Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Homem molhado, vida seca. Ou: “Os fuzis da senhora Carrar”

29 de agosto de 2010, às 12:58h por Samarone Lima

Foi um sábado cheio de bondades, esse que a vida me deu. Desde a manhã ao anoitecer, pessoas queridas, descobertas, um bom almoço com o velho amigo Inácio, palestra razoável na Livraria Cultura, café no Bairro do Recife, até que veio o crepúsculo, e decidi. Era o momento de assistir “Os fuzis da senhora Carrar”, de Brecht, sob a direção do velho amigo e mestre João Dênys.

Mais que isso, queria ver em cena a adorável Stella Maris Saldanha, minha amiga de Universidade Católica, que outro dia me entrevistou, aqui em casa, e me fez tirar os poemas das gavetas, ou das caixas.

Pouco antes das 18h, entrei naquele pequeno e aconchegante Teatro Hermilo Borba Filho. Não imaginava que seria inundado por uma emoção tão grande. A beleza do espetáculo, a atuação impecável de todo o elenco, a direção sempre certeira de Dênys e a soberba, deslumbrante presença de Stella, me levaram às lágrimas. Há tempos não sentia isso no teatro.

Ao final, não me contive. Fui ao camarim abraçar os atores. Pedi um autógrafo a Stella e disse aos atores que estavam de parabéns. Não sei como está a vida cênica da cidade, mas sei que temos uma peça extraordinária em cartaz, aos sábados e domingos, às 18h, no teatro Hermilo Borba Filho.

Saí do teatro debaixo de uma chuva fina, com muito vento. Saí lembrando de algumas cenas, de muitas falas, e de um momento especial da peça, em que a senhora Pérez diz à senhora Carrar:

“Para quem é pobre, não há segurança alguma na vida. Nós somos sempre os que apanham, de um jeito ou de outro. E a essses que apanham sempre é que dão o nome de pobres. E aos pobres, não há providência que salve”.

Rapidamente fiquei molhado, à espera de um táxi, na esquina, até que parou um ônibus, o Nova Descoberta/Derby.

“Amigo, passa na Conde da Boa Vista?”

O motorista, um senhor bigodudo de uns cinquenta e poucos anos, respondeu duro que não, mas disse um “entra aí, que tu fica lá na frente, aqui é muito ruim com essa chuva”.

Descobri que o ônibus passaria perto da minha casa. O homem sério e duro disse “fica aí mesmo, não precisa passar, tu vai já descer mesmo”, enquanto engatava marchas no Recife debaixo de uma chuva fina mas persistente, dessas que molham plantas, gentes, cães, distraídos, que não respeitam guarda-chuva. Chuva de assanhar a paisagem.

Perguntei ao homem se era a última viagem, o suficiente para que ele me resumisse sua vida seca em alguns segundos.

“É a última, graças a Deus. Entrei às cinco da manhã, vou saindo agora”

Eram quase oito da noite.

“Mas amanhã tás de folga, né?”

“Amanhã entro de quatro da manhã, saio de duas da tarde. Só no outro domingo terei folga”, respondeu, enquanto chegávamos ao Parque 13 de Maio.

“Vou descer aqui. Vou para a rua da Aurora”, disse.

O que parecia um homem duro disse que não me preocupasse, que ele me deixava na esquina, porque era “mais perto de casa”.

E súbito, aquela vida seca me pareceu uma falha no meu entendimento. Era apenas um homem exausto, sugado pela máquina de trabalhar deste meu país, e que certamente não trocou mais que algumas palavras, ao longo de várias horas dirigindo um ônibus. Chegaria em casa exausto. Teria o tempo somente de comer algo, descansar algumas horas  e acordar novamente, na madrugada do domingo.

Enquanto ele dirigia, me lembrei de cada palavra da senhorar Pérez, e da intensidade da senhora Carrar.

Desci, caminhei tentando não molhar o programa, com o autógrafo de Stella, e agradeci por algo que não sei o nome.

