Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Sem homens assim, não há vida noturna (pequeno perfil sentimental dos Irmãos Evento)

18 de janeiro de 2011, às 13:18h por Samarone Lima

O texto abaixo foi publicado no suplemento literário “Pernambuco” de janeiro. É grandinho pacas, leitura ideal para quem está com preguiça de trabalhar.

***

Quando recebi a pauta, achei que seria mais fácil que tocar Asa Branca em flauta doce. Fazer o perfil psicológico e sentimental dos “Irmãos Evento”, figuras que se tornaram famosas em todos os principais eventos sociais do Recife, a partir do final da década de 1970.

Os dois judeus, Joel e Abrahão Datz, ficaram tão famosos, eram tão ativos, abnegados e devotos na missão de comparecer a eventos, que se transformaram em uma espécie de ISSO-9000 de festas, exposições, lançamento de livros e tertúlias mais movimentadas. “Até os Irmãos Evento estavam lá!”, era a garantia de que realmente a coisa tinha dado certo.

O problema é que não sou muito de festas, e desde a morte de um deles,em 1995, o outro perdeu naturalmente a vitalidade orgânica de quem tem um irmão envolvido na mesma aventura. Fui a dois lançamentos e uma exposição, e nada. No Jornalismo, dizemos que a pauta “furou”. Para quem está nessa peleja profissional há mais de 20 anos, não seria nada agradável ligar para o Schneider Carpeggiani e confessar o fracasso.

Fui salvo por um telefonema, no final de uma tarde de novembro.

“O Irmão Evento está aqui na Sinagoga!”.

Era muita sorte. Um evento em uma Sinagoga, para quem tentava escrever o perfil de um judeu.

Cheguei à Sinagoga Kahal Zur Israel, na Rua do Bom Jesus, Bairro do Recife, à procura do meu personagem. Das últimas vezes que o tinha visto, estava sempre só, tinha engordado bastante, caminhava para algum lugar improvável, e me parecia triste ou cansado.

Ele estava na abertura da exposição “Quadros distantes de uma identidade”, recuperação de um acervo referente à imigração judaica em Pernambuco. Era bem provável que ao final, houvesse aquele momento mágico que os Irmãos Eventos ficavam saltitantes – o ataque efusivo e nada discreto aos salgadinhos.

Na sala pequena, onde acontecia a exposição, estavam umas trinta pessoas. De longe, por um vidro, vi Joel ou Abrahão, nunca consegui distinguir quem era quem. Como a maior parte da minha geração, jurava que eram gêmeos.

Vestia uma camisa pólo azul, com aquele risquinho pra cima da Nike, calça marrom, sapato social e a indefectível sacolinha da Livraria Cultura. O efeito de ser apenas um remanescente da marca Irmãos Evento”, resultou em uma barriga de bebedor de chopp. Está calvo na parte de cima da cabeça e tem aqueles cabelos branco-amarelados, que descem até a nuca, lembrando um pouco aqueles hippies sem pátria, que seguem pela tangente.

A abertura formal da exposição estava terminando. O sujeito da Petrobrás, negro, muito simpático, contava que “negros e judeus vieram no mesmo barco” ao Brasil, o que me pareceu um fenômeno bem complexo, e com uma salva de palmas, a exposição foi declarada aberta.

Então me aproximei da minha pauta. Só não sabia por onde começar, porque os Irmãos Evento nunca foram muito chegados a jornalistas. Se dissesse “olha, preciso de uma entrevista para um perfil”, a conversa acabaria no primeiro salgadinho.

O gelo só quebrou quando o garçom se aproximou, com os quitutes judaicos. Joel (ou Abraão) conversava com um homem, que pegou a carteira e disse que iria lhe dar um cartão.

“Olha, vou pegar um quitute para você”, disse Jacob, estendendo as duas mãos como guindastes, por cima dos ombros de alguém.

Peguei um para mim e perguntei o nome da comida.

“É um Fluden”, respondeu Joel (ou Abraão), extremamente gentil, como se me conhecesse de algum lugar.

“É um doce que é servido em todas as principais cerimônias. É característico. Em todo casamento tem”.

O amigo dele começou a circular pela exposição, e Jacob emendou a conversa. Me mostrou um documento oficial do casamento judaico, uma espécie de contrato.

“Tem a parte religiosa, que acontece debaixo de um Quipá, uma espécie de cabana”.

