Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Só segunda

20 de outubro de 2009, às 23:58h por Samarone Lima

Amados leitores, só retornarei ao Estuário segunda-feira que vem.

Inácio França (www.caotico.com.br)

Naire Valadares (www.turbantedanaire.blogspot.com)

Escreveram tudo de bom e bonito sobre meu casamento no último sábado.

Foi uma linda festa. Agora mereço uns dias fora do ar.

Saludos,

Samarone.

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Quando falta inspiração, é melhor partir para as lembranças

13 de outubro de 2009, às 17:32h por Samarone Lima

Iria escrever o mini-perfil do Sérgio Vaz, sujeito bacana pacas que conheci na Bienal, mas me faltou inspiração, e a Bienal também já acabou. Depois pensei em escrever sobre o debate devastador sobre meu livro, o Viagem ao Crepúsculo, mas todas as anotações que fiz com os 25  minutos do Marlos Duarte devastando meu trabalho, ficaram no carro de um amigo, apos uma viagem. Além disso, o cara tem todo o direito de malhar quem fala mal de Cuba, já que ele ama profundamente a revolução.

Hoje eu queria escrever mesmo, renovar esse Estuário, que às vezes me escraviza. Fui ao Parque 13 de Maio, tentar descolar alguma história no pós-almoço com dona Hilda, mas só vi alguns garis e uma gritaria desgraçada de umas aves querendo escapar da prisão, já que ali tem um pequeno zoológico. No Princesa Isabel, nada novo. Reclamam que não tenho ido lá, o que é verdade. Eu e minhas sazonalidades…

Então vou ao golpe baixo. Busco nos cadernos e arquivos algo que sirva. Encontrei esse texto que segue. Não tem data. Vai chegando a noitinha no Recife e deixo algo para meus leitores. Não é novo, mas é. É alguma coisa. Tem dia que o cara sofre, mas não sai nada. Escrever também cansa. Tem dia que é melhor partir para as lembranças.  

**

Errâncias

Saio pela Conde da Boa Vista debaixo de uma chuva desesperada, cada pingo arranca um pedaço do asfalto. Acompanha-me uma música de churrascaria, o tradicional órgão, no mesmo compasso da noite que me atrai. Venho para a decadência. A decadência me interessa muito mais que o luxo. Duas putas, uma com os peitos já sugados por seus muitos homens, dançam agarradas. Começa a tocar Bartô Galeno. Corpos cambaleiam, cabeças hesitam. Bêbados gritam “ó meu amado/por que brigamos? Ó minha amada/Não posso mais viver assim/perto de ti”.

O solitário sempre me interessa. A solidão me interessa mais que a decadência. Sentado, diante do copo de Vermout, ele pensa em algo. O olhar está voltado para algum ponto vazio. A música embebeda o tom da canção, e logo todos estão altos, nesta sexta-feira de ruas e corpos encharcados. “Volta meu amor/ Fica comigo, só mais uma vez”, geme o órgão, com o teclado imprestável. A mesma balada serve para todas as músicas, todos os sentimentos.

A chuva para. A Conde da Boa Vista está coberta por um espelho doce e recente, a água reflete luzes apressadas, de carros que chegam. Ônibus se acotovelam, à procura de um lugar na noite, ainda intranqüila. Não há elegância em nada que vejo, mas não há deselegância. Há somente a vida, que salta, que se desdobra, que multiplica seu viço e sua incerteza. São os homens e mulheres que fazem o Recife ser o que é. Uma cidade que pulsa ferida, calcinada pela própria existência.

Há algo de frágil neste bar onde estou. O álcool ilumina desesperos, acalma covardes, refaz a esperança dos moribundos, que tateiam seus nacos de vida. A fragilidade da existência que é apenas um toque de bengalas nos abismos das mesas e cadeiras. 

