Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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A alegria, essa foragida…

14 de setembro de 2015, às 19:15h por Samarone Lima

Uma espécie de ironia mordaz me alcançou.

Justo no ano em que consegui fazer uma reserva para o que seria um “ano sabático” (com a ajuda formidável de dois prêmios literários), tudo parece estar desmoronando. Resolvi sair um pouco (ou muito) do sistema justo quando o sistema vai se desmilinguindo.

São tantas notícias ruins, dadas com tanta satisfação pelos apresentadores de TV, que o ruim de hoje será pior amanhã, e amanhã será apenas uma prévia de algo desastroso para o dia seguinte.

E no meio deste vendaval, vou concluindo meu novo livro de poesias, lendo coisas que pensava em ler, tocando um projeto de jornalismo independente (www.marcozero.org) e fazendo algumas proezas – só na semana passada, consegui duas tirar a nova Carteira de Motorista e o novo passaporte.

Há guerras devastadoras pelo mundo, em nome de religiões que se julgam únicas. Como um sujeito pode trucidar, matar, destruir templos, em nome do “seu deus”… Há desesperados buscando novas fronteiras, morrendo nos mares cheios de fronteiras.

Uma ou duas vezes por semana, dou meu plantão na Biblioteca Comunitária do Poço da Panela, que vai caminhando bem, graças ao trabalho de pessoas com Manuela Dias (coordenadora do Orquestrando Pernambuco), de Valéria Vital, que todo sábado vai contar histórias, fazer arte com a meninada, com o curso de desenho que o artista plástico Edson Menezes vem dando, há quase dois anos. 

É um quase nada, mas um pequeno ponto, uma casa modesta que serve como um porto, justamente às margens do rio Capibaribe.

O que sairá dali, no aspecto humano, nos próximos anos, eis o mistério.

Em novembro, vou chamar alguns amigos escritores para fazermos o I Festival Comunitário do Livro e da Leitura, com rodas de leitura dentro das casas, no campinho de futebol, com recitais nos bares e lugares públicos. Livro tem que ser assim – mostrando ele o tempo todo, lendo trechos, contando histórias. Um leitor formado é mesmo um pequeno milagre – que poderá servir para toda uma vida.

Mas nem sei direito o que estou a dizer. São palavras doidas. Estou somente achando tudo muito estranho, agressivo e estúpido.

A sorte é que ando muito pelo Recife. Ontem (domingo), fui encontrar o amigo Lula Terra, que tem um belo espaço cultural defronte ao Marco Zero, o “Cine Seu Luiz”. Como ele tinha saído para comer algo, cheguei com minha bicicleta, encostei num muro e fiquei esperando seu retorno.

Havia uma multidão de adolescentes, jovens, com roupas coloridas, uma alegria imensa, transbordante. Gente que cantava reunida, com o velho violão, aos pulos. E uma postura tão ampla, tão aberta, uma sexualidade sem tanta definição, como se tudo fosse mesmo feito de corpos que se desejam, não propriamente gêneros que se definem. Mas o principal mesmo era a alegria de estar ali, celebrando a amizade, a farra, as músicas, a vida.

O Recife, na noite de domingo, era o oposto do Brasil.

Mesmo que apenas por uma tardinhanoite, me deu uma alegria esbarrar nela, essa foragida que tem sido a alegria.

Ela saltitava e ria e chorava e matava saudades de si.

Postado em Crônicas | 3 Comentários »

3 Comentários

  1. Yvette Disse:

    Oi querido. Quando acesso a internete pela manhã penso: deixa eu ver se o mundo acabou……as notícias estão bem por aí, mas a gente vai levando. bj

  2. a dançadeira Disse:

    belo belo

  3. George Guedes Disse:

    Ah, que saudade de Recife.

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