Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

Apresentação


Oficinas


Livros


Artigos recentes


Comentários Recentes


Aproximações


Destaque


Calendário

março 2010
D S T Q Q S S
« fev   abr »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Arquivos


Usuários online

3 Usuários Online
Leitores:

1 Caranguejo
2 Escafandristas

Dúvida existencial

26 de março de 2010, às 13:10h por Samarone Lima

Já tive várias dúvidas existenciais na vida, se fazia doutorado e continuava em São Paulo, ou voltava para o Recife e recomeçava a vida, se morava um tempo em Buenos Aires, se renovava meu contrato da casa no Poço da Panela ou migrava para o Cabo, onde tia Flocely estava bem doente, se fazia terapia, se voltava para a natação, se pagava um plano de saúde, se não era melhor deixar de escrever neste blog por uns três meses, se finalmente organizava minha poliesculhambada biblioteca, essas coisas todas que foram se resolvendo com um certo vagar, sem que o sujeito cá ficasse morgado, angustiado, com pensamentos suicidas ou paranóicos.

De fato, voltei para o Recife, fui ensinar na Católica, foi uma experiência maravilhosa que ainda espero repetir, não morei um tempo em Buenos Aires porque a vida não quis assim, com essse tango todo, não renovei minha casa no Poço, deixei aquele clima bucólico, meu quintal-jardim, e fui cuidar da minha amada tia, no Cabo, até o seu último dia, uma das coisas mais lindas que fiz na vida, com a dica do Inácio felizmente entrei na terapia, o santo Barthô já me ajudou a caminhar melhor, olhando melhor e com cuidado as constelações da vida, não voltei para a natação mas incrementei minhas participações especiais em peladas, não me vinculei a nenhum plano de saúde, vivendo ao deus-dará, o que não é nada recomendável em se tratando de Brasil, nunca deixei de escrever neste blog por no máximo três semanas, creio, fato que meia dúzia dos meus diletos leitores chegou a reclamar, e constatei que a desorganização da minha biblioteca nunca terá fim, porque eu sou, de fato, com firma reconhecida em cartório, certificado da Nasa, do CNPq, da minha mãe, dona Ermira, da minha esposa, dona Silvia, um sujeito profissional, metódica e psicologicamente desorganizado, às vezes beirando à exasperação. Josafá, meu chefe adjunto, diz que minha sala no trabalho parece uma “oficina de reciclagem”.

Por essas coisas todas, resulta que, aos 40 anos, não sou um sujeito morgado, com raras excessões, em derrotas do meu Santa Cruz Futebol Clube, as angústias reduziram em 58% nos últimos três anos, segundo uma tabela com vários ítens e circunstâncias que criei, e que vou patentear, nunca fui simpatizante do suicídios, pelos males que provocam nos que ficam vivos e a paranóia nunca foi o meu forte, exceto o exacerbado medo de altura, mas aí também vamos aliviar, que muita gente tem isso, e ironicamente, estou morando no vigésimo andar. Eu só evito ficar perto da janela, porque meus pés começam a ficar gelados.

Bem, mas deixando de enrolação, vou à nova dúvida existencial.

Há vários dias, direi semanas, dois amigos aficcionados pelo twitter, jornalistas afamados, premiados, com selo do Inmetro e tudo o mais, têm falado comigo sobre essa engenhoca. Acham que sou um escritor, vivo meio nas intocas, fazendo lançamentos meio malucos, muita gente poderia acompanhar o andamento do livro, das minhas coisas profissionais, lançamentos, debates etc. Por precaução, eles criaram já uma conta com meu nome, e na mesma hora senti aquele frio na espinha, que é um aviso do organismo para informar que o cara está com medo.

Não sei quem foi o miserável que inventou essa palavra “seguidores”, o que me fez ficar na birra com o twitter. Não seria melhor “apreciadores”, “leitores”? Não gosto desse negócio de seguidores, mas eu posso também estar com esses preciosismos da vida, que às vezes não leva a nada, ele também pode estar sendo um grande besta.

Eu sou mesmo um grande besta, com firma reconhecida em cartório e confirmação do Ibama, mas como diz o dileto professor Davi, sou um bestão mesmo, mas não gosto que ninguém o diga.

Outro dia, no lançamento do Viagem ao Crepúsculo em Brasília, foram uns gatos pingados. O que gastei de passagem não estava no gibo. Dois dias depois, um cara me mandou o email:

“Se você tivesse avisado, teria sido muito bom, porque tinha um monte de gente querendo encontrar contigo para conversar, trocar idéias e e comprar teu livro”.

Ra ra ra, o famoso Pedro Bó.

Então peço a vênia dos meus singelíssimos leitoes.

Gostaria de saber a opinião de quem tem o tal twitter, para que serve, como funciona, se dá dor de cabeça, azia, má digestão.

Quem não tem pode me dizer os motivos e me ajudar a não entrar numa possível enrascada. Não vale a opinião do Nivaldo Brayner, porque ele vem falando disso há tempos. Não vale também a opinião do Magro Valadares do Eduardo Machado, que são twiteiros e querem me meter nessa enrascada. Nem Ivanzinho, que é twiteiro também.

Pensando bem, vale a opinião de todo mundo, que besteira é essa de não vale a opinião? Estão vendo como sou mesmo um besta?

De qualquer forma, para quem já teve tantas dúvidas existenciais, esse é até fácil o cara tirar de letra. Eu só não quero é ficar de bobeira, lutando com meus livros, quando posso ter ferramentas para ajudar.

A frase de um amigo também pesou um pouco para esse drama doméstico.

“Ah, o Samarone é assim. Se for alguma coisa para ele se dar bem, ele diz logo: Tô fora”.

Depois dessa, vou me consultar com minha amiga e psicóloga Emília Miranda, com aquele barrigão de oito meses. Se não der, vou tomar umas com Naná e a turma lá do Princesa, que é outra terapia mais rápida.

Aguardo vossas preciosas palavras sobre o universo encantado (ou não) do twitter.

Postado em Crônicas | 32 Comentários »