Falta um bêbado que dance sozinho. Sempre, em algum lugar decadente, há um bêbado que dança sozinho. O garçom com cara de rato olha tudo, varrendo as mesas com olhos de vigilante. Sempre há um bêbado que chora. Há bêbados que contam toda sua vida em 15 segundos. É necessário ouvi-los. É necessário emprestar ouvidos a esses que querem apenas nos doar, por alguns segundos, suas próprias dores. O desdém é um pecado irrecuperável. Eu mandaria para o inferno quem escutasse minhas dores com um olhar evasivo. Seria capaz de matar, se, ao final da minha história de amor, algum sofrimento ainda latejando, alguém dissesse: “eu sei o que estás sentindo, já passei por isso”. Mataria a amizade, creio, o maior dos crimes.

Não. O que o homem quer é sempre salvação. E salvação não vem do passado. Para salvar-se, é necessário deixar que a ciranda do amor e da morte circulem no mesmo coração. Querer salvar-se é o desejo mais nobre de qualquer desesperado. Me identifico com esses que não têm para onde ir, e se forem, não ficarão muito tempo. Com esses que confessam fraquezas e fracassos. Com essa estranha humanidade que a noite faz aflorar, feita de álcool, sorrisos, lágrimas, palavras entorpecidas e um breve cruzamento de vida e morte, passageiros de uma agonia precoce e antiga.

Por fim, antes de partir, escuto a frase da noite.

“Vim pedir a bênção de vocês, antes de dormir”.

Ninguém respondeu ao bêbado, mas ergui o copo e o saudei. Vai com Deus, filho.

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A literatura que vem da periferia: Sacolinha (I) e Sérgio Vaz (II)

9 de outubro de 2009, às 5:17h por Samarone Lima
Sacolinha, na Bienal
Sacolinha, na Bienal

   Foto: Pedro Rodrigues (www.vetorcultural.com)

Conheci os manos ontem, quando coordenei uma mesa intitulada “A voz do povo – literatura e periferia”. Quero apresentar os dois caras, que tiveram histórias diferentes, mas o livro atuou como personagem principal. Vidas que tiveram um antes e um depois do encontro com esse objeto mágico, feito apenas de papel e sonhos.

Sacolinha é o apelido de Aldemiro Alves, 25 anos. Até os 19 anos, não gostava de ler. Hoje tem dois livros publicados: “Graduado em marginalidade” e “85 letras e um disparo”, que já vai na segunda edição. É o coordenador de literatura da prefeitura de Suzano, um município que destina 2% de seu orçamento para a cultura.

“Eu não lia até os 19 anos porque não gostava de ler, é que não me ensinaram a ler, não me disseram que eu podia gostar de ler. Quando comecei, tive uma overdose de leitura”, disse.

O cara trabalhava como cobrador, na estação do metrô de Itaquera, fazia aquelas longas viagens que todo paulistano conhece, saindo de casa de madrugada, e encarando o metrô. Para passar o tempo, Sacolinha resolveu ler. Começou pela carteira de trabalho. Pela primeira vez, a viagem de metrô ficou mais curta. Pouco depois, foi abordado pela PM. Estava sem a indentidade. O polícia queria arranjar encrenca. Sacolinha se ligou na leitura que tinha acabado de fazer e respondeu:

“Olha, está escrito aí na carteira de trabalho que ela serve como documento de identidade”.

O polícia ariscou. Foi à patrulha, falou com um sargento e voltou.

“É, você tem razão. Você tem informações, heim?”

Sacolinha pensa agora, em uma mesa da Bienal – ” se eu não tivesse informação, se não tivesse lido, o que poderia ter acontecido comigo?”

Aliviado com a dispensa dos tiras, pensou – “esse negócio de ler é bom”.

Separou um livro e começou a ler. Foi quando endoidou o cabeção e descobriu um mundo. Pausa, leitor. Essse momento mágico, o da descoberta dos livros, é um episódio fascinante na vida de muitas pessoas lindas que conheço. A vida fica colorida, se enche de personagens, histórias. O cara teve uma overdose de leitura. Como muitos jovens da periferia com quem trabalhei, Sacolinha escutou da mãe o famoso “você vai acabar ficando louco de tanto ler”.

O cara não ficou louco coisa nenhuma. Foi descobrindo a emancipação que a leitura proporcionava.

“Em 2003, eu já estava tendo um derrame, uma overdose de livros”.

