Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima


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Frei Betto, a blogueira e uma Cuba imaginária

7 de dezembro de 2009, às 15:19h por Samarone Lima

Acabo de voltar de Salvador, onde lancei meu “Viagem ao Crépúsculo” (Editora Casa das Musas), livro sobre a vida cotidiana do povo cubano, fruto de uma viagem que fiz à ilha, entre o final de 2007 e janeiro de 2008. Poucos dias depois do meu retorno, quando escrevia os primeiros capítulos do livro, Fidel Castro renunciou do cargo de Comandante-em-Chefe, depois de 50 anos no cargo.

Mal desfaço as malas, e recebo uma cópia de um artigo de Frei Betto – “A blogueira Yoani e suas contradições”.

Frei Betto disseca à sua maneira um episódio recente, quando a blogueira foi jogada em um carro e golpeada. Para ele, houve um “suposto ataque” real (Yoani não mostrou publicamente, em seu blog, os hematomas), e passa ao ataque simbólico. Vai à biografia da blogueira, para mostrar que ela foi morar na Suiça e voltou a Cuba para escrever sobre o regime. Questiona o retorno, como se os laçoa familiares não interessassem, e passa a questionar a quantidade de acessos do nicho “Generación y” – 14 milhões de visitas/mês. Para detonar a fonte, questiona sobre “quem paga os tradutores no exterior”, sugerindo, claro, conexões nada lícitas com cubanos de fora.

“Yoani Sánchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo de seu país. Mas só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira. Nem sequer é vítima da segurança ou da Justiça cubanas. Por isso, inventou a história das agressões. Insiste para que suas mentiras se tornem realidades”.

Não, Frei Betto, Yoani não tem “todo o direito de criticar Cuba”.  Isso, em Cuba, ninguém tem. No mês que passei na casa dos cubanos, escutei relatos os mais sombrios sobre repressão, sobre o perigo de criticar o regime, sob o risco de ser preso. Não se sabe exatamente o número de presos políticos no país. Talvez 200, talvez 250. Frei Betto, que já foi preso político, sabe como é duro. 

Inúmeras vezes escutei o povo cubano se referir a “nós” e “eles”. Traduzindo: “Nós”, o povo cubano. “Eles”, a elite do Estado, que comanda o país desde 1959.

O que se lamenta, de um homem com a trajetória política de Frei Betto – com quem me iniciei na leitura contra a opressão em meu país, com “Batismo de Sangue” – , é que tenha perdido o rumo e a medida, e para sustentar seu sonho revolucionário, precise mentir, usando o pesadelo alheio – de quem pensa defender.

Betto diz que os cubanos têm “casa, comida, educação e atenção médica gratuitas e segurança, pois os índices de criminalidade ali são ínfimos comparados ao resto da América Latina”.

Queria saber onde Frei Betto se hospeda, quando vai a Cuba. Fiquei em diferentes casas de cubanos, que passam as piores privações, desde a hora em que acordam, até o anoitecer. Acompanhei um cubano em sua busca pela comida racionada, num dos lugares mais deprimentes que já vi, após viajar por mais de 15 países.

Basta andar alguns quarteirões em Havana, para se ter a dimensão da pobreza, da frustração, do grau de dificuldade  e carência que mergulhou o país, onde é impossível andar um quilômetro sem receber uma oferta de produtos do mercado negro, onde há profissões em alta, como consertadores de caneta, de isqueiro. Um professor universitário, dentro de um ônibus, escutou a língua portuguesa e perguntou a um amigo se poderia conseguir um dicionário para ele, pois não tinha um disponível em seu departamento. Nos finais de semana, este mesmo homem faz vinho clandestino para sobreviver.

Frei Betto não sabe, creio, que os jovens que moram no interior do país, não podem ficar em Havana, sob o risco de serem deportados, e que esses jovens, quase todos mulatos, se insistirem em voltar, ganharão um processo criminal. Os rejeitados em Havana são chamados popularmente de “palestinos”.

“O curioso é que ela jamais exibiu em seu blog as crianças de rua que perambulam por Havana, os mendigos jogados nas calçadas, as famílias de miseráveis debaixo dos viadutos… Nem ela nem os correspondentes estrangeiros, e nem mesmo os turistas que visitam a Ilha. Porque lá não existem”, prossegue Frei Betto, que constrói uma Cuba imaginária para dar conta de tanta ideologia.

Em Cuba há miséria por todo lado, Frei Betto. As famílias de miseráveis se amontoam em casas-cortiços, os viadutos praticamente não existem e conheci mães que falam de seus filhos que estão com os dentes caindo, por falta de cálcio. Uma delas, que me hospedou, contou o inferno da prisão onde o filho está recolhido, onde outros 700 jovens compartilhavam o destino, muitos deles banguelas e descalços.

Mas há misérias piores. Cito duas: a falta absoluta de liberdade e o medo. O cubano só pode ler o jornal “Granma”, e “Juventud Rebeld”. A TV Cubana pertence ao estado, e o jornal reprisa diariamente louvações a uma revolução que vive seu crepúsculo. Em quase um mês, comprando jornais e assistindo TV todos os dias, jamais vi uma notícia de um crime, atropelamento, assalto. “Isso você jamais vai ver nos jornais”, me disse um Cubano, na noite de Natal, no mesmo bairro onde levou uma paulada na cabeça e teve tudo roubado. O cubano tem medo de falar o que sente e sabe que não pode falar. Presenciei, numa dessas filas de comida, um diálogo raivoso de dois cubanos, onde a pergunta quase inaudível era: “Quando vai acabar este inferno?”.

Dizer que “O capitalismo, que exclui 4 bilhões de seres humanos dos seus benefícios básicos, não é mesmo capaz de suportar o fato de um país pobre viverem com dignidade e se sentirem espelhados no saudável e alegre Buena Vista Social Club”, Frei Betto, é finalmente tripudiar em cima de um cotidiano que beira ao desespero, dos quase 12 milhões de cubanos.

Talvez Frei Betto precise voltar a Cuba, o mais rápido possível. De preferêncfia ainda este ano. Precisa se hospedar na casa dos cubanos e ver de perto como funciona o mercado negro, que vai do leite em pó ao arroz, passando pelo acesso clandestino à Internet. Precisa caminhar pelas ruas de Havana, principalmente à noite, quando dezenas de quarteirões estão sem iluminação pública. Terá que responder aos pedidos de um “sabonete”, se for descoberto como turista. Escutará dos próprios cubanos simples, se fizer amizade, como funciona a azeitada máquina de repressão e delação.

Mas talvez amoleça um pouco o coração dele quando ficar na casa de alguém que vende produtos no mercado negro, como fiquei. Quando chegarem mulheres, donas de casas, fatigadas, desesperançadas, em busca de “um pouco de arroz”, ou “um pedaço de galinha”, já que a fome lá é grande. É uma fome de tudo.

Se ficar no meio do povo, como tanto defendeu na época dos movimentos populares, Frei Betto talvez não veja tanta “dignidade”, e perca a ilusão de que há um espelho no “saudável e alegre Buena Vista Social Club”. Isso chega a ser cômico, de tão caricato, e me lembra a absoluta subserviência de intelectuais a regimes e sistemas, à relevia da vida real e do sofrimento dopovo.

Quanto à blogueira em questão, Yoani Sánchez é uma magricela cubana, descendente de espanhóis, que tem conseguido, com seu minúsculo blog (www.desdecuba.com/generaciony) falar sobre a realidade de seu país. São pequenas postagens, carregados de ironia e comovente desesperança sobre a vida cotidiana em Cuba. Para conseguir usar a Internet dos hotéis, proibida aos cubanos, ela se aproveita da cor. É branca, e muitas vezes se passa por turista.

O livro dela, “De Cuba, com Carinho” (Editora Context0), é uma leitura fundamental para todos os que idealizam seus sonhos revolucionários às custas do pesadelo alheio.

Sugiro que Frei Betto o compre. Se comprar, que o leia. Se ler, que reflita. Se achar que ela, por criticar a vida sofrida em Cuba, é contrarrevolucionária ou “financiada por Miami”, eu também devo ser. No último capítulo de meu livro, falo sobre “Medo, Revolta e Delação”. Nada a ver com o “saudável e alegre Buena Vista Social Club”.

Postado em Crônicas | 52 Comentários »

52 Comentários

  1. Inácio França Disse:

    Botou pra fuder! Boa peleja, Sama véio. Vamo que Vamo.

  2. naire Disse:

    Esse é o Sama que gosto de ler!
    Parabéns pela coragem.
    Beijo

  3. Magna Disse:

    Gostaria que Frei Betto lesse isto.
    Beijo.
    Magna

  4. Ana de Fátima Disse:

    Samarone, antes de ler seu livro já tinha notícias que as coisas estavam ruins em Cuba. Mas, confesso que não sabia o tamanho da gravidade da situação.
    Outro dia, encontrei um amigo que foi a Cuba recentemente e que passou dois meses e voltou muito magro. Inclusive este fato deixou todo mundo surpreso com a situação que ele teima em negar. Então, falei do seu livro para ele. Perguntei se ele conhecia…………. A resposta foi que vc teria morado no submundo de Cuba.
    Sem pestanejar perguntei: Como vc explica existir submundo em Cuba?
    Ele ficou sem resposta ….Pensou e disse : é mesmo!!!. Precisamos conversar (mas, a conversa não aconteceu e acredito que não vai acontecer).
    Fico pensando, como ainda é complicado e difícil as pessoas entenderem que por mais diferença que Cuba fez em um determinado tempo, hoje parece sofrer de muitos males.
    A impressão que fica, infelizmente é que até sonhar é proibido.
    Mas como grande sonhadora não acredito ser possível arrancar do coração do povo a capacidade de desejar, de sonhar. Sem sonho não existe pulsão, reação……….
    Trabalhos como o seu, da Yoani Sánchez e de outras pessoas são de muita coragem e de uma importância sem medida.
    Abraços.

