Os idiotas da subjetividade e outras besteiras
Samarone Lima
De vez em quando esbarro em artigos, debates, seminários em todas aspartes deste imenso país com os idiotas da subjetividade. Adoram discutir temas universais e repetitivos, que passa do enfado a bisonho. Dois deles são campeões: o fim dos jornais e o fim do romance, fora o fim do livro.
Pois acho que o jornal nunca vai acabar, mesmo que tenha internet até na venda de Seu Vital. Cito o exemplo de hoje. Se acabar o romance algum dia, escrevo um, mas não acaba nunca. Podem catar loas e boas ao mundo digtal, mas não sobrevivo sem o livro feito de papel por perto.
Enquanto aguardo o vôo para São Paulo, compro o Jornal do Commercio. Como tenho a velha mania de recortar matérias, anúncios, notinha, acabo de encher os bolsos. Mais tarde, colo num caderno.
Primeiro, leio que o o distinto Rodney Saomon, de 37 anos, em sua bucólica pescaria dominical, “pescou” um míssil teleguiado ar-ar (ainda ativo), que fluava nas águas do Golfo do México. “Um pescador do Estado da Flória (sudeste dos Estados Unidos) achou que estava sem sorte quando sentiu sua rede muito pesada mas, em vez de um peixe grande, pescou um missil”.
Ler isso, tomando um capuccino, é mesmo uma das delícias da vida.
Pequena manchete:
“Preso pai que ensinou filho a roubar”.
Sem comentários.
Na mesma página (esqueci de anotar o número), fico sabendo que o ganhador da Mega-Sena passou pelo mesmo apuro e milhares de brasileiros que têm faxineira (ou mulher que adora faxina, perdão pela redundância). Só encontrou o bilhete meia hora antes de terminar o prazo. “Segundo o superintendente da Caixa, a mulher havia feito a faxina na casa e guardado o bilhete em outro local”. Por causa de 2h30, ele escapou e perder R$ 5,2 milhões.
Manchete importantíssima para mim e meus amigo torcedores o Santa:
“CBF libera álcool em arena no Mundial”
Claro que o povo lá não é besta nem nada.
“A mudaça é explicada por um contrato milionário da Budweiser com a Fifa até 2014″.
Aqui em Pernambuco, o sujeito tem que tomar sua pituzinha em casa, na despensa, escond0do, antes de ir para o estadio.
Mais uma notinha que me deixa e cabelo em pé (e olha que tenho muitos). O Pan-Americano do Rio, custaria R$ 386 milhões, e custou mais e R$ 4 bilhões(1.589% de superaturamento). A turma rouba bem, né?
Na próxima postagem, vou promover uma cruzada cívica contra as famosas áreas “VIP”. No jogo da seleção brasileira, hoje, no Arruda, vai ter uma área VIP exatamente na parte central da arquibancada, onde fica o povão, onde eu fico há anos, xingando o juiz e o bandeirinha. Área VIP na arquibancada do Arrudão? Blasfêmia!
Então vejo esta notícia:
“A TAM vai fazer um camarote para convidados vips na parada Gay”.
Que João Valadares não leia estas aotações de hoje. Capaz dele mandar um mensagem bucólica com o singelo:
“Mais freeescooo..”
Vou embarcar para Sampa. Favor rezem por mim, e obrigado aos que foram ao lançamento do meu livrote, ontem.
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6 Comentários »




11 de junho de 2009, às 13:32h
Quando é que vai haver o milionésimo décimo oitavo debate sobre o tema “internet e literatura” ? Vou mandar, de sacanagem, aquela pergunta original de sempre,para essas ocasiões: “o computador vai acabar com o livro de verdade?”
Sim, mas por falar no assunto, temos lá no MAmulengo uma edição de 1958 do MAxambombas e MAracatus, do Mario Sette, livro novinho e raridade.
Ah! O lançamento do CAbeça do Futebol foi massa! PArabéns!
12 de junho de 2009, às 0:08h
assim como o sama, ja nao tenho mais saco para saber se os jornais vao acabar ou nao. se acabar alguem vai fazer um flashback e ele volta! rsrsrs
14 de junho de 2009, às 19:13h
A turma rouba muito bem, e é a mesma turma que vai cuidar da copa do mundo.
21 de junho de 2009, às 22:18h
Samarone, costumo ler suas crônicas, mas não comento, pois sofro de certa timidez virtual. Não converso em msn, não escrevo em fóruns ou blogs. Sou um leitor, somente. Mas, desta vez, gostaria de comentar algo, e por favor não tome como grosseiria. Mas não creio que alguém deva ser chamado de idiota por debater algum assunto, mesmo que você acredite se tratar de algo enfadonho e repetitivo.
