Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima


Artigos recentes


Comentários Recentes


Aproximações


Destaque


Calendário

julho 2009
D S T Q Q S S
« jun   ago »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Arquivos


Usuários online


Notas de um escritor mais organizado que Partido Comunista

31 de julho de 2009, às 13:14h por Samarone Lima

Meu editor e amigo, Dom Gustavo de Castro & Silva, acaba de me informar que o livro “Viagem ao Crepúsculo”, deste jovem que vos escreve, já pode ser comprado pela Internet. Basta ir ao seguinte endereço:

http://casadasmusas.lojapronta.net

Pelo que fiquei sabendo, o serviço é bom e rápido. Daqui a pouco o livro vai estar no ar.

Todas as vezes que tentei vender meus livros eu mesmo, por minha própria conta, só irritei meus leitores, esqueci de postar, não mandei o número da conta, enfim.

Com essa Casa das Musas, finalmente algo organizado vai acontecer nesta minha vida. Estou mais organizado que Partido Comunista, daquela époce em que a gente sempre tinha um parente ou um amigo comunista.

Hoje à tardinha, iniciaremos uma pré-venda no Bar Mamulengo, na Praça do Arsenal, Recife Antigo. Chegando lá, é só procurar Moura, que ele desenrola o livro e ainda bota uma música das antigas.

 Sugiro tomar uma cerveja ao crepúsculo, lendo “Viagem ao Crepúsculo”.

Ra ra ra.

Eu não perderia este trocadilho por nada, sabe…

Postado em Crônicas | 12 Comentários »

O livro, esse mundo, esse mistério

30 de julho de 2009, às 14:57h por Samarone Lima

Recebi segunda-feira a caixa com os 111 exemplares de “Viagem ao Crepúsculo”, meu novo livro (Editora Casa das Musas). O lançamento será na próxima quarta, dia 5 de agosto, no Bar Mamulengo, Praça do Arsenal, todos convidados.

Então começou  o mistério. O autor, por mais que tenha se dedicado, trabalhado duro, revisado, cortado, acrescentado, nunca sabe como chegará aos leitores. Estes dias antes do lançamento oficial são como uma zona intermediária entre luz e sombra. O destino do livro é sempre incerto. Nenhum autor pode dizer que sabe até onde ele vai chegar.

Alguns episódios fazem parte da minha jornada. Perdi os dois exemplares iniciais que me chegaram. Depois, um jornalista teve seu livro surrupiado na própria redação. Saiu uma nota na coluna social, e os amigos se apressaram em telefonar.

Breves encontros para entregar um exemplar a quem me ajudou. Homero Fonseca, um dos primeiros entusiastas, Inácio França, meu velho companheiro de lidas jornalísticas, outros que nem sabem ainda o quanto me ajudaram, e constam nos agradecimentos.

Tudo acertado com o Bar Mamulengo, o velho e bom Moura vai providenciar uns “Mojitos” e um tira-gosto feito de banana assada. Coisa de agrado, para começar a noite. Depois, cada um se vira, porque a editora é pequena, e o autor não anda lá essas coisas para bancar vinho e garçom.

Ontem, conversas com amigos jornalistas. Um deles já leu, lembrou algumas cenas. Hoje, a Gabi, que trabalha comigo, disse que ficou lendo em voz alta para o namorado, até alta noite. Isso me toca. Ler algo em voz alta para o namorado envolve sentimento e atenção.

Cada livro é um mundo, um mistério. Estou agora mergulhado nele.

Por caminhos que a vida cuida de traçar por conta própria, por esses dias estamos formando um grupo que vai conseguir finalmente criar uma biblioteca comunitária no Poço da Panela. A casa já foi escolhida, estamos agora fazendo o convite aos anjos e guardiões. Naire já aceitou. Bebeth, Marcus Galindo, Luzilá, Lourival e outras almas abençoadas haverão de se chegar.

Quem quiser levar alguns exemplares a título de doação, para a noite do lançamento, os moradores do Poço vão agradecer um dia.

Há quarto dias procuro a Bebeth, para entregar o exemplar dela, mas a mulher só quer saber do Mãe Coruja.

Vou parar, que estou ficando sentimental.

Ps. Para quem não puder ir – a partir de amanhã, o livro estará sendo vendido no Mamulengo.  Custa R$ 30,00.

Postado em Crônicas | 18 Comentários »

Viagem ao Crepúsculo

26 de julho de 2009, às 15:24h por Samarone Lima

Cuba

Viagem ao Crepúsculo é um livro sobre o cotidiano do povo cubano, no ano em que é celebrado o cinquentenário da Revolução Cubana.

Postado em Livros do autor | 4 Comentários »

Na Lojinha, o perdão

26 de julho de 2009, às 15:04h por Samarone Lima

lojinha

“Lojinha” é a versão Bar de Seu Vital de Garanhuns. Mesma decoração, mesmo estilo, mesmas conversas. Não tem tira-gosto, mas sobra balcão e personagens. O Seu Vital daqui se chama Daniel. Vital tem um bar há muitos anos, no Poço da Panela. Lá sou amigo dos reis.

