Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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5 de junho de 2009, às 16:07h por Samarone Lima

O viver é o que me importa. O que me dá gozo. Constâncias e inconstâncias. Como se. Como ser. Como. Chego a um momento da vida em que jardinesco. Eu flor, eu pássaro. Parado no ar. Eu, Dadá Maravilha. Eu, querendo fazer do miúdo o pó celestial. Eu, que caminho com Walt Whitman. Celebro esta manhã meu cadarço de Kichute da oitava série. Eu e meu Conga. Eu e meu Congo.

Filio-me à vida. Cadastro-me de fato no inesgotável. Sombreio a existência. Eu, que tantos desertos migrei. Não é felicidade o que busco, é a vida em seu ponto de ebulição. O amor, então, submete-se à vida. Ao maior. É quando as bolhas sobem, anunciando. Bolhas nos pés, nos ossos, nos desvãos. O tremor de ser, de respirar. A tempestade. O silêncio que atordoa e sara. O silêncio que aleija. A bênção por não pedir o que se quer. Celebro as veias, unhas, o pêlo recém nascido. Até o fim, a bandeira tremulando. Até depois do vento.

Perdão aos que calham de tanto romantismo.

 A vida é mais importante que o amor.

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