O goleiro do Nápoli de 1987 e os pecados capitais
Samarone Lima
Tenho alguns amigos que me obrigam a usar meu caderninho de notas a cada encontro. Vai a escalação: Cézar Maia, Giba, Ivanzinho, João Freire, Magro Valadares e Barreto. As conversas nunca ajudam em nada a humanidade. Não se discute Copenhague, governos, segregações, escândalos, crimes. Os temas mais inesperados surgem do nada, e ganham uma proporção diluviana.
Não sei de onde saiu a lebre, a dúvida existencial-futebolística mais importante deste final de 2009. João Freire e Giba começaram uma acirrada discussão sobre o goleiro do Nápoli de 1987. Um dizia que era Dino Zoff, o outro retrucou com veemência, citando um camarada que não lembro o nome. Pelo que fiquei sabendo, isso já vinha de uma discussão anterior, sem acesso ao Google. Longas e intermináveis contendas em torno do goleiro do Nápoli de 1987.
Estava na piscina, conversando com Barreto, quando chegou João, indignado.
“Barreto, o goleiro do Nápoli de 1987 não foi Dino Zoff?”
Barreto concordou, creio, acho que para não ter dor de cabeça.
Depois de muito vai e volta, fiquei sabendo que o Nápoli, no ano de 1987, tinha Careca, Alemão e Maradona no time. Essa eu vou levar para o currículo futebolístico. No ano em que cheguei ao Recife, com mala e cuia, o Nápoli era campeão nacional, com dois jogadores brasileiros.
Em conversas deste tipo, recomendo jamais, em momento algum, citar o nome de Romário perto de Giba. Ele vai citar todos os clubes onde Romário jogou, as jogadas, e em poucos minutos, estará de pé, imitando algum drible do baixinho genial. Uma vez, durante um jogo, Giba ligou para um amigo.
“Você viu esse drible do Romário?”
Dizem que ele falava com lágrimas escorrendo naquela pele cor de neve, onde, segundo ele, “só entra Dove”.
Não sei de onde surgiu a frase “Eu vim de mim mesmo”, algo assim (estou ficando cada vez mais esquecido), e a conversa trilhou de Nápoli para a questão dos apóstolos. Surgiu o desafio - alguém que soubesse o nome de todos. Somos um bando de cristãos de meia tigela. Ninguém passava de quatro ou cinco. Pedro, André, Felipe, Tomé, Thiago. Giba acrescentou Judas Escariotes e Judas Tadeu. Ivanzinho fez uma cara de sacristão e disse que sabia todos, começou numa pisada ótima, mas só acrescentou Ezequiel, lucas e João. Durante quase uma hora os nomes ficaram pulando de boca em boca, mas só conseguimos chegar a 11 nomes. Paulo foi colocado e tirado umas dez vezes, de formas que não sei se ele é apóstolo ou não, sei que meu irmão se chama Paulo.
Não vou nem falar das frases que saíram para minha “Antologia do Instante”, livro mais aguardado dos últimos anos. Giba, como sempre, deixou umas quatro ou cinco. O Magro Valadares soltou uma tão cabeluda, que não posso transcrever. Sei que alguns adolescentes leem este blog. Ele também revelou seu método – “Como derrubar um mentiroso em cinco minutos”, mas não entendi direito.
Tem outra turma de amigos que segue na mesma pisada, só que tem mais contadores de histórias que frasistas. É a turma do Poço da Panela. Naná, Boy, Iramarai, Seu Walter, Davi etc. Ontem, em meio a esse vendaval de confraternizações, encontrei Iramarai, Naná e Boy. Iramarai, aquele que caminha comigo, planejou nossa próxima aventura e me apresentou seu irmão, Iramaiarany, que veio de São Paulo.
A família, por sinal, é uma festa das vogais: Iramaiarany, Iramário, Iratemar, Iramarai, Iramair, Iramima e finalmente o modesto Ira. Os pais dessa turma, obviamente, se chamam Amaro e Iranete, e tiveram 16 filhos. Quando encontro algum irmão de Iramarai, respondo logo:
“Olá, sou o Iramaracujá”.
Uma vez, o irmão dele ficou puto com essa gracinha. Acho que era o Iramário ou o Ira. Rarara seria a primeira vez que eu veria um Ira irado.
Já na confraternização do Blog do Santinha, Geó, com aquele farol baixo dele, veio me dizer que um amigo ligou, tarde da noite, para perguntar quais eram os pecados capitais. Acho que Geó estava de ressaca, porque a pessoa só recebe este tipo de ligação quando está numa profunda, intensa e triste ressaca, prometendo a si mesmo que só vai beber depois do Natal. Mas o bom é que essas conversas surgem na mesa desfiando a realidade. O óbvio leva dribles a cada conversa fiada entre bons amigos.
Não lembro o que Geó respondeu, acho que elé só sabia uns dois ou três, de formas que começo esta semana natalina com duas dúvidas existenciais da maior monta: O nome do arqueiro do Nápoli, campeão de 1987, e os pecados capitais.
Como não sou homem de ficar me rendendo ao Google, espero ajuda dos meus leitores.