Os papos cerveja+mulher+futebol já não serviam para o homem que devorava livros. Foi mudando os pensamentos, a forma de ver o mundo.

“Eu saía para a rua, para comentar “O crime do padre Amaro”, mas não tinha com quem conversar”, diz.

“Eu era o cara que brigava quando a porta do banco fechava comigo. Hoje, tiro a chave, tiro a bolsa, e se continuar apitando, faço um ofício para o banco e encerro a conta. O projeto de vida tem que ser muito maior que a briga na porta de uma agência bancária”.

Depois veio a escrita. Em 2005, lançou “Graduado em Marginalidade”, romance que esgotou em seis meses. No ano seguinte, veio “85 letras e um disparo”, relançado pela Global em 2007, e adotado como leitura em sete universidades.

Na prefeitura, Sacolinha coordena vários projetos lindos, de dar inveja a qualquer gestor, como o “Pavio Erótico”, sarau voltado para a literatura erótica. Tem também o “Fogueira, literatura e pipoca”, onde a turma discute um tema, uma vez por mês, em volta de uma fogueira. Outra coisa bacana é a Campanha de Incentivo às Bibliotecas Comunitárias, com arrecadação de livros, batendo de porta em porta. Depois, os livros são doados às bibliotecas, com a realização de sarau e debate. Na última sexta feira de cada mês, tem o projeto “Trocando Idéias”, para discutir um livro de um autor. O “Pavio de Cultura” acontece todo sábado. É um sarau em algum ponto da cidade. Média de 100 pessoas a cada encontro.

Como não sou besta nem nada, antes de coordenar a mesa fui pesquisar sobre Sacolinha. No blog dele (www.sacolagraduado.blogspot.com) há uma penca de coisas boas. Retiro uns trechos de “Crônica de um jovem salvo pela literatura”.

“Sou quem sou graças aos livros, se não fossem eles eu estaria a sete palmos debaixo da terra”.

“E hoje procuro mostrar a muitas pessoas o que um livro pode fazer na vida de alguém, eles salvaram a minha e continuam salvando”.

“A literatura salva. Esse é meu testemunho”.

“E toda vez que eu estou em algum lugar público e abro um livro, me sinto todo poderoso, como se eu tivesse o bem mais precioso do mundo; e tenho”.

Para mim, foi a mesa mais deliciosa e instigante da VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.

Mais tarde apresento a vocês uma jóia da natureza – Sérgio Vaz, da Cooperifa, que vem agitando e mudando a periferia de São Paulo com a maior das armas para salvar almas – a literatura.

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Perambulações literárias

5 de outubro de 2009, às 22:39h por Samarone Lima

São 17h03, acabei tudo do trabalho, consigo um bigu até o Centro de Convenções. Vou levando na sacola um lote do meu livrinho de Cuba, para tentar descolar algum stand, ver como estão as vendas no Empório Pernambucano. Mais que isso, perambular, perambular, andar a esmo, sem mapas, aberto aos encontros. Encontro fácil o stand, Viagem ao Crepúsculo está num lugar bom, a Ligia tem sido muito atenciosa, até me ofereceu bolo de mandioca.

Encontro o Wellington, do Urros Masculinos. O cara é agitador dos bons, está organizando a Free Porto, festival paralelo à badalada Fliporto. Acertamos os detalhes do “lançamento” do meu livro, numa competição que acontecerá no Bairro do Recife. Cada autor vai arremesar seu livro o mais longe possível. Estou no páreo, porque em 2003, fiz isso com Clamor, na venda de Seu Vital.

Wellington me fala do Flash Mob, um lance de reunir uma galera simultaneamente, através de articulações na Internet. A concentração será no sábado, às 15h30, perto da praça de alimentação. Às 16h, vai tocar uma buzina, e todo mundo envolvido com a parada vai deitar no chão, e começar a recitar “No meio do caminho tinha uma pedra”. Vou hoje começar a decorar umas duas frases, para participar do meu primeiro Flash Mob da vida.

Olho as prateleiras. Fico de olho no Fernando Savater – “O Valor da Educação”. Caro pacas – R$ 39,90. Resolvo aguardar.