Enquanto falava, mandava ver nos salgadinhos. Lá pelas tantas, perguntei pelo falecido irmão.

“Ele morreu em 1995. Saímos de um evento ali perto da Praça de Casa Forte, ele se sentiu mal, caiu na praça mesmo. Foi coração. Tinha 52 anos”.

Para Bione, fundador do clássico “Papafigo”, em 1984, a morte de Abraão jogou de vez por terra a tese de que “caminhar faz bem para a saúde”.

“Eles só andavam a pé. Saíam do Bairro do Recife, iam ao Centro de Convenções, viviam caminhando, e o cara morreu de infarto!”

Depois de alguns quitutes, eu precisava ir ao ponto essencial de qualquer reportagem, perfil, crônica – o óbvio.

Perguntei a quantos eventos eles iam por dia.

“Na época áurea, a gente chegava a ir a oito eventos por dia”.

“Eu sempre consultava eles. Os caras eram duas agendas ambulantes”, lembra Bione.

Joel mastigou um bolinho que esqueci de anotar o nome e completou:

“A gente ia a pé mesmo. Andávamos a cidade inteira. Uma vez perdida, a gente pegava um ônibus. As pessoas paravam, ofereciam carona, mas a gente preferia seguir a pé mesmo”.

A tática para mapear os eventos era simples. Olhavam os jornais, tomavam notas, e se organizavam, para fazer o circuito estabelecido no dia. Quando insistiam muito num convite, eles acabavam dando uma passadinha.

Já nesse primeiro encontro, resolvi um problema existencial que me persegue desde o final dos anos 80, quando cheguei ao Recife. Eu tinha certeza que eles eram gêmeos. Abrahão, o que morreu, tinha cinco anos a mais que Joel. Eram apenas irmãos idênticos.

“O que morreu era o mais alto”, é tudo o que me informaram minhas fontes, antes de começar minha procura pelo irmão que está vivo.

Fama e patrocínio – Tarcísio Pereira, ex-dono da lendária Livro 7, lembra que o batismo oficial da dupla aconteceu num dos carnavais do “Nóis Sofre Mas Nóis Goza”, na rua Sete de Setembro.

“Mandei fazer uma faixa grande, escrito “Irmãos Evento”, botei eles em cima do caminhão e coloquei a faixa. Então colou”.

A dupla ganhou tanta fama na cidade, que uma loja grande do Recife, de malhas, ofereceu um inusitado patrocínio.

“Eles só tinham que ir aos eventos usando a camisa, fornecida pela malharia. Do lado esquerdo, tinha o anúncio. Era uma camisa azul escura, Polo. Dizem que eles recebiam uma ajuda para se locomover”.

Como eram freqüentadores habituais de sua livraria, Tarcisio fez amizade com a dupla, chegou a cogitar um anúncio da Livro 7, no mesmo molde, mas desistiu. Meses depois, não se sabe exatamente o motivo, a empresa desistiu do negócio e encerrou o contrato, que era de boca mesmo. Durante um tempo, os Irmãos Evento usaram a camisa ao avesso.

Perguntei a Joel sobre o patrocínio da Casa das Rendas. Ele não só confirmou, como acrescentou que foram garotos-propaganda de outras empresas, como a cervejaria Brahma.

“A gente tinha só que usar a camisa”, disse, com um bom sorriso e o olhar de lince a qualquer movimento em falso dos garçons.

Saímos da sala pequena, fomos para um espaço mais amplo. Jacob contou então a gênese da marca “Irmãos Evento”.

“Meu irmão tocava violino, eu acordeom. A gente tocava, depois as pessoas chamavam a gente para ir a outros eventos, começamos a ir”.

Eles pegaram gosto pela brincadeira. Ao que tudo indica, a brincadeira também pegou gosto por eles. Como iam sempre, se tornaram parte da paisagem cultural de um Recife instigado e vigoroso, no período pós-ditadura.

“Com o tempo, passaram a convidar a gente para tudo, até para casamento. A gente dizia: Mas não temos paletó! As pessoas respondiam: Ariano Suassuna também não tem e vai aos casamentos!”.

Eles tinham lá suas táticas. Escolhiam sempre lugares mais “abertos” para ir, que não exigiam convite ou pulseiras das cada vez mais espaçosas e disputadas “Sala VIP” de hoje.

“Para evento fechado, só quando convidavam. E eram muitos os convites”, diz, com uma certa satisfação.