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11 Comentários »




21 de dezembro de 2009, às 13:37h
Eu posso até pesquisar, mas Zoff não era com certeza absoluta. Ele encerrou a carreira em 1983.
21 de dezembro de 2009, às 15:28h
Sama, li sobre o seu livro no vacatussa e achei legal.
http://www.vacatussa.com/2009/08/viagem-ao-crepusculo-samarone-lima/
Para variar ri um bocado com o texto. Haja Iramar, hein!
bj
21 de dezembro de 2009, às 16:12h
O goleiro foi Gennaro Lezzo, que de leso não tinha nada…abraço.
21 de dezembro de 2009, às 17:34h
Dino Zoff, foi compeão do mundo pela seleção italiana em 1982 (alguém se lembra?) já com 40 anos, era, claro, o jogador mais velho da seleção de Paolo Rossi. Portanto, acho pouco provável que em 1987 ele ainda estivesse jogando. Quanto aos pecados capitais, acho que ser muito chato deve ser um deles. Abraços!
21 de dezembro de 2009, às 22:39h
NAPOLI campeão 86/87 (primeiro título de sua história):
Garella ; Bruscolotti , Ferrara ; Bagni , Ferrario , Renica ; Carnevale I , De Napoli , Giordano , MARADONA , Romano F. ; Volpecina , Caffarelli, Zola, Muro , Marino , Bigliardi , Di Fusco . Treinador: Ottavio Bianchi.
Goleiros : Claudio Garella, Rafalle Di fusco e Giuseppe Taglialatela
Na temporada 87/88 o campeão foi o Milan.
Na temporada 88/89 a Internazionale foi campeã.
Na temporada 89/90 veio o segundo título:
Giuliani; Ferrara , Francini ; Crippa , ALEMÃO , Baroni ;
Fusi , De Napoli , CARECA, Maradona, Carnevale I ; Mauro II
, Corradini , Zola , Renica, Bigliardi, Neri M. , Di Fusco
, Bucciarelli, Tarantino – Treinador.: Albertino Bigon.
Goleiros: Giuliano Giuliani e Rafaelle Di fusco (o terceiro eu não consegui descobrir)
Careca chegou em 87, mas, depois da conquista do título.
Lá ganhou o título italiano 89/90, supercopa da Itália 90 e copa da UEFA em 1989.
Alemão chegou em 1988 e participou das mesmas conquistas que Careca.
21 de dezembro de 2009, às 22:44h
Capilé, Gennaro Lezzo tem 36 anos e joga no Napoli.
Em 87 o cara tinha 14 anos.
21 de dezembro de 2009, às 23:08h
Os sete pecados capitais:
1. gula
2. luxúria
3. avareza
4. soberba
5. ira
6. inveja
7. preguiça
22 de dezembro de 2009, às 8:17h
Fome
mentira
Mentira
armação
grosseria
luxúria
Namorar muitas pessoas ao mesmo tempo sem que elas saibam
24 de dezembro de 2009, às 9:18h
Novos pecados capitais
Fome
Mentira
Não usar camisinha
Namorar muitas ao mesmo tempo
Velhos morando na rua
Crianças morando na rua
Egoísmo
28 de dezembro de 2009, às 1:43h
Apóstolos:
Simão (Pedro)
Tiago 1 (filho de Zebedeu)
João
André
Filipe
Bartolomeu
Mateus
Tomé
Tiago 2 ( filho de Alfeu)
Simão
Judas Tadeu
Judas Iscariotes
* Ezequiel viveu uns 50 anos antes de Cristo, rsrsrs
28 de dezembro de 2009, às 8:37h
Sete pecados capitais
Por Eliene Percília
O papa Gregório Magno no século VI instituiu os sete pecados capitais, que são os princípios que ferem a Deus, a você e ao próximo.
Os sete pecados capitais são:
1) Gula: consiste em comer além do necessário e a toda hora;
2) Avareza: é a cobiça de bens materiais e dinheiro;
3) Inveja: desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa;
4) Ira: é a junção dos sentimentos de raiva, ódio, rancor que às vezes é incontrolável;
5) Soberba: é caracterizado pela falta de humildade de uma pessoa, alguém que se acha auto-suficiente;
6) Luxúria: apego aos prazeres carnais;
7) Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico.
Os 7 pecados capitais dos transgênicosImprimirEnviarJunte-se a nósConheça os principais problemas dessa tecnologia que coloca em xeque a biodiversidade do planeta, provoca inúmeros problemas na agricultura mundial e afronta diretamente o Princípio da Precaução, da ONU.
1. Contaminação genética
Agricultores que queiram se dedicar ao cultivo convencional ou orgânico já sabem: se tiver alguma plantação transgênica nas redondezas, a contaminação é garantida e a missão, impossível. Tem sido assim nos Estados Unidos, onde tudo começou, na Europa, Argentina e sul do Brasil. Com a contaminação, agricultores têm prejuízos ao perderem o direito de vender suas safras como convencionais e/ou orgânicas.
Confira aqui entrevistas com agricultores espanhóis sobre alguns casos ocorridos em seu país.
