crenças, ele rezou duas ave-marias. Aprendeu que se reza aos mortos. Depois, sentiu uma tristeza imensa, como se tivesse de repente alguém da família morrendo, e comentou com o coveiro:

“Ninguém merece morrer sozinho”.

“Ruim mesmo é viver sozinho”, respondeu Lalau.

Adão voltou do enterro, encostou numa barraquinha e mandou ver na sua garapa. Me contou que na época do enterro do solitário, estava intrigado do irmão mais velho, por causa de uma confusão envolvendo um dinheiro emprestado.

“Coisas de família”, disse.

Saiu do mercado e resolveu telefonar para o irmão.

“Eu tinha perdido alguém que nem conhecia, então achei que era justo reencontrar um irmão que estava perdendo”, contou.

O irmão de Adão ficou surpreso com o telefonema, mas também disse que vinha pensando em fazer um contato. Dois dias depois, se encontraram e tudo ficou resolvido. O irmão morreu ano passado, mas sem intrigas, graças ao morto de ninguém.

Depois de me contar sua história, Adão fez um silêncio, acendeu outro cigarro e ficou olhando para o nada, longe, com aqueles olhos perdidos, talvez lembrando que a morte é mesmo por um triz.

“Sei que é ruim viver sozinho, mas ninguém merece morrer sozinho, professor. Escreva o que eu digo, ninguém merece morrer sozinho”.

Então, eu escrevi.

Recife, 24 de agosto de 2005.

Nota aos leitores

Devido ao excesso de trabalhos e viagens, estou publicando esporadicamente algumas crônicas antigas.

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Recesso

11 de abril de 2009, às 12:02h por Samarone Lima

Amados leitores, este jovem cronista encontra-se em Fortaleza, matando saudades da Dona Ermira e acompanhando as novidades todas referentes aos irmãos, tios, primos e parentes os mais diversos.

Ontem o peixe familiar desceu bem, fora os pedaços de ovos de páscoa. Hoje de manhã ainda deu para ver Jesus levar umas lenhadas em Fazenda Nova, pela TV Globo local, a TV Verdes Mares.

Os amigos todos do bairro viajaram.

Essa enrolação toda é para dizer que volto à ativa na segunda-feira.

Ps. 13 a 17 de abril, teremos a I Semana Manuel Bandeira, no Espaço Pasárgada (rua da União, 263, Boa Vista). Todos estão convidados. Começaremos com uma palestra de Luzilá Gonçalves e Lourival Holanda, além do Grupo Zambiola. Entrada franca. Mais detalhes no www.fundarpe.pe.gov.br

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Saudades do pai

6 de abril de 2009, às 6:11h por Samarone Lima

Conheci Josemar nos atribulados dias de trabalho em Goiana, semana passada. Eu, que agora coordeno a literatura na Fundarpe, tinha que ficar entre o hotel e a Faculdade, cuidando de oficinas, fóruns e outras especiarias. Sempre diligente, bem humorado, trabalhador, Josemar me levava e trazia. Mientras tanto, conversávamos. A identificação afetiva melhorou tudo, porque Josemar mora no Alto José do Pinho, meu espiritual há quase dez anos.

No último dia do Festival Pernambuco Nação Cultural, peguei a carona com Josemar. Entrei no carro e estranhei a música, aquela bem das antigas. Perguntei quem era.

“Carlos Alberto. Quando aperta muito a saudade do meu pai, boto esse disco que ele adorava. Esse e o de Silvinho”.

Foi apenas uma fresta emotiva que apareceu, o suficiente para um homem de uns 38 anjos me contar a história de amor não envolvendo uma companheira, uma separação, uma dor, mas o amor ao pai, cada vez menos vivido nos dias de hoje.

O velho morreu há pouco mais de um ano, 13 de fevereiro. Era um menino, segundo Josemar. Bebia com os filhos, se divertia, não tinha problemas de saúde. Era, antes de tudo, um grande amigo, talvez o melhor. Pai e amigo. Há coisa melhor na vida?

Às sextas-feiras, o velho abria sua cerveja, tomava umas lapadinhas de cana, e botava o vinil de Carlos Alberto e Silvinho. A casa da família, no Alto José do Pinho, ficava repleta de nostalgia e beleza, fora a saudade de algo que ainda estava muito presente. O santo homem tinha uma sapataria.

