Primeira reimpressão e livro siamês
Samarone Lima
Fica pronta hoje à tarde a primeira reimpressão do meu “Viagem ao Crepúsculo”, lançado dia 5 de agosto, no Recife. Esse mini-post é só para comemorar com meus leitores.
Como o livro foi lançado por uma pequena editora de Brasília, a Casa das Musas, é motivo de muita alegria. De certa forma, conseguimos furar o esquema das grandes editoras com as grandes livrarias, onde prevalece a lista dos best-sellers. Vale lembrar que o livro vendeu praticamente a primeira edição (mil exemplares) no Recife. Aos poucos, está chegando em São Paulo. Dia 11/11 farei um lançamento em Salvador.
No caminho, ganhei um presente. Uma espécie de “livro-siamês”. Trata-se do belo e forte “De Cuba, com carinho”, da blogueira cubana Yoani Sánchez (Editora Contexto), que acaba de ser lançado. Ela fala de seu país na perspectiva que mais me encanta – a do cotidiano, da vida comum, das coisas mais simples, elementares, e tão difíceis para a população. Há muitas, mas muitas coisas em comum nos dois livros. Deixam a paixão ideológica de lado e abordam a vida no seu ponto essencial, que é o dia a dia. Não por acaso, os dois livros estão colocados lado a lado, em várias lojas da livraria Cultura.
Quem achava que eu tinha batido forte demais (chegaram até a dizer que o livro tinha sido feito “sob encomenda”), que só vi o lado ruim, vai ter uma surpresa com esse novo livro. Uma blogueira cubana, impedida de ser lida em seu país, de sair para receber prêmios ou participar de encontros de blogueiros, fala de tudo o que vivem os cubanos, usando a primeira pessoa do singular. É forte, irônica, ousada. Mais que isso – perdeu o medo de falar.
Vai apenas um aperitivo.
“Aniversário de nascimento ou morte?”
“Enquanto são preparados extensos dossiês sobre os cinquenta anos da Revolução Cubana, poucos se perguntam se o que se celebra é o aniversário de um ser vivo ou simplesmente o de algo que deixou de existir. As revoluções não duram meio século, advirto aos que me perguntam. Elas terminam por devorar a si mesmas e por se excretar em autoritarismo, controle e imobilidade. Expiram sempre que tentam se tornar eternas. Falecem por querer se manter sem mudanças”.
(…)
“Para Reinaldo, a morte foi em agosto de 1968, quando o nosso barbado líder aplaudiu a entrada dos tanques em Praga. A minha mãe viu a Revolução agonizar enquanto ditavam a sentença de morte do general Arnaldo Uchoa. Março de 2003, com suas detenções e julgamentos sumários, foi o estertor final por alguns obstinados que acreditavam que ela ainda vivia”.
“Eu a conheci cadáver, posso dizer. No ano de 1975 em que nasci, a sovietização tinha apagado toda a espontaneidade e nada restava da rebeldia evocada pelos mais velhos. Não havia mais cabelos compridos nem euforia popular, mas sim expurgos, moral dúbia e delação. Os escapulários com os quais eles tinham descido da montanha já estavam proscritos e aqueles soldados da Sierra Maestra estavam viciados no poder”.
(…)
“Deixem que ela descanse em paz e vamos começar logo um novo ciclo: mais breve, menos retumbante, mais livre”.
(Yoani Sánchez, pag 164).
Ps. Para escrever, ela usa a internet dos hotéis, proibida aos cubanos. Como é muito branca, descendente de espanhóis, se passa por estrangeira. Só assim consegue postar.
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