Para dizer a verdade, tenho vivido tempo o suficiente para crer que tudo na vida são repetições, ora doces, ora bem infelizes. Pouca coisa de original posso dizer que vi alguma vez. Você mesmo se repete bastante, tergiversa sobre temas como a natureza humana e encontros inesperados. E não o acho enfadonho, pelo contrário.
E vi você naquele programa da TV Universitária, onde o apresentador Cristiano Ramos (que conheço há certo tempo) puxou o assunto literatura x tecnologia. Não acho o Cristiano idiota, tampouco acredito que você deveria ter negado o convite. Senti falta de alguém que acreditasse que os novos suportes podem sumir com os livros, contudo, naquele programa não teve. Eu não acredito nisso, porém gosto do contraditório. Mesmo quando é alguém defendendo teorias do fim do livro, do romance, ou da idiotia subjetiva.
Por isso, como tímido irreversível, que nunca teve a dádiva de saber nutrir amizades muitas, gostaria de refletir com alguém que tem essa virtude, e dizer-lhe que os rótulos são perigosos, as conclusões simplistas são quase sempre frágeis, e discutir é algo do qual inevitavelmente podemos tirar algo de positivo. Então, não engula a corda dos seus caros comentadores anteriores, continue tendo a generosidade de conversar sobre as coisas repetitivas e com pessoas idiotas, como aquele apresentador ou como eu, que estou aqui falando um monte de lugares-comuns.
P.S.: nesse momento em que escrevo estou na casa do próprio Cristiano, que me prometeu uma vez cópia do programa com Edson Nery, e resolveu pagar a promessa. Ele me recebeu muito bem, e, para minha surpresa, disse concordar com você. Por isso me instiguei a responder aqui. Porque me entristece ver pessoas como vocês se enfadando com as coisas repetitivas e universais – torço para tê-los por aí, quebrando (com suas repetições) a monotonia de meu dia comezinho.
P.S.2: como professor aposentado, que passou anos repetindo aulas para alunos muito parecidos, talvez eu esteja um tanto nostálgico, e por isso discorde de vocês.
Abraço.
23 de junho de 2009, às 6:01h
Bem, aproveito o espaço aqui para dizer que realmente discordei do Antonio, alguém que é mais próximo que um simples conhecido.
Acho que Samarone tem o direito e a coragem de achar qualquer um idiota. E, entre a genialidade e a idiotia, provavelmente estou bem mais próximo desta mesmo.
Nem sei se Samarone se referia a nós (eu e o Opinião), mas, que a mídia carece de criatividade e se repete demais, também concordo. Se o livro vai acabar? Bem, lá quase ou nada se falou disso, e sim da relação entre literatura e tecnologia, da convivência entre suportes diferentes – e, aí sim, discordo do nosso brilhante blogueiro, pois não é assunto inócuo ou idiota (embora o apresentador possa sê-lo).
Até porque acho que aqui concordamos todos que como literatura entendemos também a poesia, o conto e a crônica (embora neste último caso exista quem diga o contrário). E acaso muitas pessoas já não leem poemas e narrativas curtas no computador??? Quantos autores no mundo não escrevem hoje em espaços virtuais e são lidos por centenas de milhares, ou até milhões? Inclusive estamos discutindo o assunto em um… Blog de crônicas!
Porém, repito, respeito o sentimento de cansaço de Samarone. E, de minha parte, prometo não chamá-lo mais para abordar esses temas. Mesmo que não seja recíproco, tenho por ele admiração suficiente para não o impor uma situação constrangedora outra vez.
Abraço grande a todos.
Cristiano Ramos
23 de junho de 2009, às 11:14h
Cristiano, querido, creio que está havendo um equívoco.
Ao me referir aos idiotas da subjetividade, me referia a uma mídia repetitiva, que nos inunda com as pautas de sempre. No caso mais específico da postagem, falava dos jornais do dia, que repetiam os mesmos temas, as mesmas matérias, sempre.
Nem de longe passou pela cabeça me referir ao Opinião, um programa que respeito e admiro.
É o que dá escrever sempre. Às vezes, o sujeito não se expressa bem. Escrevi o texto meio rápido, talvez devesse ter relido com calma.Como eu poderia simplesmente negar o mundo da Internet, da tecnologia, se a uso para postar minhas coisas, se consigo chegar a tantas pessoas, que nunca vi?
Peço desculpas se deixei isso no ar. Tenho pelo Opinião e por você um enorme respeito, espero voltar muitas vezes, e discutir muitas coisas bacanas.Não fiquei nada constrangido, pelo contrário, achei o clima do programa leve e instigante.
Um abraço afetuoso,
samarone