Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Altos e baixos

19 de abril de 2010, às 14:07h por Samarone Lima

Chego ao trabalho, vejo em cima da minha mesa a carta de uma editora, que estava analisando meu primeiro livro, o “Zé”, para uma possível reedição, ainda este ano. Quando botam “Ilustríssimo Senhor”, já sei que vem bomba.

“Após cuidadosa análise dos seus membros, o Conselho concluiu, infelizmente, pela não recomendação do seu livro para ser publicado”.

Nada novo. O “Zé” foi renegado por algumas editoras, mas acabou sendo publicado em 1998, quando eu não tinha ainda nem trinta anos. Hoje eu fico até espantado. Muita gente gostou do “Zé”, a segunda edição vendeu inteira e o livro nunca mais foi reeditado. Mas é melhor ter um livro esgotado que encalhado.

Outros livros meus foram negados, com cartas sinceras, algumas com o “infelizmente”, “lamentavelmente” e outros mente que agora não me vêm à mente, perdão pelo trocadilho. “Clamor” levou pau numas duas editoras, e o de Cuba, o mais recente, recebeu negativas de umas três editoras, até o acolhimento da modesta e alvissareira “Casa das Musas”.

O curioso é que hoje de manhã, antes da carta, recebi um telefonema de um amigo, que está organizando um leilão de originais de alguns escritores. Um projeto bacanas pacas, que já aconteceu ano passado, aqui no Recife. Ele perguntou se eu podia entrar no evento, cedendo algum original meu. Vou disponibilizar a boneca do meu “Viagem ao Crepúsculo”, livro sobre Cuba.

A boneca é o livro em seu último momento. É, digamos, a planta baixa do livro. O sujeito só pode mexer até ali. Depois de ver cada detalhe, os erros, ele corrige, e finalmente assina um formulário e libera para a impressão. Libera e se liberta, porque na verdade, a gente que gosta de escrever livro fica curtindo esse derradeiro instante até o limite.

 Lambemos a cria por dias e dias, até que o editor diz um “basta” e o texto vai ser impresso. Quando fica pronto, ainda tem erro. Se o autor der sorte de uma nova reimpressão (ou segunda edição), ele corrige e fica mais feliz. “Viagem ao Crepúsculo” vem me dando muitas alegrias, e agora vai para a segunda reimpressão, salve salve.

São os altos e baixos da vida. Não e sim no mesmo dia. Coisas que venho vivendo, desde o primeiro livro, há mais de uma década. Os percalços, digamos. Por isso, quando alguém vem me perguntar sobre os caminhos para ser escritor, eu cito uma inabalável insistência/resistência, trabalho duro e não ficar cego com a luminosidade do “não”.

Mas nada supera certas alegrias, mínimas alegrias que surgem em conversas miúdas.

Outro dia, um grande sujeito, uma pessoa que admiro muito, foi internada num hospital. Fui lá visitá-lo. Ele estava com seu humor benevolente, suas piadas com a situação, até que começamos a conversar sobre livros, literatura etc. Eu sabia que ele tinha lido “Zé”, há muitos anos, e que tinha gostado.

Então ele me contou um segredo, à boca miúda.

“Olhe, foram os dois únicos livros na vida que li e chorei”.

Fiquei curioso, claro.

“Quais foram?”

“Zé e Meu Pé de Laranja Lima”.

Rimos muito e senti uma alegria de menino, aquela de achar que tudo está valendo muito a pena.

Postado em Crônicas | 20 Comentários »

20 Comentários

  1. tatiana pelinca Disse:

    E então;é por isso que até hoje,não consegui ler o livro Zé,mas ainda continuo tentando,bjs,Tati

  2. Sirley Disse:

    Um dia eu leio Zé… nem que seja a boneca dele.
    Abraços,

  3. Yasmin Disse:

    Estou com as meninas aí de cima, um dia ainda leio Zé.

  4. naire Disse:

    Amo a tua sinceridade.
    Beijo

  5. Tércio Disse:

    Apenas acho que para uns possam ser bastante complexos, é no fundo muito simples, e vice-versa. Não se mede.

  6. adrianacleao Disse:

    Eu tenho um exemplar do Zé e tenho o maior cuidado com ele, já emprestei p/muita gente, mas com o maior cuidado.

  7. adrianacleao Disse:

    Sama, fiquei interessa pelo leilão. Terá divulgação? Passa p/gente.

  8. Anonima Disse:

    ¨Ler é beber e comer.
    Espírito que não lê emagrece
    Como um corpo que não come¨.

    Vitor Hugo

  9. Magna Disse:

    E tudo tem valido muito a pena, Sama. Quem tem um livro tão singelamente ao lado do Meu Pé de Laranja Lima nas lágrimas de alguém, vai ligar pros nãos da vida por quê?
    Beijos, meu querido.
    Magna

  10. ro Disse:

    Oi, Samarone
    Lembra do “Café com Filosofia”, na Livraria Jaqueira?
    O 2º encontro vai ser no próximo sábado, 24/04, com o tema: “Ariano Suassuna: Singular e Plural”.
    Acho que sua presença vai ser muito importante!
    Um abraço
    Rosário

  11. GEYSON MONTE Disse:

    ESSE É O SAMA QUE EU CONHEÇO!!!
    SÓ PRECISO QUE VC NOS INFORME SÔBRE O LEILÃO.

    ABRAÇÃO FRATERNO,
    GEYSON MONTE

  12. Ivan Moraes Filho Disse:

    Zé é, de barbada, teu melhor livro. Queiram ou não queiram os juizes. Pena que me roubaram o exemplar q eu tinha. Possivelmente algum discípulo seu.

  13. George Guedes Disse:

    Pessoal,
    Na terça, 20.04.2010, ficamos em casa eu, minbha esposa e nossa filha. Conversa vai conversa vem, abri a primeira latinha e azeitei a máquina. Lá pelas 23:00, as duas já haviam se recolhido e eu continuava com sede, muita sede. Daí comecei a bisbilhotar no site “estantevirtual.com.br”, quano me surge a brilhante idéia: já que tá difícil conseguir outra edição de “Zé”, quem sabe não consigo algum exemplar num sebo. Lêdo engano, ninguém larga o “ZÉ”. Quem tem “Zé” não quer se afastar dele. Ô “Zé” difícil da febre!

  14. Carmen Freire Disse:

    Samarone querido,tava aqui pensando… quero tanto ler o “Zé” como fazer?
    Bjs e aguardo.

    Carmen

  15. Raphael Oliveira Disse:

    Sama,

    eu sei de rosto saíram as lágrimas que você fala. Pode ter certeza de que é realmente um dos maiores elogios que alguém pode receber.

    Abraços,

    Raphael

  16. alfredo de oliveira neto Disse:

    Rapaz, não é que escrevi um texto para o jornal da faculdade de medicina sobre o Mata Machado? O jornal era o RNAm (RNA mensageiro)e eu fui editor por 6 exemplares. Quem sabia tudo sobre o Mata era Dr. Lurildo, nosso mestre de cardiologia, que falava dele do coração… Ah, parabéns pelos cumpleaños e pelos novos livros.

  17. Ranuzia Melo Disse:

    O Conselho que negou a terceira edição de Zé deu uma mancada. Tenho muita vontade de ler este livro.

  18. Kohls free shipping Disse:

    Estou com o mesmo prblema,se alguem souber como solucionar o nosso caso por favor,nos ajude.desde já obrigado.

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