Regra da vida
Samarone Lima
Debaixo de uma chuva fina, aqui em Garanhuns, e ainda embalado pelo violoncelo de Antonio Meneses (Sonata para Cello em Lá Maior), na Catedral de Santo Antônio, peço ajuda ao Fernando Pessoa para os escritos do dia. Como dizia um amigo argentino, acompanhem-se.
Regra é da vida que podemos, e devemos, aprender com toda a gente. Há coisas da seriedade da vida que podemos aprender com charlatães e bandidos, há filosofias que nos ministram os estúpidos, há lições de firmeza e de lei que nos vêm no acaso e nos que são do acaso. Tudo está em tudo.
Em certos momentos muito claroes da meditação, como aqueles em que, pelo princípio da tarde, vagueio observante pelas ruas, cada pessoa me traz uma notícia, cada casa me dá uma novidade, cada cartaz tem um aviso para mim.
Meu passeio calado é uma conversa contínua, e todos nós, homens, casas, pedras, cartazes, e céu, somos uma grande multidão amiga, acotovelando-se de palavras na grande procissão do Destino.
(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, Companhia de Bolso, p.333)
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