Saio a esmo, encontro o Felipe, vendedor da Livraria Poty. Ele está sempre andando de um canto para o outro, conversa mais que o homem da cobra. Vamos à Poty, que está cheia. Na Bienal, tudo está meio cheio, porque cada professor do Estado ganhou R$ 200,00 para comprar livros.

“Olha quem está aqui, o Samarone”, diz, falando com outro vendedor.

“Rapaz, o que perguntaram pelo teu livro novo”, diz o outro vendedor.

“Mas rapaz, vocês não têm meu telefone na agenda?”, pergunto.

Eles concordam. Perdi alguns leitores. Deixo cinco livros consignados. Agora já tem o Empório Pernambucano e a Poty.

Olho as prateleiras. Vejo o livro do Geneton Moraes, o dossiê sobre o Gabeira. Bela edição, de dar inveja. Um monte de livros dele na prateleira, livros anteriores, não essas miudezas minhas. Pesco uma frase do Gabeira que me parece ótima para o mundo de hoje:

“Já não existem grandes roteiros de transformação. Há pequenos sonhos”.

Concordo radicalmente com isso.  Depois olho as prateleiras, vejo “História concisa da escrita”, do Charles Higounete, mas está sem o preço, detesto ficar perguntando o preço o tempo inteiro, vou perambular mais. Pocot, pocot, pocot.

Vou vendo a legião de livros de auto-ajuda. O que esses miseráveis estão vendendo, é uma baita auto-ajuda para a conta deles… Começo a tomar notas.

“A sabedoria da tartaruga – sem pressa e sem pausa”, de José Luís Trecheira, Editora Academia. Fico pensando como deve ser a vida de uma pessoa sem pressa e sem pausa.

Encontro Pereira, ex-garçom do Garraffus, que faliu outro dia e eu nem sabia. Parece que o rombo foi feio, chegou a R$ 120 mil, eu respirei aliviado em saber que não era mais o dono.

“Perdi 20 mil lá dentro”, disse Pereira, e fiquei desconfiado que o bar funcionava também como cassino clandestino, para o cara perder tanto dinheiro.

Vejo o Zelito Nunes, que está com um armazém cultural, o Cariri & Pajeú. Ali a turma nem vai beber cana, até dia 12 de outubro. Pensem num lugar que vai reunir coroinhas e franciscanos…

Passo pelo stand da “Edições Edificantes”, mas acho o nome um pouco redundante. Pouco depois, no stand da Pernambooks, uma mulher lia uma história para sua filha. Eu adoro ficar olhando essa iniciação ao mundo da leitura, que tem a mãe como grande incentivadora.

Na Pernambooks, procuro o responsável, para ver o lance da consignação. É o Lameck Araújo. O cara começou a brincar de esconde-esconde comigo. Não estava. Fui andar, esbarrei em Tarcísio, ex-Livro 7. Está com sua Livro Rápido, feliz pacas.

“Passei só para dar um abraço. Como estás?”

“Com muitos livros e muitos amigos”, responde.

Passo num stand e tanto – “Livros que curam”.

Vou cada vez mais impressionado com o bloco da auto-ajuda.

“Encontre Deus na cabana”, de Randal Rauser, Editora Planeta. Sem comentários.

Me recupero com dois quibes deliciosos a R$ 1,50 cada, e um café orgânico na medida, a R$ 1,00.

Já merendado, vou seguindo.

“Mulheres boazinhas não enriquecem”, de Louis P. Frankel, Editora Sextante.

No caminho, fico pensando entre meus miolos: será que não estou com preconceito? E se essas porcarias forem boas de verdade. Me acovardo, resolvo pegar “Um fim de semana para mudar a sua vida”, de Joan Anderson, da Editora Rocco. Surgem os primeiros tópicos: 

“Reconheça que está perdida”;

“Dê à sua vida a atenção que ela merece”;

“Torne-se uma especialista nas coisas do eu e da alma”;

“Cuide de você”.

Ao final, várias sugestões brilhantes, que sugiro aos meus leitores:

“Nade despido”;

“Colecione elogios”.

