Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Algumas sugestões para quem vai à Fliporto 2010

12 de novembro de 2010, às 13:28h por Samarone Lima
Igreja da Sé - Foto: Anizio Silva

Igreja da Sé - Foto: Anizio Silva

Acompanhei com o amigo Mário Hélio, ao longo dessas últimas semanas, o processo cuidadoso e delicado de montar a programação da Fliporto 2010. Já dei os parabéns antecipados. De longe, a melhor programação, desde que a festa foi criada, há seis anos. Para arrematar, vai ser realizada em Olinda, que é fácil de chegar. Principalmente, é linda.

Separei algumas sugestões de mesas que acho imperdíveis, maravilhosas, pelo menos no meu entendimento.

Hoje (12 de novembro)

18h – Abertura.

Eva Schloss conta sua história e de sua irmã Anne Frank a Geneton Moraes Neto e Moacyr Scliar.

Resultado: Já aconteceu. Foi bom, mas jornalístico demais. Gostei muito da delicadeza do Scliar.

Sábado, 13 de novembro

10h – Clarice Lispector: Como se constrói uma biografia. Com Benjamin Moser e Nadia Batella Gotlib.

Mesa deliciosa. Benjamin Moser é o autor do fantástico livro “Clarice,” e tem um humor refinado, inteligente e articula com muitas coisas de nossa cultura. Além disso, fala português muito bem.

Resultado: Um pouco decepcionante. O Benjamin falou pouco e me pareceu, nas entrelinhas, que a Nádia Batela soltava umas farpinhas. A metáfora do açucar com cal, que “mata a gente por dentro” para situar a obra de Clarice, achei lamentável. Inácio, que assistiu comigo, também não gostou.

15h30 – “O escritor como crítico”, com Ricardo Píglia, apresentado por Marcelo Pérez.

Considero o Píglia um dos melhores escritores em língua espanhola do mundo. “Respiração Artificial”, “Plata Quemada”, “O último leitor”, entre outros. Seu último romance, “Blanco Noturno”, não foi traduzido para o português, e só não o comprei em Madri, porque estava liso. Depois ele vai autografar livros.

14 de novembro (domingo)

10h – “Ler o livro do mundo”, com Alberto Manguel.

Autor de livros que contam sobre a história da literatura no mundo, esse argentino é simplesmente maravilhoso. Depois da conferência, ainda vai autografar seu último livro, “Todos os homens são mentirosos”.

No encarte do Jornal do Commercio sobre a Fliporto de hoje, há uma frase dele que acho maravilhosa: “A experiência humana é mera confirmação dos livros”.

15h15 – Faces da poesia, literatura e identidade árabes na atualidade. Com Ali Ahmad Esber (Adonis), em conversa com Milton Hatoum e Michel Sleiman.

Não conheço a obra do Adonis, só encontrei um livro dele em francês, numa livraria de Lisboa, mas aqui confio mesmo é no taco de Mário Hélio. Segundo ele, é um dos grandes poetas da humanidade. Às vésperas da vitória do Mário Vargas Llosa no Prêmio Nobel, o Adonis era citado pelos jornais espanhóis como um dos possíveis vencedores. O melhor é que ele vai falar em árabe. Poesia em árabe, que maravilha.

15 de novembro (segunda-feira)

16h30 – “Do universal, do comum e do diálogo entre culturas”, com François Jullien, com Kathrin Rosenfield.

17h45 – O diálogo dos visionários: Ambrósio Brandão e Stefan Zweig, com Alberto Dines.

Nesta mesa farei a apresentação de um jornalista e escritor que admiro muito, o Alberto Dines. Entre vários livros, ele é autor de “Stefan Zweig, morte no paraíso”, monumental biografia deste escritor austríaco.

Ambrósio Brandão e Stefan Zweig estiveram em Olinda, num intervalo de 323 anos. Como diz o programa, “vão encontrar-se pela primeira vez nesta palestra, no dia da Proclamação da República do Brasil”.

De Stefan Zweig já li umas cinco vezes “A embriaguez da metamorfose”, também traduzido como “O êxtase da transformação”, prefiro mais o primeiro título.

