Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Uma noite inesquecível

6 de agosto de 2009, às 12:48h por Samarone Lima

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Já lancei alguns livros. “Zé” foi o primeiro, em 1998. Eu tinha 29 anos, morava em Sampa, foi bacana, teve até leitura dramatizada de alguns trechos, com três atores fabulosos. Deu tudo certo, mas errei no bar, que era meio chique, não sei onde eu estava com a cabeça. O mesmo livro foi lançado no Recife, no Espaço Pasárgada, onde hoje, por ironia, eu trabalho. Quem apresentou o livro foi o José Paulo Cavalcanti, ladeado pelo Fernando Lyra. Meu pai até foi para essa parada. Tia Flocely estava viva, tenho uma foto dela me abraçando aqui no mural. Eu usava cabelo curtíssimo e tinha o mau hábito de aparar a barba. Horrível.

Depois veio Clamor, em 2003. Eu era dono de bar (o lendário La Prensa), e foi legal, porque não precisaria me preocupar com o retorno para casa. Eu dormia no primeiro andar do recinto, e nessa época os bafômetros eram objetos de decoração dos polícia. Os amigos do Poço compareceram em massa e beberam em massa também. Quase o bar quebra com a presença de Naná, Davi, Walter etc.

Só teve lançamento mesmo no bar, porque a Objetiva trabalhava pra valer era na divulgação. Saiu uma penca de boas matérias sobre o livro.

Depois veio Estuário, em 2006, que entrou no folclore dos amigos. Fiz um  pequeno lote, pela Livro Rápido de Tarcisio, e quando cheguei com o lote na Bienal do Livro, tinha uma bela fila. Em cinco minutos, acabou tudo, e o povo foi chegando, para comprar mais.

“Acabou”, respondi, com essa cara de donzelo.

Os amigos riram à beça. Depois, Ricardo Melo botou moral, levou para a Bagaço, e saiu uma nova edição, com 300 exemplares. Eu continuava dono de bar. Relancei no Garrafus. Vendeu bem, e deixei de ser vacilão. Deste episódio, lembro do Walmir Chagas, ou o “Véio Mangaba”. Ele chegou tarde, acompanhado de Charuto (ele sempre anda com Charuto do lado), bebeu uma cerveja, pegou o autógrafo no livro e foi embora, sem pagar nem uma coisa, nem outra.

Sobre os lançamentos de “A Cabeça do Futebol”, que ajudei a editar, não posso falar, porque daria outro livro – o “Livro dos lançamentos não lançados”.

Ontem, teve um capítulo novo e inesquecível. O lançamento do livro Viagem ao Crepúsculo, no Bar Mamulengo, no Recife Antigo.

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Faz tempo que não via tanta gente bacana no mesmo lugar. Pessoas de tamanho, largura, cor, profundidade os mais variados. Gente que eu não via há tempos, como Pabá, o velho amigo da Casa do Estudante. Ou meu primo Ulisses Viana, ou “Dr Ulisses”, já que o homem é juiz, mas eu o entendo mesmo como “Ulissinho”, desde a primeira vez que vim ao Recife, acho que em 1985. Ou as fieis amigas de longa jornada, como Andréa Ferraz, que estava em São Paulo, na defesa do meu mestrado, ou Emília Miranda, que ilumina todo lugar com aquele sorriso imenso. Como em todo bom encontro, tiramos uma foto dos três juntos.

Pelos meus cálculos, umas três gerações circularam pelo bar, à procura do livro. De velhos comunistas a ex-exilados, passando por adolescentes e a pequena Lulu, que quando era pequena, dizia que iria casar comigo, mas ontem achou uma péssima idéia. Velhos e novos leitores, muitos que eu não conhecia, outros que já fazem parte do meu grupo afetivo, como Kika e sua adorável família. Registro em ata a ausência do onipresente Naná, que estava trabalhando. A Confraria dos Amigos do Poço foi representada por Diaz Epan Nunes e Oswaldo Titio. O velho Inácio não entrou em campo, preocupado com a tosse do pequeno Bruno, falta justificada vale. Além disso, Inácio foi um dos principais leitores, tem agradecimento no livro, ele iria mais pela farra mesmo, melhor cuidar do Bruno, grande tricolor.

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O que tornou a noite inesquecível foi o clima. O encontro das pessoas, a conversa, ao som de uma ótima música cubana, alguns mojitos e outros birinaites. Estava lá, a queridíssima Edla Soares, nossa inesquecível secretária de Educação, ladeada pela valente Damaris e Costa, que comandam a Escola Municipal Nilo Pereira. Antecipei que hoje devemos fechar o aluguel de uma casa, para nossa Biblioteca Comunitária do Poço da Panela.

Alguns ex-alunos da Kabum! me deram a alegria de uma mesa jovem. Rayane segue firme na Escola Cícero Dias e agora cursa Psicologia. Outros ex-alunos, que agora fazem um barulho bom na Imprensa, como o Magro Valadares, Kaká etc. Flávia Suassuna, que deu o nome ao livro, chegou com seu filho, que tem um sorriso tão doce que a gente fica mole. Homero Fonseca, um dos primeiros leitores, chegou junto. Nem acreditei quando Bebeth chegou com o queridíssimo Cyro, foi um presente ver aqueles cabelos brancos repletos de uma sabedoria cósmica.

Ficaria aqui um dia inteiro listando pessoas, criaturas, lembrando cenas, palavras, confissões. Alguns já leram, me disseram coisas ao pé da orelha, frases animadoras. Outros olharam, cheiraram, levaram pra casa, vem a hora da primeira leitura, o mergulho no coração do povo cubano.

A noite completou com a chegada do Martin, que é um dos personagens principais do livro. Esqueceu de levar os charutos para vender, mas tudo bem. Conversamos. Pela graça divina, as coisas que relatei no livro condizem com o que vivemos naqueles dias intensos em Havana e Camaguey.

Foi uma noite inesquecível mesmo. Irretocável. A chuva veio para lavar tudo. Nem tive tempo de reparar no eclipse. Acho que esse foi oculto, ra ra ra. Dessas noites que a gente bota no caderninho da memória e lembra com alegria. Se a editora quiser fazer outros lançamentos, terá que penar um pouco, para achar um lugar aconchegante como o Bar Mamulengo. Vou pedir para levar esse mesmo povo de ontem, para o clima ficar perfeito. A gente vai tudo num ônibus fretado para São Paulo ou Rio.

O livro continuará sendo vendido no Mamulengo, já que Moura ampliou a mini-livraria que já funcionava bem. Dizem que já chegou à Livraria Cultura, não sei. Hoje passo na Poty, para deixar em consignação com o Felipe. A Poty fica na Conde da Boa Vista, é uma excelente livraria.

Alguns agradecimentos:

Íntegra Assessoria (Ana e Flavinha)

Thiago Correia (Diário de Pernambuco)

João Alberto (Diário)

Roberta Jungman (Jornal do Commercio)

Schneider Carpeggiani (JC)

Alexandre Belém (JC, autor da foto mostrando a minha desarrumação, que causou piadas a noite inteira)

Samir Habou Hana (TVU)

Mônica Melo (Folha de Pernambuco)

Moura (Bar Mamulengo)

Tentarei postar uma foto, mas pode ser apenas uma lêndia, uma fricção.

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