Conto de Carnaval
Samarone Lima
25 de fevereiro de 2009, às 19:40h por
Samarone Lima
O bom do cara escrever com frequência é que tem texto de reserva, quando está sem tempo e inspiração. Vai uma postagem do Carnaval de 2009. Deixa o frevo rolar, eu só quero saber, se você vai brincar, ai meu bem sem você não há Carnaval…

Para desanuviar, um pequeno conto de Carnaval, inspirado em fatos irreais.
Era terça-feira de Carnaval. Os dois tinham noivado uma semana antes, marcaram o casamento, começaram as compras. Tudo para a nova casa, a nova vida. Meu Deus, mas para que isso de noivado? Uma fase de teste?
Já tinham bebido muito. Pequenas desavenças, exageros na bebida. Ela, irritada com algo, disse duas ou três vezes:
“Não vou mais casar”.
Ele se irritou com aquilo. Precisava dizer na frente dos amigos, quando a orquestra começava a rugir?
Sei que o whisky começou a pegar. Uma olhada mínima para os lados, ela reclamava. Um comportamento estranho dele, e ela questionava o casamento. Ele também não estava fácil. Qualquer movimento, dizia coisas contra. Os dois estavam se estranhando por nada. Coisas do Carnaval.
Ao anoitecer, ela se irritou com sua derradeira gracinha. Num rompante, tirou a aliança e a jogou longe. Passava uma orquestra de frevo, dessas que passam à deriva, no Recife Antigo. A aliança caiu dentro de uma tuba. Jogou sem pensar, como quem bate uma porta no meio da discussão. No mesmo instante, já bebia do arrependimento.
Ele não viu a cena. Pegava mais gelo para o whisky. Melhor assim.
Na manhã seguinte, de ressaca, ele viu sua mão vazia. A falta completa, na quarta-feira de cinzas. Ressaca dupla. Não comentou. Esperaria que ela acordasse.
Ela acordou, sentiu o dedo pesado. Lembrou da cena, da tuba. Meu Deus, que loucura eu fiz.
Aproveitou um descuido dele, saiu de casa logo cedo.
Passou a quarta-feira de cinzas vasculhando tubas de orquestras, como uma cinderela do dedo.
Para Pedoca e Emília, que inspiraram este conto, hoje casados e com a filhota Ana a caminho.
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7 Comentários »




10 de fevereiro de 2010, às 13:40h
queridos e queridas de recifolinda! quanta saudade! mesmo com a imensa muvuca. saudoso dos folguedos daí, remeto-lhes uma outra intensa saudade (mesmo não conhecida daí) do carnaval daqui, em são luiz do paraitinga. sim! aquela cidadezinha das marchinhas que foi transformada na atlântida brasileira pela força das águas e que, por isto, não terá carnaval em 2010. não temos tristezas. os blocos sairão nas cidades vizinhas e até mesmo na são paulo de piratininga rolou um bloco alusivo aos luizenses. mas o que vale a nós, foliões de todos os cantos, é poder cantar, dançar e brincar a realidade louca e sã do carnaval de todos os dias. saravá, sama e todos e todas.evoé!
10 de fevereiro de 2010, às 17:24h
Carnaval de 2009 pra mim foi o melhor do mundo.
11 de fevereiro de 2010, às 2:22h
“… Vamos cair no passo e a vida gozar”! Mas olha, um noivado que resiste a um carnaval, já nasceu com a vocação de para sempre!! É destino. Fiquei com pena dessa Cinderela do dedo, imaginando o sem-número de tubas que ela não deve ter vasculhado. Mas olha Samarone, sabe que tenho umas lembranças tão esquistas, tão foras de hora, mas esse conto me remeteu a uma canção do Dante Ozzetti, que se chama, Estopim, cantada pela irmã a Ná Ozzetti (amo a voz dessa moça), saca só a letra:
“Nada é tão fácil no início
Nem no percurso nem no fim
Nada é tão natural
Nada é tão trivial
Nem uma flor
Nem todo jardim
Amor que é simples se complica
E todo amor vai ficando assim
Um faz algum sinal
O outro já interpreta mal
E o que era banal
Vira um estopim
Sim
Detonou
Foi um caos
Nosso amor
Ia bem
Não tão bem
Mas enfim
Bem normal
Complicou quando eu comentei
Que era tão triste o seu olhar
“Meu olhar, como assim?
A tristeza vem de você pra mim
A tristeza de um olhar
Vem do outro olhar
Vem de tanto olhar”
Como assim?
“Pelo olhar
Pode haver um motim”
Não entendi
Mas senti
Que era o fim”,
pode-se escutá-la aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=U8lZgZdYBpk
Completamente descarnavalizada, meio non-sense, até, mas a mesma intenção do texto, ao menos para mim.
Textículo bem bonitinho esse, e adorei a ilustração das tumbas, os círculos deve ser a aliança perdida, pululando carnaval!
Abraço.
11 de fevereiro de 2010, às 8:38h
Onde tem “tumbas”, leia-se: TUBAS!!!!
11 de fevereiro de 2010, às 20:32h
Quantas alianças ela não encontrou, dentro de tantas tubas de tantas orquestras, enquanto procurava a sua…
16 de fevereiro de 2010, às 9:16h
Ontem, todos estavam la( Amantes de Gloria) novamente.
Beijo
19 de fevereiro de 2010, às 14:04h
“A aliança caiu dentro da tuba”… fantástico sempre!