A fama espalhou-se de tal forma, que a partir de certo momento, os eventos da cidade precisavam de uma chancela física: A presença daqueles dois irmãos judeus, barba de eremitas, um mais alto que o outro, sujeitos que não eram muito de beber, de falar alto, não gostavam de confusão, que não perdoavam uma bandeja, criaturas que ficavam pouco tempo num lugar, o suficiente para marcar presença, que depois seguiam em uma obsessiva peregrinação para outro evento, a pé.

“Chegou a tal ponto, que em um evento fraco, as pessoas diziam: Foi tão ruim, que nem os Irmãos Evento apareceram”, diz Tarcísio.

O cineasta Rafael Luna Filho convidou Joel para ser ator do seu curta “Eisenstein”, em 2005. Ele aceitou, participou das gravações, fez o papel de um professor mas a cena acabou não entrando.

“O peso do personagem é porque ele era um Irmão Evento. A graça era essa”, diz.

Ele recorda que em 1993, abriu o livro “Sociedade Pernambucana”, do colunista social João Alberto, e encontrou o nome dos dois: Joel e Abrahão Datz. De figurantes na cena da cidade, os Irmãos Evento tinham e tornado “colunáveis”.

Antes de sair da Sinagoga, peguei as últimas informações com meu personagem. Joel disse que dava aula particular de Matemática. É engenheiro de formação.

“Ainda faço uns projetos”, diz.

Época áurea – Depois da conversa inicial, senti que a matéria começava a existir. Na semana seguinte, atravessando o Paço Alfândega rumo a um café com um amigo, vi de longe um braço levantado. Um sujeito com barriga de bebedor de chopp, camisa azul da Nike etc. Era Joel, na abertura da exposição de arte sacra da Arquidiocese de Olinda e Recife, intitulada “100 anos de missão a serviço da vida”.

“Tem uns salgadinhos ali”, antecipou, enquanto mastigava algo.

Descobri imediatamente o caráter ecumênico do Irmão Evento. Um dia está numa exposição na Sinagoga, no outro, metido entre os católicos, cascavilhando uma coxinha de buffet.

Conversamos mais um pouco. Com algumas pessoas que eu tinha falado, levantando informações sobre a pauta, havia sempre uma referência à casa deles, na Praça Chora Menino. Na verdade, um casarão abandonado, que “mais parecia o cenário de Clube da Luta”, como disse Rafael Luna.

Joel disse que depois da morte do irmão, vai muito pouco lá.

“Tem também uma Brasília velha, que está se acabando”, contou meu bom personagem.

A morte do irmão, como era de se esperar, teve uma grande repercussão na vida de Joel. Era novo (52 anos), caminhava muito, tinha saúde.

“A gente caminhava muito mesmo. Na época áurea, eu pesava 60 quilos. Agora estou com 90”.

“Senti que ele estava muito reticente em falar das coisas do passado”, conta Rafael Luna. “Entendi que essa coisa folclórica dos Irmãos Evento não era muito agradável, não queria se restringir a isso. Eu conversava outras coisas com ele”.

A fama dos Irmãos tem também a ver com uma época áurea do centro do Recife, uma vida intelectual que passava por lugares emblemáticos, varridos da arquitetura da cidade e transformados em recordações – quando muito, reflexões.

O trecho que recentemente foi palco de rusgas entre a Prefeitura e a legião de camelôs de produtos piratas – espinafrados para outros lugares -, nos anos 1970 e 1980 era conhecido como “Quartier Latin”.

A rua Sete de Setembro abrigava as livrarias Livro 7, Síntese e Saraiva. No Beco da Fome, os poetas independentes entornavam quartinhos de Pitú e declamavam suas novidades, ao lado das livrarias Dom Quixote e Quilombo. Ali perto, funcionava a Disco 7.

Era uma época de muitos bares, sem essa de “bar da moda”, onde todos vão, para verem e serem vistos. Bar Calabouço (hoje Recanto do Poeta). Na frente, o “Trailler”. Ao lado, “O balcão” (hoje loja de ferragens), onde cantava Ana Lúcia Leão.

“A própria rua já chamava. Eu botava um box na calçada. Era a “Academia da Calçada”, lembra Tarcísio Pereira.