  5. Thiago Disse:

    Dá-lhe!

  6. Artur Rodrigues Disse:

    Isso ae, Samarone! Tem gente que ainda vive há três, quatro décadas atrás!

  7. ducaldo Disse:

    Arretou-se! Texto do carai!

    Acho impressionante – e decepcionante – o modo quase fanático com que pessoas tidas e havidas como intelectuais e, portanto, acima da média dos pobres mortais, se recusam a aceitar qualquer tipo de crítica, mesmo quando bem fundamentadas, em nome de um paraíso existente apenas nas suas cabeças.

    E nem se dão ao trabalho, com as prerrogativas que têm, de procurar saber se essa ou aquela situação é verdadeira. Respondem na qualidade porta-vozes oficiosos – ou oficiais, no caso de Frei Betto – com argumentação pífia e distorcida, beirando a novilíngua.

    Tem gente que ainda está descendo a sierra maestra de joelhos.

  8. joão lima Disse:

    Belo texto, Samarone. Penso o mesmo quando defendem Chávez e outros ladrões de liberdade. E, guardando as imensas diferenças, apesar de acreditar que o governo Lula é dos melhores que tivemos sempre, não consigo ver com bons olhos a cegueira crítica com o populismo e outros agravantes. Força, viva, viva.

  9. Luisiana Lamour Disse:

    Samarone
    Estou arrepiada de emoção e novamente às lágrimas pois revivi com esta crônica a leitura recente de seu livro.A velhinha a dizer que dormir com fome era muito triste, a moça que lhe hospedou a viver de vendas clandestinas,jovens, meu Deus,jovens sem dentes por falta de cálcio(leite só até os sete anos), pessoas a pedir shampoo, sabonete, ítens básicos de higiene,enfim , esta falta de direitos total.Falta de direito de escrever por não ter caneta!!!!Não poder entrar em um hotel,só turista entra, deve ser bom para Frei Betto ser turista!Isso é vida? Isso é ter dignidade?Qual é a ilha que Frei Betto fica? Será mesmo Cuba?Ou algum resort com nome de Cuba? Vi fotos postadas clandestinamente de idosos em Cuba em”intituições geriátricas ” completamente abandonados,imundos,sem roupas adequadas, caquéticos,com fome, tomando garapa por falta de comida… na pior das piores situações.Sugiro que Frei Betto as conheça, quem sabe não se interessa em ficar por lá ,Parabéns por este texto, ele deve ler, ele TEM que ler, não é possível tanta ideologia em detrimento da realidade, do total sofrimento de um povo.Ele deveria se hospedar como você se hospedou na casa de cubanos, aliás, ele só não, todos que ainda defendem o que não conhecem de Cuba.
    Parabéns mais uma vez pela força destas palavras!
    Luisiana

  10. chico guedes Disse:

    Bravo Samarone!
    Eu estive em Cuba faz 20 e poucos anos e alí já era clara a derrocada do sonho, só os cegos intencionais continuam insistindo nesse discurso perverso de defesa da gerontocracia repressora castrista. abraço potiguar.
    PS seu livro está à venda aqui em Natal?

  11. raul Disse:

    Segue link com o artigo, que parece datado, em questão.

    http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=43587

    Parabéns Samarone.

  12. Nivaldo Brayner Disse:

    Frei Beto X Beato Sama – Um belo embate.

    O danado é que quando eu vejo o Frei Beto afirmar nas suas últimas entrevistas que as invasões do MST são armações da elite, me convenço que os intelectuais da esquerda no Brasil precisam rever alguns velhos conceitos, hoje insustentáveis. A revolução cubana é um deles.

    Minha opinião nesse embate: o Sama está com argumentos muito mais lúcidos. Ganha Sama!

  13. Canto da Boca Disse:

    É dessa gente ousada assim como tu, que mete a mão na cumbuca de maribondo, que precisamos para as mudanças no/do mundo. A cegueira ideológica é tão perniciosa quanto o fanatismo, e infelizmente é assim que percebo o Frei Betto. O mundo muda numa velocidade estonteante, e num piscar de olhos, lá se passaram 50 anos, e lá se foram os sonhos de uma sociedade justa, equitataiva, feliz, igualitária, mais rica simbolicamente, materialmente… Infelizmente! Já se sabe das dificuldades do povo cubano há algum tempo, o ‘Viagem’ é mais um documento sério e contundente do que se passa na Ilha, o caso é que o livro do escritor Samarone, contrapõe-se aos escritos dos ‘mitos vivos’ (Cuba e Frei Betto). E fica então o sentimento de quem está ‘aprisionado’ em todos os seus direitos, na Ilha, e a imagem que todo o mundo apreendeu da revolução, de Fidel e de todo o contexto.
    Parabenizo-lhe, Samarone pelo livro, pelo texto e pela implicação diante da vida!

  14. Adalberio Disse:

    Samarone, sempre tive uma curiosidade em conhecer Cuba pelo que via falar sobre a ilha de Fidel e sobre o socialismo. Fiquei estarrecido pelo que você relata no livro sobre Cuba. Me lembro de você dando uma palestra na Faculdade Joaquim Nabuco junto com a Professora Ana Braga e onde tive o prazer de comprar o seu livro Clamor. Abraço

  15. Joana Disse:

    Parabéns Samarone, espero que o Frei Betto acorde rápido!
    Beijos

  16. Yvette Disse:

    Somente o fato de morar em um local que não pode sair nunca a não ser em raríssimas exceções para mim já é dos piores. Mesmo que eu não viaje nunca, gosto de saber que posso. Parabéns mais uma vez, Sama! Grande beijo. Y

  17. Thaís Disse:

    sama, tou terminando de ler viagem ao crepúsculo! sabe que esse foi o primeiro livro que eu não leio a última frase dele antes de começar, né? tá valendo a pena! haha

  18. Luca brevi Disse:

    Bem,falar mal de Cuba?Porquê?
    E porque não falar do embargo imposto à Cuba?Porque não falar que a tal blogueira Cubana tem apoio da CIA?Seu blogue é traduzido para 18 idiomas,quem paga?Que procurada pela BBC,disse ter ematomas pelo espancamento e nao os mostrou.

  19. Afonso Bezerra Disse:

    Tudo, menos dizer que o nobre Sama é comprado. Essa pegou pesado!!!

    É muita conspiração, e acredito que conspirar não faz parte do trabalho do Samá.

  20. Helder Barbosa Disse:

    Meu caro, em 1987, portanto a vinte e dois anos atrás estive lá em Cuba embalado por sonhos revolucionários mas ao contrário de muitos de nós, fugi dos contatos tradicionais com autoridades e brigadas à moda cubana e também procurei uma convivência mais próxima com a população cubana. Em pelo menos um caso, um músico cubano que tocava Jazz num buteco meio marginal, e que por isto mesmo atraiu minha atenção, foi admoestado em minha presença por andar com estrangeiros – eu e minha bela mulher baiana, que chamava a atenção por onde passava.

    E com muito pesar, percebo que depois de tanto tempo a situação não mudou muito.

    Só espero que o Frei Betto lhe ouça e como nós, entre em contato direto com a pupulação.

  21. Sirley Disse:

    Sama,
    belo e corajoso texto.
    não li o texto que Frei Beto escreveu, acredito que, se foi ele que escreveu, deve estar muito equivocado, mas torço que ele leia o teu livro e o de Yaoni e que possa olhar Cuba, se distanciado da figura do “amigo” Fidel (amigo dele), como ele consegue fazer ao escrever “A mosca azul”, falando sobre os bastidores do Governo Lula.
    Abraços,

  22. Antonio Lino Jr Disse:

    Nem Frei Beto, nem o castrismo, nem a blogueira em questão, que vc em muito contribui quando revela vozes de um cotidiano maquiado, inquestionável. Agora, penso que o maior desafio é libertar esse povo do processo de culpabilização patrocinado pelo imperialismo, em que pese o cerceamento totalitário castrista,mais comprometedor é o crepúsculo ideológico, vaticinado em ações impeditivas de solidariedade de outros povos ao que se passa em Cuba, por parte da camarilha americana.

  23. ro Disse:

    Samarone
    sempre admirei Frei Betto e fiquei indignada com o que ele escreveu. Mais uma vez, minha indignação vem por ver argumentos baseados em cima de pressupostos/ percepções, ao invés de se basear em fatos concretos. Nunca imaginei que Frei Betto pudesse emitir uma opinião assim.
    Acho que sua viagem a Cuba e consequente livro, trouxe a nós a Yaoni e , agora, centena, milhares de pessoas que buscam respostas para o mistério que cerca aquela ilha, onde persiste uma Ditadura há 50 anos !!!
    E, prá mim, Ditadura não precisa ser de direita ou esquerda. Qualquer ditadura cerceia a liberdade das pessoas pois centra-se na vontade de uma minoria. E, como já dizia uma amiga ” não consigo mais aceitar estas minorias que vivem no poder às custas das minorias”.

    Copiei abaixo o texto de Frei Betto, para quem tiver interesse de ler.

    “Blogueira Yoani e suas contradições
    09/12/2009

    Frei Betto

    O mundo soube que, a 7 de novembro último, a blogueira cubana Yoani Sánchez teria sido golpeada nas ruas de Havana. Segundo relato dela, “jogaram-me dentro de um carro… arranquei um papel que um deles levava e o levei à boca. Fui golpeada para devolver o documento. Dentro do carro estava Orlando (marido dela), imobilizado por uma chave de karatê… Golpearam-me nos rins e na cabeça para que eu devolvesse o papel… Nos largaram na rua… Uma mulher se aproximou: “O que aconteceu?” “Um sequestro”, respondi. (www.desdecuba.com/generaciony)

    Três dias depois do ocorrido nas ruas da Havana, Yoani Sánchez recebeu em sua casa a imprensa estrangeira. Fernando Ravsberg, da BBC, notou que, apesar de todas as torturas descritas por ela, “não havia hematomas, marcas ou cicatrizes” (BBC Mundo, 9/11/2009). O que foi confirmado pelas imagens da CNN. A France Press divulgou que ela “não foi ferida.”

