Regra da vida
Samarone Lima
Debaixo de uma chuva fina, aqui em Garanhuns, e ainda embalado pelo violoncelo de Antonio Meneses (Sonata para Cello em Lá Maior), na Catedral de Santo Antônio, peço ajuda ao Fernando Pessoa para os escritos do dia. Como dizia um amigo argentino, acompanhem-se.
Regra é da vida que podemos, e devemos, aprender com toda a gente. Há coisas da seriedade da vida que podemos aprender com charlatães e bandidos, há filosofias que nos ministram os estúpidos, há lições de firmeza e de lei que nos vêm no acaso e nos que são do acaso. Tudo está em tudo.
Em certos momentos muito claroes da meditação, como aqueles em que, pelo princípio da tarde, vagueio observante pelas ruas, cada pessoa me traz uma notícia, cada casa me dá uma novidade, cada cartaz tem um aviso para mim.
Meu passeio calado é uma conversa contínua, e todos nós, homens, casas, pedras, cartazes, e céu, somos uma grande multidão amiga, acotovelando-se de palavras na grande procissão do Destino.
(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, Companhia de Bolso, p.333)
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6 Comentários »




19 de julho de 2009, às 16:12h
Adorei
19 de julho de 2009, às 23:37h
É sempre muito bom lembrar Pessoa. Quando estive em Lisboa, em maio, passei uma tarde inteira em sua casa que fica na esquina da casa da minha filha. Uma maravilha, em Campo de Ourique,a Casa Fernando Pessoa.
Beijo
20 de julho de 2009, às 9:16h
E aí Samarone?
Vem ou não vem para Fortaleza lançar o livro?
Essa semana aqui terá uma festa “cultural” um tal de Fortal…
Um tal de Chiclete c/ Batata, Asa de Urubu, Ivete Galo, vai ter até Aviões…
Eita que saudade do Frevo, maracatu, caboclinho, Alceu, Cabiba, etc…
Saudade da cultura que só Pernambuco tem.
20 de julho de 2009, às 10:17h
Tibério, por favor me mande seus contatos. Acho mais interessante fazer o lançamento do livro sobre Cuba, que está saindo da editora agora.
Samarone
20 de julho de 2009, às 12:08h
O livro do desassossego é maravilhoso. Adorei.
22 de julho de 2009, às 8:04h
Já rio-me com os comentários do Tibério, mas esse mal gosto musical está a assolar o mundo. Imagina que até em África eu escutei os Aviões?
Mas após a leitura do texto do Pessoa, fiz uma analogia com um textículo que pontua a partir da orelha do livro do Mia Couto (com quem tive o prazer de estar, sexta-feira passada), Cada Homem é Uma Raça:
“INQUIRIDO SOBRE A SUA RAÇA, respondeu:
- A minha raça sou eu, João Passarinheiro.
Convidado a explicar-se, acrescentou:
- Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia.”
Veja se não posso fazer uma ponte com: “e todos nós, homens, casas, pedras, cartazes, e céu, somos uma grande multidão…”??
Abração!