Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Diários de Olinda (Volume 1)

29 de abril de 2017, às 18:16h por Samarone Lima

Esta cronica deve ser lida ao som de Belchior.

**

O Sebo ainda não pegou. Calhou de ter inaugurado justo no momento que o vizinho, Raoni, teve que encerrar as atividades da Casa do Cachorro Preto, por pressão da Prefeitura. Sempre dava muita gente. O cachorro, todavia, é branco. Raoni me emprestou quatro mesas verdes, que são um charme.

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Todos os dias, ela vinha e passava um pedaço aqui, a gatinha linda da vizinha. Foi ficando mais tempo, então passou a dormir. Carinhosa, não sai de junto de mim. Batizei-a de Isabelita. A vizinha disse que o nome dela é Talita, e não acha ruim que ela fique por aqui. É uma gatinha que se adotou. Me ajudou um pouco com a saudade de Azeitona.

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Os ônibus que circulam para Olinda, especialmente da Cidade Alta, são péssimos, imundos, calorentos. Não sei como um empresário não tem a dignidade de lavar os veículos, antes de saírem para levar milhares de pessoas. Os motoristas estão sempre com uma cara de exaustos, fodidos. E quando dou bom dia ou boa tarde, os cobradores tomam um susto.

**

A poesia brota. Algo misterioso está acontecendo. Eu agradeço. Já vem outro livro de poesias. Por enquanto, vai se intitular “O céu nas mãos”.

**

Escritor do momento: Albert Cossery. Egipcio. Escreve filhadaputamente bem. Já li “Mendigos e Altivos”, agora vou com “As cores da infâmia”. Seu lema é perfeito: “Uma frase por dia”. Neles, o submundo do povo egipcio, o populacho.

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No ônibus, o sujeito entra vendendo água e “cremosinho” (que é uma delícia, por sinal). Um calor de doer.

“Olha a água!”

Silêncio.

“E vocês não bebem água não, é? Faz mal para a saúde não beber água!”.

Uma mulher levanta a mão e pede uma garrafinha.

Ele olha para mim e comenta:

“O povo esquece das coisas. Eu lembro”.

**

“A Venda de Seu Biu”. A 82 metros de casa. Ventilador no três, Brahma a R$ 5,00 e ótimo atendimento de Luís, o garçom. A música poderia ser melhor, mas aí também é pedir demais.

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Ainda encantado com “Terezas”, a novela publicada pelo senhor Inácio França.

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Agendei com Inácio uma conversa com Tereza Costa Rego dia 13, aqui no sebo. Vai ser lindo.

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Zeca lança “A tempestade” dia 6 de maio. E estamos preparando um curso de Filosofia Livre. Uma vez por mês, sábado de manhã. O cara é sabido todo. Vou dar um curso de poesia também, aos sábados. Vamos ver o formato.

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Frases que chegam:

“Quando você me entendeu, chovia?”

“A alma dele enguiçou”.

“Durante muito tempo

eu não tinha um lugar

para amarrar minha solidão”.

“Agora sei onde dói. Onde manco. Onde mora minha cartomante”.

**

Dominguinhos e João Donato. “Triste”. Lindo. A tristeza tem, sim, beleza.

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Aniversário dia 3 de maio. Chego aos 48 anos, quem diria que fosse tão longe. Como tem jogo do Santa, vou trabalhar. Nunca sei o que fazer no meu aniversário. A falta de vocação para a autofesta é antiga. Penso num encontro de poetas, no dia cinco de maio. Encontro para ler poesias, aqui na Casa Azul.

**

O empobrecimento do país é uma coisa dolorosa. Todos os que conheço estão apertados. “Nunca estive tão quebrado”, disse Naná, hoje de tarde. Sua Kombi, que nunca parava, agora está morgada.

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A TV Globo tem uma vocação golpista. Acho que demorou a perceber que isso vai lhe render muitos infortúnios. O William Waack chega a ser desagradável com sua raiva ancestral. Mas sou vesgo para isso. Quase não vejo mais TV.  A Globo virou um império contra o povo brasileiro.

**

Maria Lúcia Alvim. Que grande poeta, meu deus.

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Morreu Belchior. Neste domingo, só dá ele aqui em casa.

“Eu era alegre como um rio”

“Não sou feliz mas não sou mudo/Hoje eu canto muito mais”.

“Mas não se preocupe comigo, isto é apenas uma canção, a vida é realmente muito pior…”

Postado em Crônicas | 6 Comentários »

6 Comentários

  1. Amanda Machado Disse:

    O sebo “ainda” não pegou, mas vai pegar! Boto fé!
    “Casa azul” é um nome divino e o lugar vai ser muitíssimo bem frequentado, merece ser. Sua Olinda é um deslumbre de ser lida.

    Parabéns pela casa e pelo aniversário (com antecedência). Escreva, Samarone, escreva.

    O Belchior…ah…o Belchior…

  2. Yvette Teixeira Disse:

    Parabéns, felicidades, saúde e paz. Não consegui ligar, acho que estou com um número que não existe mais. Fritz também manda os parabéns. Quero Tereza também. Como consigo? Bono me convidou para tentarmos fazer aqui o lançamento. Em estudo ainda. bj

  3. Eduardo Disse:

    Que chiqueza, ler sua crônica escutando Belchior! Tudo de bom para você e a Casa Azul!

  4. Arabela Morais Disse:

    Primeiramente, parabéns Sama! 03/05. Você. Que alegria e que deleite, ler seus textos e sabê-lo por perto. Aparecerei. Com certeza.

    03/05. Tany. Muita coisa me lembra. Tem uma dorzinha persistente dentro de mim. nunca deixa de doer.

    Vamos pra frente.
    Sucesso meu querido!

  5. Pedro Disse:

    Que maravilha!!

  6. Kátia Rejane Disse:

    Parabéns,Samarone. Sucesso no sebo. Continue nos brindando com seus artigos.

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