    Na entrevista à BBC, Yoani Sánchez declarou que as marcas e hematomas haviam desaparecido (em apenas 48 horas), exceto as das nádegas, “que lamentavelmente não posso mostrar”. Ora, por que, no mesmo dia do suposto sequestro, não mostrou por seu blog, repleto de fotos, as que afirmou ter em outras partes do corpo?

    Havia divulgado que a agressão ocorreu à luz do dia, diante de um ponto de ônibus “cheio de gente.” Os correspondentes estrangeiros em Cuba não encontraram até hoje uma única testemunha. E o marido dela se recusou a falar à imprensa.

    O suposto ataque à blogueira cubana mereceu mais destaque na mídia que uma centena de assassinatos, desaparecimentos e atos de violência da ditadura hondurenha de Roberto Micheletti, desde 27 de junho.

    Yoani Sánchez nasceu em 1975, formou-se em filologia em 2000 e, dois anos depois, “diante do desencanto e a asfixia econômica em Cuba”, como registra no blog, mudou-se para a Suíça em companhia do filho Téo. Ali trabalhou em editoras e deu aulas de espanhol.

    Em 2004, abandonou o paraíso suíço para retornar a Cuba, que qualifica de “imensa prisão com muros ideológicos”. Afirma que o fez por motivos familiares. Quem lê o blog fica estarrecido com o inferno cubano descrito por ela. Apesar disso, voltou.

    Não poderia ter assegurado um futuro melhor ao filho na Suíça? Por que regressou contra a vontade da mãe? “Minha mãe se recusou a admitir que sua filha já não vivia na Suíça de leite e chocolate” (blog dela, 14/08/2007).

    Na verdade, o caso de Yoani Sánchez não é isolado. Inúmeros cubanos exilados retornam ao país após se defrontarem com as dificuldades de adaptação ao estrangeiro, os preconceitos contra mulatos e negros, a barreira do idioma, a falta de empregos. Sabem que, apesar das dificuldades pelas quais o país atravessa, em Cuba haverão de ter casa, comida, educação e atenção médica gratuitas, e segurança, pois os índices de criminalidade ali são ínfimos comparados ao resto da América Latina.

    O que Yoani Sánchez não revela em seu blog é que, na Suíça, implorou aos diplomatas cubanos o direito de retornar, pois não encontrara trabalho estável. E sabe que em Cuba ela pode dedicar tempo integral ao blog, pois é dos raros países do mundo em que desempregado não passa fome nem mora ao relento…

    O curioso é que ela jamais exibiu em seu blog as crianças de rua que perambulam por Havana, os mendigos jogados nas calçadas, as famílias miseráveis debaixo dos viadutos… Nem ela nem os correspondentes estrangeiros, e nem mesmo os turistas que visitam a Ilha. Porque lá não existem.

    Se há tanta falta de liberdade em Cuba, como Yoani Sánchez consegue, lá de dentro, emitir tamanhas críticas? Não se diz que em Cuba tudo é controlado, inclusive o acesso à internet?

    Detalhe: o nicho Generación Y de Sánchez é altamente sofisticado, com entradas para Facebook e Twitter. Recebe 14 milhões de visitas por mês e está disponível em 18 idiomas! Nem o Departamento de Estado do EUA dispõe de tanta variedade linguística. Quem paga os tradutores no exterior? Quem financia o alto custo do fluxo de 14 milhões de acessos?

    Yoani Sánchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo do seu país. Mas só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira. Nem sequer é vítima da segurança ou da Justiça cubanas. Por isso, inventou a história das agressões. Insiste para que suas mentiras se tornem realidades.

    A resistência de Cuba ao bloqueio usamericano, à queda da União Soviética, ao boicote de parte da mídia ocidental, incomoda, e muito. Sobretudo quando se sabe que voluntários cubanos estão em mais de 70 países atuando, sobretudo, como médicos e professores.

    O capitalismo, que exclui 4 bilhões de seres humanos de seus benefícios básicos, não é mesmo capaz de suportar o fato de 11 milhões de habitantes de um país pobre viverem com dignidade e se sentirem espelhados no saudável e alegre Buena Vista Social Club”.

    ——————————————————————————–

    Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais

    Fonte: Adital

  24. ro Disse:

    CORREÇÃO:
    “NÃO CONSIGO MAIS ACEITAR estas MINORIAS que vivem no poder às custas das MAIORIAS”.

  25. samarone Disse:

    Temos mais uma contribuição ao debate, no blog da Flavia Suassuna.
    http://www.fsuassuna.blogspot.com
    Boa leitura.
    Samarone

  26. Silvana Campos Disse:

    Oi Samarone, tudo bom? Você já encaminhou esse teu post pro Frei Betto pra ver o que ele responde?
    Talvez falte mesmo a ele fazer uma viagem a Cuba por estes tempos.

    Abraço!

    Silvana
    esquinadasil.blogspot.com

  27. naire Disse:

    Pra temperar o debate:
    Acho que cada um deve externar o que pensa. Frei Beto tem um olhar sobre a “ilha” e Sama, outro. Portanto, ambos devem ter suas razões para apoiar ou não a ditadura Castrista.
    E viva a liberdade de expressão!

  28. André Melo Disse:

    Bacana, Naire.

  29. Yvette Disse:

    Sama, dê uma olhada lá no http://pilhapuradejoaninha.blogspot.com/ para prosseguir o debate.
    bj

  30. Adrianacleao Disse:

    Liberdade de expressão é fundamental, mas há limites para tudo! Distorcer fatos, por exemplo, não é liberdade de expressão, é mentira.Lutar por uma sociedade mais justa, mais fraterna e igualitária é, também, combater de frente os fatos distorcidos veiculados por aí.

  31. André Melo Disse:

    Adriana, quem está distorcendo os fatos: Samarone ou Frei Beto?
    Pelo que sei, tanto um, quanto o outro, em face de suas convicções, luta por uma sociedade mais justa, mais fraterna, igualitária… Acreditam, também, “combater de frente os fatos distorcidos veiculados por aí.”

    Grande abraço.

  32. anonimo Disse:

    estou contigo.Valeu…

  33. naire Disse:

    Bingo, André!

  34. Adrianacleao Disse:

    André Melo,
    por tudo que leio sobre Cuba, por tudo que ouvi de amigos e pelo que presenciei em Cuba, tenho certeza que Frei Betto está distorcendo os fatos sobre a vida do povo Cubano.
    Quanto a lutar por uma sociedade mais justa, acredito na acomodação de Frei Betto. Já Samarone, não sei, e não pensei em dizer que “Samarone” lute por uma sociedade mais justa, mais igualitária (eu não o conheço pra dizer isso).
    O que penso é que liberdade de expressão é liberdade de expressão, mas quando se fala em fatos, registros, a história é outra.
    Estamos discutindo aqui porque este foi o assunto lançado neste “blog”, mas Samarone não é o único que foi à Cuba, são vários os que foram à Cuba, são várias as desilusões… A falta de perpectiva é grande, a falta de amor do Estado Cubano pelo seu povo é grande.
    Porque José Saramago cortou relações com Fidel? Fuzilamento? Foi. Este é um fato.
    Então, ouvir de um homem como Frei Betto tudo que ele disse, dói, e como dói.

  35. Renan Cabral Disse:

    Golaço de Sama! (…e, frango de Frei Betto.) Betto parece estar esquecido de parte importante da tradição crítica a qual é filiado. Debate importante.

  36. anônimo Disse:

    estou contigo.Valeu… tb

  37. roberto Disse:

    estão claras as intenções deste Samarone.

  38. roberto Disse:

    “Yoani Sánchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo do seu país. Mas só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira.”

  39. Fatimalins Disse:

    Todo direito e DEVER!

  40. Anna Disse:

    Sama, meu filho, você sabe que ao ler seu livro comentei que “o sonho acabou”. Sou da geração de Frei Betto, vivi os fatos do Batismo de Sangue, convivi com quase todos os amigos de “Zé”, inclusive tive alguns encontros com ele, e, como a grande maioria dessa geração (não aquela parte dos que apoiaram o golpe de 64) tive informações maravilhosas sobre o “socialismo” de Cuba. E era com isso que a gente sonhava para o Brasil. Alguns, infelizmente, estacionaram na história e mantiveram os olhos fechados ao endurecimento desse regime que se dizia do povo. Sei que você é um grande escritor, sei que se quisesse poderia criar um livro de muito mais páginas do que esse, de tanta polêmica, mas não há porque duvidar que aquelas cenas descritas (as velhinhas que vinham buscar leite, as galinhas que chegavam supercongeladas, a dificuldade de usar Internet)sejam verdade. Esse debate foi muito interessante mas acho que Frei Betto deveria receber essa página inteira, inclusive com os comentários de seus leitores, para ver a necessidade que ele tem de revisar, urgentemente, seus conceitos e até os locais onde se hospeda quando vai a Cuba. Estou com você.
    Um cheiro de mãe.

  41. samarone Disse:

    Não se sabe exatamente o número de presos políticos em Cuba. Talvez 200, talvez 250.
    Só essa dúvida já me causa horror.Os intelectuais de esquerda que bancam isso não falam do tema.
    Samarone.

  42. gustavo pedrosa Disse:

    sama, amigo do jornalismo. estou morando em são paulo desde março e tenho feito uma divulgação forte do teu blog. parabéns por este artigo amigo. e possível comprar teu livro sobre cuba pela internet? qual o endereço?
    um abraço?