Ali perto, atrás do Cinema São Luís, bares pequenos e inventivos: Verde que te quero verde, Sócratesw e “Ora Bolas”. Na hoje arruinada Avenida Conde da Boa Vista, tinha o bar “Olho Nu”, onde surgiu a Banda de Pau e Corda, fora o Mustang. Atrás dele, funcionava um bar onde as garçonetes atendiam vestidas de índias, com os peitos de fora, arrancando suspiros de muitos marmanjos. Onde hoje há uma agência do Bradesco, funcionava a Funny´s, uma elogiadíssima batata frita.

As redações do Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco funcionavam no centro. As sucursais tinham uma presença forte em Pernambuco, como o Jornal do Brasil, na rua do Riachuelo, O Globo, no Cículo Católico, além do Estado de São Paulo.

Jornalistas, artistas plásticos, escritores, artistas, se encontravam com rara freqüência em diversos lançamento de livros, vernissages, festas, edições do Papa-Figo. Tudo parecia conspirar para que a presença ostensiva daquela dupla ficasse impregnada na memória da cidade.

“A gente começou a botar umas fotos, dizia que eram eles, os irmãos ficavam orgulhosos. Eram fãs do Papa-Figo. Não perdiam um lançamento”, diz Bione.

Muitas histórias – As muitas especulações envolvendo os Irmãos Evento esbarram do caráter reservado dos dois, na morte súbita morte de Abrahão, na solidão que restou a Joel. Há quem diga que eles não comiam em casa, aproveitando as aparições noturnas para atacar as bandejas. Que teriam uma loja de parafusos na Rua da Praia, que vive fechada. Para quem é engenheiro, e ainda faz uns “projetinho”, isso parece mais lenda que realidade. Muita gente comedida na alimentação se transforma no comedor compulsivo de salgadinhos, até em batizado.

A casa onde moravam está mesmo abandonada, mas Joel tem um apartamento. Não, ele não vive entre as ruínas de um casarão prestes a cair. Vai lá, dá uma olhadinha, depois segue.

“Ele não vende por questões sentimentais. Entra, fica pouco tempo. Acho que os dois eram um time. Depois que o irmão morreu, não é mais a mesma coisa”, diz Luna.

Joel diz que já tentaram por três vezes fazer documentários com eles, mas a resposta sempre foi negativa.

“Três pessoas diferentes quiseram fazer, mas nunca aceitamos. A produção do Jô Soares convidou a gente para uma entrevista, mas não fomos”.

Um dos lemas da dupla – que segue com Joel – é simples.

“Jornalistas? Não”.

Quase no final do difícil trabalho de apuração, encontrei novamente meu personagem. Ele chegou atrasadíssimo, no final da abertura da exposição sobre os “40 anos do Movimento Armorial”, novamente no Paço Alfândega.

Quando me viu, veio falar comigo. Usava a camisa azul da Nike, novamente.

“Ariano está por ai?”, perguntou.

“Saiu agorinha”.

Ele lamentou muito.

“Ariano gosta muito de mim”.

Ariano Suassuna me contou que no seu aniversário de 60 anos, os Irmãos Evento foram. Foi uma celebração na rua do Chacon, em Casa Forte. Alguém gravou as imagens. Joel e Abrahão aparecem no documentário.

“O que um dizia, o outro completava dizendo: Concordo com tudo o que ele disse”.

Desolado com a partida de Ariano, Joel mandou ver nos salgadinhos.

Lembrei que em nosso primeiro encontro, na Sinagoga, Joel tinha me confessado algo que interessa muito ao mercado editorial.

“Estou escrevendo um livro sobre todas essas nossas coisas”.

Depois arrematou.

“Estou no segundo volume. Escrevo tudo à mão, num caderno”.

Olhou para mim, deu um sorriso e finalizou dizendo o que, de certa forma, todo mundo especula e espera.

“É muita história”.

Postado em Crônicas | 30 Comentários »

30 Comentários

  1. Victor Disse:

    Cara, dessa eu não sabia. Aguardo ansioso pelo lançamento da dupla. Sama, belo texto: leve e suave.
    Saudações!

  2. Bernardo Valença Disse:

    Muito bom o texto, essa pauta pulava de mês em mês desde muito tempo na Continente. Estava presente em todas as reuniões, o que condiz muito com a conduta dos irmãos onipresentes. Finalmente você escreveu, e que bom ter saído no jornal… Acho que assim tinha mais espaço. O texto está muito bom, eu sempre encontro essa lenda em pessoa e o retrato que você fez está bem fiel. E que bom o perfil manter alguns mistérios, são eles que formam os mitos. Espero que ele esteja realmente escrevendo e que alguém publique esse livro, não seja como Joe Gould.