**

Trecho de João Dênys no programa:

“A obra Os fuzis da senhorar Carrar nos situa frente a uma retomada de posições em guerras silenciosas, sem marchas solenes, sem pronunciamentos bombásticos, sem palavras de ordem, em territórios aparentemente sem muros, sem união de gentes diferentes, sem bandeiras a defender e desfraldar, mas com igrejas inflexíveis, com anestesia global, com o terror banalizado, com um capitalismo cada vez mais bruto, com armas tão exageradamente letais que fazem dos velhos fuzis de Teresa Carrar, ou de quem quer que os esconda, alfinetes de insegurança com conexão virtual total”.

O espetáculo está em cartaz no teatro Hermilo Borba Filho, aos sábados e domingos, às 18h.

NOTA: O estuário está com um problema técnico, e ninguém consegue comentar. Quando a pessoa clica, vai para o site globo.com

Informo que não é intenção do autor (este tipo de parceria), e que ele não está recebendo por isso. O provedor está tentando resolver. (Samarone)

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Blogueiro em crise

25 de agosto de 2010, às 16:22h por Samarone Lima

Perdão, leitores, mas amanhã tentarei algo. Hoje, após mais de uma hora de tentativas, não me saiu nada decente para postar.

Crise de imaginação, de assunto, conteúdo. Acontece.

Escrevo só para dizer que estou tentando, mas não quero publicar qualquer coisa, só para dizer que estou com o blog em dia.

Aceito sugestões. Eu sabia que a crise dos 4o chegaria, mas não aos 41, e numa tarde de quarta-feira no Recife.

Aceito sugestões, temas, frases que rendam algo.

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Coletânea Antônio Maria de Crônicas

24 de agosto de 2010, às 15:06h por Samarone Lima

Ensinei numa escola no Bairro do Recife que ficava defronte a uma estátua de Antônio Maria. Acho o Maria uma maravilha, sempre adorei as crônicas dele, fora algumas canções espetaculares.

O tempo passou, saí da escola, continuei escrevendo meus textos, e fui convidado para participar de uma antologia de crônicas, organizada pela Prefeitura da Cidade do Recife. Somos 17 autores. Alguns conheço, outros vou ver hoje.

O lançamento será às 20h de hoje (terça, dia 24 de agosto), na Rua da Moeda, com rec ital e tudo o mais.

Dizem que o livro ficou lindo.  Todos estão convidados. Acho que hoje acabo minhas férias.

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Para gostar de ler é preciso Bibliotecas Vivas! (Blogagem simultânea de vários amantes dos livros e das pessoas que querem bibliotecas vivas perto de casa)

19 de agosto de 2010, às 0:44h por Samarone Lima

Campanha da Rede de Bibliotecas Comunitárias inicia campanha para revitalizar infraestrutura e equipamentos para incentivar a leitura na Região Metropolitana do Recife

Nem só de livros se faz uma biblioteca. Para que o espaço funcione e para que as pessoas cada vez mais se interessem pelo mundo da leitura, é preciso a organização, o conforto e o aconchego de ambientes saudáveis e com os equipamentos necessários para seu funcionamento. Para isso, a Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife está em campanha.

Dessa vez, não se está pedindo livros (embora sejam sempre bem-vindos). A ideia é mobilizar recursos financeiros e materiais para equipar e reformar as oito bibliotecas que fazem parte da Rede. Muitas delas hoje sofrem dificuldades diversas como infiltrações, problemas hidráulicos ou mesmo a falta de mobiliário adequado.

“Este é um esforço para buscarmos novos parceiros em diferentes âmbitos (governamental, empresarial, pessoal, de associações, de profissionais liberais). Acreditamos que é mobilizando os diversos segmentos da sociedade que a gente pode se fortalecer, afinal de contas, para formar uma sociedade de leitores, pois um pais democrático se faz com leitores”, avisa Gabriel Santana, do Movimento Cultura Boca do Lixo e um dos articuladores da Rede.

O jovem ativista deixa claro que a intenção da rapaziada é trabalhar sempre do conceito de “Biblioteca Viva”.

“Esses são espaços que vão além da função tradicional de emprestar livros. A biblioteca é também um lugar de formação de leitores, através de diversas estratégias de mediação de leitura, como Rodas de Leitura, Recitais, Semanas do Conto, Bibliotecas Itinerantes, Malas de Leitura, exibições de vídeo, Oficinas de Leitura, Contação de Histórias, Produção de textos e desenvolvimento das linguagens”, informa.

