Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Dentista, black friday e poesia

28 de novembro de 2016, às 12:54h por Samarone Lima

Calhou de ter a primeira consulta para tratar dos dentes justo na sexta-feira, quando teve aquela doidice do black friday.

Senti já algo dando errado quando a dentista atrasou uns 40 minutos. Entrei na sala, ela mal me olhou. Estava ao telefone com uma amiga, indignadíssima.. Um sujeito tinha pego a promoção de algum whisky no Bompreço de Casa Forte e encheu o carrinho. Virou o carrinho do black. Se fosse meu amigo Júnior Black, seria uma dose tripla: Dia black, uisque black e o bebedor, Jr Black.

“Isso é um absurdo. Pegou cinco garrafas?”, reclamava a dentista.

Suspeito que era Jr mesmo. Ele manda bem nas garrafas.

A assistente mostrou a cadeira, sentei e levei um chá de cadeira sentado mesmo. A indignação (dela) por conta o uísque era grande.Parecia até que Jr Black tinha roubado o supermercado.

Muito a contragosto, fui atendido. Ela estava realmente inconsolável e a sessão de limpeza de tártaros (acho essa palavra horrível, parece que a gente tem um dragão na boca) foi meio na pancadaria mesmo, sem direito a gemido. A sessão foi mais curta que o chá de cadeira que levei. Faltou pouco para me sair uma hemorragia.

Saí do consultório e quando cutucava o celular, para ver se tinha mesmo a reunião com a galera do Marco Zero, quando a dentista passou apressada, entrou no carro e foi à luta. Acho que ele só pensava naquilo – uma boa dose de uísque black, ou chegar a tempo de soltar uns desaforos a Jr. Black..

Como tinha uma reunião com a turma do Marco Zero em Casa Forte, fiquei com um belo pedaço de hora sobrando. Resolvi pagar uma conta na lotérica. Até hoje não entendo o que fui fazer no shopping Plaza para pagar a conta.

Sei sim. Minha distração brutal não processou que era o tal do black friday. O shopping, claro, estava entupido. Ainda com a gengiva sangrando, resolvi tomar um sorvete, para amenizar a barra. mas estava tudo entupido. 

Então fui me refugiar no melhor lugar de qualquer shopping -a livraria.

Para minha surpresa, tinha um sebo da galera do Lions (ou Rotary, eu sempre confundo), um quiosque cheio de coisas boas mesmo, cada livro a R$ 5,00. É agora que me lasco, foi o que pensei.

Farejei, cotejei, debulhei, até que encontrei a edição número 10 da revista Caliban, de 2007. Me interessei pela entrevista com o poeta francês Yves Bonnefoy, e mais três artigos sobre os 80 anos de Ariano Suassuna.

Mas havia algo a mais – uma dedicatória, feita por Majela Colares e Patrícia Tenório ao poeta Jaci Bezerra, que considero um dos maiores deste país. A data – 30 de novembro de 2007. De quebra, ainda encontrei um livro belíssimo, da poeta Maria Lúcia Alvim, uma reunião de toda a sua obra, entre 1959 e 1989, pela fantástica editora Claro Enigma.

A dedicatória

A dedicatória

Ou seja – se dependesse do meu perfil de consumo, a black friday seria um vexame internacional. Gastei míseros R$ 10,00.

Acabei não pagando a conta, não tomando sorvete e o sangramento foi amenizando.

Pois bem. Fui ao já citado Hiper Bompreço, descolar um rango para encarar a reunião. Tudo cheio. Peguei uma coxinha (R$ 5,50) e tomei um café expresso duplo (R$ 5,50 também). Fiquei lá olhando os livros, curtindo as ótimas compras, quando meus olhos batem numa figura que eu tinha visto de manhã.

Sim, meus amigos, a dentista estava lá, na fila, empurrando um carrinho, e novamente com o celular no pé do ouvido.

Minha curiosidade era só uma – teria ela encontrado o uísque? Lancei meus olhos à procura de Jr. Black, que não estava. Saiu da minha lista de suspeitos. Como João Valadares está de novo no Recife, virou minha principal suspeita.

Ainda pensei em ir ao seu encontro (falo da dentista), para dar uma olhada mais atenta nas suas compras, mas aí também já é ser besta demais. O que eu suspeitava, estava confirmado – o atendimento a este que vos escreve foi prejudicado pela ânsia das compras e promoções. Por causa do whisky, sofri mais do que o necessário.

Beberiquei meu café e dei uma folheada na edição da Caliban.

Dentro, havia um presente. Um poema datilografado, belíssimo, sem a autoria. Mas pelo estilo, pelo ritmo e pelas imagens poéticas, tenho quase certeza que é um texto do próprio Jaci Bezerra. Vou tentar botar aqui para ver se algum leitor me ajuda e confirma.

Cheguei em casa e corri para o livro “Linha d’água”, publicado em 2006 pela CEPE, com praticamente toda a sua obra (sete livros). Procurei o poema e não está.

Suspeito tenha ganho um precioso presente neste tal de black friday – um original inédito do Jaci Bezerra.

Hoje tem dentista de novo. O azar vai ser se ela for leitora das minhas crônicas.

dedica jaci

Postado em Crônicas | 5 Comentários »

5 Comentários

  1. a dançadeira Disse:

    que delícia te ler hoje… e que belo poema achado sem nome entre tantas vozes!

  2. agnaldo azevedo silva carrasco Disse:

    Noticia Urgente: Apos a CBF divulgar que vai dar 3 anos de isencao de rebaixamento pra Chapecoense, o time do Santa Cruz Futebol Clube embarca para Toquio com meio tanque de combustivel.

  3. Jurandir Disse:

    Esse Agnaldo, que suspeito ser codinome, é meio idiota ou um idiota completo?

  4. samarone Disse:

    Sei lá.
    Na Internet aparece cada criatura…
    Mas vamos em frente.

  5. GUESS sale Disse:

    http://steeljawscribe.com/2008/09/17/russian-slbm-developments

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