  43. Paulo Amorim Disse:

    Caro Samarone, parabens pelo seu trabalho, principalmente por ter a coragem de revelar em publico as mentiras de Fidel e seus asseclas. Desde minha infancia eu sonhava com um mundo melhor e a soluçao era o socialismo. Hoje,muito decepcionado vejo que fui enganado pela propaganda dos ditadores cubanos com o apoio de Frei Beto, que nesse momento
    deveria vir a público contestar, com provas, as verdades escritas por você.
    Em caso contrario, concluiremos que Frei Beto não tem passado, presente e futuro.
    Parabens bicho. Você é o cara.
    Paulo Amorim

  44. Angelo Renzo Disse:

    O único vivente que conheço e que passou três anos na Ilha da Fantasia, e voltou lustroso é Tilden Santiago, ex embaixador brasileiro em Cuba. É verdade! Ele voltou gordo a ponto de estourar. Vivia na boa vida de brasileiro petista e amigo do regime ditatorial de Fidel. Talvez vivesse de run, mulatas e charutos. Da boa comida paga com dinheiro do contribuinte brasileiro, com a boca risonha bem aberta e de olhos, ouvidos e coração… bem fechados.

  45. Angelo Renzo Disse:

    leiam e vejam como foram distribuidos os despojos após a eleição de lula. No caso a embaixada do Brasil em Cuba, as palavras de Tilden dão a entender que serviu de prêmio, de recompensa e não como missão. A boa vida de três anos em Cuba, absurdamente contrastante com a vida canina dos cubanos, se fez notar na bela(?) pança de Tilden no seu retorno ao Brasil. Falo de Tilden como pderia ser de qualquer outro. Seu (mau) exemplo é gritante. Onde os direitos humanos?
    Leia e reflita:

    “Carrego na lembrança, apontamentos para um livro de memórias que nunca escreverei.
    Pouco antes das eleições de 2002, já se celebrava a vitória nas ruas centrais de Varginha: “Brasil Urgente, Lula Presidente”! A passeata eleitoral chegava ao fim. Tínhamos um intervalo de uma hora para iniciar o comício. Caminhava como candidato ao Senado ao lado de Lula. Ele sussurrou aos meus ouvidos: “Vamos esperar o comício molhando desde já a palavra…”
    _ “Lula, estamos crescendo nas pesquisas de semana para semana. É certo que você será nosso presidente e se esse ritmo de crescimento nas pesquisas continuar, já me sinto Senador de Minas e de você. Se isso não acontecer, como poderei contribuir com nosso governo? No Jequitinhonha, na Amazônia, no Velho Chico, No Pantanal, no Nordeste, Onde?
    _“Vou mandar você para a Palestina, onde você já viveu na juventude. Vamos criar lá nossa Embaixada”
    _”Mas então você vai ter de me arranjar uma metralhadora, porque lá é bala voando para todo lado”
    _”Não! Vou enviá-lo como mensageiro da paz.” Pensou um pouco antes de me revelar sua sugestão, que mais tarde virou determinação:
    _”Vou te mandar para Cuba, já que você é metido à socialista”.
    Um mês mais tarde, logo após o primeiro turno, Lula veio vitorioso a Minas, para agradecer o apoio de Itamar Franco. No palácio da Liberdade, ele me pegou pelo braço e se dirigiu ao governador: “Itamar, estou com dúvida atroz: não sei se mando see ex-secretário do Meio Ambiente para a Palestina, ou para Cuba.”
    _”Manda para a Palestina, ele já viveu lá, sugeriu o governador. Mas Hélio Costa já vitorioso para o Senado, entrou na conversa: “Ele é latino-americano, seu lugar é na Ilha de Fidel.”
    Algumas semanas mais tarde, com a vitória definitiva de Lula, foi da boca do Senador e amigo Aloísio Mercadante, que recebi a notícia: “Não se iluda, mineirinho. O ministério do Meio Ambiente já é de Marina e a Embaixada de Cuba, dependendo do teste no Senado, será sua.”
    Na semana passada, encontrei Marina em Brasília. Relembramos este e outros momentos felizes dos 30 anos de PT. Serei sempre reconhecido ao Presidente Lula pelos anos que vivi em Cuba, como Embaixador do Brasil. E também ao eleitorado mineiro, pelos quase três milhões e meio de votos que motivaram o gesto companheiro e generoso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”

