Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Internet, Twitter e outras anotações sem rumo

26 de julho de 2010, às 11:22h por Samarone Lima

Outro dia vivi um dilema emocional envolvendo a utilização ou não do tal twitter, compartilhei com meus leitores, um amigo chegou a abrir uma conta em meu nome, mas acabei recuando. Não sei o que é, mas acho que respeito minha natureza. Eu quero me comunicar, e acho que meu estuário dá conta do recado. Além disso, vivo escrevendo frilas e ultimamente andam me chamando para palestras e debates envolvendo livros, literatura etc.

Semana passada, tomei um susto. Bastou o Magro Valadares botar no twitter dele um link com a minha postagem, onde relatava pequenos deslizes de comportamento, que a coisa ganhou outra dimensão. Em dois dias, creio, mais de 400 pessoas tinha acessado o estuário.com. O número de comentários, na faixa dos 15 a 20 por postagem, deu uma pipocada – mais de 30.

Achei espantoso esse poder de comunicação, fiquei feliz com os novos leitores que chegaram, os comentários foram mesmo muito divertidos, e acho um falsiê geral o sujeito que escreve na Internet, dizer que não liga para os comentários. Eu ligo muito sim, acho formidável que alguém leia um texto que escrevi, mas isso ainda não me comove para usar outras ferramentas na Internet. É preciso lembrar que levei muitos e muitos anos até me deixar vencer pelo celular, que me ajuda muito a evitar dores de cabeça, viagens perdidas ou até a perda de algum trabalho por falta de contato. Lembro que Ricardo Mello teve que deixar um bilhete na mercearia de Seu Vital me convidando para trabalhar numa escola, e foi um projeto memorável, com jovens da periferia.

Essa interação com os leitores já me provocou muitas trocas generosas. Uma leitora de Olinda se encarregou de fazer uma seleção das melhores crônicas, e de vez em quando me manda longos email, contando suas impressões sobre alguns textos, articulando coisas da psicanálise, literatura, fazendo ligações com outros autores, e tem hora que eu me acho até sabido. Mas isso é por uns instantes, só.

Recentemente, outro leitor começou a ler meus poemas, sempre mandando comentários, fazendo comparações etc.  O melhor é que ele, grande leitor, me manda outros poemas que dizem se relacionar com o que escrevi. Iniciamos uma generosa troca de impressões, e diria que ganhei um novo amigo, que ainda não vi pessoalmente. Ele também está fazendo uma seleção dos poemas, para um livro que decidi publicar este ano. Um dos meus grandes defeitos é não saber separar o joio do trigo, nas coisas que escrevo.

Muitas vezes, os comentários dessas pessoas que nem conheço acabam sendo um bálsamo para compensar a minha caixa de email.

Não sei o que está acontecendo com a humanidade, mas como as pessoas têm um prazer quase sexual em mandar porcarias para os outros, via Internet. Quando recebo email com títulos do tipo “imperdível”; “engraçadíssimo”; “muito bom”, já nem olho. Não tenho paciências para essas piadinhas infames, e ainda bem que já não me mandam textos daquele chato do Arnaldo Jabour, que devia voltar a fazer seus filmes.

Tenho uma amiga que me manda três a quatro arquivos por dia, e me pergunto o que ela faz na fica, além de selecionar para mim coisas que nunca vou ler. Como nem leio, um dia ela vai me mandar um email importantíssimo, pedindo minha ajuda, e não vou ler, então será tarde.

O que pode parecer desdém com as novas tecnologias, eu assumo como uma espécie de contentamento. Às vezes, a gente não compreende o que é suficiente. Que difícil encontrar pessoas que dizem “isso é o suficiente”. Pois o meu espaço na Internet é o suficiente para mim. Venho aqui, publico dois textos por semana, boto meus poeminhas no outro blog, e está bom. Não sei a quantidade de leitores, mas está bom também, sei que algumas pessoas passam aqui, lêem minhas coisas, retornam, e está bem, é o suficiente.