“Morreu de morte morrida, o coração. Tinha 75 anos, nenhum problema de saúde. Foi como se tivessem levado uma parte de mim”, lembrou Josemar.

No velório, o filho colocou sobre o caixão a bandeira do Gigantes do Samba e providenciou um aparelho de som. As pessoas estranharam a música de Carlos Alberto e perguntaram se tinha sido um pedido do pai.

“Ele não pediu, mas onde estiver, está gostando”, respondeu.

Várias coisas do pai ficaram para ser partilhadas com os três filhos. Josemar não quis nada, a não ser os dois discos, em vinil, que passou para CD. Ganhou a sapataria como herança, e agora cuida dela com zelo.

“Essa sandália que tu tás usando, sei fazer do mesmo jeito”, disse.

O percurso era curto. Tive apenas o tempo do sobressalto. Em plena Mata Norte, participando de um festival, correndo com as demandas literárias, escutei o sagrado depoimento amoroso de um homem por seu pai.

Um pequeno mistério familiar. O pai adorava a música “De quem eu gosto/Nem às paredes confesso”. Uma vez, o filho falou sobre esse fascínio paterno com a canção. O velho, que viveu bem muitos anos com sua companheira, respondeu da forma mais simples:

“Meu filho, de quem eu gosto, nem às paredes confesso”.

Já no hotel, quando fui descer do carro, ele me mostrou a foto de um bêbê. Não reparei a data do nascimento, que estava em cima, ao lado do nome.

“É minha neta e a bisneta dele. Nasceu dia 13 de fevereiro desse ano, exatamente um ano depois da morte dele. Nasceu às sete horas em ponto, o horário que ele morreu”.

Desci, dei a mão ao Josemar, achando-o um grande sujeito. Lembrei também do meu pai. O que será que anda fazendo, o velho?

 Antes de sair, ele me avisou:

“Quando for ao Alto José do Pinho, procure Josemar Sapateiro, que teremos muito o que conversar”.

Sim, Josemar, teremos muito o que conversar, especialmente ao som de Carlos Alberto…

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Paixão de Cristo, versão Poço da Panela

2 de abril de 2009, às 11:47h por Samarone Lima

Com a proximidade da Semana Santa, crucificações de Cristo por todo o Estado, e diante da minha falta de tempo para atualizar este velho blog, recorro a uma crônica antiga, que versa sobre o tema. De Goiana, onde estou vivendo (e trabalhando pacas) até sábado, mandarei texto novo, contando a inundação de caboclinhos e tribos, no Festival Pernambuco Nação Cultural.

**

“O pernambucano é um sujeito obcecado. Quando vai chegando o Carnaval, tudo se torna festa, o ar se torna carnavalesco, não se fala em outra coisa, o comércio se transfigura, para você comprar uma fantasia, precisa enfrentar uma multidão, em lojinhas abarrotadas e calorentas, ali no centro, nas ruazinhas ao lado do Mercado de São José. Os músicos, que passam o ano na magra, tocando aqui e ali, tocam feito uns desesperados (tem saxofonista que termina a festa quase sem beiço), mal têm tempo de comer um queijo com mortadela.

Passado o Carnaval, o pernambucano olha para o lado e busca sua nova obsessão – a Semana Santa, que falarei logo em seguida.

Na época do São João, não se escuta outra coisa, a não ser o velho, obsessivo, fundamental, insuperável forró. Todos os sanfoneiros vivos, semi-vivos e mortos são evocados, relembrados, recuperados, tem sanfoneiro que toca três vezes na mesma noite, o mês inteiro, os dedos tudo inchados, o “arraial” é obrigatório em cada esquina, as cidades ardem em fogueira ancestrais, parece que a vida seria uma marcha patética e triste, rumo ano nada, uma melancolia profunda e celeste, sem um bom forró pé-de-serra e a espiga de milho cozida no barrigão.

Entre o Carnaval e o São João, tem outra obsessão pernambucana: a Páscoa, ou, melhor dito, a Semana Santa.

Tudo na vida de uma pessoa é a Paixão de Cristo, Nova Jerusalém, o eterno Cristo, José Pimentel, a Via-Sacra. Só hoje (vi agora há pouco no jornal), teremos sete apresentações da Paixão de Cristo, em diferentes bairros e cidade, com diferentes Cristos e Marias, apóstolos os mais diversos, interpretados das formas mais intensas. Me interessa muito a Paixão de Cristo no Morro do Peludo, em Ouro Preto, Olinda, de graça.