  46. Guilherme Disse:

    Eu gostaria de me expressar um pouco aqui sobre os comentários desta recém famosa blogueira cubana. Eu sou saxofonista, morei três anos na ilha, sem visitar o Brasil neste período, estudei música no ISA (Instituto Superior de Arte de Havana), antigo clube de campo dos turistas norte-americanos antes de 1959. Fiquei a maioria do tempo em Havana, onde eu estudava,mas em um dos períodos de férias, com a mochila nas costas e pedindo carona, atravessei durante quase dois meses a ilha inteira, de ponta a ponta, passando por todas as capitais e outros lugares, como Placetas, Puerto Padre, Mayarí e Chivirico. Tentei me manter o mais longe possível dos programas turísticos, pois queria conhecer a Cuba vivida pelos cubanos. Nos três anos em que lá estive, minha convivência foi basicamente com os cubanos, no ISA não tem muitos estrangeiros e eu era o único brasileiro.
    Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que considero o conteúdo do blog desta cubana uma piada pra quem já viveu em Cuba. Ela criticou a educação em Cuba? O sistema de saúde cubano? A violência na ilha? Não minha gente, não, isso só pode ser piada. Voltei há sete meses de Havana e ontem estava em um consultório médico quando resolvi folhear a droga da revista da manipuladora VEJA e lá estava a blogueira. Escreveu que foi agredida numa manifestação contra a violência. Manifestação contra a violência em Cuba? Nossa meus amigos, sinto muito, eu vivi três anos na ilha, sou músico, portanto, freqüentava muito os bares nas noitadas de Havana (sempre regadas de muita musica), andando por toda a cidade durante a madrugada: foram três anos, e nesses três anos e eu não vi nem sequer uma briga, nem sequer um tapa, nem sequer um puxão de cabelo, e essa cubana me vem dizer que estava numa manifestação contra a violência? Só pode ser piada mesmo. Até mesmo os cubanos que são contra o regime (na sua imensa maioria jovens que não viveram o país antes de 1959 e que sonham em ir para os EUA, enriquecer, comprar carros luxuosos, jóias, mansões, roupas de grife, etc.) sempre me diziam nas discussões: “Isso é verdade, aqui não deixam ninguém morrer, se você tem algum problema eles te curam” ou “Aqui não precisa ficar preocupado, se tem alguma coisa de bom em Cuba é que é um lugar seguro, aqui não tem a violência dos seu país” ou “É verdade, aqui te dão educação grátis e de excelente qualidade, mas não te deixam prosperar, o que significava ganhar muito dinheiro, enriquecer e consumir. Esse desejo surgiu ou intensificou a partir do contato com os milhares de turistas que a ilha recebe por ano e, como o próprio Fidel Castro diz, o turismo foi um mal necessário. Prosperar para nós não é conhecer, aprender e produzir e sim ganhar mais e mais dinheiro para consumir cada vez mais.
    Que tristeza ver no que nos transformamos, estamos perdendo a essência do ser humano para enraizar uma essência de consumo, destruindo cada vez mais o nosso planeta e se importando cada vez menos com as milhares de pessoas que não têm nem um prato de comida na mesa, quando têm mesa. É triste pensar que tantas pessoas que lutaram muito durante uma época bastante conturbada em nosso país, só estavam lutando contra uma ditadura e não contra a desigualdade social, a exploração das pessoas, a miséria, a falta de moradia, a fome. Já em Cuba é muito fácil perceber que estas lutas são claramente as prioridades do governo cubano, se necessita muita falta de sensibilidade para não enxergar isso. Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção quando cheguei em Havana, foi a aparência das pessoas que encontrava pelas ruas. Percebi que todos tinham uma boa pele, os dentes brancos e em perfeito estado. Tinham a aparência de pessoas fortes e como são fortes os cubanos. Altos e fortes. Logo pensei: “Ué! cadê a fome? Acredito que gente quem passa fome, não cresce tanto. Notei isso em todos os lugares que passei, em muitas outras províncias, e não somente em Havana.
    Moro na cidade de São Paulo, já viajei para vários outros Estados, e em todas as capitais vi crianças pedindo esmola no farol, crianças morando em baixo de viaduto, crianças vagando pela cidade em plena madrugada. Eu andei aquela ilha toda e as crianças que encontrei usavam uniforme, o que significava que eram escolares, e caminhavam acompanhadas pelo pai ou pela mãe ou por ambos. Uma vez, indo para Alamar um cartaz na rodovia exibia o índice mundial de crianças que passavam fome e terminava com a seguinte afirmação: “Nenhuma delas é cubana”. Eu não vi fome naquele lugar, não vi ninguém esbanjando comida na geladeira, é verdade, mas fome eu não vi. Gente que não toma café, almoça e janta todos os dias? Isso não existe em Cuba.
    Nas vezes em que precisei de atendimento médico em Cuba, fui atendido mais rapidamente e melhor que no hospital São Luiz, mesmo tendo aqui um plano de saúde que não é top de linha, mas está logo abaixo. Lá, não tive que pagar pelo atendimento mesmo sendo estrangeiro. Um amigo espanhol, que estudou comigo, tratou inclusive dos dentes, já que lá todo tratamento é gratuito e na Espanha, assim como no Brasil, a maioria dos planos de saúde não cobre o tratamento dentário. Eu só queria ver essa blogueira na fila do SUS esperando pra fazer uma cirurgia importante, sem saber quando será realizada.
    Uma das acusações mais comuns dirigidas ao governo Cubano, é o cerceamento da liberdade de expressão, a frase “liberdade de expressão” virou um slogan contra o regime cubano. Do meu ponto de vista, nada mais contraditório que um brasileiro criticando a liberdade de expressão em Cuba. O Brasil atualmente, segundo dados de 2008 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, possui 10,0% (cerca de 19,1 milhões) de analfabetos e 21,0% (cerca de 40 milhões) de analfabetos funcionais (só sabem assinar o nome). O primeiro passo para a extensão da plena liberdade de expressão de toda a população é a educação. Se um País não dá a possibilidade à grande parte da população (os abaixo da linha da pobreza) para aprender a ler, a escrever, a adquirir conhecimento, a fazer esportes, a aprender formas de arte, se um país não oferece condições mínimas de vida a uma grande massa da população obrigando-a a se preocupar, cotidiana e diuturnamente, apenas com o risco de não ter uma ração alimentar mínima, por falta de dinheiro, está CERCEANDO as possibilidades de liberdade de expressão, que passa ser privilégio dos bem aquinhoados.
    Além disso, qual liberdade de expressão nós temos no Brasil? Fora poucas revistas que são lidas por uma minoria quase insignificante, qual o grande meio de comunicação que atinge as grandes massas e que divulgam além do que os grandes conglomerados jornalísticos permitem que seja divulgado? Qual grande jornal, revista, estação de radio, canal de televisão que vai contra o sistema, que apoia o comunismo, o anarquismo ou qualquer outro sistema que não seja esse que nós vivemos? Se você reúne um grupo de pessoas e tenta derrubar o governo pra instaurar um novo sistema, você vai ser preso, morto na luta ou vai ser extraditado do país, pois esta é a forma que o sistema tem de se defender, qual seja ele. Em Cuba não é diferente, lá você pode discordar, só não pode querer derrubar o sistema, é obvio. E tudo isso com um agravante, o mundo cerca a ilha e “ninguem” quer que aquilo dê certo. Depois da queda da União Sovietica, Cuba, que economicamente era dependente do seu governo (recebia cerca de 4 a 6 bilhões de dólares anuais em 1990), ficou sem nada, em situação social de calamidade, o chamado “Período Especial”, de 1990 a 1996. É preciso analisar toda a evolução de um país que não tinha nada naquela epoca e hoje mantém uma qualidade de vida, em termos de necessidades essenciais como moradia, saúde, educação e cultura que Cuba tem, você vai ver que não existe país no mundo que melhorou tanto e segue melhorando. Seu PIB é de 51 bilhões de dólares (o do Brasil é de 2 trilhões de dólares) e, mesmo assim, Cuba ostenta um alto Índice de Desenvolvimento Humano (acima de 0,800); em 2007 o IDH de Cuba foi 0,863 (51° lugar – 44º se ajustado pelo PNB). Com uma renda tão baixa, se o governo fosse corrupto, o país não seguiria nesta direção, nós brasileiros deviamos saber bem disso. Desenvolvimento econômico não está necessariamente ligado ao desenvolvimento social e Cuba provou isso.
    A ilha consegue esse alto indice de desenvolvimento humano no seu país sem instalar grandes corporações, como acontece na maioria esmagadora dos países de terceiro mundo, onde podem pagar um salario baixissimo para seus funcionarios, sugar a materia prima e pagar baixos impostos. Pelo contrario, Cuba ainda exporta milhares de médicos, que viajam em missões de solidariedade para centenas de lugares do mundo todo, em países onde se o sistema de saúde não é ruím, ele simplesmente não existe. Mas sobre isso a VEJA não faz uma reportagem, também não faz uma reportagem sobre os milhares de estudantes de classes sociais muito baixas, que provêem de todos os países latino-americanos, inclusive brasileiros, que vão para Cuba estudar medicina e outras centenas em outros cursos, todos eles financiados pelo governo cubano, ganhando moradia, salário mensal, café, almoço, jantar e produtos para higiene pessoal. Todos esses estudantes estão se formando em Cuba sem pagar um centavo. A universidade de medicina de Cuba é uma das mais bem conceituadas no mundo e a sua valorização em âmbitos internacionais é muito maior que as universidades brasileiras, um médico cubano na Europa consegue trabalho sem dificuldades mesmo nos dias dificeis que vivemos, isso porque o sistema público de saúde cubano é considerado um dos mais eficazes do mundo. Ainda assim os mais de mil estudantes brasileiros que estão se formando em Cuba estão encontrando dificuldades para validar seus diplomas no Brasil, sob a alegação de que os brasileiros que estudam em instituições cubanas se formam medicos generalistas básicos; todos os que conhecem o curso que eles fazem em Cuba sabem que isso é uma grande mentira, o que ninguem publica é a verdade, a verdade é que medicina no Brasil é coisa para quem tem dinheiro para pagar, a grande minoria. Com a chegada de médicos brasileiros formados em Cuba, com o projeto de suprir cerca de mil vagas de médicos em comunidades indigenas no interior do país, essa tradição começa a ser rompida e aumenta a tendência de um barateamento no sistema médico do país, mas não, para a maioria do congresso é melhor as pessoas continuarem morrendo do que os custos médicos serem mais baratos
    Se eu fosse citar todas as vantagens que a ilha tem sobre nós eu teria que parar de tocar saxofone para me dedicar a escrever um livro, descrevendo todos os detalhes que, na verdade, não são tão detalhes assim, mas que passam despercebidos pelos olhares de muitas pessoas que viajam para lá com uma visão preconceituosa, elitista e não percebem coisas simples, como as crianças brincando pelas ruas de Havana, correndo pra cima e pra baixo, sem sequer seus pais se preocuparem; não importa se têm 5, 10 ou 15 anos, nada vai acontecer com eles lá fora, nenhum menino de 9 anos vai fumar crack e muito menos vender quinquilharias nas esquinas: isso não chega lá, as crianças em Cuba estão na escola, onde elas devem estar. O narcotráfico, um dos maiores problemas mundiais, em Cuba não entra, o tráfico de drogas é praticamente inexistente se comparado com o restante do mundo, não há droga nos bares ou nas festas freqüentadas pelos jovens cubanos, assim como não há as propagandas massivas de bebidas alcoólicas.
    Cultura transborda por todos os cantos, teatros, festivais de cinema, poesia, pintura e música estão por todas as partes e os preços dos espetáculos são acessíveis a todos os cidadãos. Tudo isso muita gente não percebe, isso a VEJA não publica, mas quando aparece uma pessoa com afirmações absurdas sobre a ilha, sem nenhuma fonte confiável para provar o que diz, aí sai na primeira pagina em todos os meios de comunicação, essa passa a ser a grande noticia do nosso país, cheio de “liberdade de expressão”.
    É facil para um brasileiro que vive em São Paulo, no Morumbi, na Vila Olimpia, em Ipanema ou na Barra da Tijuca sair criticando a ilha e dizendo que aqui está melhor que lá. Claro que sim! Minha familia é de classe média e eu também vivo melhor que os cubanos, mas quantos brasileiros vivem como a gente? Existem milhões e milhões de brasileiros que dariam a vida para ter as oportunidades que o governo cubano dá para seu povo, para ter uma casa como todos os cubanos têm, para ter atendimento médico gratuito de excelente qualidade, para não ter que se preocupar com a escola dos seus filhos, para ter um prato de comida em cima da mesa. Mas não, nós, cegos, preferimos reparar que lá não tem carne de vaca, que só tem carne de frango, peixe e carne porco, que a variedade dos alimentos não é grande como a nossa ou que eles não têm dinheiro pra comprar um Nike, um IPod.
    Vocês devem estar se perguntando se eu não tenho nenhuma critica negativa sobre a ilha, eu digo que é obvio que eu tenho varias, com certeza até mesmo o Fidel Castro tem varias criticas negativas ao seu governo. A questão não são os erros que eles cometeram ou os acertos, a questão é que a luta do governo cubano é pela melhoria na qualidade de vida de todas as pessoas, é um governo que luta pelo seu povo e faz o impossível para manter todas as condições básicas para o ser humano viver com dignidade. E tudo isso junto com o bloqueio comercial imposto pelos EUA que impede que o avanço na qualidade de vida dos cubanos siga em ritmo mais acelerado. Não é o Fidel que faz mal para a ilha, quem faz mal para a ilha somos todos nós, que a cercamos, a excluímos e seguimos prejudicando-os com nossas políticas internacionais que prejudicam um país que carece de muitos recursos financeiros.
    Nós não podemos esquecer de que, antes de fazer criticas sobre a conduta do governo cubano para com seu povo, temos que pensar primeiro no contexto político que viveu e vive a ilha de Cuba; um erro pode significar o fim de mais de cinqüenta anos de luta pela soberania de um povo, o fim de uma população saudável e muito bem educada. Lembrem-se de que o Haiti já foi o país com a melhor qualidade de vida da América Latina, situação que durou até a politica inglesa “america para os americanos”: hoje o Haiti é o país mais pobre da América.
    Antes de criticar as limitações impostas pelo governo para a saída dos cubanos do país, informem-se. Em primeiro lugar, os cubanos que tentam visitar familiares nos EUA assim como cubanos que vivem nos EUA e tentam visitar os familiares em Cuba, encontram muito mais resistência por parte do governo norte-americano do que por parte do governo cubano Essa resistência se dá pelo fato do governo norte-americano pressionar os cubanos que querem visitar seus familiares a assumir a nacionalidade norte-americana; como muitos só querem ir visitar a familia nos EUA e depois voltar, acabam tendo muita dificuldade para conseguir o visto. O mesmo acontece com outros países que impõem milhares de restrições para evitar que o cubano consiga o visto para a viagem. Quem já viveu em Cuba um tempo razoável sabe que isto é verdade, inclusive na televisão cubana passam propagandas insistindo para os norte-americanos liberarem os cubanos que lá vivem para visitar seus familiares em Cuba. Em Cuba existe uma lei que diz que se um cubano sair de Cuba como turista, ele pode ficar, no máximo, onze meses fora do País e, se esse tempo for ultrapassado, ele perde a nacionalidade por um tempo limitado. Muitas pessoas também não compreendem isso. Lembrem-se que Cuba é um regime Socialista, lá tudo é do Estado e o Estado garante todas as necessidades basicas da população (moradia, comida, educação e saúde); seria injusto que um cubano viajasse, trabalhasse fora, ganhasse bastante dinheiro, e depois voltasse para Cuba usufruir de todas essas vantagens, mas sem contribuir com nada. O Estado é o povo, o povo é o Estado. Com relativa freqüência, muito cubanos que viajam para Espanha ou outros países não voltam mais, pois logo conseguem um bom emprego, graças a excelente educação que tiveram em Cuba, mas os filhos ficam em Cuba. Quando você pergunta porque eles não foram também, te respondem: “Ah! lá a escola é muito cara, eu não teria condições de pagar”. Muitos destes cubanos ainda têm a cara-de-pau de criticar o governo do seu país. Eu acho que não precisa de muito para perceber que isso não está correto.
    Eu gostaria de saber quando é que a gente vai parar de aceitar que todos esses meios de comunicação nos manipulem, na defesa dos interesses de uma elite que não se importa com ninguém além dela mesma. Quando vamos parar de prestar atenção nesses canais de televisão, nessas rádios, jornais e revistas que mentiram pra nós o tempo todo, manipulando pesquisas eleitorais, escondendo informações e divulgando calúnias, quando vamos parar de aceitar coisas como “rouba mas faz” ou um presidente que escreve livros e livros e quando assume a presidencia diz pra esquecer tudo que ele disse. Que convicção tem uma pessoa dessas que muda de uma hora para outra? Acho que nunca teve convicção em nada. Hoje vivemos talvez o início de uma era que nunca vivemos, a América Latina está sendo cada vez mais tomada por governos de esquerda que realmente estão se importando com a nossos povos, como o Hugo Chavez na Venezuela, o Evo Morales na Bolivia, o Rafael Correa no Equador, o José Mujica no Uruguai e o Lula no Brasil. Só resta saber se vai ser apenas uma época ou se realmente vamos mudar. Esses presidentes não podem fazer nada se nós não ajudarmos, talvez se nosso povo se mobilizasse mais, nosso governo puderia realizar os seus projetos sem tantos obstaculos.
    Pra essa blogueira eu gostaria de dizer que ela deveria sentir vergonha das injustiças que comete com um país que conquistou tudo que Cuba conquistou mesmo sendo o único país que olha para os EUA e diz NÃO. Como pode ela dizer que todas essas conquistas foram falsas? Como pode ela, na reportagem para a revista VEJA dizer que nenhum estrangeiro que viveu em Cuba pode admirar aquele regime? Como ela pode falar assim pelos outros? Eu vivi em Cuba e não só admiro o seu regime como acredito nele, acredito que Cuba foi e continua sendo a grande esperança para os povos deste planeta que carecem dos recursos basicos para um ser humano viver. Eu tenho certeza que esses alunos de medicina, muitos oriundos de familias que não tiveram condições de proporcionar todas as oportunidades que todos os seres humanos deveriam ter por direito, e muitos outras pesoas solidárias a Cuba e que lá viveram, sentem a mesma admiração que eu por tudo de maravilhoso que lá foi construido e pela pouca esperança que nos resta, mas que passa a ser tão grande quando olhamos para nuestros queridos hermanos cubanos.
    Eu acredito que num futuro distante o Fidel Castro Ruz não somente será lembrado como um grande homem, mas sim como um ícone da luta pela justiça e pela igualdade social em nosso planeta, um ícone ainda maior que nosso querido comandante Che Guevara. Bom seria se o mundo não esperasse sua morte, como aconteceu com o Che, para reconhecermos isso. Eu espero estar vivo para ver isso e espero que até lá o governo cubano se mantenha forte e resistente para que, no futuro, não precisemos olhar para trás arrependidos e dizer: “Que pena, naquela época a situação podia ter mudado, mas não mudou”, como já vimos acontecer muitas vezes na nossa historia.
    Guilherme Soares Silveira Bueno