Diariamente recuso pedidos para facebook, um tal de “quepasa”, hoje me chegou um convite para um tal de “linkedln”, mas declino sempre. Do Orkut já desistiram, ainda bem. Não é por esse papo de “aversão às tecnologias”, porque elas bem que ajudam muito na vida cotidiana, mas é que sou assim mesmo, meio arisco com muitas coisas. Acho ótimo que as pessoas compartilhem tanto, mas as minhas fotos eu gosto mesmo é no álbum, para mostrar na hora que chegar um amigo. Perdão, mas são minhas besteiras.

Semana passada, uma amiga me mandou um longo email, me questionando de uma situação vivida há cinco anos, creio, me acusando de uma penca de coisas ruins que eu julgava superadas, uma herança desse período conturbado da minha vida, quando fui dono de bares. Que nada. Ela fez algo que eu simplesmente rezo para não acontecer comigo, que é guardar rancor. Pois bem. Não funcionou.

Há algum tempo tenho me recusado a resolver problemas da existência com longos email, a não ser que seja alguém que viva muito longe, e não possamos nos falar sequer pelo telefone. Modernidade demais às vezes estraga o que temos de melhor, que é a possibilidade da conversa, do diálogo, esse reconhecimento da presença do outro em nossa vida.

A amiga em questão mora no Recife, sabe meus telefones, onde me encontrar, e me manda um email longo, problemático, atravessado, que li em Garanhuns, durante o Festival de Inverno.

Uai, mas o que custa marcar um café ou uma cerveja, para contar olhando nos olhos o que sente, o que machucou, esses mal-entendidos da vida?

Outro dia, numa festa, encontrei um camarada que tinha brigado feio comigo. Eu sabia que havia rancor na parada, e eu também não estava essa florzinha toda com ele. Lá pelas tantas, os dois já tinham tomado umas, fui lá, disse “olha cara, aquilo ali já passou, vamos deixar de besteira, que a vida é curta para esse negócio de intriga”.

Ele aceitou o abraço, disse que estava pensando em fazer o mesmo, acabou tudo ali mesmo, na boa, sem email, sem gtalk ou msn.

Perdão, leitores, mas hoje estou disperso pacas. Queria dizer alguma coisa e o texto seguiu seu rumo próprio.

Acho que estou mandando apenas um abraço para quem me lê, dizendo que acredito nessas trocas sinceras que acontecem por aqui, mas que só vou até onde posso.

Para Santa e Arsênio, que me ajudam a separar o joio do trigo.

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Anti-crônica dos pequenos pecados. Algumas coisas terríveis que já fiz, a modo de confissão

16 de julho de 2010, às 13:00h por Samarone Lima

Admito alguns erros clássicos nesta vida errante. Manchas, momentos ruis, vacilos, devaneios, afanos e suspeitas. Com o tempo, tudo vai se curando, já dizem os zorbas e os gregos, e depois o sujeito começa a rir dessa grande tragicomédia que é a vida. Listo algumas coisas que já fiz, já sem o arrependimento rondando na casa dos 8, na esperança de que os leitores também soltem seus crimes de menor potencial ofensivo para nosso deleite.

Assisti a um show do Biafra

Tudo bem, foi mal, essa é horrível, são os momentos ruins na vida de uma pessoa. Eu tinha uns 13 anos poxa! Sei lá, a turma do bairro resolveu ir, e topei. “Meu mel não diga adeus/Eu tenho tanto tempo”. Não sei se era dele, mas fica sendo. Essas músicas de mel. Aconteceu, não posso fazer mais nada, é só aceitar.

Gostei muito do Gilliard

Meu irmão, o Tonho, adorava o Gilliard, e acho que foi por osmose. No aniversário dele, a minha mãe dava um jeito de comprar o vinil, com a foto do cara na capa. “Aquela nuvem que passa/ Mar afora sou eu/ Aquela folha que passa”. Por aí vai. Quero dizer, ía. Gilliard era um boa praça danado. O incrível é isso. Se juntar Biafra e Gilliard no Chevrolet Hall eu viajo para Manaus, só para não passar perto. Outro dia fiquei sabendo que o Gilliard virou dono de farmácia.

