Reflexões inúteis sobre os saquinhos de supermercado
Samarone Lima
Estava em Petrolina, num hotel meia boca que não tinha o controle remoto da TV, esperando algum jogo no canal da Sportv (nunca botarei um negócio desse em casa, é um perigo), quando entrou uma propaganda de uma Ong, uma dessas ONG / Multinacional, creio. A propaganda, bem feita pacas, descia a lenha nos saquinhos de plástico de supermercado, com imagens tocantes, numa delas os saquinhos viravam uma bola de futebol. Quem sofreu a falta de uma mísera bola de verdade sabe como é importante.
Pois o comercial dos sacos não me tocou nada, eu achei um saco foi, desculpem o trocadilho infame. Os saquinhos de supermercado agora parecem ser a salvação ou perdição da humanidade.
Outro dia fui entrando no Bompreço, um dos maiores supermercados daqui, e esbarrei num carrinho de supermercado (hoje estou repetitivo pacas), cheio de saco cheio até a tampa. Um cartaz dizia que eu gasto por ano 880 saquinhos de supermercando. Mais adiante, num stand, sacolinhas de pano para o sujeito comprar. O capital não brinca.
Pois eu acho um saco quando essa onda politicamente correta fica enchendo a paciência da gente até num quarto de hotel meia boca, em Petrolina, enquanto o sujeito espera os gols da Série B.
Primeiro, porque desde que me entendo por gente, os saquinhos de supermercado são usados para botar botar lixo, seja na cozinha ou no wc, sempre ficam pendurados sem trinco da porta da cozinha, do quarto da empregada (ops, é incorreto dizer empregada, O certo é “do quarto da secretária”). Nunca vi minha santa mãe, uma gloriosa Dona Ermira, juntar um moi de saquinhos e jogar em rios, córregos ou no mar, para atrapalhar a merenda das tartarugas ou uma desova dos peixes, na piracema.
Os saquinhos para embalar chuteiras também servem, quando o sujeito vai para uma pelada no domingo, que é o meu caso. É num saquinho de supermercadao que a gente coloca o tapawer que vai levar para o trabalho, ou à saída de um jantar bacana. É num saquinho que a gente enrola o rádio, em dia de jogo no estádio. Além disso, nunca contaram meus saquinhos anuais, para esfregar na cara os 880.
Confesso que estou fazendo minha parte faz tempo. Sempre levo minha sacola vazia às costas, e sempre dispenso um bom lote de saquinhos – até porque nunca confiei neles para colocar o vinho, o azeite, essas coisas da minha cesta básica. Sempre achei mais confortável levar o grosso das compras numa boa mochila, às costas, do que sair me arrastando com 15 sacos fazem em cada mão, como as criaturas média e larga idade, a ponto de levar um baque.
Mas a verdade é que vou começando a ficar desgostoso. Quanto mais gente vai usando os saquinhos de pano, quanto mais propaganda e esse jogo de culpa, mais tenho medo que daqui a alguns dias os supermercados tomem uma iniciativa de tirar os sacos plásticos, porque estamos acabando com o planeta aqui no Recife. Vai chegar aquele gerente cabuloso, com o celular pendurado no cinturão, e a informação em sol sustenido:
“Senhor, por questão de consciência ecológica, estamos vendendo os saquinhos. Dez é um real”.
Assim mesmo. Dez é um real.
Eu vou pensar e repetir comigo:
“Bem feito, bem feito, bem feito, Samarone, quem manda você ser um maria vai com as outras?”
Semana que vem, vou reclamar com dona Maria, que faz uma faxina lá de casa. Ela tem colocado dois saquinhos de plástico no balde da cozinha, destinado aos produtos orgânicos. Um estrago, um exagero, falta de consciência completa. Cada saquinho desse, já se sabe, é um tamanduá-bandeira é a menos futucando os formigueiros. Basta um saquinho, que é para sair pingando no corredor, na hora de colocar o lixo pra fora. Como dizem nos comerciais, o planeta agradece.
ps. não sei o que há com esse wordpress, que fica mudando as palavras, estou gastando mais tempo corrigindo os erros que escrevendo. Se ainda tiver texto errado ai, desculpem, não é analfabetismo, é algo no estuario.com que não sei explicar.
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