  47. Roger Prado Disse:

    Racionamento de papel higiênico elevou consumo de jornal Granma (não tem jeito: a lei da oferta e da procura determinando o valor do produto parece universal).
    Tal fato revela, de quebra, o humor involuntário do Coma Andante: o site do jornal na Internet tem como endereço http://www.granma.cu. Nome é destino.

    P.S.: sobre os especialista em liberdade de expressão que aqui comentaram, peço que evitem a contaminação de seu juízo pela confusão que têm feito entre fatos e opinião.

  48. Roger Prado Disse:

    Não adianta, nesses ambientes sempre surge um exemplar do que se convencionou chamar de perfeito idiota latino-americano replicando os velhos, anacrônicos e carcomidos chavões. Se Cuba é o paraíso, porque não ficam por lá? Não entendo, por exemplo, o que gente como Genoíno, Dirceu et caterva insistem em ficar por aqui, tendo Cuba a poucas milhas de distância, com o adendo de serem amigos do rei da ilha (talvez os atrativo$ aqui sejam bem maiores, apesar do “capitalismo” e da “elite golpista”). Também não dá para entender porque tanta gente opta por correr o risco de virar comida de tubarão a ter de ficar no paraíso caribenho. Cuba recriou o conceito de ilha: pedaço de terra cercado de fugitivos por todos os lados. Escolhas estranhas desses traidores da pátria. Deve ser a falta de proteína.
    Por falar em falta de proteína, medicina cubana? Ora, não precisa ir à ilha com um violão debaixo do braço para obter depoimento de cubanos denunciando a falta de esparadrapo nos hospitais. Mas deve ser culpa do embargo, não? É sempre assim: o que há de bom, fomos nós. O que há de ruim, foram os outros. E assim se forma o caráter de um povo que padece do coitadismo e se acanha em sua autopiedade. (No Brasil ocorre algo semelhante. O pobre coitado que está agora no palácio do planalto, movido pela vaidade doentia, credita todos os avanços mundiais à sua magnânima existência. Os males que ainda existem, claro, provêm de forças da escuridão alienígena que, não tarda, ele extirpará com seu cajado mágico). Pobre povo dependente de messias. Mal consegue resolver o problema do saneamento básico em seu quintal e já quer dar liçoes aos EUA.
    Voltando à medicina cubana: alguém aí consegue apontar algum avanço significativo na área que tenha tido contribuição de Cuba? Algum Nobel em alguma área para eles? Química, medicina, física? Não? Puxa! Deve ser algum tipo de boicote, pois afinal Cuba têm o melhor atendimento médico do Universo. Opa, mas isso não bate com um fato: lembro-me que quando o Coma Andante ainda andava e ficou doente uns cinco ou sete anos atrás, correu para o avião e foi se tratar na… Espanha! Ué? Os hospitais cubanos estavam todos em reforma?
    Sobre educação cubana: digamos que todas as crinças cubanas estejam na escola. Ora, o que essas crianças têm recebido de informação educacional? Se as escolas são apenas madraçais, que valor tem essa educação? Mostrar apenas o que convém ao regime pode ser chamado de educação? Digamos que um grande escritor surja entre esses estudantes. Digamos que ele queira cometer o crime de pensr diferente do seu líder. Digaos que resolva escrever um livro sobre isso. Conseguirá sem dificuldades? Se não, de que terá valido sua educação? Nos EUA, a terra do demônio, qualquer um pode escrever um livro falando mal do presidente, até mesmo gente que tem certa simpatia por regimes tirânicos. Oliver Stone adora passear com os dinossauros do século XX, mas nao larga o osso de Holywood. Michael Moore mete o pau no país e consegue fazer isso porque o país no qual ele mete o pau acha que ele tem o direito de fazer isso. A isso se dá o nome de liberdade, conceito que deve ser bastante relativizado nas salas de aula cubanas.
    O grande mal desse mundo nada tem a ver com economia ou ideologia. Tem mesmo a ver com hipocrisia. Esse pessoal que apóia Castro é o mesmo que apóia Chavez que é o mesmo que apóia as FARC. Ora, quando as FARC começaram a perder contingente, não se viu um petista de alto calibre (faço minhas a pergunta do Roberto Jefferson durante as investigações do mensalão: “Genoíno, cadê você?”) que viesse a público e, para dar o exemplo, encaminhasse o próprio filho como recruta, no esforço de mobilizar outros simpatizantes a fazer o mesmo, como forma de salvar o movimento revolucionário cujo representante assina atas de reuniões ao lado do atual presidente brasileiro (foro de São Paulo).
    Por que esse povo não manda os filhos para estudar em Cuba? Por que não mandam os filhos para empunhar armas na guerrilha quando ela mais carece de braços? Ai, ai, como é bom ser revolucionário de shopping center e usar a miséria alheia como massa de manobra…
    Claro, quem leu até aqui e simpatiza com Fidel provavelmente deve estar pensando: “esse cara é um alienado, um puxa-saco do imperialismo estadunidense”. Primeiro: alienar é delegar algo a alguém. Mas quem delega a sua consciência ao partido, deixando nas mãos dos líderes, dos chefes e do messias a solução para todos os problemas do mundo, são os militantes. Eu, particularmente, tenho horror a líderes políticos de qualquer cor. Meu interesse é pela Política e não pela pólítica partidária. A classe política é apenas um mal necessário. Quem defende líder messiânico é um alienado.
    Segundo: quem usa a palavra estadunidense para designar o que vem dos EUA é um sujeito cuja doxa já chegou ao nível da patologia. Tal e qual aquela de que padece o constrangedor presidente que hoje se abriga no palácio do planalto brasileiro.