Terminou o Festival de Inverno, estou de férias até amanhã. Encosto na Lojinha, a guisa de uma Brahma. Daqui a pouco chega Maguinho, o sujeito que conserta guarda-chuvas. Tem uma mala linda, com o aviso “Conserta-se guarda-chuva. Maguino”.

Pergunto se posso tirar uma foto.

“Não, pelo amor de Deus, que estou com meu rádio”, responde.

Ficamos por ali, na moita. Daqui a pouco, ele me olha e diz:

“Eita vida sem paciência nas mãos dos teólogos”.

Concordei imediatamente.

Ele olha para Daniel, o dono do reduto, que tem 72 anos, mas parece 54.

“Daniel na cova dos leões. Ninguém segura esse homem”.

Pergunto quanto ele cobra para consertar um guarda-chuva, um objeto que dificilmente está junto de mim, especialmente nos temporais.

“Depende da figura ortogônica dele”.

Glub.

Não chegamos a nenhuma conclusão. Como eu teria que vir ao Recife, ver a figura ortogônica dele, pulamos esta parte. A conversa migrou para algum tipo de combate, desmando, desentendimento, mal explicado, vacilo mesmo, coisa que ocorre na humanidade. Maguinho arrematou:

“Pois eu assino embaixo e perdôo”.

Foi a frase mais linda do dia. Que se espalhe.

lojinha2

Postado em Crônicas | 14 Comentários »

O elefante azul (com final original)

22 de julho de 2009, às 11:20h por Samarone Lima

Republico o final desta crônica, após as observações da querida leitora Magna, resgatando alguma poesia do texto original.

Magna, meus agradecimentos.

Samarone.

**

O dia mais importante da minha infância era em algum momento no início de julho, no início dos anos 70, quando meu pai botava os três filhos no banco traseiro de um Fusca cinza (IZ-3059), no banco de trás, a esposa, dona Ermira, no banco da frente, e saía de Imperatriz, no Maranhão, para o Crato, no interior do Ceará. Não sei a distância, mas sei que a viagem era uma epopéia, um caso de heroísmo familiar, atravessando estradas empoeiradas, esburacadas ou cheias de lama, com destaque para o Fusca, um ser indomável, que parecia flutuar no lamaçal, e sempre deixava tudo para trás, até chegar ao destino final. Lembro que meu pai fumava Hollywood e nunca cansava.  A gente, quando é pequeno, acha que o pai é incansável, mas às vezes é mesmo inalcançável. 

Minha madrinha, Piinha (é assim mesmo, eu nunca soube o nome exato), me recebia com um sorriso maravilhado, sem contar que era ela linda mesmo, e eu ficava de olho na madrinha, mas era muito cedo. Sei que ela era casada com Paulo César, mas de Paulo César não lembro nem a voz.

Passávamos um mês no Crato, durante a “Exposição”, e tudo era bom e simples. Meu pai ia para Seu Almir, que era o bar de Seu Vital do Crato, e lá encontrava seus amigos boêmios, igualzinho ao que faço hoje, a mesma conversa fiada, só faltava o dominó. Minha mãe ficava com minhas tias, e a função era simples: os homens bebiam, as mulheres conversavam e faziam outras coisas. Eu tinha muitos primos no Crato, e estão todos espalhados pelo Brasil, cearense é uma raça que gosta de se espalhar pelo mundo.

Uma vez, quem vinha na frente era o meu tio César, que hoje mora em Imperatriz, e é casado com a tia Fátima, irmã do meu pai. Não sei porque tio César estava no lugar da minha mãe, mas são coisas da vida. Lá pelas tantas, o meu tio César apontou para uma árvore grande, numa estrada interminável, e disse que tinha visto um elefante azul no alto. 

Olhei para a árvore e também vi o elefante.

 “Também vi”, comentei com o tio, do banco de trás.

 Meu pai me olhou e perguntou se eu tinha visto mesmo um elefante azul no alto de uma árvore.

 “Vi sim, mas já passou, ele está lá atrás”, respondi.

 Meu pai me deu um beliscão na barriga que doeu um bocado.

 “Deixa de mentir”, disse, depois do beliscão.

 Lembro que fiquei amuado, triste, e naquele momento, aos seis ou sete anos, desisti de ver qualquer coisa que não fosse real, palpável, contável e definitiva. Passei o resto da viagem triste, solitário e final. Ali, acabou uma parte da infância. É muito ruim quando a pessoa sabe exatamente quando acabou a infância – numa estrada Crato/Imperatriz, em 1976, no banco traseiro de um Fusca, após um beliscão.

Desconfio que meu pai me impediu de ver o que a imaginação mandava, e demorei muito tempo para me recuperar. Fiquei preso à realidade como um sonâmbulo no meio da noite.

Mas hoje, me deu uma saudade imensa daquele elefante azul, no alto de uma árvore, na metade dos anos 70.

Tenho uma dúvida secreta se vi realmente meu elefante, porque já estava meio escuro, mas é uma dúvida que não é suficiente para invalidar a lembrança.

Essa é uma vantagem de escrever. Posso falar sobre um elefante azul, que vi na infância, sem medo de levar um beliscão.

Escrever é também uma forma de exercitar o perdão.

Então, meu velho Zé Vicente, aceite meu elefante azul que já esqueci o beliscão.

Postado em Crônicas | 22 Comentários »

« Artigos anteriores