Os mercados ficam empanturrados de gente, em busca de peixe, todos descobrem que não podem viver sem bacalhau, o vinho sai comendo no centro, do Concha y Toro ao Carreteiro, ou galões imensos de Sangue de Boi, que Deus o tenha.

Sobre a Paixão de Cristo, tenho algo a lhes contar.

Há alguns anos, foi realizada uma encenação muito caprichada, aqui no Poço da Panela, com arquibancada e tudo o mais. Aconteceram alguns fatos que fugiram ao controle da organização, e por conta dos tais fatos inesperados, foi a última vez que a Paixão do Poço foi realizada. Após um exaustivo trabalho de reportagem, consegui descobrir o motivo do fim do evento em nossa comunidade. Vamos a eles.

Primeiro, tivemos problemas com o burrinho que trazia Jesus. Não se sabe ainda o motivo, mas o fato é que o dito animal vinha num passo lento, diria manco, com Jesus acenando, acho que com uma oliveira nas mãos, eu sempre confundo os episódios, mas pouco importa, o que importa é que na Paixão, Jesus chega num bucólico burrinho de algum canto. Lá pelas tantas, o jumentinho daqui arretou-se e saiu em disparada, atravessou a multidão e mudou os rumos da histórica cena. Muitas ruas depois, Jesus foi resgatado com vida, assustado e pálido, mas conseguiu retornar à encenação, após muita adulação com nosso jerico.

Tivemos problemas com Marco Careca, que foi escalado para ser um soldado romano. Marco é um sujeito simples daqui, um negro careca e com poucos dentes, vive de bicos, sempre passa de bicicleta com um sorrisão, mas não se enganem – é o pior jogador de futebol que já tive oportunidade de ver em campo. Pois bem, ele recebeu a roupa do soldado e incorporou mesmo o personagem. Com um chicote na mão, começou a fustigar Jesus (infelizmente não consegui descobrir quem interpretava Jesus).

“Calma, Marco, que isso é uma encenação. Tá doendo, visse?”, sussurrou Jesus, já bastante avariado e com as costas ardendo.

O sol estava de rachar e Marco, numa pose de soldado romano recém-contratado, não quis saber de acordo.

“Encenação o caralho, comigo é na vera”, respondeu, descendo mais uma chibatada no lombo do nosso Jesus Cristo.

A platéia achou lindo aquele realismo.

Sabe-se que Jesus apanhou pra caramba, até chegar à cruz, que estava aqui, defronte à Igreja do Poço. Amarraram Jesus. Novamente, Marcos Romano entrou em ação. Amarrou os pulsos de Jesus com toda a força que tinha, e a mão do camarada começou a ficar preta.

“Marco, tá doendo, cara”.

“Eu tô dizendo mesmo…”, respondeu o soldado Marco.

“Jesus levou foi prego nas màos, e tu não queres sofrer um apertinho…”

A situação estava complicada, quando uma galera de outro bairro chegou, e começou uma confusão com a moçada do Poço. Sei apenas que era uma rixa antiga. Daqui a pouco, o cacete estava comendo no centro, soldados romanos brigando com inimigos do outro bairro, os apóstolos dando pedradas em filisteus, Maria parece que se escondeu em Seu Vital, foi cacete até umas horas, até que a cruz, onde estava pendurado Jesus, começou a cair, e ninguém percebeu.

“Minha mão, minha mão”, gritava Jesus, mas os céus não se preocupavam.

Alguém acudiu Jesus, não sei se foi Maria, pode ter sido dona Da Luz, que sempre ajuda os outros.

Foi a última Paixão de Cristo por aqui. Depois dessa, ainda tentamos organizar uma Via-Sacra, mas a definição dos personagens foi uma confusão, acabou não dando certo, e somos muito preguiçosos para decorar as falas.

Outro dia, conversando com Marco Careca, aqui em Biu Coió, perguntei se era verdade as lapadas que ele tinha dado em Cristo.

“Ôx, e apois. Eu vou ficar alisando, é?”.

Tomou mais uma lapada de cana e completou, orgulhoso:

“Botei foi quente em Jesus”.

Estuário, 12.4.2006

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