  49. Guilherme Disse:

    Resposta ao Roger Prado.
    Em primeiro lugar eu gostaria de te dizer que sua visão da historia me parece bastante distorcida. É verdade que muitos argumentos em pró do regime cubano encontrados aqui, são os velhos, anacrônicos e carcomidos chavões. Mas eles nunca foram ouvidos no nosso país, pelo contrario, os argumentos mais usados são exatamente os iguais aos seus, que por sinal também são velhos, anacrônicos e carcomidos chavões. Chamar de “perfeito idiota latino-americano” aqueles que apóiam Fidel Castro não faz o menor sentido, se você levar em conta que a América Latina nunca seguiu os caminhos do regime cubano, como você pode saber que o idiota é aquele que apóia o Fidel? O idiota foi aquele que votou num presidente (Fernando Collor) que disse que o Lula era comunista e comunista come crianças, o idiota foi aquele que votou num presidente que disse para todos esquecerem tudo que ele já havia escrito. Nosso país sempre foi governado por pessoas que tinham o pensamento exatamente oposto ao pensamento das pessoas que aqui se expressam a favor do regime cubano. Observando a nossa situação social atual, eu penso que idiotas são aqueles que apóiam o nosso regime, criticam os que pensam de outra forma e não apresentam soluções nenhuma.
    Outro grande erro que você comete é não entender por que nós que somos a favor do regime cubano não nos mudamos para a ilha. Um sujeito que não entende isso meu amigo, esse sim tem sérios problemas de raciocínio. Eu me simpatizo com o regime cubano, admiro o Fidel Castro, mas não deixo de ser brasileiro meu querido. Ser a favor de um regime não significa querer mudar para o lugar onde ele já foi instaurado, significa querer instaurar esse regime no lugar onde você vive, afinal eu sou brasileiro, toda minha família vive aqui, meus amigos, toda essa gente que eu faço orgulho de fazer parte e é aqui que eu vou ficar, eu amo meu país e por ele vou morrer lutando, seja de que forma for. Eu não daria contribuição nenhuma para o meu país se eu me mudasse pra Cuba.
    Já o resto do seu texto não faz sentido nenhum, fica muito claro que quem escreveu nunca teve em Cuba e não faz idéia do que seja aquele país. Quem foge de Cuba, foge por vários motivos, o ultimo é a falta de proteína meu querido. Um brasileiro falando que falta proteína para os cubanos realmente e para matar de rir.
    Se você acha que ir para Cuba estudar musica é ir para Cuba com o “violão debaixo do braço”, já da pra entender por que seu pensamento segue por esse caminho. Eu fui para Cuba estudar saxofone numa das melhores universidades de música do mundo meu querido, e não precisa ser a favor do Fidel para saber disso. Realmente não precisa ir para Cuba para ouvir depoimentos de cubanos repudiando o regime cubano, mas para ouvir depoimentos de cubanos a favor do regime, aí sim precisa. Se você só ouvir quem saiu de lá, você só vai ter a informação de quem é contra, aí sim você se torna o verdadeiro alienado que você descreveu no final do seu texto. Só conhece Cuba quem já esteve lá, se você acha que conhece Cuba pelas reportagens que vê na televisão, nas revistas, nos depoimentos de cubanos dissidentes, sinceramente você não conhece Cuba, você conhece a Cuba que querem te mostrar e idiota será você se optar em ficar apenas com essa informação.
    Outra coisa meu amigo, não fica comparando o Lula com o Fidel que não tem nada a ver. Infelizmente o Lula nunca foi comunista e nem se declarou comunista, que declara isso são vocês. Segundo não bota informação falsa, ninguém aqui disse que Cuba é um paraíso, quem disse isso foi você. Eu acho que Cuba tem muitos problemas, esta longe de ser o paraíso e eu tenho varias criticas negativas ao governo cubano, mas é um governo que luta pelo seu povo. O que me deixa bravo não é a critica de Cuba, mas sim a comparação, quando falam de Cuba como se aqui estivesse melhor, o nosso buraco é muito mais fundo. Se falta esparadrapo em Cuba, no Brasil ta faltando hospitais, médicos, escolas. E o esparadrapo não tem nada a ver com o bloqueio? Cuba não compra esparadrapo por que não se importa com o povo? Abre o olho cidadão. Você sabia que Cuba importa a maioria dos medicamentos e tecnologia da China por que é um dos únicos países que comercializa abertamente com a ilha? Você sabia que se um navio atracar em Cuba ele recebe uma multa de seis meses sem poder atracar em portos norte-americanos? É, acho que te delegaram essas informações.
    Para terminar eu gostaria de pedir para você não julgar as pessoas sem nem mesmo saber quem elas são e o que elas fazem, isso é muito feio, você que tem o raciocínio tão desenvolvido deveria saber. Não se diz que “é bom ser revolucionário de shopping center e usar a miséria alheia como massa de manobra” antes de saber o que fazem as pessoas que você está se dirigindo, não se desmoraliza um sentimento de vontade de mudar, qual seja ele, a polêmica é sempre positiva, só faria isso um perfeito idiota latino-americano, que acha que lutar por uma mudança é ser revolucionário de shopping center.
    PS: Isso é um blog, portanto ninguém aqui está escrevendo sua tese de doutorado, quando as pessoas se referem aos estadunidenses, estão se referindo ao governo estadunidense, se você não consegue perceber isso não são as pessoas que têm problemas e sim é você que está com um serio problema de compreensão.

  50. Guilherme Disse:

    Todos nossos meios de comunicação divulgaram os ultimos acontecimentos em Cuba, sobre a cubana blogueira e sobre as damas de branco. Ambos os casos se tratavam de uma tentativa de desmoralizar o regime socialista cubano. Mas esse video (http://www.kaosenlared.net/noticia/havana-resposta-das-damas-cubanas-nas-ruas-em-video) ninguem divulga. Onde está a Veja, o Estadão e a Folha agora? Por que tanto medo de mostrar o outro lado da moeda.
    É meu amigo Roger Prado, se você acredita que aqui não tem manipulação, devia dar uma olhada nesse video. Acho que estão manipulando informações, mas só um idiota não perceberia isso.

  51. Guilherme Disse:

    PS: Isso não é virus, mas se alguém desconfia é só entrar no youtube e digitar “respuesta damas de cuba” que lá o video estará.
    Abraços a todos.

  52. Karen Disse:

    Respostas a Frei Betto.

    1) Na verdade, o caso de Yoani Sánchez não é isolado. Inúmeros cubanos exilados retornam ao país após se defrontarem com as dificuldades de adaptação ao estrangeiro, os preconceitos contra mulatos e negros, a barreira do idioma, a falta de empregos. Sabem que, apesar das dificuldades pelas quais o país atravessa, em Cuba haverão de ter casa, comida, educação e atenção médica gratuitas, e segurança, pois os índices de criminalidade ali são ínfimos comparados ao resto da América Latina.

    Não concordo com você. Primeiramente não são todos os cubanos que residem no exterior que são exilados. Exilados são aqueles cubanos que viajam ao exterior como profissionais, missão de trabalho e decidem não retornar a Cuba, como os médicos e outros profissionais da saúde, professores, esportistas, militares.Não voltar ao país significa ficar 5 anos sem ver seus familiares,e Cuba como castigo imposto pelo governo cubano O sequestro dos filhos e outro castigo para quem decidir ser um exilado.O governo não permite a saída de Cuba de crianças e adolescentes para reunir se com seus pais, mesmo tendo o visto.
    Sendo trabalhadores técnicos e profissionais, nem sempre os exilados tem problemas com a falta de empregos, mais se esse fosse um problema, eles na sua imensa maioria trabalham fazendo qualquer coisa, não interessa se o serviço a fazer não está vinculado com sua área . Estão dispostos a batalhar, trabalhar com garra para ir na frente e ajudar a família que deixaram pra traz. Idioma?. A maioria dos cubanos falam dois ou três idiomas. E mesmo se tivessem problemas com a língua, eles apreendem rápido, são pessoas batalhadoras. Adaptação ao estrangeiro?. Viver em Cuba é uma escola, quem consegue viver em Cuba, tem a capacidade para viver em qualquer lugar do mundo. No Brasil moram muitos cubanos que trabalham como médicos, treinadores, músicos, e também fazendo faxina.Tem cubanos em diferentes partes do mundo: USA, México, Canadá, Brasil, Venezuela, Chile, Bolívia, Angola, França, Espanha, China, enfim, parece que eles se adaptam muito bem a vida no estrangeiro, ás diferentes culturas, e climas.
    Você sabia que um cubano que reside no exterior perde sua cidadania cubana para o governo?. O cubano residente no exterior que queira viajar a Cuba só pode permanecer um mês.Se quiser ficar mais um tempo com a família, tem que pagar ao governo 25 CUC (moeda turística equivalente ao dólar) ,e só tem permissão por mais um outro mês. Total, dois meses. Depois desse tempo, os cubanos são expulsos de Cuba,de seu próprio pais,o qual constitui uma violação dos direitos humanos,que estabelece que uma pessoa pode entrar e sair de seu pais de origem toda vez que quiser, e permanecer o tempo que quiser. Os cubanos que moram no exterior não tem direito a educação, nem saúde médica gratuita, nem ao voto. O cubano residente no exterior tem que pagar em dólares para ser atendido por um médico em Cuba.No próximo mês de maio, os cubanos que residem no exterior tem que pagar um seguro para entrar em Cuba. E sobre a segurança, é verdade que comparado com o resto da América Latina, especialmente no Brasil, México, e na Venezuela, os índices de criminalidade de Cuba são baixos, mas existe criminalidade sim,pois tem muita carência.
    Tem cubanos que depois de morar um tempo no exterior,querem voltar à morar em Cuba.Mas o governo somente o permite se for através dum processo de repatriação, e mesmo fazendo esse processo, muitas vezes o governo nega a entrada dos cubanos ao país. Um exemplo recente foi o caso do jornalista independente Adrian Leyva ,que morava nos USA e lhe foi negada a entrada em varias ocasiões, sendo que em uma delas se lhe negou pegar um avião. Ele fez tudo o processo para a repatriação, e mesmo assim lhe foi negada a entrada. Sua última tentativa foi através do mar para entrar ilegalmente e chegou a Cuba, mas morreu em circunstâncias suspeitas até agora. Só se sabe que ligaram para a família dele, e no cemitério tinha mais policiais do que familiares e amigos.

