Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Huelga general en España…

28 de setembro de 2010, às 12:36h por Samarone Lima

Desocupado leitor, enquanto você estiver acordando, nesta quarta-feira, tomando seu cafezinho com pao francês, a Espanha vai estar enroscada numa “huelga genenal” que parece ser gigantesca. Desde que cheguei, os jornais e TVs só falam nisso, os sindicatos estao batendo forte no Zapatero.

Esou em Toledo, à procura de Quixote, Cervantes e Sancho, fora os moínhos de vento. Nao sei como vai ser aqui, que é uma cidade menor. O fato é que estou hospedado em um castelo muito antigo (aqui na Espanha é bom colocar tudo uns cinco, oito séculos pra trás, e daí você começa a contar). É o “Castillo San Servando”.

Cheguei exausto (o castelo fica no alto de uma colina), após atravessar uma ponte fina e que me deu calafrios, fui atendido por uma senhora de maus modos, que era incapaz de uma gentileza. Seus lábios nunca ouviram falar do “S” de sorriso. Me cobrou umas taxas inóquas e só fiquei pelo cansaço e pelo desejo de finalmente me hospedar no castelo.

Dei sorte. O quarto éagradável, no segundo andar, com janelinhas minúsculas, que dao para o rio Tajo. Tejo é em Portugal. Somos apenas dois no quarto. Eu e um norte-americano, o Franklin (neto do Delano Roosvelt, pensei em perguntar), que fala español (coisa raríssima nos gringos) e está lendo (ou tentando ler) Samuel Beckett. Ontem ele estava pelejando com “Esperando Godot”.

Como sempre, caminho pela cidade, perambulo, olho praças, igrejas, catedrais, conventos, as árvores, o povo, lamento a presença infinitamente pequena de caes e volto para o castelo, onde faço duas coisas importantíssimas para meu turismo interior – vou ler e escrever.

Em Madri, descobri o maravilhoso Amin Maalouf, um livro chamado “Orígenes”, que merece uma traduçao imediata. É dele também “El desajuste del mundo”, que o Helion, bom pernambucano, já me indicou.

A bordo veio meu Quijote, ediçao com milhares de notas. Hoje comecei a segunda saída do nosso herói, agora já com o abençoado Sancho Pança.

O albergue é imenso, belo, de mana pego sol numa mesa no jardim. Por dentro, as coisas sao meio esquisitas. As flores dos vasos sao de plástico. A recepcionista, madame Riso Nunca, há pouco quase me negou emprestar o grampeador.

Tem um monte de regras. Nao pode comer nada nos quartos, nem beber, nem fumar. Pois estou mandando ver. Hoje comprei um vinho e estou pensando até em fumar, só para chatear.

Há uma TV grande no salao. Hoje teremos Real Madrid x Auxerre, pela Liga dos Campeoes.

Bem, depois da Huelga vou a Madrid. Por favor, agradeço aos desocupados leitores se me informarem como anda a vida no Brasil e no Recife.

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