Confisquei comida dos outros em geladeira de albergue

Novamente, aconteceu, e não foi nada de extraordinário. Foi no albergue de Buenos Aires, em San Telmo, onde fiquei várias vezes, fazendo minhas pesquisas do mestrado. Nas duas geladeiras, cada hóspede montava sua caixinha de plástico com sua comida e botava o nome. A turma, no geral, só comia o que era seu mesmo, nessa ética dos viajantes que tanto prezo.

Mas tinha uma moça da Suiça que era chata pacas, e mesmo sendo suiça, era feia pacas. Ela tinha um olhar preconceituoso que conheço de longe. Arranjava arenga por qualquer besteira, a sacaninha.

Então, na calada da noite, eu seguia com meu pé de lã, andava de mansinho, abria a geladeira e olhava o nome dela: Laila. Não sei se o nome é esse, mas fica sendo, porque a memória é mais forte que a reles lembrança.

Eu pegava a caixinha da Laila, e era uma delícia (a caixa, não a Laila). Queijo suiço, chocolate suiço, azeite, pão e queijo. Só não tinha relógio suiço, que pena. Eu fazia um baita de um sanduiche e depois dormia como um passarinho. No outro dia, era uma confusão dos diabos, para saber quem tinha mexido nas coisas da Laila.  Ra ra ra nunca fui descoberto.

Furtei a Livro 7

Quando soube que a Livro 7 tinha quebrado, eu morava em São Paulo. Fui para um boteco, chorar minhas dores, sabendo que nunca mais marcaria um encontro com alguém na Livro 7.  No começo, me senti culpado, fiz alguns ataques àquelas e memoráveis prateleiras, usando táticas de guerrilha literária que posteriormente transformarei em um guia para iniciantes.

Fiquei com este sentimento de culpa até que escrevi uma crônica no JC On line, em 2006, creio, confessando o crime, e recebi uma penca de comentários, de outros larápios. Teve uma pessoa que conseguiu leva, nas intocas, até o Aurélio! Se fossem fazer uma CPI sobre os ataques à velha e boa livraria, poucos escapariam, inclusive sujeitos que hoje são deputados, senadores, funcionários da Justiça, ex-xepeiros em geral. Só os homens e mulheres de bem. E de bens.

Já dei um pinguim de geladeira a uma aeromoça

Calma, amigos, não é o caso clássico de “dar em cima da aeromoça gostosa e linda”, porque as aeromoças de hoje estão deixando muito a desejar. Também, quem precisa de beleza para entregar uma barrinha de cereal dizendo “senhor, suco ou água?”

A aeromoça em questão era gente finíssima, e eu estava mesmo nervoso pacas, temendo o pior para mim e todos os confrades dentro da aeronave – uma eventual queda, com nenhum sobrevivente.

Na época, éramos felizes, porque serviam bebida no voo, e na época, vôo tinha acento, que era muito lindo. Sibele (se não for, fica sendo), me tratou tão bem, me serviu tantas doses a mais, que dormi feito uma criancinha e não senti nenhuma trepidação.  Antes de descer, peguei um pinguim de geladeira que estava na minha mochila (acho que tinha comprado em Belo Horizonte, não lembro, faço cada maluquice) e ofereci de presente. Não é que a moça ficou exultante, dizendo que era um presente maravilhoso?

Os tempos mudaram, nunca mais viajei com pinguim de geladeira na mochila, nem me ofereceram dose alguma a mais, as não ser amendoim ou barra de cereal. Tenho vários sonhos, um deles é encontrar o dono da Gol e dizer que ele não revolucionou a aviação brasileira, ele mediocrizou nossa merenda nas viagens, isso sim, por isso que nunca viajo pela Gol.

Usei o WC da Sorbonne

Este realmente foi um momento inesquecível deste velho vagabundo semi-profissional. Estava andando em Paris, um flaneur nascido no Crato, quando me vi dentro da Sorbonne. Ora ora, foi o que pensei, a catedral do saber. Por aqui já passaram todos os grandes, e eu de bobeira, sem realizar um ato de impacto, sem uma reflexão que ficasse para a humanidade, uma parábola, uma frase de efeito.