Volto à Pernambooks. O Lameck acabou de sair de novo, o lazarento.

Compro dois livros de poesia lindos, da Biblioteca Nacional. Poesia Sempre Peru e Poesia Árabe Contemporânea. Edições lindas. Me custaram R$ 26,00. Minha auto-ajuda só pode ser literatura da melhor espécie. É minha cabana, meu encontro com Deus, minha natação despido, minha coleção de elogios nunca proferidos.

Um sujeito me encontra, me viu ontem no Lance Final, da TV Globo, quer começar a discutir a situação do Santa Cruz, mas aí eu acho demais.

Encontrei Raimundo Carrero, que está com livro novo, ele disse “vou bater pernas”, depois vi o poeta Pedro Américo, que lança outro sábado, 17h, no stand do Ateliê Editorial, junto com Jommard Muniz de Brito.

Volto à Pernambooks. O Lameck finalmente existe. Meia hora depois de falar sobre o Santa Cruz, fruto do programa do domingo, vamos ao lance da consignação. Falo do livro, explico os detalhes, ele fica empolgadíssimo, diz que é amigo do Derico, o sujeito que toca no programa Jô Onze e Meia, vamos ter que mandar um livro, ele vai telefonar para o cara, essas coisas todas, vou ter que pensar em mais uma edição, porque o programa tem uma audiência enorme, essas coisas que eu fico só olhando e achando engraçado. Fiquei meio alarmado, mas não estranho mais nada nesse mundo. Levarei os livros amanhã. Descubro que estou cansado. Hora de ir embora, Samarone.

À saída, tomo um café doce pacas a R$ 0,50. Saio bebendo, pensando na parada de ônibus, e já vou iniciando minha oração da carona. “Senhor, dai-me hoje um bigu/Dispensai o coletivo/Assim como dispensei/O carrinho novo sem IPI”, quando encontrei o Geyson Magno e o Eduardo, vulgo Dudu.

Pego uma carona até metade do caminho, no ar condicionado. O resto é de taxi, que fica barato, R$ 8,00.

Chego em casa, vou ler os poemas peruanos. Acertei em cheio. Vejam ai, meus leitores, uma auto-ajuda pra se lascar -o poeta Antonio Cisneiros (1924):

Para fazer amor

“Para fazer amor

deve evitar-se um sol muito forte sobre os olhos da jovem

tampouco é boa a sombra se o dorso do amante se queima para fazer amor.

Os pastos úmidos são melhores que os pastos amarelos

porém a areia grossa é ainda melhor.

Nem ao pé das colinas porque o chão é rochoso nem próximo das águas.

Pouco reino é a cama para este bom amor.

Limpos os corpos serão como uma grande pradaria:

que nenhum vale ou montanha reste oculto e os amantes

poderão tomar fôlego em todos os seus caminhos.

A escuridão não guarda o bom amor.

O céu deve ser azul e amável, limpo e redondo como um teto e então

a jovem não verá o Dedo de Deus.

Os corpos discretos porém nunca em repouso,

os pulmões abertos,

as frases curtas.

É difícil fazer amor, porém se aprende”.

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Vou com meu livrinho…

5 de outubro de 2009, às 14:38h por Samarone Lima

Trégua momentânea nas crônicas por conta do livro novo. Perdão, mas a editora é pequena e tenho que me virar.

Na Bienal Internacional do Livro do Recife participarei de três debates.

07/10 (Quarta-feira) – Literatura, sua cadeia produtiva e a relação com as políticas públicas

16h30 – Auditório Carlos Pena Filho.

Coordenação – Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF) – Cida Fernandez.

07/10 -  “Cuba – 50 anos depois, uma viagem ao cotidiano”. Debate com  Marlos Duarte.

19h30 – Café Cultural (com venda do livro “Viagem ao Crepúsculo”.

8/10 (5a feira) – “A voz do povo – literatura e periferia”.

Com Sérgio Vaz (SP), Sacolinha (SP), Gabriel Santana.

19h30 – Café Cultural.

Espero encontrá-los.

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