20h – Encontro com Clarice Lispector, com Beth Goulart e mediação de Saulo Gomes.

Trata-se de um recorte do espetáculo “Simplesmente eu, Clarice Lispector”. Depois da apresentação, Beth Goulart participa de uma conversa franca sobre literatura, vida e teatro”.

Fiz uma seleção da seleção, as coisas que eu não perderei por nada. Mas a programação toda está excelente, instigante, mais enxuta e densa. Mário Hélio realmente está de parabéns pela curadoria.

A todos, uma boa festa literária.

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Mini-férias forçadas

9 de novembro de 2010, às 13:33h por Samarone Lima

O Dimas tinha me avisado.

“Vai o boleto para pagar o domínio de Estuário.com. Não deixa passar a data”.

Ele mandou com mais de um mês de antecedência, e ficou por isso mesmo. Eu nunca entendi essas coisas de domínio, só quando meu amigo Naná diz “eu domino”, que é a certeza de que ele vai fazer tudo na maior perfeição, e todos ficarão felizes para sempre.

No dia 30 de outubro, o blog saiu do ar. Pensei tinha sido algum hacker, porque tem um sujeito que bebe muito, entra no estuário e não se banha – enche a paciência de todos com besteiras monumentais.

Dimas matou a charada. Não paguei os R$ 49,00. É o valor anual para ter um lugar para hospedar minhas palavras. A firma tem sede em São Paulo. Até que não é tão caro.

Ele mandou novamente o boleto, mas não consegui imprimir. O perigo era alguém pegar o domínio estuario.com e eu ficar com cara de leso.

Nesse intervalo, já estava articulando com os amigos a postagem em blogs cúmplices. Escrevi um texto sobre a visita que fiz a Raimundo Carrero com Inácio, e mandei para o caótico (www.caotico.com.br). Reza a lenda que o texto entra amanhã. Já tinha falado também com a Flávia Suassuna (www.fsuassuna.blogspot.com) e ela também disponibilizaria um diazinho para minhas desocupações. Seria uma pena, porque ela está postando uma belíssima safra de poemas.

Hoje mesmo falaria com o Ivanzinho (www.bodega.blog.br) para abrir mais uma vereda, de formas que não ficaria assim tão sem rumo. Ivan não seria tão terrível a ponto de negar um estacionamento de palavras amigas por um dia apenas. Eu também precisava urgentemente de um trocadilho.

O fato é que ontem, depois de muito vai e volta, me apareceu uma luz. Combinei com o Dimas que eu depositaria o dinheiro em sua conta, e ele faria o pagamento on line. Não sei pagar contas on line. Na verdade, sempre acho que vão pegar minha senha e rapar tudo. Compras pela internet, só de livros, a fabulosa estante virtual.

“Falei com a empresa, eles vão liberar em 24 horas”, disse o Dimas ontem, depois que depositei o dinheiro.

Hoje de manhã ele ligou. Já estava normalizado. Fim das férias.

O texto que eu iria publicar hoje, sobre a visita ao Carrero, vai ser postada amanhã, no blog do Inácio (poxa, hoje estou repetitivo pacas).

Aproveitei a mini-folga para botar todas as leituras do Stefan Zweig em dia. A biografia do Alberto Dines é bela e profunda – “Morte no paraíso”. Dia 15 vou mediar uma mesa com ele, o Dines, na Fliporto.

Eu tinha mais um monte de coisas para dizer, mas tudo se embaralhou repentinamente, perdi o fio da meada e o ritmo do texto. É parecido com aquele momento em que o sujeito vai dirigindo um carro na banguela, e depois, por descuido, impaciência ou imprudência, mete a marcha errada. Dá um solavanco danado.

Aos poucos, vou retomando as atividades habituais.

E não esqueçam de dar bom dia, boa tarde e boa noite a todo mundo. Sem gentileza, não dá pé. Ivanzinho tem falado muito sobre isso em sua bodega, e concordo plenamente, apesar de ele estar me devendo umas cervas no Princesa Isabel.

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