Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Arsênio (Parte 1)

6 de novembro de 2015, às 1:04h por Samarone Lima

Arsênio Meira de Vasconcellos Júnior morreu dia 18 de outubro, de um infarto. Tinha 40 anos.

Inácio França, que inaugurou esta amizade mais fulminante que o infarto, me ligou ao final da tarde, ainda sem rumo, dando a notícia.

Nem sei por onde começar a falar de Arsênio, porque os olhos já ficam nublados. Certamente, um dos maiores homens que tive a oportunidade de conhecer, conviver, desfrutar. Um amigo infinito, que me fez sair do anonimato poético, que debulhou comigo centenas de poemas, o maior leitor que conheci na vida.

A nossa amizade começou exatamente no dia 27 de agosto de 2010, por causa de uma paixão mútua – a poesia.

Desde novembro de 2005, eu publicava poemas no www.quemerospoemas.blogspot.com e poucas pessoas liam. Eu era quase um clandestino de mim mesmo, de tanta incerteza que tinha sobre o conteúdo dos meus versos.

Após ler “Regras para um poema”, recebi um comentário que era revelado. Algum novo leitor se aproximava. Há pouco resgatei o comentário inicial de Arsênio:

Blogger ”Arsenio disse…

Samarone, cheguei aqui por obra e graça de Inácio. Vi o link no blog dele, e cá estou.
Prefiro poesia à prosa.
E seus poemas são bacanas.
Há magnífica poesia objetiva e subjetiva, e obviamente maus poemas sob o céu destas duas vertentes.
Li uma enxurrada de poemas aqui, e percebi em sua lírica a exatidão, que no final das contas, é o que importa, e não a objetividade temática.
O mais subjetivo assunto apreendido com exatidão dará objetivamente um grande poema.
Como este seu poema, em que abordas o fazer poético, assunto capturado secularmente por todos os escritores/poetas.
E o mais objetivo tema apreendido de maneira inexata resultará em pura vacuidade. Veja: uma poeta violentamente subjetivo como Cruz e Souza, que exatidão arretada!
Enfim, um grande Poeta pode fazer um grande poema com qualquer material, até mesmo com imagens gastas e expressões cediças. E mesmo sem ser crítico de p.n, foi isso que li nesta página.
Valeu. E bola pra frente. terça-feira, junho 29, 2010″.

Foi o início de tudo. Ao longo das semanas, ele passou a fazer comentários cada vez mais profundos, que revelavam a alma de um amante desmesurado da arte poética. Logo passamos a trocar emails.

Por fim, a revelação. Recifense, torcedor do Sport, filho de um ex-presidente rubronegro. Quem diria. Logo marcamos um encontro, no café do Paço Alfândega. E logo no primeiro encontro, a pergunta:

“Por que o ineditismo poético?”

Sei que conversamos longamente e percebi que estava diante de uma nova amizade. Não imaginava que Arsênio ocuparia tanto espaço na minha vida, que se tornaria, de fato, um irmão.

Ele aceitou, de pronto, ler todos os poemas que eu tinha publicado, de 2005 até aquele momento.

A cada leitura, longos comentários, observações. Separava o joio do trigo, me mandava observações. A cada mensagem, era notório a sua paixão literária. O homem tinha 35 anos mas parecia ter 60, 70, de bagagem literária. Conhecia todos os poetas possíveis, até os mais desconhecidos, esquecidos. Foi graças a ele que surgiu a coletânea do meu primeiro livro, “A praça azul”, publicado pela editora Paés, no final de 2012, junto com “Tempo de vidro”.

Tenho uma felicidade imensa em ter caminhado junto com Arsênio nesta aventura. Foi dele o posfácio, intitulado “A poesia e a redenção humana”.

A paixão literária acabou formando um trio. Arsênio, Inácio e eu. Logo começamos a ter encontros que nos faziam esquecer as horas. Sempre com algum livro para nos presentear, sempre um riso farto com nossas presepadas, o humor afiado do França.

Lembro de sua felicidade quando o livro ficou pronto. Posso dizer que se não fosse este irmão que ganhei da vida, talvez nunca tivesse publicado meus poemas.

E a amizade criou um ritual. A cada novo poema, Arsênio era sempre o primeiro leitor. Atento, zeloso, inteiro. Não deixava escapar nada. Descartava de pronto os de baixa qualidade. Exaltava os que gostava. Escrevia tratados sobre poesias, romances, porque o homem lia tudo.