  3. O Analista - DF Disse:

    Bom demais Samarone. Que figura esse Sr. Joel. E como ele mesmo diz, é muita história.
    Ri pra caramba com teus arremates:

    “A gente tinha só que usar a camisa”, disse, com um bom sorriso e o olhar de lince a qualquer movimento em falso dos garçons.”

    “Descobri imediatamente o caráter ecumênico do Irmão Evento. Um dia está numa exposição na Sinagoga, no outro, metido entre os católicos, cascavilhando uma coxinha de buffet.”

    “Desolado com a partida de Ariano, Joel mandou ver nos salgadinhos.”

    Tomara que o Sr. Joel consiga publicar sua histórias a tempo, quero dizer, antes que essas frituras vençam essa batalha quase secular.

    Excelente texto.

    Saudações

  4. Arsenio Meira Junior Disse:

    Sama, isso é que é matéria. Daria um instigante livro.

    Veja em sua pauta pessoal, negocie com o homem; no mínimo para ser o ghost writer dele, caso ele esteja emprenhado pela vaidade… (não tem problema, pois todo mundo saberá a autoria da obra).

    Depois, obviamente, dos poemas.

    Boa alusão do Bernardo ao mítico Joe Gould. Que ele escreva e publique. O esquecimento é a morte de tudo.
    Salve, Salve

  5. Dylan Vizinho Disse:

    Grande Sama,

    Que coincidência danada, estávamos conversando hoje mesmo na praia sobre Os Irmãos Eventos. Todo mundo acreditava que Joel ainda morasse na praça Chora Menino…
    Coloquei muitas memórias desorganizadas do tempo em que eu era pirralha e meus pais me levavam para esses lugares que você mencionou acima. Sempre me lembrei desses dois senhores com barba e roupa igual aparecendo em varias das minhas memórias.
    Realmente um texto muito cativante assim como vários aqui no Estuário. Parabéns

  6. ducaldo Disse:

    Grande texto.
    Impossível passar batido pelos Irmão Evento.
    Li e ouvi muita coisa a respeito deles.
    Espero que esse livro saia mesmo, pois historia boa não deve faltar.

  7. Luisiana Lamour Disse:

    Grande texto, literalmente, em conteúdo e em tamanho.
    Abraços
    Luisiana

  8. Afonso Bezerra Disse:

    Tive o prazer de ler o texto no local de origem. Sou fã desse suplemento, acho maravilhoso e ganhei a assinatura de presente de um grande amigo. Texto maravilhoso, Sama. E viva o nosso santinha!!!

  9. naire Disse:

    Viva!!! Como sempre uma história muito bem contada. Nos anos 80 tive uma galeria de arte,os dois não perdiam um vernissage nem por cem e uma cocada.
    Beijo
    http://www.turbantedanaire.blogspot.com

  10. JulioVia Nova Disse:

    Sama, estamos aguardandio o Irmão Evento no acerto de marcha do Cordas e Retalhos. Traga-o pelo braço! É sábado agora, dia 22, na Praça do Arsenal, 18hs.

  11. JulioVia Nova Disse:

    Afinal, nada mais ecumênico do que o Carnaval de Pernambuco…! Evoé! Arigatô! Amém! shalom! Saravá! Axé…!

  12. Rafaela Pinheiro Disse:

    Engraçado que passei o ano de 2009 encontrando Joel na biblioteca do seminário Batista,na Boa Vista, local em que eu me preparava para um concurso. A presença dele sempre carregada de muitos mistérios e lendas era percebida também pelo mal cheiro que transpirava. Terrível. Não precisávamos nem levantar a cabeça pra perceber que ele havia chegado. Na época usava sempre a mesma camisa vermelha e lia muito jornal. Comentava-se que o pessoal do refeitório do seminário bancava sua alimentação. Por curiosidade comecei a passar com maior freqüência pelo casarão e o vi algumas vezes sentado sozinho. Isso povoava meu imaginário sobre o “passar da vida”: o passado regado de excessos, como me contaram, e o presente numa casa abandonada, sem a menor possibilidade de moradia. Sempre que o via meus pensamentos divagavam sobre como seria a vida ali naquela casa e quantas histórias haviam naquele ser tão silente. A aparência mal tratada e o cheiro que exalava respaldava meu imaginário, mas a solidão estampada na face era o que mais chamava atenção. Engraçado que a história que me foi contada parece coisa de avó, que carece do julgamento final: “ta vendo! Vida de excessos. É isso que dá…”
    Fiquei feliz em saber que ele não mora naquela casa, que ainda freqüenta alguns eventos e, sobretudo, por conhecer com mais proximidade a real história dessa dupla.