O Greenpeace tem publicado anualmente um Registro sobre Contaminação Transgênica sobre os muitos casos verificados em todo o mundo – confira aqui a última edição.
2. Ameaça à biodiversidade
A contaminação genética pode ter também um efeito devastador na biodiversidade do planeta. Ao liberar organismos geneticamente modificados na natureza, colocamos em risco variedades nativas de sementes que vêm sendo cultivadas há milênios pela humanidade. Além disso, os transgênicos podem afetar diretamente seres vivos que habitam o entorno das plantações, conforme indicam estudos científicos – como no caso das borboletas monarcas, que são insetos não-alvo da planta transgênica inseticida, mas são também atingidas.
Ver aqui e aqui (arquivos em pdf para baixar).
3. Dependência dos agricultores
A empresa de biotecnologia Monsanto é hoje a maior produtora de sementes do mundo, convencionais e transgênicas. Além disso, é também uma das maiores fabricantes de herbicidas do planeta, com destaque para o Roundup, muito usado em plantações de soja geneticamente modificada no sul do Brasil. Com essa venda casada – semente transgênica mais o herbicida ao qual a planta é resistente -, os agricultores ficam presos num ciclo vicioso, totalmente dependentes de poucas empresas e das políticas de preços adotadas por elas. Ver aqui.
Outro grande problema verificado nos países que têm adotados os transgênicos – principalmente os Estados Unidos e Argentina -, é a draconiana propriedade intelectual exercida pelas empresas sobre as sementes transgênicas. O agricultor é proibido de guardar sementes de um ano para o outro, podendo sofrer pesados processos caso faça isso, e ainda corre o risco de ser processado de qualquer maneira caso a sua plantação sofra contaminação genética de uma outra transgênica – e ele não tiver como provar isso.
4. Baixa produtividade
Os argumentos de quem defende os transgênicos como solução para a crise alimentar que vivemos vêm caindo por terra dia após dia. Os transgênicos já se mostraram pouco competitivos economicamente e recentes estudos promovidos por universidades americanas comprovaram que variedades transgênicas são até 15% menos produtivas do que as convencionais. Confrontadas com os resultados das pesquisas, empresas de biotecnologia admitiram que seus transgênicos não foram criados para serem mais produtivos, mas sim para serem resistentes aos agrotóxicos fabricados por essas mesmas empresas.
Num primeiro momento, os transgênicos podem até ser mais produtivos do que os cultivos convencionais ou orgânicos/ecológicos, mas no médio e longo prazos, o que se tem verificado é uma redução na produção e um aumento significativo nos preços dos insumos como o glifosato, principal herbicida usado em plantações transgênicas.
5. Desrespeito ao consumidor (rotulagem)
O Brasil tem uma lei de rotulagem em vigor desde 2004, que obriga os fabricantes de alimentos a rotular as embalagens de todo produto que usam 1% ou mais de matéria-prima transgênica. No entanto, apenas duas empresas de óleo de soja rotulam algumas de suas marcas do produto – e mesmo assim só depois de terem sido acionadas judicionalmente pelo Ministério Público. Há milhares de produtos nas prateleiras dos supermercados brasileiros que chegam à mesa das pessoas sem a devida informação sobre o uso de substâncias geneticamente modificadas, numa afronta direta à lei e num claro desrespeito ao consumidor.
O Greenpeace publica, desde 2002, o Guia do Consumidor com uma lista verde de produtos que não usam transgênicos em sua fabricação e outra lista, vermelha, com produtos que podem conter organismos geneticamente modificados em sua composição.
6. Uso excessivo de herbicida
O caso da Argentina é emblemático: depois que os transgênicos começaram a serem plantados em suas terras, o consumo de herbicida explodiu no país, que passou a ser um dos que mais usam produtos químicos em plantações no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A explicação é simples: como os transgênicos são resistentes a um tipo específico de herbicida, o agricultor usa cada vez mais dele para proteger sua plantação de pragas. Com o tempo, no entanto, esse uso excessivo provoca problemas no solo, nos trabalhadores e promove o surgimento de pragas resistentes ao herbicida (arquivo em pdf para baixar), exigindo mais e mais aplicações.
7. Ameaça à saúde humana
Não existem estudos científicos que comprovem a segurança dos transgênicos para a saúde humana. Apesar de exigidos por governos de todo o mundo, as empresas de biotecnologia nunca conseguiram apresentar relatórios nesse sentido – e ainda assim, seus produtos são aprovados. Por outro lado, alguns estudos independentes indicaram problemas sérios, como alterações de órgãos internos (rins e fígado) de cobaias alimentadas com milho transgênico MON863 da Monsanto.
E ainda há o risco do uso excessivo do glusofinato, componente ativo da variedade transgênica Liberty Link, da Bayer, presente tanto no milho como no arroz geneticamente modificado produzido pela empresa. Problemas como esses levaram alguns países, como a Áustria, a proibírem a importação e comercialização desses produtos.
No Brasil, infelizmente, não existe o mesmo cuidado. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no país, vem dando sinal verde para variedades que enfrentam grande resistência em outros países, como no caso do milho MON810, da Monsanto, proibido na Europa e liberado no Brasil.
Fonte:Google