Longas conversas por telefone, alguns almoços. Nosso trio parecia uma confraria de amantes da leitura.

Depois veio “O aquário desenterrado”, publicado em 2013 pela editora Confraria do Vento. Tudo passou por ele. Não poderia deixar de colocar seu nome nos agradecimentos.

Em sua última jornada comigo, Arsênio palmilhou cada texto do novo livro, que será publicado em dezembro, intitulado “A invenção do deserto”.

Nele, há um lote de poemas dedicados a amigos e pessoas que marcaram minha vida de alguma forma. Um deles foi dedicado a Arsênio.

Ele leu e disse que não se conteve. Foi às lágrimas.

Compartilho com vocês.

**

Um poema, um mundo

Para Arsênio Meira Jr.

 Dê-lhe um poema:

Ali nascerá um mundo.

Dê-lhe um poeta

E todas as lástimas

Serão sinais de Deus.

(O homem que lê poesia

Como quem devora ar puro).

 

Por um amigo

Dá as mãos, os sapatos,

Os cabelos.

 

Diga “preciso de um irmão”

E ele removerá o entulho

De qualquer espera.

 

Arsênio.

O menino que brincava de viver

Na Praça da Bandeira.

De pé, com a fidelidade aparada, polida.

Pronto para qualquer combate:

Sem armas, escudos, sem remédios.

**

Arsênio foi, de fato, um dos maiores presentes que ganhei da vida. No próximo texto falarei do seu legado.

Postado em Crônicas | 7 Comentários »

7 Comentários

  1. Yvette Disse:

    Veja Sama, lembra? Hoje chorei lendo seu texto e relendo o texto do Arsênio. Beijo para você.

    A poesia segundo Arsênio
    Por Inácio França | Publicado em 15/12/2010 às 16:28

    por Arsênio Meira Júnior (em homenagem a Yvette Teixeira, Jade Teixeira, o poeta Samarone Lima e em memória do grande Patativa do Assaré)