Quando estava nessa alegria, me veio uma dor de barriga afrancesada e rapidamente encontrei o WC da Sorbonne. Utilizei-o com pensamentos filosóficos. Pensei em escrever algo na porta, do tipo “vim, vi e fiz das minhas”, mas me pareceu vulgar demais, fiquei somente meditando sobre a importância do WC no pensamento filosófico ocidental.

Usei também o WC da sede da ONU

Sinceramente, não achei nada de tão importante assim. Acho a ONU, inclusive, uma entidade reaça pacas.

Vou ali, no Caudinho do Biu, no Alto José do Pinho, tomar uma gelada, que hoje é feriado no Recife. Lá, tentarei lembrar de mais coisas para concluir esta postagem. Para quem acha que estou brega demais, adianto que conheço três amigas que foram para o show dos Menudos, e hoje são todas mães de família. Elas gritavam pacas “Robbin!”

“Não se reprima, não se reprima, ôôô…”

Parte 2

Dei um ganho no caderno de fiados do meu bar predileto

Não sei quando foi, mas certa vez, eu estava bastante mamadinho no meu bar predileto, em São Paulo, e vi que o caderno dos fiados estava de bobeira, dando sopa. Não vacilei. Num bote clássico e rápido, surrupiei o cobiçado objeto e levei para casa. No outro dia, quando acordei, ele estava ao lado da minha cama. Os dois portugueses estavam loucos já. Desci para o café com aquela cara conhecida de uma pessoa que fez besteira, mas não entreguei o ouro ao bandido.

Pedi um café, escutei as reclamações de Manuel, atormentado com o sumiço do caderno, repeti aqueles bucólicos “que coisa, né”, e esperei Manuel pegar algo lá dentro. Sorrateiramente, coloquei no mesmo local, terminei meu desjejum e dei no pé. Não sei se o portuga percebeu, mas nunca falou nada.

Me hospedei em albergue com o nome do meu querido poeta argentino

Essa teve a participação especial do potiguar Sir Gustavo de Castro, que agora vive em Brasília. Estávamos perambulando por Salvador, e quando nos hospedamos num albergue que fica no Pelourinho, pediram para preenchermos a ficha. Instintivamente, botei meu nome como Juan Guelman, ele colocou Roberto Juarroz, ou vice-versa. O fato é que passamos um dia hospedados, como sendo os dois maiores poetas da argentina, segundo nossas avaliações e impressões. Aproveitei para botar o endereço misturando ruas e bairros das cidades que vivi, de modo que se o albergue incendiasse e morressem todos, não teriam como comunicar às nossas famílias.  

Mas bastou ler as primeiras confissões dos leitores, para ver que sou café com leite nos pequenos pecados. O senhor George, por exemploi,  furtou um pinguim de geladeira de um boteco e fingiu que era sequestro, com carta e tudo! Esse sim, é um gênio da raça.

Vou tentar o mesmo com Seu Vital. Depois conto como foi.

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Inauguração

13 de julho de 2010, às 6:08h por Samarone Lima

Foi há uma semana, e ainda estou a lembrar com uma certa alegria desta inaguração íntima.

Era o lançamento do novo site da Interpoética (www.interpoetica.com.br) o espaço poético que Cida Pedrosa valorosamente vem mantendo, ampliando, embelezando há alguns anos. Iria mostrar aos poetas da cidade o novo formato, as mudañças, e fui lá, no aconchegante Espaço Muda, na rua do Lima, dar uma olhada, encontrar os amigos que escrevem, sejam cartas, poemas xerocados, bilhetes, romances, diários, bulas de remédio. Como eu tinha mandado alguns poemas para a Cida, no íntimo aguardava algo, que eu não sabia o nome. Não era elogio, mas troca, que é bem melhor.

Não lembro se chovia, porque o Recife é uma cidade que agora vive molhada. Lembro que eu estava de guarda-chuva, e que dei uma longa caminhada com ele. Logo que entrei no Muda, ganhei um abraço quente de Cida, com algumas palavras que eram pura troca poética, coisas que não vou falar. 

Tinha uma penca de gente boa por lá. Jommard Muniz, Miró, Malungo, Lara, Meca Moreno, Pedro Américo, a turma que circula pela cidade, umas andorinhas que levam palavras, metáforas, belezas, remédios para a vida.