  13. Romero Crespo Disse:

    quem não conhece o recife, não conhece os irmãos eventos. quem não conhece os irmãos eventos, não conhece o recife.
    fiquei curioso em saber qual o time deles…

  14. Waldemir Disse:

    Muito bom! Viajei na memória de uma Boa Vista que não existe mais e eles (os eventólogos) faziam parte daquela paisagem.
    Em tempo: a “casa de recurso” que ficava atrás do Mustang se chamava “Aritana”.

  15. cristiano Disse:

    Caro,

    Eis um texto brilhante um jeito arretado de contar um causo, de registrar a ferro e foso os lendários destas.

  16. Mateus Disse:

    Caramba, Joel é um cara realmente impressionante.
    Só no final da matéria quando tu falou do casarão caiu a ficha que tu tava se referindo ao mesmo Joel, meu quase vizinho.

    Muito bom o texto; por esses dias tava conversando com um amigo nosso, que tem pretensões de fazer alguma coisa ali, e indiquei um lugar prele adotar um cachorro pra tomar conta da casa.
    Sempre que passava por ela, pensava em como ninguém havia tombado aquele patrimônio arquitetônico, restaurado a casa e feito algo útil a todos.
    Mais uma pergunta sem resposta de uma província que fica paulatinamente sem memória…

  17. Zanelli Gomes Alencar Disse:

    Kipah, em hebraico, origina-se da palavra cúpula e abóbada. É uma espécie de gorro que cobre a cabeça dos homens.
    Atenciosamente, Zanelli Alencar

  18. Tweets that mention Estuário » Blog Archive » Sem homens assim, não há vida noturna (pequeno perfil sentimental dos Irmãos Evento) -- Topsy.com Disse:

    [...] This post was mentioned on Twitter by Everton Medeiros, Diego Santos. Diego Santos said: OS IRMÃOS EVENTO http://www.estuario.com.br/2011/01/18/sem-homens-assim-nao-ha-vida-noturna-pequeno-perfil-sentimental-dos-irmaos-evento/ [...]

  19. don't touch my moleskine » irmãos evento Disse:

    [...] Sem homens assim, não há vida noturna (pequeno perfil sentimental dos Irmãos Evento), por Samaron… [...]

  20. wilson albuquerque Disse:

    Parabens Samarone pelo agrável texto. foi muito bom saber mais sobre as andanças dos irmãos eventos. naquela época, eu e mais uma outra pessoa, por pura curiosidade, decidimos acompanhar discretamente a saída dos irmãos eventos para saber para onde eles se dirigiam, foi logo no início, quando eles começaram a aparecer aos eventos. Bom, os dois sairam de um evento lá para 02 horas da madrugada e seguiram a passos largos pela rua Manoel Borba, um ao lado do outro, comentavam sobre alguma coisa, não dava para escutar com nitidez. Eu, e mais uma outra pessoa, caminhavam pela calçada acompanhando discretamente as paçadas dois dois, o curioso e que nos chamou atenção, era que caminhavam saboreando os salgadinhos que traziam nos bolsos. Como usavam calças largas e com bolsos laterais grandes (calça social geralmente tem dois bolsos espaçosos em ambos os lados), alojavam neles grande quantidade de salgadinhos, caminhavam, conversavam e mastigavam os salgados. Ao final dessa madrugada, eis que eles chegam a uma casa , parecendo abandonada na Praça Chora Menino. Foi quando ficamos sabendo que alí era onde os dois moravam.

  21. Hélio Mattos Disse:

    Rapaz, só assim eu ficava sabendo alguma coisa a mais sobre esres misteriosíssimos personagens.
    É, na realidade eles são personagens mesmo, retratos de um tempo muito vibrante, como vc muito bem descreveu.
    Bateu até uma nostalgiazinha, dos tempos em que éramos embriagados de álcool e sonhos.
    Hoje em dias é tudo muito mais previsível, sêco, sem aquele es´pírito selvagem daqueles dias.
    É Sama, tamo ficando véios mesmo!