    De início, um aviso aos navegantes: a Poesia não é impertinente ou para poucos. Sua mensagem, inaugurada pelo gênio de Camões em nossa língua mãe, encontrou em Dante momentos sublimes e até hoje assistimos a sua luta para permanecer viva e resistente a toda sorte de intempéries, não raro provocadas pelos desprezíveis alpinistas literários.
    É curioso ver como se repetem indefinidamente certos clichês a respeito de alguns temas, e não é sem um sorriso, que nos vemos retratados hoje, fotográfica ou psicologicamente, pelo que já não somos há muito.
    Friso que não é a cultura que faz o poeta. Pode até prejudicá-lo, penso. É uma contradição, mas explico: o prejuízo nasce porque o estado inicial de candura, que é um elemento fundamental do dom poético, pode fazer-se prisioneiro perpétuo das obras e influências alheias. Dessa equação, proliferam equívocos mil.
    A cultura amealhada por um Poeta há que ter um só objetivo: transformar a sua inata sensibilidade em cores e versos nunca vistos ou lidos, sob pena da diminuição (fatal) das suas virtudes líricas.
    E não há cultura sem tempo. A Poesia é a sedimentação do Tempo, e nada se sedimenta sem lentidão. Reconheço que o tempo pode em nada acrescer, por si só, os dons.
    Mas essa vocação da Poesia como triunfo permanente da Arte é nítida como as águas do riacho que – em sonhos – inundavam a poética do Caos e do Tempo urdida por Mestres do quilate de um Murilo Mendes, um Manuel Bandeira, um Carlos Drummond de Andrade, um Patativa do Assaré. (Vou parar nesses nomes consagrados, mas existem outros seletos poetas do mesmo quilate, que merecem a justa evocação).
    Aliada do tempo, ela (a Poesia) trava um diálogo íntimo com o silêncio. A extraordinária significação da poesia – ora rejeitando o formalismo para apreender o fenômeno concreto da vida, ora sujeitando-se aos rigores da técnica, porquanto inerente à produção poética – reside justamente em recuperar no poema a experiência complexa da vida.
    A sociedade dita moderna, ferida pela massificação do sistema de produção, machucada pela guerrilha da violência urbana, assustada com crescimento das cidades e a explosão da internet, também padece por não conhecer-se lendo o que presta. Se a cultura e o que presta não chegam – apesar da internet – a todos e em igual nível, eis que a culpa não pode ser tão somente imputada à ausência da falta de oportunidades.
    Hoje, e isto é um fato, é bem mais fácil para o sujeito deparar-se com um bom texto na internet e através dele, iniciar-se como cidadão através da leitura, salvando, não só a si mesmo, mas principalmente a aldeia em que vive e procria.
    Portanto, a necessidade de um consumidor massivo de arte e literatura é algo vital para a humanidade, porquanto esse elo é capaz de resgatar inúmeras pessoas, independente de classe social e outros vetores. E o escritor não pode ignorar tal fato.
    Mas deixemos tais digressões. Não raro, a linguagem da poesia pode confundir-se com a da prosa, do mesmo modo que o poeta se confunde com o homem da rua e já não pode nem deseja reivindicar para si condição de eleito dos deuses.
    A passagem dos anos é, não só uma provação, mas uma prova para o Poeta. Mas não para a Poesia. O lirismo, que resiste ao tempo e à vida, demonstra que o difícil mesmo é viver sem ele; num mundo cada vez mais distante dos deuses, o homem é responsável por seu próprio destino e cada ato seu pode resultar numa catástrofe ou num singelo e fraterno abraço sincero.
    Não há milagres: o homem cria sua própria vida, produzindo e reproduzindo os meios de manter-se vivo como indivíduo e espécie. E nessa luta, a Poesia nasce para fustigar a mediocridade. Mesmo que não seja esta a intenção do Poeta.
    O continuísmo banal e delirante de alguns desanima, mas é a Poesia que torna mais clara a necessidade de despertar e cultivar o que há de humano no Homem.
    Há uma passagem de Heidegger inesquecível:
    “A poesia não é um simples ornamento que acompanha a realidade humana, nem um simples entusiasmo passageiro, não é de modo algum simples exaltação ou passatempo. A poesia é o fundamento que sustenta a história e por isso mesmo não é simplesmente uma manifestação da cultura e, por inúmeras razões, tampouco se afigura tão-somente como a expressão da alma de uma cultura… A poesia é a fundação do ser pela palavra”.
    A Poesia brota quando quer: pode despontar da visão de uma pêra que, no canto oposto da mesa, espia a faca cotidiana e seus desígnios; de uma porta que se fecha, diante da aparição de uma estrela com cachos azuis; pode surgir dos cacos de vidro colados no tempo-memória, a ferro e fogo. Todavia não esqueçamos que o poema nasce da linguagem comum.
    Portanto, a despeito de muitos que pretendem sintonizar a Poesia como hermética ou arredia ao grande Público, essa baixa audiência é apenas uma ilusão. O instante do espanto produzido pela poesia em diversos leitores neste mundo foi um momento de redenção para humanidade.
    Momento que se eterniza diariamente.
    Sobre a Poesia, eis o decreto inextinguível do Poeta Maior Carlos Drummond de Andrade:
    “…
    Sua cor não se percebe.
    Suas pétalas não se abrem.
    Seu nome não está nos livros.
    É feia. Mas é realmente uma flor.
    Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
    e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
    Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
    Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
    É feia. Mas é uma flor.
    Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”
    Uma boa-nova, em tempos de Natal e Ano Novo: há um poeta prestes a prestigiar-nos com seus poemas em livro. Seu nome: Samarone Lima.
    Tomei contato com suas forças líricas, e como todo mundo tem direito a uma opinião, eu tenho a minha: trata-se de um poeta imenso, pronto para o justo embate entre a palavra e a metáfora.
    Os seus versos guardam a candura que descrevi no início do texto. Ou seja, apesar de culto, Samarone não ousa ferir o ofício versejante e se recusa – obstinadamente – em jogar para divertir ou deslumbrar os outros.
    É assim – dentre outros méritos – que ele fez-se e faz-se Poeta. Missionário do lirismo, a realidade de sua peleja para sobrepor-se à precariedade da condição humana é uma prova viva e contundente de que a Literatura e, particularmente, a Poesia resistem com bravura às tiranias alheias.
    Samarone e seus poemas, involuntariamente, dão conta do recado: a Poesia continua firme em seu árduo labor, despejando diariamente sua prece de luz no recanto daquilo que chamamos Eternidade.
    Aguardem-no.
    Salve a Poesia e todos os Poetas.
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    Tags:Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Patativa do Assaré, Poesia, Samarone Lima, versos
    « Não há silêncio que não termineSe eu fechar os olhos agora »
    10 Comments
    Magna disse:
    15 de dezembro de 2010 às 22:24
    Junto-me a você, Arsênio: SALVE!
    E destaco: “pode despontar da visão de uma pêra que, no canto oposto da mesa, espia a faca cotidiana e seus desígnios; de uma porta que se fecha, diante da aparição de uma estrela com cachos azuis; pode surgir dos cacos de vidro colados no tempo-memória, a ferro e fogo”.
    O que mais dizer, poeta?
    Bendita poesia! Aliás, bendita mesmo. Desculpem-me os ateus, mas a poesia é mesmo uma grande providência de Deus! Ai de nós…
    Abração, Arsênio!
    Magna