    2)que Yoani Sánchez não revela em seu blog é que, na Suíça, implorou aos diplomatas cubanos o direito de retornar, pois não encontrara trabalho estável. E sabe que em Cuba ela pode dedicar tempo integral ao blog, pois é dos raros países do mundo em que desempregado não passa fome nem mora ao relento…

    Eu acho errado uma cubana ter que implorar para voltar ao pais de origem. Esse é um direito que tem todos os seres humanos. Ninguém tem que pedir permissão para voltar morar no pais de origem.Yoani Sánchez não é terrorista, é uma pessoa que não concorda com a situação que existe em Cuba e expressa seu sentir. Em Cuba só não passam fome os governantes e altos funcionários do governo. O povo passa fome, e necessita tudo.Vivem em condições terríveis, com carência até de papel higiénico,uma pobreza total. Um cubano que defenda, sem a pressão do governo a situação de Cuba , defende o abuso de poder, a fome, a humilhação, o racismo, a desigualdade social, a falta de princípios, a falta de democracia, a falta de liberdade de expressão, e os direitos de todo ser humano a receber de seus governantes a atenção a suas necessidades principais para ter uma vida decente. Um estrangeiro que defenda o que o governo cubano tem feito e faz com 11 milhões de cubanos, deve viver na ilha um tempo, eu o convido, não como um turista e sim como um cubano mais, com um caderno para comprar os alimentos que o estado vende ao povo(2 kg de arroz,1kg de açúcar,um pouco de feijão preto as vezes,um sabonete as vezes,um pouquinho de peixe as vezes cada 15 dias,uma pasta dental para 4 pessoas cada 2 ou 3 meses), um salário mínimo, e uma casa bem cubana,de aquelas que em tempo de chuva, chove mais dentro do que fora e enche de agua,casas nas quais o governo tira a energia e ficam escuras durante uma,ou duas horas diariamente.Agua? Recebem agua 3 vezes na semana.E sem receber dolares. Depois de viver essa experiência, então eu gostaria de escutar o que tem para dizer sobre a vida dos cubanos. Outra coisa, a situação da moradia em Cuba é um assunto bem serio, ninguém é dono de sua casa, tudo é do governo.Ninguém pode vender nem comprar casas. Aliás, em uma mesma casa moram várias famílias. As pessoas não tem como consertar as casas pois não tem dinheiro, nem o governo vende materiais de construção . A Havana esta caindo aos pedaços, e é muito triste para os cubanos ver a capital nessas condições.

    3) O curioso é que ela jamais exibiu em seu blog as crianças de rua que perambulam por Havana, os mendigos jogados nas calçadas, as famílias miseráveis debaixo dos viadutos… Nem ela nem os correspondentes estrangeiros, e nem mesmo os turistas que visitam a Ilha. Porque lá não existem.

    Você deve viajar mais uma vez a Cuba, e visitar os bairros de ROMERILLO no município PLAYA, onde há favelas. A ponte Almendares, onde também há favelas.O bairro LA GUINERA, no município ARROYO NARANJO, onde as favelas são atravessadas por um rio contaminado. Pode visitar o município de Marianao, a Havana Vieja, a Lisa ,Centro Havana ,entre outros muitos e você terá a oportunidade de perceber as condições de vida dos cubanos. As mães não tem dinheiro para alimentar nem vestir seus filhos.Você verá famílias miseráveis por qualquer lugar de Cuba. E tem muitas fotos que mostram a verdade sobre Cuba, é só você procurar na internet,exemplo em http://www.tvcubana.tv.Se você decide fazer uma viagem a Cuba,eu tenho certeza que voltará ao Brasil com fotos muito boas da realidade cubana.

    4) Se há tanta falta de liberdade em Cuba, como Yoani Sánchez consegue, lá de dentro, emitir tamanhas críticas? Não se diz que em Cuba tudo é controlado, inclusive o acesso à internet?

    Falta de liberdade?.Em Cuba não existe a liberdade. Os cubanos infelizmente não conhecem isso.Há mais de 50 anos que existe um único jornal oficial , o Granma que ao invés de informar, tenta manter aos cubanos desinformados, ocultando a verdade. O Granma é controalado pelo governo,o mesmo acontece com o rádio e a televisão . Ninguém pode dizer que não concorda com o governo, porque o custo é a perda do emprego, uma manifestação no frente da casa de policias sem suas faldas ,aparentando ser o povo,e seguidores do governo gritando horrores, ofensas e até praticando a violência física como fazem atualmente com as DAMAS DE BRANCO.Nestes atos usam crianças para que ofendam,gritem,e batam.A UNICEF deve saber isto. Fecham-se as portas para aqueles que não concordam com o governo.A Yoani tem sofrido a repressão do governo tanto física como também o abuso de poder, pois não a deixam viajar ao exterior . O esposo dela também tem sido vitima de manifestações e agressões físicas.
    Internet?.Os cubanos não tem acesso à internet.Aqueles que podem usar a internet o fazem clandestinamente e com muito risco.Nos hotéis, pagando 6.00 CUC estão liberados alguns sites. Em Cuba tudo é controlado, as conversas pelo telefone, as cartas, as pessoas que visitam com frequência um determinado lugar, tudo. Quando um cubano viaja ao exterior,com ele viajam também o trauma de que esta sendo vigiado as 24 horas do dia , a dor de não ter liberdade e o medo de falar sobre politica e outros assuntos, pois imagina que algum simpatizante do governo disfarçado, pode lhe trazer problemas. Cuba tem um equipo de espias excelente.

    Yoani Sánchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo do seu país. Mas só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira. Nem sequer é vítima da segurança ou da Justiça cubanas. Por isso, inventou a história das agressões. Insiste para que suas mentiras se tornem realidades.

    Yoani Sánchez e muitos outros cubanos que criticam ao governo recebem maus tratos,e agressões.Os cubanos tem o direito de criticar,mas o governo nao permite isto. A polícia bate em mulheres indefensas,só porque caminham pacíficamente.Hoje o mundo pode ver a realidade de Cuba,que durante muitos anos tem estado sofrendo as barbaridades do governo. Através das câmaras dos telefones celulares os cubanos estão conseguindo que o mundo veja as atrocidades que o governo faz com os cubanos que não querem calar mais e decidem expressar seu desacordo. As DAMAS DE BRANCO tem recebido chutes, ofensas,violência por se reunir num parque da Havana,e em diferentes igrejas, e fazer caminhadas expressando de forma pacífica um pedido de liberação dos presos políticos cubanos, entre os quais encontram-se os pais, esposos, e filhos delas. As imagens chegaram a muitos países, onde muitas pessoas se solidarizaram com as DAMAS DE BRANCO, incluso no Brasil. Há pouco tempo foi agredida a mãe do falecido preso político Orlando Tamayo Zapata. Orlando Zapata Tamayo faleceu depois de uma greve de fome, na qual pedia melhores condições na cadeia onde ele estava . Hoje tem outras duas pessoas em greve de fome, um deles o psicólogo e jornalista independente Guillermo Fariñas, que pede a liberdade de 26 presos políticos que estão muito doentes na cadeia. Guillermo Fariñas foi militante da União da Juventude Comunista(deixou de participar porque não concordava com a atitude do governo), participou na guerra de Angola,recebeu treinamento na antiga União Soviética, se formou como psicólogo e foi chefe dum hôspital de Pediatria na área de Psicologia, se formou na Revolução. Ele disse que essa não foi a revolução pela qual ele lutou. O outro dissidente que está em greve de fome e o médico Darci Ferrer, quem está na cadeia por suas ideias politicas e pede atenção médica,pois tem problemas de saúde . O presidente Raúl Castro para criar confussão na opinião pública,disse que essas pessoas são delinquentes,e não presos políticos.

    6) A resistência de Cuba ao bloqueio usamericano, à queda da União Soviética, ao boicote de parte da mídia ocidental, incomoda, e muito. Sobretudo quando se sabe que voluntários cubanos estão em mais de 70 países atuando, sobretudo, como médicos e professores

    Não existe tal bloqueio usamericano, existe um embargo, são questões diferentes.Nas lojas para turistas,onde somente pode se comprar com a moeda turística,se encontram prudutos de todos tipos e de diferentes paises .
    A preocupação dos cubanos é ter um prato de comida na mesa e melhores condições de vida, com o qual o governo não se importa.Os governanates tem tudo tipo de alimentos,os filhos,e netos tem frango,langosta,carne de boi,roupas,sapatos.Eles não vivem o desespero das mães cubanas que sofrem ao não poder dar nem uma bala a seus filhos.Os governantes nao conhecem o desespero dos pais de familia que tem que botar comida em casa,e não tem dinheiro.
    Os cubanos tem que assistir o jornal nacional e ver como a má direção da economia, tem o pais na miseria.
    Os chamados voluntários cubanos estão obrigados a viajar a outros países de missão internacionalista, e ate é conveniente para eles para ganhar dólares, e trazer eletro domésticos e outras coisas para a família. Muitos médicos e professores ficam em outros países. Poder viajar a outros países é uma porta aberta para mudar de vida .Cuba exporta profissionais a outros países há muitos anos, como parte de sua politica exterior de reafirmação para o mundo que é uma potencia médica, e um pais solidário. Os médicos que estão na Venezuela estão indo embora para a Colombia,e depois tentando chegar a USA.
    Eu convido você visitar a maternidade “Hijas de Galicia”, em Luyanó município 10 de Octubre na Havana, para que você tenha uma ideia da potencia médica cubana.
    No mês de Janeiro passado morreram mais de 40 pessoas no hôspital de psiquiatria da Havana,vitimas de frio e fome.
    Cuba tem maravilhosos médicos,mas não tem medicamentos e os hôspitais estão sujos,abandonados,sem condicões de atendimento.Estes são exemplos atuais para que você tenha uma ideia da saúde pública cubana.
    E sobre a gratuidade,devo lhe dizer que o povo tem de pagar MTT,DIA DO HABER,CDR,FMC e muitas coisas mais ao governo.Nao é bem assim a propaganda sobre a gratuidade.
    Gostaría muito que as pessoas consegam entender melhor a situação do sofredo povo cubano.

Conversinhas

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