Depois da apresentação do novo site, começou o sarau. Microfone ao centro, palavra aberta. Continuei sentado no sofá, ao lado de Meca Moreno. Os poetas se revezavam, diziam decorado suas coisas, coisa que sempre me deixou numa inveja absoluta. Uma vez, passei meses tentando decorar um poema de uma página do Fernando Pessoa, mas nunca consegui. Vale salientar que o mini-teatro estava cheio.

Lá pelas tantas, mesmo sem ter bebido nada, senti uma fisgada.

“Vai lá! Lê um poema teu!”

Senti uma tremedeira geral, um frio na espinha, um aperto nos pulmões. Apesar de ter que falar em público por conta de várias demandas profissionais (professor, por exemplo, tem que falar em público), nunca, ao longo de quatro décadas, me arvorei a ler coisas minhas em um sarau. Isso é coisa para gente de raça, e meu vira-latismo fica por ali, rondando o poste. É timidez mesmo. Eu também não sou dessas pessoas resolvidas, que fazem tudo o que dá na lata. Tenho ainda este hábito feliz de respeitar o meu tempo para as coisas.

Então falei ao ouvido do Meca Moreno:

“Se eu ler um poema, tu segura o microfone para mim?”

“Claro”, respondeu Meca, que se tornaria o Grande Traidor da noite.

A coisa começou a ficar complicada quando avisei ao ouvido de Cida.

“Olha, vou cometer um desatino. Pela primeira vez na vida, vou ler um poema em público”.

“Ah, então vou avisar ao menino para filmar”.

Eu e meu bocão, foi o que pensei.

A idéia era relativamente simples. Do sofá mesmo, bem quieto, com Meca ao lado, segurando o microfone, ler dois poemas de um caderno que tinha levado, cheio de anotações. Por sorte, muita gente queria mostrar suas coisas, a pauta estava cheia, e por alguns momentos pensei que escaparia dessa, que o tempo esgotaria, que não precisaria cometer o desatino.

Meca, então, me traiu. Quando o microfone vagou alguns segundos, foi ao centro do palco e alardeou que eu iria ler meus poemas pela primeira vez. Me chamou ao microfone, com alegria e alvíssaras. Tive que sair do aconchegante sofá, que tinha a enorme vantagem de ser ao lado do palco, longe dos holofotes.

Com a língua seca, nervoso como no primeiro debate que participei no curso de Jornalismo da Católica, há 22 anos, fui ao palco. Fiquei ao lado de Meca, que segurou o microfone, e li dois poemas. Juro que as duas pernas tremiam.

Foi uma inauguração em minha vida. O sarau seguiu e voltei para o aconchegante sofá, para me acalmar. Depois saí, fui para um barzinho menor, e tomei duas cervejas solitárias. Voltei, encontrei os amigos, o velho e bom Ésio, e fomos para outro bar, onde fizemos uma enorme mesa, e ficamos em nossas lorotas.

No dia seguinte, mandei um email a Cida, agradecendo. Ela respondeu assim:

“Ontem você encontrou a fala da poesia. É apenas o começo. Vicia e não dói”.

Sim, apenas o começo. Uma inauguração, pois.

ps. Os poemas em questão estão no www.quemerospoemas.blogspot.com

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De volta

9 de julho de 2010, às 10:04h por Samarone Lima

Esta bucólica página na Internet esteve fora do ar um par de dias, sem que eu tivesse nada a ver com isso. Os amigos de sempre nessas horas dramáticas, Dimas e Anízio, me mandaram informes diários, esclarecendo problemas com um servidor, que não sei se é público, e em qual repartição está lotado.

Os diálogos sobrenaturais me deram somente a certeza que a festa na Internet pode acabar a qualquer momento.

Diante do exposto, informo que já já vou pensar em algum tema pulsante da realidade nacional para abordar. Antes disso, vou ali tomar um cafezinho e pensar em algo de menor escala.

Samarone

ps. Tomei várias doses de Coragemol e estou atualizando diariamente meu blog de poesias novas, velhas e usadas:

www.quemerospoemas.blogspot.com

Tenho até um leitor convicto, o Arsênio, que o Grande Deus o proteja.

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