    Arsenio Meira Junior disse:
    15 de dezembro de 2010 às 22:29
    Magna,

    Guerreira – amiga – blogueira, que encanta e ilumina todos os recantos da blogesfera, com um coração e uma generosidade maiores que o mundo,

    um beijo fraterno pra ti.

    Arsenio Meira Junior disse:
    15 de dezembro de 2010 às 22:51
    Magna,

    guerreira-amiga- poeta, coração maior que o mundo, lírio na fonte do mais fraterno bem – querer, bom saber que estou contigo nessa viagem.

    bjos do amigo

    Arsenio

    Luis Carlos Monteiro disse:
    16 de dezembro de 2010 às 2:25
    Com insônia, sou premiado com dois ótimos textos que terminei de lier (ainda vou ler os demais, pois viajando, não pude me atualizar caoticamente).
    Refiro-me ao texto do Inácio sobre o livro que relata o drama vivido por Ingrid Bitancourt, e, agora essa acurada visão do meu amigo Arsenio sobre o gênero literário que lhe é mais caro: a Poesia.

    Destaco a parte em que o texto contempla a necessidade de o cidadão tornar-se livre lendo, adquirindo conhecimento para desgarra-se da sua condição de fantoche.
    E outros trechos, como por exemplo a bela citação de Heiddeger sobre o conceito da poesia. Valeu, Arsenio. Na medida. Abraços.

    Silvio Neto disse:
    16 de dezembro de 2010 às 12:36
    Bacana. Valeu Arsenio. Heidegger e Drummond batendo bola no meio de campo. E o amor à poesia marcando um golaço.
    Abraços

    Yvette Teixeira disse:
    16 de dezembro de 2010 às 14:41
    Ô Arsênio, como agradecer? Acho que é fazendo o que sempre faço, não? Divulgando a poesia aos quatro ventos. Xêro.

    Yvette Teixeira disse:
    16 de dezembro de 2010 às 17:01
    “Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio…”

    O silêncio – Mário Quintana

    Magna disse:
    16 de dezembro de 2010 às 19:23
    Meu amigo Arsênio, obrigada pela generosidade sempre presente não apenas no meu recanto particular(ando sentindo sua falta), mas em todos os outros, onde nossas palavras se encontram; é muita generosidade que recebo de ti. Muito obrigada mesmo.
    Tudo de bom pra você e sua família.
    Um 2011 de muita poesia para todos!
    Beijão!
    Magna

    Arsenio Meira Junior disse:
    16 de dezembro de 2010 às 23:45
    Yvette e Magna, Magna e Yvette,

    As palavras de afeto, o carinho de vocês, essa lua e esse conhaque, botam a gente comovido demais da conta, que nem mais sei o que dizer.

    Magna, e quem disse que não tenho ido lá no teu recanto de sementes e poemas e contos e diálogos transfigurados de luz?. Tenho sim… Só eu mesmo sei, e o último poema teu comoveu até com a constelação estelar.
    E leio suas palavras no Fusca, que enchem de alegria o Domingos e a todos nós.
    É isso que fazes, irradiar esperança e afeto.
    Então, todo os dias desejo e desejarei felizes dias e anos e décadas pra você e todos os seus, minha amiga.
    Salve!!