  22. Mônica d.l. Disse:

    Procurei alo sobre os irmãos e achei esse seu texto. Minha curiosidade veio porque já havia escutado sobre eles há muito tempo atrás. Ocorre que ele apareceu em um evento no hotel onde trabalho e, pasmem, continua a levar sua comidinha para casa. Outro detalhe que me chamou a atenção foi você ter falado da Funny”s. Gente! Como eu lanchei neste lugar. Era o point após as aulas. Muito legal o texto.

  23. Jaime Guimarães Jr Disse:

    Há muito tempo procurava informações sobre os “Irmãos Eventos”. Daí me deparei com muito mais. Belo texto.

  24. Mauricio Silva Disse:

    Mestre Sama!Jogastes complementar neste texto.Maravilha relembrar estas duas personalidades,estive varias vezes os recebendo em minhas vernissagens no Recife. Lembro de uma campanha,talvez iniciadas por eles mesmos,de doaçâo de obras de arte para os IRMÂOS EVENTOS reformarem sua casa e transformar o local num centro cultural ou coisa que o valha. Finalmente, varios artistas doaram as obras e os eventologos nâo bateram um prego na parede!Nâo sei o que fizeram com as obras.A minha era um caixinha de vidro com dois pentelhos dentro!Aquele abraço!

  25. Antonio Cordeiro Disse:

    Excelente comentário sobre a dupla Irmãos Eventos.
    Enquanto lia, passei a saber mais um pouco sobre esses personagens folclóricos do passado de Recife. Na época áurea em que atuavam, tive o prazer de conhecê-los em ação. Não sei como ficaram sabendo, só lembro muito bem que compareceram aos parabéns do aniversariante Magalhães – Diretor dos Correios no final da década de 80. Foi muito divertido. Cheguei a ouvir alguns comentários de reprovação: “quem são esses?” “quem os convidou”. Mas ali estavam eles, entre os seletos convidados, de preto, barbudos, etc, na maior cara de pau, petiscando e da mesma forma que chegaram, sumiram.
    Ah, que pena não ter na época uma câmera digital!

  26. Cláudia Fidélis Disse:

    Parabéns, belo texto, lembro de um dos irmãos ( não sei qual deles)em todos os eventos que eu costumava ir desde o final da década de 90, mas não sabia da historia deles, apenas me intrigava aquele homem de calça social (também usava uma pochete, acho)em todos os eventos e sempre de olho nos garçons. A última vez que eu o vi foi no lançamento de um livro do Ronaldo Vainfas na Fundaj de Casa Forte. Ele correu pra cima dos canapés kkkk adorei saber de sua história, que eles são figuras folclóricas no senário cultural do Recife. Cheguei ao blog através de uma conversa sobre eles que tive agora a pouco com uma amiga, perguntei:menina,já visse um cara de barba branca que sempre esta em todos os eventos da cidade? Foi quando ela respondeu: são os “irmãos evento”!Até esse momento sempre pensei que encontrava “os irmãos evento” por pura coincidência! que boba =)

  27. fernando antonio saraiva Disse:

    Eu vi muito os dois em eventos diversos, apos a morte de Abrão o Joel arranjou um emprego como engenheiro da prefeitura de Jaboatão, e quanto o carro da Garagem não é só uma Brasilia tinha também um fusca que se acabaram na casa um na garagem e o outro na entrada no jardim, disse Joel a mim que a Brasilia foi um sorteio em um evento e o fusca eu não me lembro direito ele diz que presente não se vende e como eles não sabiam dirigir os carros se acabaram 0 Km . Como eu sei disso porque o meu escritório era na av Manoel Borba e ele passava la todo dia.

  28. sabino Disse:

    É verdade que o compositor caruaruense Carlos Fernando compôs uma cançao em homenagem aos irmãos eventos?

  29. O Terra Café | Bar – João Rego | Revista Será? Disse:

    […] desmontado o palco, ficou o velho cajueiro, observador paciente e silencioso, que, junto com o Irmão Evento remanescente da dupla, validava com sua presença mais uma emergente revolução […]

  30. O TERRA CAFÉ |BAR | João Rego Engenheiro, Consultor, Mestre em Ciência Política com formação em psicanálise Disse:

    […] desmontado o palco, ficou o velho cajueiro, observador paciente e silencioso, que, junto com o Irmão Evento remanescente da dupla, validava com sua presença mais uma emergente revolução […]

Conversinhas

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