Ontem, fui à Biblioteca Popular do Coque, que conheci no dia da inauguração, em junho de 2007.  Maria Betânia, e mulher batalhadora que nunca abandou o sonho da biblioteca na comunidade, lamentava os estragos das recentes chuvas. Infiltrações, goteiras, telhas quebradas, 40 livros perdidos, chão molhado, atrapalhando o trabalho com as crianças da comunidade. São de 30 a 35 por dia.

A biblioteca tem um computador, poucas cadeiras, dois pufes. A igreja católica paga o aluguel. O restante é na base do voluntariado e alguma ajuda institucional, que permite Betânia sobreviver.

“Recebemos mais de 600 livros do Minc, mas não temos como trazer para cá”, diz.

O que a Biblioteca Popular do Coque mais precisa é de ajuda financeira para a infra-estrutura e voluntários, para o trabalho na parte da tarde.

“Toda vez que vou olhar na conta, só tem R$ 50,00″, diz Betânia.

Fabiana Coelho contava histórias para umas 30 crianças, nesta terça, enquanto a TV Tribuna fazia uma reportagem. Desde a inauguração, resolveu ser voluntária, duas vezes por semana. Mostra com alegria uma menina, Alice, que aprendeu a ler ali mesmo. A menina montava seu nome com umas letrinhas de plástico. A mãe, vendo a empolgação da filha, também voltou a estudar. Rafael, filho de Betânia, também é voluntário.

“Muitas mães aprenderam a ler aqui”, conta Betânia.

O lugar é frequentado pela comunidade e até pelos agentes de saúde.

“Sem a ajuda, eu não consigo”, diz Betânia.

Mais informações:

Gabriel Santana – Movimento Cultural Boca do Lixo. 3244-3325 / 8850-5507  (Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife)

redebibliormr@gmail.com

http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com/

Panfleto: http://rededebibliotecascomunitarias.files.wordpress.com/2010/06/publicidade_da_internet1.jpg

Lista de materiais que as bibliotecas precisam:

Aparelho de DVD – para passar filmes em formato DVD para o público, nas exibições de vídeo.

Televisão a cores – Para exibir vídeos para o público das bibliotecas

Material de construção – Para fazer reparos na infra-estrutura dos espaços (ver fotografias)

Data Show – para exibição de filmes para comunidade no espaço externo da Biblioteca (na rua ou praças)

Equipamento de som (Caixas amplificados, Mesa de Som, microfones) – para eventos que as bibliotecas fazem na Rua ou Praças.

Mobiliário – Mesas e cadeiras plásticas pra adultos.

Estantes – Para acomodar os livros.

Computador – para uso do leitor e melhor gerenciar o controle do acervo, produção de materiais virtuais (textos, planilhas, apresentações)

Impressoras – Para impressão de materiais usados pelas bibliotecas (pesquisas na Internet, impressão de materiais de divulgação).

Estamos também com uma conta aberta para arrecadar recursos financeiros, onde será investido em mão de obra, e investir na melhoria da infra-estrutura das Bibliotecas Comunitárias que integram a Rede de Bibliotecas Comunitárias da RMR.

Caixa Econômica Federal

Conta corrente número: 544-5 

Agência: 2193 / OP: 003

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O gozo das férias

9 de agosto de 2010, às 22:27h por Samarone Lima

Amados leitores.

Após cinco anos escrevendo uma média de duas a três crônicas semanais, o autor deste blog recorre à legislação trabalhista brasileira para decretar o gozo das merecidas férias.

Neste período, o citado blogueiro pretende se dedicar às leituras matinais, perambulações em parques e alamedas, eventuais conversas fiadas com candidatos barrados pelo ficha limpa e pequenas incursões pelo mundo da filosofia pós-indiana, já que Kant foi para o espaço.

Diante do exposto, só me resta botar na banguela, dizer muito obrigado, abraçar a esperança e dar uma volta no quarteirão em 79 dias.

Até breve, quando eu me recuperar do intermezzo, movido a pizza e azeite de oliva da espanha.

Fiquem com deus e não percam a esperança.

Samarone Lima

ps. continuo alimentando meu blog de poesias. Quem quiser olhar, não paga nada.

www.quemerospoemas.blogspot.com

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