    Yvette, estais mais do que certa. Diariamente – como uma missionária, como se fosse um sacerdócio, empregas teu tempo em divulgar lirismo, apreço, textos, poemas, contos, mensagens.
    E nós todos temos que render-lhe as homenagens.
    Diariamente.
    Esse trecho do velho Quintana deveria ir – com a permissão do Inácio – para os trechos arretados do Caótico. Especialíssimo. Assim como aquela nos enviou.
    bjo fraterníssimo pra ti, grande baiana da terra do mitológico Dorival.

    João Roberto Gomes disse:
    17 de dezembro de 2010 às 13:02
    Muito bom, Arsenio. A Poesia, o Conto, o Romance, a Crônica são fundamentais.
    Seu entusiasmo apaixonado pela Poesia revela o quão importante se faz a disseminação da cultura como um ente agregador e capaz de diminuir esse fosso social que assola e mata o Brasil como Nação.
    Parabéns e aguardemos Samarone.
    Salve e feliz Natal a todos, antecipadamente.

    http://www.caotico.com.br/a-poesia-segundo-arsenio/

  2. Antonio Gueiros Disse:

    Caramba, Sama. Que pena.

  3. Eduardo Disse:

    Putz, o pouco que li das observações que ele fez a tua poesia, parecia-me que era um homem muito maduro em idade. Era quase um menino! Que continue com Deus!

  4. Pedro Disse:

    Que notícia triste… fica bem Sama.

  5. Magna Disse:

    Só hoje pude ler…
    Às vezes o silêncio não é bastante eloquente…é quando as reticências também não querem dizer nada. Nada a dizer ou tudo.
    Perdemos Arsenio. Mais que nós, seu filho, sua esposa, sua mãe, pai…quem mais, meu Deus!
    Não queria lamentar o que parece ser da vontade de Deus, mas os humanos têm essa mania mesmo. Lamento profundamente e a poesia nos dá esse direito de ressoar todo sentimento sincero.
    Sim, Sama, tem que ter a parte 2, 3, 4, tem que ter todas as partes para falar dessa criatura de uma gentileza e generosidade desmedidas, se me permitem a redundância.
    Uso este espaço para republicar abaixo o que postei no meu blog, em 13 de março de 2011, quando então nosso amigo me nutria com palavras sempre benfazejas. Arsenio é mais que um poeta, um leitor, um amigo, Arsenio é uma pessoa boa e por isso fará muita falta neste mundo. A falta dos bons.
    Que Deus continue lhe abençoando, assim como toda sua família.
    Vá em paz, Devorador de Poesia!

    DEVORADOR DE POESIA

    Sua mãe nutria ouvidos

    Mãos

    Sentidos
    Coração…

    Seu pai caminhava

    Junto a ele

    Ver os poetas

    Rever alguns

    Dos muitos livros

    Degustados na boa praça

    Na simplicidade da vida

    Pirulitou o primeiro

    Há tempos

    Desembalou em confeitos

    Há muito

    Nutrição enriquecida:

    Pessoa

    Quintana

    Gullar

    Patativa

    Drummond

    Tantos outros…

    Pareciam guiá-lo

    No apetite

    E na vida

    Hoje não sofre gastrite

    Nem estomatite

    Muito menos indigestão

    Devora-os todos

    Mas sempre os oferece

    Belos

    Profundos

    Benfazejos

    Como todos eles são

    Os poetas

    Aprendeu a comer com os olhos

    A oferecê-los com dedos

    E boca

    Ao seu redor

    Sempre um banquete

    Ao seu lado

    Sempre um garfo

    Uma faca

    Afiada

    Como toda poesia é.

    Para o generoso amigo Arsênio Meira Júnior

    COMENTÁRIO DELE:
    Em 13/03/2011 | 10:41h

    Minha AMIGA, não há nada no mundo capaz de ilustrar a emoção que sinto agora. E também não tenho nem como agradecer-lhe esse gesto, esse carinho. Sei que, graças a você, a poesia deste momento “inunda a minha vida inteira”.

    Obrigado?
    Grato?
    É POUCO.
    Muito pouco.
    Faltam palavras, mas o sentimento é grande. Maior que o mundo.

    Bjão e fica com Deus.
    Do seu amigo
    Arsenio

  6. Sirley Disse:

    Que lindo Sama… Que lindo!
    Que Arsênio esteja lendo poesias celestiais, enquanto nossos olhos ficam nublados pela saudade.

  7. ANNA CLAUDIA Japiassú Dantas Disse:

    tudo muito bonito,dos poemas a grande amizade…PARABÉNS…

Conversinhas

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