Algumas sugestões para quem vai à Fliporto 2010
Samarone Lima
Acompanhei com o amigo Mário Hélio, ao longo dessas últimas semanas, o processo cuidadoso e delicado de montar a programação da Fliporto 2010. Já dei os parabéns antecipados. De longe, a melhor programação, desde que a festa foi criada, há seis anos. Para arrematar, vai ser realizada em Olinda, que é fácil de chegar. Principalmente, é linda.
Separei algumas sugestões de mesas que acho imperdíveis, maravilhosas, pelo menos no meu entendimento.
Hoje (12 de novembro)
18h – Abertura.
Eva Schloss conta sua história e de sua irmã Anne Frank a Geneton Moraes Neto e Moacyr Scliar.
Resultado: Já aconteceu. Foi bom, mas jornalístico demais. Gostei muito da delicadeza do Scliar.
Sábado, 13 de novembro
10h – Clarice Lispector: Como se constrói uma biografia. Com Benjamin Moser e Nadia Batella Gotlib.
Mesa deliciosa. Benjamin Moser é o autor do fantástico livro “Clarice,” e tem um humor refinado, inteligente e articula com muitas coisas de nossa cultura. Além disso, fala português muito bem.
Resultado: Um pouco decepcionante. O Benjamin falou pouco e me pareceu, nas entrelinhas, que a Nádia Batela soltava umas farpinhas. A metáfora do açucar com cal, que “mata a gente por dentro” para situar a obra de Clarice, achei lamentável. Inácio, que assistiu comigo, também não gostou.
15h30 – “O escritor como crítico”, com Ricardo Píglia, apresentado por Marcelo Pérez.
Considero o Píglia um dos melhores escritores em língua espanhola do mundo. “Respiração Artificial”, “Plata Quemada”, “O último leitor”, entre outros. Seu último romance, “Blanco Noturno”, não foi traduzido para o português, e só não o comprei em Madri, porque estava liso. Depois ele vai autografar livros.
14 de novembro (domingo)
10h – “Ler o livro do mundo”, com Alberto Manguel.
Autor de livros que contam sobre a história da literatura no mundo, esse argentino é simplesmente maravilhoso. Depois da conferência, ainda vai autografar seu último livro, “Todos os homens são mentirosos”.
No encarte do Jornal do Commercio sobre a Fliporto de hoje, há uma frase dele que acho maravilhosa: “A experiência humana é mera confirmação dos livros”.
15h15 – Faces da poesia, literatura e identidade árabes na atualidade. Com Ali Ahmad Esber (Adonis), em conversa com Milton Hatoum e Michel Sleiman.
Não conheço a obra do Adonis, só encontrei um livro dele em francês, numa livraria de Lisboa, mas aqui confio mesmo é no taco de Mário Hélio. Segundo ele, é um dos grandes poetas da humanidade. Às vésperas da vitória do Mário Vargas Llosa no Prêmio Nobel, o Adonis era citado pelos jornais espanhóis como um dos possíveis vencedores. O melhor é que ele vai falar em árabe. Poesia em árabe, que maravilha.
15 de novembro (segunda-feira)
16h30 – “Do universal, do comum e do diálogo entre culturas”, com François Jullien, com Kathrin Rosenfield.
17h45 – O diálogo dos visionários: Ambrósio Brandão e Stefan Zweig, com Alberto Dines.
Nesta mesa farei a apresentação de um jornalista e escritor que admiro muito, o Alberto Dines. Entre vários livros, ele é autor de “Stefan Zweig, morte no paraíso”, monumental biografia deste escritor austríaco.
Ambrósio Brandão e Stefan Zweig estiveram em Olinda, num intervalo de 323 anos. Como diz o programa, “vão encontrar-se pela primeira vez nesta palestra, no dia da Proclamação da República do Brasil”.
De Stefan Zweig já li umas cinco vezes “A embriaguez da metamorfose”, também traduzido como “O êxtase da transformação”, prefiro mais o primeiro título.
20h – Encontro com Clarice Lispector, com Beth Goulart e mediação de Saulo Gomes.
Trata-se de um recorte do espetáculo “Simplesmente eu, Clarice Lispector”. Depois da apresentação, Beth Goulart participa de uma conversa franca sobre literatura, vida e teatro”.
Fiz uma seleção da seleção, as coisas que eu não perderei por nada. Mas a programação toda está excelente, instigante, mais enxuta e densa. Mário Hélio realmente está de parabéns pela curadoria.
A todos, uma boa festa literária.
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